13/3/2017 14:17
Lista de Janot tem 400 nomes e pede abertura de inquérito
contra 80 membros do governo Temer
Dois anos depois da primeira "lista do Janot", com
a primeira leva de pedidos de abertura de inquéritos da Lava Jato no Supremo, o
procurador-geral da República, Rodrigo Janot, prepara-se para enviar à corte
nesta segunda ou terça a segunda edição da lista. Dessa vez, muito mais extensa
e atingindo diretamente o núcleo de poder em Brasília.
Serão cerca de 80 pedidos de abertura de inquérito contra a cúpula do governo
Temer, parlamentares do governo e da oposição e até ministro do Tribunal de
Contas da União (TCU). Procuradores da República passaram o domingo na sede da
PGR, em Brasília, revisando os últimos detalhes do material, sob supervisão de
Janot. A intenção é enviar os documentos ao STF ainda hoje ou, no máximo,
amanhã.
As informações são de reportagem de Carolina Brígido e Jailton de Carvalho em O
Globo.
"Um dos inquéritos traz indícios de que a Odebrecht deu propina ao PMDB,
depois de acertar os valores em um jantar no Palácio do Jaburu, em 2014, com
presenças de Michel Temer e do ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha. Temer,
no entanto, deve ficar fora do processo.
A Constituição Federal impede que o
presidente da República seja investigado por fatos ocorridos antes do mandato.
Mesmo sem Temer no inquérito, o fato será investigado no STF. Isso porque
Padilha, um dos suspeitos, tem direito ao foro especial.
O depoimento
voluntário de José Yunes, ex-assessor e amigo de Temer, vai ser incluído nas
investigações. Ele disse que recebeu do doleiro Lúcio Funaro um envelope, e a
entrega teria sido solicitada por Padilha. Yunes também disse que, depois do episódio,
contou tudo a Temer.
Se Temer vai ser poupado da investigação, como ocorreu com a então presidente
Dilma Rousseff na primeira versão da lista de Janot em 2015, o mesmo não
ocorrerá com Padilha; com o líder do governo no Senado Romero Jucá (PMDB-RR); e
com aliados de peso do governo como o senador Aécio Neves, todos citados nas
delações da Odebrecht.
O ministro da secretaria-geral da presidência, Moreira
Franco, também foi citado nas delações, mas ainda não está claro se estará
entre os investigados.
A nova edição da Lava-Jato no STF será uma espécie de caixa de Pandora aberta.
Em delação premiada, 78 executivos e ex-executivos da Odebrecht deram detalhes
de como era feito o pagamento de propina a integrantes do PMDB, PSDB e PT — os
três partidos protagonistas da política brasileira nos últimos anos. Mas há
ainda denúncias para atingir outros partidos.
Foram prestados cerca de 950
depoimentos, todos em vídeo.
Os advogados dos delatores já pediram ao tribunal
que mantenha as imagens sob sigilo, para preservar os clientes.
A decisão
caberá ao relator da Lava-Jato, ministro Edson Fachin."
Fonte: Brasil247
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