'Acordo de Temer com a Rússia é fruto da era Lula', diz
especialista
A opinião é de Diego Pautasso, professor de Relações
Internacionais da Unisinos (Universidade do Vale dos Sinos), no Rio Grande do
Sul
HÁ 19 HORAS 22/06/2017
POR NOTÍCIAS AO MINUTO
O Presidente Michel Temer concluiu nesta quarta-feira (21) a
visita de dois dias que realizou à Rússia.
Em Moscou, ele disse a empresários,
investidores e membros do Governo russo que seu objetivo era implementar os
negócios da carne brasileira, ampliar a exportação de calçados para a Rússia e
consolidar as relações entre os dois países.
Após a programação oficial cumprida nos dois dias – na
terça, encontros com investidores e empresários e na quarta, audiências com o
Presidente Vladimir Putin e o Primeiro-Ministro Dmitry Medvedev – Michel Temer
deixou Moscou satisfeito com os resultados e deixando a Rússia convicta de que
o mercado brasileiro, além de continuar recebendo os tradicionais fertilizantes
russos, passará também a receber outros produtos como trigo e pescado.
Para Diego Pautasso, professor de Relações
Internacionais da Unisinos (Universidade do Vale dos Sinos), no Rio Grande do
Sul, especialista em estudos dos países BRICS (Brasil, Rússia, Índia,
China e África do Sul), os resultados obtidos por Temer junto ao governo,
empresariado e investidores da Rússia nada mais são do que consequência das
iniciativas de um dos seus antecessores na presidência do Brasil, Luiz Inácio
Lula da Silva:
“O fortalecimento das relações do Brasil com a Rússia tinha
sido uma decisão estratégica do governo brasileiro a partir da gestão do
Presidente Lula e do seu Ministro das Relações Exteriores Celso Amorim.
A
partir dali, há uma sinergia crescente e, com o advento dos BRICS,
as relações [entre os dois países] se tornam bastante simbióticas depois
de um longo período de afastamento entre Brasil e Rússia. Então, acho que boa
parte dos acordos anunciados esta semana entre Brasil e Rússia ainda são fruto
de uma certa inércia dos governos Lula e Dilma Rousseff.
Mas acho também que os
acordos ficaram aquém da potencialidade porque a política externa brasileira
está nitidamente sem uma diretriz, sem saber exatamente quais são seus
interlocutores fundamentais e suas prioridades internacionais”
Na manhã desta quarta-feira, o presidente Michel Temer
apresentou ao Primeiro-Ministro Dmitri Medvedev o Projeto Crescer, programa de
parceria de investimentos do governo brasileiro. Segundo o Palácio do Planalto,
Temer declarou que existem mais de 50 setores abertos a investimentos
estrangeiros.
No mesmo encontro, Medvedev propôs ampliar a parceria
bilateral em áreas como Segurança da Informação, Cooperação Técnico-Militar e
Espacial.
O Primeiro-Ministro também sugeriu que as transações comerciais
entre Rússia e Brasil passem a ser realizadas nas respectivas moedas nacionais
(rublo e real), deixando o dólar dos Estados Unidos de regular o comércio
bilateral.
Medvedev pediu ainda Temer apoio do Brasil à
candidatura da cidade russa de Ekaterimburgo para sediar a Expo 2025, exposição
universal que ocorre a cada cinco anos e apresenta os novos avanços da
humanidade.
Já com o Presidente Vladimir Putin, Michel Temer assumiu o
compromisso de aproximarMercosul e Comunidade Econômica Euroasiática (o bloco
formado por Rússia, Bielorússia, Cazaquistão, Armênia e Quirguistão), quando o
Brasil assumir a presidência do bloco sul-americano, no próximo semestre.
Durante a cerimônia de assinatura dos atos, no Palácio do
Kremlin, Temer e Putin firmaram declaração conjunta na qual Brasil e Rússia
manifestam posições e agendas de interesse comum relativas à política
internacional.
Referindo-se a um dos memorandos, o que trata do
diálogo estratégico na área de política externa, Putin disse que o documento
prevê "um nível mais alto da coordenação de nossos esforços no que diz
respeito ao combate a novos desafios, tais como terrorismo".
O líder russo
destacou ainda a defesa da "paz internacional".
Por sua vez, Temer disse que Brasil e Rússia são países
conscientes de seu papel na cena internacional, motivo pelo qual têm parcerias
tanto no âmbito do G20, grupo que abrange as 20 maiores economias
mundiais, quanto nos BRICS.
Com informações do Sputnik Brasil.
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