MISTÉRIO: Quem é Accioly, amigo de Aécio citado por delator
da Odebrecht juntamente com Diogo Mainardi
13 de abril de 201
KIKO NOGUEIRA
Em seu depoimento à Lava Jato, Henrique Serrado do Prado
Valladares, ex-vice-presidente da Odebrecht, contou que Aécio Neves recebeu R$
50 milhões em troca de apoio ao consórcio da Odebrecht com a Andrade Gutierrez
que disputou o leilão das usinas de Santo Antônio e Jirau, no Rio Madeira.
O dinheiro teria sido depositado numa conta secreta em
Cingapura em nome do empresário Alexandre Accioly, dono da academia BodyTech e
velho amigo de Aécio — é padrinho de um de seus filhos.
Numa passagem, Valladares fala que encontrou os dois num
restaurante no Rio de Janeiro. Estavam em companhia de Diogo Mainardi, um dos
donos do blog Antagonista, vazador oficial da Lava Jato.
“Eu tinha ido para aquele restaurante, Gero, com a minha
esposa para jantar. E estavam lá Aécio Neves sentado com Accioly, mais o cara
que faz o Manhatann Connection… o Diogo Mainardi. Estavam reunidos na mesma
mesa”, afirma.
“Na despedida, o governador Aécio Neves disse a mim: ‘Olha,
Henrique, o Dimas Toledo [então diretor de Furnas], nosso amigo comum, vai lhe
procurar’. Simplesmente isso. E se despediu de mim”.
Continua: “Então, (um dia) o Dimas me traz um papelzinho com
o nome do Accioly, eu sabia que era amigo do governador. Eu me recordo que é em
Cingapura a conta. Não é Suíça, não é Bahamas, é Cingapura”.
Mainardi alega que é mentira. “Cruzei com os dois no Gero –
mais de uma vez – e sempre os cumprimentei”, escreveu.
“É evidente que eu não teria o menor problema em admitir um jantar
com Aécio Neves e Alexandre Accioly”.
É amigo deles?
Quem é Accioly?
Em 2012, a extinta revista Alfa, que eu dirigia, fez um
perfil dele, assinado por Marcelo Zorzanelli, hoje um dos membros do
Sensacionalista.
Transcrevo alguns trechos:
Ainda garoto, o carioca Alexandre Accioly traçou um objetivo
para si próprio: viver bem. “Não queria ficar rico. Eu queria conhecer a
Disney”, diz. “Mas nunca tive ninguém me bancando. Fui com o meu dinheiro aos
27 anos.” Aos 49, ele frequenta com a mesma desenvoltura a seção de economia e
as colunas sociais.
Empresário desde os 17 anos, fez uma série de bons negócios
desde que montou uma agência de figurantes no fim dos anos 1970 – teve um
jornal de classificados de carro, outro de esportes, vendeu revistas, montou um
centro de telemarketing, uma produtora de shows, uma rede de academias,
restaurantes de luxo, uma marina em Angra dos Reis – e ficou amigo de alguns
dos homens mais poderosos e influentes do país, que o consideram um “irmão”.
(…)
“Aos 8 anos, agenciei alguns amigos como engraxates. E os
ensinei a, de noite, se sujar de graxa para pedir dinheiro. Eu ficava com
metade. Até que uma das mães descobriu e acabou com o meu negócio.”
“Minha avó tinha uma boa pensão do exército, que bancava a
família toda. Ela havia me ajudado a montar um jornal de classificados de
automóveis. Aí veio o Plano Collor e quebrei. Logo depois, ela foi atropelada e
morreu. Quando acabou o dinheiro, lembrei que ia com ela todo mês sacar a
pensão…
[Aciolly interrompe a entrevista e diz: Você publicando isso eu vou ser
preso… mas, pode publicar. Acho que já prescreveu]. Depois que ela morreu, fui
lá e a máquina começou a cuspir dinheiro. Que alegria! Vivemos mais de um ano
com essa pensão, até eu começar a ganhar algum de novo.”
“Há dois anos, dei uma longa entrevista para uma revista
mensal [a Piauí]. Um belo dia, minha assessora me disse que o diretor de
redação [Mario Sergio Conti] queria jantar comigo.
A primeira pergunta que ele
me fez: `Alexandre, você, com a sua vaidade, sempre coloca seu nome nas suas
empresas. Como você se sente no caso do restaurante Fasano? Ficar no segundo
plano não te incomoda? Eu me debrucei sobre a mesa e disse: `Cara, eu adoro
gozar com o p** dos outros. O que me importa é dinheiro no bolso, meu nêgo.”
“Eu não falo inglês. Por isso, sempre brincava quando
começava a namorar: se a mulher não falasse inglês, terminava logo, porque aí
não dava para viajar.”
“Eu tomava decisões de risco na minha empresa de
telemarketing. Não tinha dinheiro para investir e minha carga tributária era de
40%. Eu ia pagar imposto ou comprar computador e pagar salário? Eu falei: `No
c*, imposto!.
Só pagava os impostos dos funcionários. E nunca admiti que
falassem que eu era sonegador. Fui inadimplente por mais de dois anos. Foi o dinheiro
mais caro que eu já peguei emprestado, paguei uma multa gigante.”
“O Unibanco estava procurando uma empresa de call center à
qual se associar. Aí nos reunimos com o conselho do banco. Estariam lá o
[Jorge] Bornhausen, o [Tomas] Zinner e o Pedro Moreira Salles. O Urquiza, meu
sócio, me pediu uma semana inteira para eu não falar palavrão. Na reunião,
comecei: `P*** que o pariu! C******!
Meu sócio está há uma semana me pedindo
para não dizer palavrão. Esse filho da p*** veio até aqui falando na p**** do
meu ouvido. Senhores: se formos sócios, vocês vão ouvir muito palavrão.
Gargalhadas gerais. No fim, o Pedro Moreira Salles falou: `Tchau, sócio.”
“Tenho dois amigos bem palhaços. Álvaro Garnero, primo da
Astrid [Monteiro de Carvalho, com quem Accioly teve um filho após um
relacionamento de uma noite], e meu querido Aécio Neves. A única pessoa que
sabia que eu tinha tido algo com a Astrid era o Aécio.
Abro uma revista de
fofoca e vejo a Astrid numa matéria enorme com o Antônio [filho de Accioly que
foi criado até 1 ano e três meses pelo então marido de Astrid, o empresário
Marcos Campos]. Nesse dia, o Aécio me liga: `Já viu seu filho na revista?’. Eu
falei: `Ah, Aécio, vai se f****!’.
Um mês depois, primeiro de abril, toca o
celular. Era o Álvaro Garnero, que estava em Lisboa. Ele me disse: `Cagada
geral. Se tocar o telefone, não atende. A Astrid reuniu a família inteira e
disse que o Antônio é seu filho!’. Quando ele falou aquilo, parecia tão
verdade… E então ele começou a rir e eu ouvi a risada do Aécio no fundo. Eu não
tinha me tocado que ele também estava em Portugal.”
“Fui fazer um jantar para o Boni, que entende tudo de vinho.
Eu vou fingir que entendo? Comprei o vinho mais caro, que aí não tinha como
errar. Eu aplico isso na vida.”
Fonte: http://clickpolitica.com.br/
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