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quinta-feira, 14 de setembro de 2017

Temer lidera quadrilha desde que tomou lugar de Dilma, diz Janot

Temer lidera quadrilha desde que tomou lugar de Dilma, diz Janot
Da Redação5 horas atrás 14/09/2017
 Rodrigo Rocha Loures, Michel Temer, Eliseu Padilha: Da esq, para a dir., Rodrigo Rocha Loures, Henrique Alves, Michel Temer e Eliseu Padilha assistem à votação do impeachment de Dilma
© Divulgação Da esq, para a dir., Rodrigo Rocha Loures, Henrique Alves, Michel Temer e Eliseu Padilha assistem à votação do impeachment de Dilma

O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, disse que o presidente Michel Temer (PMDB) é líder da organização criminosa formada por expoentes do PMDB, conhecida como “quadrilhão da Câmara”, desde maio de 2016, quando ascendeu ao cargo de presidente, ainda interinamente, no lugar de Dilma Rousseff (PT), afastada após a abertura do processo de impeachment dela na Câmara, comandada por Eduardo Cunha (PMDB), outro acusado.

Além de Cunha e Temer, integravam o “quadrilhão”, segundo Janot, os ministros Eliseu Padilha (Casa Civil) e Moreira Franco (Governo), além dos ex-ministros Geddel Vieira Lima e Henrique Eduardo Alves, além de Rodrigo Rocha Loures, ex-assessor especial de Temer – ou seja, todos, em algum momento, integraram o primeiro escalão do governo federal após a saída 
de Dilma.

O esquema teria cobrado propina em órgãos como Petrobras, Furnas, Caixa Econômica Federal, Ministério da Integração Nacional e até a Câmara dos Deputados. 
Segundo Janot, o grupo desviou pelo menos R$ 587 milhões de propina.

Janot fez um registro histórico das nomeações e cargos ocupados desde que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi vitorioso nas eleições presidenciais de 2002 e precisava de mais espaço no Congresso Nacional. 

A entrada do “PMDB da Câmara” no governo começou a ser negociada em 2006, segundo o procurador-geral da República, “primordialmente em torno de dois interesses: a prorrogação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF); e a necessidade de ampliação da base do governo em razão do processo do Mensalão, que havia enfraquecido o poder político da cúpula do Poder Executivo federal integrada por membros do PT”.

Esses temas, afirma a PGR, foram negociados por  Temer e Henrique Alves, na qualidade de presidente e líder do PMDB, que concordaram com ingresso do “PMDB da Câmara” na base do governo em troca de cargos chaves, como a presidência de Furnas, a vice-presidência de Fundos de Governo e Loterias na Caixa Econômica, o Ministério da Integração Nacional e a diretoria internacional da Petrobras, entre outros. 

“No dia 30 de novembro de 2006, o Conselho Nacional do PMDB aprovou a integração da legenda, em bloco, a base aliada do governo Lula”, 
lembra Janot.

A PGR afirma que o papel de negociar os cargos junto aos demais membros do núcleo político da organização criminosa, no caso do subnúcleo do “PMDB da Câmara”, era desempenhado por Temer “de forma mais estável, por ter sido ele o grande articulador para a unificação do partido em torno do governo Lula”. 

Depois de definidos os espaços que seriam ocupados pelo grupo dos denunciados, afirma, Temer e Alves, este último líder do PMDB entre 2007 e 2013, eram os responsáveis maiores pela distribuição interna dos cargos, e por essa razão recebiam parcela da propina arrecadada por Moreira Franco, Geddel, Padilha e especialmente Eduardo Cunha.

Ainda de acordo com a PGR, Padilha, Geddel, Alves, Moreira Franco e Loures “têm relação próxima e antiga com Temer, daí porque nunca precisaram se valer de intermediários nas conversas diretas com aquele”. 

“Eram eles que faziam a interface junto aos núcleos administrativo e econômico da organização criminosa a respeito dos assuntos ilícitos de interesse direto de Michel Temer, que, por sua vez, tinha o papel de negociar junto aos demais integrantes do núcleo político da organização criminosa os cargos a serem indicados pelo seu grupo e era o único do grupo que tinha alguma espécie de ascensão sobre todos”, diz.

Transnacional

Janot informa ainda que a organização criminosa tinha atuação internacional, por meio de mecanismos de lavagem de dinheiro, como transferências bancárias internacionais – 
“na maioria das vezes, com o mascaramento em três ou mais níveis para distanciar a origem dos valores” – e a aquisição de instituição financeira com sede no exterior, “com o objetivo de controlar as práticas de compliance e, assim, dificultar o trabalho das autoridades”.

Investigação da PF

Nesta semana, a Polícia Federal entregou à Procuradoria-Geral da República o relatório da investigação sobre o chamado 
“quadrilhão do PMDB da Câmara” mostrando como funciona a estrutura do grupo, incluindo figuras do segundo escalão peemedebista, como Sandro Mabel e Tadeu Filipelli, ex-assessores 
de Temer.

Veja abaixo como seria essa estrutura, segundo a PF.

Michel Temer: segundo a PF, tinha “poder de decisão” no PMDB da Câmara e, em razão disso, recebeu 31,5 milhões de reais em propina dos esquemas de corrupção do grupo. 

Valor se divide entre os 500.000 reais entregues ao ex-assessor presidencial Rodrigo Rocha Loures por um executivo da JBS, os 10 milhões de reais que a Odebrecht teria pago ao PMDB a pedido de Temer em 2014, 20 milhões de reais referentes ao contrato PAC SMS da diretoria Internacional da Petrobras e 1 milhão de reais que teria sido entregue ao coronel aposentado da Polícia Militar João Baptista Lima Filho, amigo de longa data de Temer.

Eliseu Padilha: apontado pela PF como “longa manus” de Michel Temer na captação de propinas de empresas, teria recebido 4 milhões de reais da Odebrecht. 

O dinheiro seria parte dos 10 milhões de reais destinados pela empreiteira ao grupo político do presidente nas eleições de 2014. 

Os 6 milhões de reais restantes foram empregados na campanha de Paulo Skaf ao governo de São Paulo 
em 2014.
Moreira Franco: atuava na cobrança de propinas ao lado de Padilha, conforme a PF.

Enquanto secretário da Aviação Civil do governo da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), Moreira Franco teria viabilizado repasses de 5 milhões de reais da OAS à campanha de Temer em 2014 e de 4 milhões da Odebrecht, referentes à concessão de aeroportos.

Geddel Vieira Lima: também classificado pela PF como “longa manus” de Temer no recebimento de recursos ilícitos de empreiteiras, teve R$ 51 milhões em dinheiro vivo apreendidos em um apartamento em Salvador. 
Réu em um processo decorrente da Operação Cui Bono?, que investiga corrupção na Caixa Econômica Federal, Geddel está preso em Brasília desde a semana passada.

Eduardo Cunha: conforme a PF, o ex-deputado federal era, ao lado de Temer, líder da organização criminosa do PMDB da Câmara. 

Cunha mantinha indicados em cargos estratégicos à arrecadação de propinas, a exemplo de vice-presidências da Caixa e secretarias do Ministério da Agricultura, e cobrava propina de empresários. 

Já condenado na Lava Jato a 15 anos e 4 meses de prisão, o ex-presidente da Câmara está preso em Curitiba desde setembro de 2016.

Lúcio Funaro: próximo a Cunha, o doleiro intermediava dinheiro sujo ao grupo do PMDB da Câmara. 
Preso em Brasília desde julho do ano passado, Funaro fechou um acordo de delação com a Procuradoria-Geral da República (PGR), na qual afirma que Temer recebeu propina e cobrou doações ilegais para campanhas de aliados. 

O operador também distribuía valores oriundos da corrupção na Caixa. Apenas Geddel Vieira Lima teria recebido cerca de 30 milhões de reais do esquema, segundo Funaro.

Fábio Cleto: atuava ao lado de Cunha e Funaro no esquema de corrupção na Caixa. 
Como vice-presidente de fundos de governo e loterias do banco estatal, Cleto participava das reuniões que decidiam quais empresas receberiam dinheiro do Fundo de Investimento do FGTS (FI-FGTS). 

Ele fornecia as informações ao deputado e ao doleiro, que procuravam empresários e cobravam propina em troca da liberação dos investimentos.

Rodrigo Rocha Loures: indicado por Temer como interlocutor junto à JBS, o ex-assessor presidencial e ex-deputado federal foi flagrado pela PF recebendo uma mala com 500.000 reais em dinheiro vivo de um executivo da empresa. 

Rocha Loures foi preso na Operação Patmos e denunciado pela Procuradoria-Geral da República, ao lado de Temer, por corrupção passiva.

José Yunes: amigo de longa data de Temer, o advogado e ex-assessor presidencial recebeu em seu escritório, em São Paulo, parte dos 4 milhões de reais pagos a Eliseu Padilha pela Odebrecht. 

José Yunes diz ter sido “mula” do ministro, que, conforme a versão de Yunes, pediu para que um “documento” pudesse ser entregue no endereço e, depois, fosse retirado por outra pessoa.

Quem deixou o pacote no escritório foi Lúcio Funaro.

Henrique Alves: o ex-presidente da Câmara e ex-ministro está preso desde junho na Operação Manus, que apura corrupção na construção da Arena das Dunas, em Natal. 

Ele é réu pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro por supostamente ter dividido com Eduardo Cunha 11,5 milhões de reais em propina referentes à obra. 

Alves também está no banco dos réus ao lado de Cunha em uma ação penal por propinas no 
FI-FGTS.

Antônio Andrade: Lúcio Funaro afirma em sua delação premiada que Andrade, indicado por Temer ao Ministério da Agricultura do governo Dilma, pediu e recebeu 25 milhões de reais para favorecer as empresas do grupo JBS em 2014. 

O vice-governador mineiro também teria dividido com Temer e Cunha um repasse de 7 milhões de reais da empresa, operacionalizado por Funaro.

Tadeu Filippelli: ex-assessor presidencial e ex-vice-governador do Distrito Federal, foi preso na Operação Panatenaico, que investiga um suposto esquema de corrupção que desviou dinheiro da obra do estádio Mané Garrincha, em Brasília.

Sandro Mabel: PF cita suposto favorecimento do ex-deputado federal e ex-assessor presidencial em favor da empreiteira OAS em duas medidas provisórias no Congresso, além de suposto repasse de 10 milhões de reais de Funaro a Mabel, a pedido de Cunha.

Arquivado em: Política


quinta-feira, 13 de julho de 2017

EXPLICADO O CHORO DE GEDDEL: Funaro diz em delação que entregou várias malas cheias de dinheiro a braço direito de Temer; SAIBA!

EXPLICADO O CHORO DE GEDDEL: Funaro diz em delação que entregou várias malas cheias de dinheiro a braço direito de Temer; SAIBA!
13 de julho de 2017
 

O doleiro Lúcio Funaro afirmou no último dia 7 em depoimento à Polícia Federal, ao qual a TV Globo teve acesso, que fez várias entregas de “malas de dinheiro” nas mãos do ex-ministro Geddel Vieira Lima numa sala do aeroporto de Salvador.

O G1 entrou em contato a defesa do ex-ministro e aguardava um posicionamento até a última atualização desta reportagem.

Preso desde julho do ano passado, Funaro é alvo de ação penal por fraudes no Fundo de Investimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FI-FGTS) junto com o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

O doleiro está negociando com o Ministério Público uma delação premiada. No último dia 5, ele foi transferido do presídio da Papuda para a carceragem da Polícia Federal, em Brasília, onde permanecerá até esta sexta (14).

De acordo com relatório da Polícia Federal, “o declarante (Funaro) [diz que] fez várias viagens em seu avião ou em voos fretados para entregar malas de dinheiro para Geddel Vieira Lima , que essas entregas era feitas na sala vip do hangar Aerostar, localizado no aeroporto de Salvador, Bahia, diretamente nas mãos de Geddel”.

O relatório afirma ainda que Funaro “pretende entregar alguns documentos sobre essas viagens como elemento de corroboração em anexos de sua colaboração; que realmente, em duas viagens, que fez, uma para Trancoso (BA) e outra para Barra de São Miguel (BA), o declarante fez paradas rápidas em Salvador (BA) para entregar malas ou sacolas de dinheiro para Geddel Vieira Lima”.

g1


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sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

"Desespero total": Pastor Everaldo (PSC) pediu dinheiro a Cunha, aponta PF

"Desespero total": Pastor Everaldo (PSC) pediu dinheiro a Cunha,aponta PF
Leandro Prazeres, Flávio Costa e Mirthyani Bezerra
Do UOL, em Brasília e São Paulo
13/01/201720h38
 Eduardo Cunha participa de culto realizado pelo pastor Everaldo (PSC) no Rio, em imagem de fevereiro de 2015
Eduardo Cunha participa de culto realizado pelo pastor Everaldo 
(PSC) no Rio, em imagem de fevereiro de 2015

Mensagens de celular indicam que o presidente nacional do PSC, Pastor Everaldo, teria pedido dinheiro para seu partido ao ex-deputado federal Eduardo Cunha (PMDB), aponta a Polícia Federal.

Em uma dessas mensagens, realizadas no ano de 2012, quando houve eleições municipais, Pastor Everaldo chega a afirmar a Cunha que estava em "desespero total" para receber os recursos.

A informação consta nos documentos da investigação sobre o suposto esquema de liberação de recursos da Caixa Econômica Federal para as companhias --dos ramos de frigoríficos, de concessionárias de administração de rodovias e de empreendimentos imobiliários-- por meio de direcionamento político, com participação de Cunha e do ex-ministro Geddel Vieira Lima, que ocorreriam em troca de pagamento de vantagens ilícitas.

Na noite de 17 de agosto de 2012, Geddel, então vice-presidente de pessoa jurídica da Caixa, enviou a seguinte mensagem ao celular de Cunha: "Caso da Dinâmica de Everaldo resolvido".

De acordo com a Polícia Federal, "ao que tudo indica, essa empresa seria a Dinâmica Segurança Patrimonial, cujo sócio-administrador é Edson da Silva Torre que, conforme mensagens de Eduardo Cunha, é um sócio do Pastor Everaldo".

PSC "perturbava" Cunha e Geddel
Ainda de acordo com a PF, "embora não haja outras mensagens que confirmem se tratar diretamente desse caso da 'Dinâmica', chamou atenção outros diálogos envolvendo o Partido Social Cristão, já que em outra conversa, do dia 11/09/2012, Eduardo Cunha o questiona [sobre repasses ao PSC] pois, 'tão me perturbando', no que Geddel também informa que estariam perturbando ele também".

Em seu pedido de busca e apreensão da Operação "Cui Bono" à 10ª Vara Federal de Brasília, o procurador da República Anselmo Henrique Cordeiro Lopes afirma que "tendo em vista o modo de operar da dupla Geddel e Eduardo Cunha, espera-se aprofundar sobre esse assunto da Dinâmica e os repasses de valores ao Partido Social Cristão".

Em mensagens trocadas por celular, Eduardo Cunha diz a Geddel que é melhor "soltar algo eu solto sexta para aliviar tão apertados (sic)", referindo-se ao PSC, de acordo com a PF.

Em outro trecho, Cunha usa a expressão "programado originar". A PF afirma que "existe a hipótese de que o 'programado originar' sejam doações legais e que, portanto, existem recursos que não se enquadrariam nessa classificação".

Geddel cita em conversa Cunha a um número "150", que, a PF suspeita, seriam recursos destinados ao PSC na Bahia.

No mesmo dia -- 11 de setembro de 2012 -- em que Geddel fez esta referência, Cunha e Pastor Everaldo trocaram mensagens de celular, afirma a PF.

"Na conversa, Pastor Everaldo justifica a necessidade de repasse ao dizer que 'estava muito com mal seu pessoal' e acrescenta, ainda, que não é apenas o diretório do partido na Bahia que necessita de recursos, mas também o PSC do Estado de São Paulo", lê-se no documento da Polícia Federal.

Cerca de 15 minutos depois, ainda de acordo com a PF, Cunha confirma ao Pastor Everaldo "que também estaria certo para São Paulo na sexta-feira, no que o Pastor Everaldo pede alguma coisa para o dia seguinte em São Paulo".

Nesta conversa, Pastor Everaldo afirma estar em "desespero total", referindo-se à necessidade dos repasses.

No pedido de busca e apreensão, o Ministério Público aponta que Geddel agia "internamente, em prévio e harmônico ajuste com Eduardo Cunha e outros, para beneficiar empresas com liberações de créditos dentro de sua área de alçada e fornecia informações privilegiadas para outros membros do grupo criminoso".

Outro Lado
A assessoria do Pastor Everaldo afirmou que ele não se pronunciaria, pois não teve acesso aos documentos da investigação que o citam.

O PSC afirma, em nota, "não ter tido acesso a nenhuma informação referente à Operação Cui Bono". A nota acrescenta que "todas as doações feitas ao PSC obedecem à legislação eleitoral vigente e são devidamente informadas à Justiça Eleitoral por meio das prestações de contas."

Por meio de nota, um dos advogados de Cunha, Pedro Ivo Velloso, informou que a defesa do ex-deputado "não teve acesso até o momento à investigação, mas, desde já, rechaça veementemente as suspeitas divulgadas".

A reportagem tentou falar com Geddel Vieira Lima por telefone ao longo de toda a tarde desta sexta-feira, mas as ligações feitas para o seu telefone pessoal não foram atendidas.

A Caixa, por sua vez, disse, em nota, que o "banco está em contato permanente com as autoridades, prestando irrestrita colaboração com as investigações, procedimento que continuará sendo adotado".



MPF: GEDDEL FAZIA PARTE DE UMA VERDADEIRA QUADRILHA

MPF: GEDDEL FAZIA PARTE DE UMA VERDADEIRA QUADRILHA
 

A operação que a Polícia Federal deflagrou nesta sexta-feira no Distrito Federal, na Bahia, no Paraná e em São Paulo para investigar um suposto esquema de fraudes na liberação de créditos da Caixa Econômica Federal, teve origem na obtenção de informações extraídas de um aparelho celular apreendido em 2015, do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB); para o procurador da República Anselmo Henrique Cordeiro, "Geddel se valeu de seu cargo na Caixa para, de forma orquestrada, beneficiar empresas com liberações de créditos dentro de sua área de alçada e fornecer informações privilegiadas para outros membros da quadrilha composta ainda por Eduardo Cunha" e outros

13 DE JANEIRO DE 2017 ÀS 17:25 

Alex Rodrigues - repórter da Agência Brasil

A operação que a Polícia Federal deflagrou hoje (13), no Distrito Federal, Bahia, Paraná e São Paulo para investigar um suposto esquema de fraudes na liberação de créditos da Caixa Econômica Federal, entre 2011 e 2013, teve origem na obtenção de informações extraídas de um aparelho celular apreendido em 2015, do ex-presidente da Câmara, o deputado cassado Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

Ao pedir à Justiça Federal autorização para a PF cumprir sete mandados de busca e apreensão em endereços residenciais e comerciais das quatro unidades da federação, o Ministério Público Federal (MPF) citou Cunha e o ex-ministro Geddel Vieira Lima como suspeitos de possíveis crimes de corrupção, formação de quadrilha e lavagem de dinheiro, praticados entre 2011 e 2013. 

Para o procurador da República Anselmo Henrique Cordeiro Lopes, Geddel "valeu-se de seu cargo na Caixa para, de forma orquestrada, beneficiar empresas com liberações de créditos dentro de sua área de alçada e fornecer informações privilegiadas para outros membros da quadrilha composta, ainda, por Eduardo Cunha" e outros.

Também são representados o ex-vice-presidente de Fundos de Governo e Loterias da Caixa, Fábio Ferreira Cleto; o ex-vice-presidente de Gestão de Ativos Marcos Roberto Vasconcelos, exonerado do cargo a pedido em setembro de 2016; o servidor da Caixa, José Henrique Marques da Cruz, que chegou a ocupar a vice-presidência de Varejo e Atendimento do banco, além do fundador da Marfrig Alimentos, Marcos Antonio Molina, e do doleiro Lúcio Bolonha Funaro.

Segundo o MPF, o ex-deputado Eduardo Cunha manipulava a liberação de créditos na Caixa com o envolvimento de Cleto e, possivelmente, do então vice-presidente de Pessoa Jurídica da Caixa, Geddel Vieira, mencionado em diversas mensagens eletrônicas como beneficiários de valores desviados por meio do esquema.

Geddel ocupou a vice-presidência de Pessoa Jurídica da Caixa entre março de 2011 e dezembro de 2013. Entre 2007 e 2010, período do segundo governo Lula, Geddel chefiou o Ministério da Integração Nacional. 

Em maio de 2016, voltou ao Palácio do Planalto como ministro-chefe da secretaria de governo do presidente Michel Temer, deixando o cargo em novembro do mesmo ano, alvo de suspeitas de ter atuado para beneficiar uma construtora na Bahia.

De acordo com o MPF, foi o ex-vice-presidente de Fundos de Governo e Loterias da Caixa, Fábio Cleto quem, ao prestar depoimentos à Procuradoria-Geral da República, acusou Eduardo Cunha de ter recebido propina de empresas em troca da liberação de verbas do Fundo de Investimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FI-FGTS ). 

A gestão do fundo estava sob a responsabilidade da vice-presidência de Gestão de Ativos, então ocupada por Marcos Roberto Vasconcelos, que foi exonerado do cargo a pedido, em setembro de 2016.

Para o procurador Cordeiro Lopes, os indícios de irregularidades já reunidos apontam que os investigados operaram para fraudar a liberação de créditos da Caixa empregando técnicas semelhantes às usadas para desviar recursos da Petrobras e já reveladas pela Operação Lava Jato. 

Entre outras acusações, o procurador sustenta que Cunha obtinha empréstimos fraudulentos para empresas participantes do esquema junto à diretoria comandada por Geddel.

Dentre as empresas citadas como beneficiárias do esquema estão o grupo J&F, a BR Vias (pertencente ao Grupo Constantino e alvo da Operação Lava Jato), a Oeste Sul Empreendimentos Imobiliários, Digibrás, Inepar, Grupo Bertin, entre outras.

"A BR Vias beneficiava-se de sistemática ilícita para obtenção de recursos junto à CEF, contando com a participação ativa do então vice-presidente de Pessoa Jurídica, Geddel Vieira Lima, bem como do ex-deputado federal Eduardo Cunha e de Fábio Cleto e Lúcio Bolonha", afirma o procurador. 

Em uma mensagem extraída do telefone apreendido de Cunha, Geddel informa o ex-presidente da Câmara de que há problemas na liberação de créditos para a Oeste Sul.

"Outras mensagens dão testemunho de que, assim como a BR Vias, outras empresas vinculadas à família Constantino negociavam a obtenção de recursos na vice-presidência de Pessoas Jurídicas da CEF", relata Cordeiro Lopes, mencionando o grupo Marfrig e Seara como beneficiários do esquema.

Diante dos argumentos e elementos apresentados pelo MPF, o juiz federal Allisney de Souza Oliveira autorizou a PF a fazer buscas e apreender documentos em endereços residenciais e comerciais ligados aos investigados e na própria Caixa. 

Também a pedido do MPF, o magistrado suspendeu o sigilo de todo o processo, inicialmente enviado ao STF, devido ao foro privilegiado de que Geddel e Cunha dispunham no início das investigações e, posteriormente, remetidos para o Tribunal Regional Federal do Distrito Federal.

Procurada, a assessoria do PMDB informou que Geddel ainda não se pronunciou sobre as suspeitas. A reportagem ainda não conseguiu contato com o ex-ministro, com os advogados de Eduardo Cunha e com os demais alvos dos mandados de busca e apreensão.

A Caixa informou que o banco está em contato permanente com as autoridades, prestando irrestrita colaboração com as investigações, procedimento que continuará sendo adotado pela instituição.



sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

FHC sabia de tudo e não contou nada

O jornalista e escritor Paulo Moreira Leite é diretor do 247 em Brasília
30 de Dezembro de 2016
 

Sete meses depois do afastamento de Dilma Rousseff, centenas de milhares de brasileiros que foram às ruas  apoiar o pedido de impeachment têm todo direito de se mostrar indignados com as descobertas recentes sobre   Michel Temer e  seus auxiliares diretos.
  Minha opinião é que essas pessoas deveriam pelo menos admitir que vestiram nariz de palhaço quando resolveram  ignorar  denúncias frequentes que mostravam que o país assistia a um espetáculo de caráter seletivo,  onde objetivos de natureza política  tinham prioridade sobre fatos e provas de caráter criminal.
  
 A leitura do volume 2 dos Diários da Presidência mostra que Fernando Henrique Cardoso,  tinha perfeita noção de que se preparava um embuste para iludir o país com discursos de falso moralismo mas preferiu emprestar a biografia para dar respeitabilidade a um circo político que Joaquim Barbosa classificou como "encenação" do Congresso.

 Os registros das 868 páginas mostram Fernando Henrique preferiu o silêncio quando poderia ter falado -- e muito. Deixou lembranças e observações  para a história, aos estudiosos do futuro mas não agiu de acordo com o que conhecera e sabia, O volume 2 veio a público em maio, quando a sorte de Dilma recebia o tratamento final na Câmara de Eduardo Cunha,  Jair Bolsonaro e as lideranças do PSDB, produzindo uma cena lamentável de barbárie política.

Compreende-se pela leitura do Diário que FHC  conhecera de perto a liderança do PMDB que, em torno de Michel Temer, Geddel Lima e Eliseu Padilha, preparava-se para o assalto ao poder.

Em 1997, dezenove anos antes, Fernando Henrique encontrava-se na segunda metade de seu primeiro mandato como presidente da República, quando teve a oportunidade de redigir suas impressões opiniões sobre o triunvirato Temer-Geddel-Padilha no volume 2 dos Diários da Presidência.

Verdade que em 1997  ele não podia imaginar que estava produzindo um relato precioso para se examinar o comportamento de cada um desses personagens, quase vinte anos mais tarde. Até por isso, o texto tem um caráter especialmente valioso, já que Fernando Henrique Cardoso teve   uma experiência bastante concreta, digamos assim.

De olho na joia da coroa da Esplanada, o Ministério dos Transportes, tradicional ponto de negócios com grandes empreiteiras -- as mesmas que em nossa época fariam delações premiadas na Lava Jato -- o trio queria emplacar Padilha a frente da pasta mais disputada de Brasília. Fernando Henrique resistia. Deixou palavras que mostram uma certa bravura, o esforço de quem precisava do apoio do PMDB mas fazia questão de registrar sua preocupação com princípios e a disposição de resistir a pressões indevidas.
  
  Está lá, na página 167, uma descrição crua da situação: "o PMDB entrou no nível da chantagem," escreve FHC, referindo-se ao esforço de Geddel para trocar votos para garantir a provação do Fundo de Estabilização Fiscal, peça-chave do plano Real, "pela nomeação do ministro".
   
    Já o atual presidente da República, Michel Temer, diz FHC, com uma ponta de ambiguidade,  encontrava-se  "um pouco atordoado, mas também participando." Conforme o presidente, "parece que está havendo aí um lobby muito forte (a favor de Padilha).  Isso já torna a nomeação mais perigosa."

   Três páginas adiante, na noite de 29 de abril de 1997, a desconfiança fica escancarada. O presidente senta-se para relatar uma conversa com o tesoureiro Sérgio Motta, ministro das Comunicações e operador político do governo. Para FHC, a pressão é tão grande que "está cheirando mal."

    Vamos ler o trecho, na íntegra, com riqueza de detalhes:  "no domingo, encontro o Sérgio Motta, ele muito nervoso, realmente nervoso. Foi a uma reunião na casa do Michel Temer, numa festa, e lá o Geddel, o líder do PMDB, dizia que se o Sérgio quisesse aprovar o Fundo de Estabilização Fiscal, tinha que nomear logo o ministro, tem que o ser o Eliseu Padilha, uma coisa explícita. Eu já tinha decidido que não vou nomear Eliseu Padilha nenhum, porque esta pressão está cheirando mal." Em seguida, Fernando Henrique esclarece: "até tenho simpatia pelo Eliseu mas do jeito que as coisas estão se colocando, isso está mal."

   Por vários semanas, Fernando Henrique deixou registrada sua má vontade com o ministeriável, que iria se tornar ministro-chefe da Casa Civil e homem forte do governo Temer. Só se referia ao gaúcho  Padilha como  "aquele rapaz do Rio Grande do Sul." (Também parece divertir-se chamado Aécio Neves pelo diminutivo Aecinho). Quem tivesse lido o diário, na época, teria certeza de que Padilha jamais se tornaria ministro de FHC.

   Três semanas depois, ocorreu aquilo que costuma se passar no mundo político, com tantos personagens, de todos os partidos, mesmo aqueles que não escrevem Diários. 

Em 22 maio de 1997,  menos de um mês depois de ter escrito que não iria "nomear Eliseu Padilha nenhum, essa pressão está cheirando mal," Fernando Henrique lhe deu posse no ministério, permitindo que ali ficasse por até novembro de 2001, ou seja, por quatro anos seguidos. 

A passagem de Padilha pela Esplanada foi marcado por rumores e denúncias, em grande parte vocalizadas por Pedro Simon, voz histórica do PMDB gaúcho. 

A opinião corrente era que aquele ministério estava mesmo "cheirando mal", embora nada tivesse sido demonstrado contra o ministro. Em qualquer caso, é bom admitir, a oposição não tinha força política para isso. 

Sequer foi capaz de convocar o ministro para dar explicações no Congresso. "O Geddel se mobilizou para comandar a tropa de choque que protegeu o Padilha, " lembra um parlamentar presente, bastante ativo, na época, referindo-se ao futuro ministro cuja permanência no Planalto tornou-se insustentável quando se revelou seu empenho para salvar um apartamento milionário em Salvador num investimento condenado pelo patrimônio histórico.

 Duas décadas mais tarde, em julho de 2015, quando especulou-se sobre a possibilidade de um encontro entre FHC e Dilma Rousseff, pois eram claros os sinais de que a democracia encontrava-se em situação de risco, o ex-presidente usou sua página no Facebook para recusar qualquer contato com uma presidente eleita por 53,5 milhões de votos, que no dia de seus 80 anos redigira uma carta-homenagem de reconhecida generosidade, muito além de todo protocolo e toda conveniência política.

 "O momento não é para a busca de aproximação com o governo mas sim com o povo", escreveu Fernando Henrique. "Qualquer conversa não pública com o governo pareceria conchavo na tentativa de salvar o que não deve ser salvo."

 Na verdade, o que não deveria ser salva era uma articulação que produziu a mais grave ruptura institucional desde abril de 1964, abrindo um processo de destruição de direitos e permanente instabilidade -- cuja origem se encontra na quebra da soberania popular. 

Repetindo 1997, quando acabou cedendo a uma operação que estava "cheirando mal", em 2016 ficou em silêncio e fez o que se sabia que não deveria ser feito.




domingo, 11 de dezembro de 2016

Temer derreteu. A saída é renúncia e eleição direta já

11 de Dezembro de 2016
 Marcos Corrêa/PR

A delação do diretor da Odebrecht Cláudio Melo Filho vazada pela força-tarefa da Lava Jato é devastadora para o golpista Michel Temer e para o quartel-general do golpe. Não fica em pé uma viga do empreendimento golpista.

Temer derreteu, e o Brasil está derretendo junto. 

O presidente usurpador perdeu totalmente a capacidade de governar. O país está sendo jogado no precipício que pode causar uma convulsão social: depressão econômica, desemprego próximo dos 15% e calamidade financeira em Estados e Municípios que evoluirá para uma crise humanitária.

O PMDB e o PSDB, partidos da proa golpista, estão diante de enorme responsabilidade histórica. Permitir a continuidade do governo ilegítimo para finalizar os retrocessos anti-povo e anti-nação, é um crime que será cobrado com juros altos no futuro.

O Brasil pede a renúncia do Temer. Segundo pesquisa DATAFOLHA, 63% querem esta saída. É urgente a necessidade de renúncia do Temer. 

Para evitar uma espiral de calamidade social, o Congresso tem a obrigação de suspender a tramitação da PEC 55/16, da Reforma da Previdência e de outras agendas formuladas pelo governo ilegítimo, e priorizar a renúncia do presidente usurpador e a realização de eleições diretas.

Temer já estava numa situação dramática de sobrevivência desde o cometimento de crime de responsabilidade para patrocinar interesses imobiliários do parceiro Geddel Vieira Lima. Agora, entrou em coma. 

Seu estado é semelhante ao do enfermo cujas funções vitais estão mortalmente comprometidas e é mantido artificialmente por aparelhos que, a qualquer momento, serão desligados.

Ele é citado 43 vezes nas 82 páginas do depoimento do diretor da empreiteira. É uma notável ficha corrida, só desbancada pelo desempenho do seu preposto, o "Primo" Eliseu Padilha, citado em 45 passagens. O "Angorá" Moreira Franco, outro proeminente integrante do clube dos propineiros, é citado 34 vezes.

Essa turma que tomou o poder de assalto promovia negociatas dentro do Palácio Jaburu. 

O diretor da empreiteira destaca a solenidade de que se revestia o achaque: "claramente, o local escolhido para a reunião [Jaburu] foi uma opção simbólica voltada a dar mais peso ao pedido de repasse financeiro". 

Como ficou revelado no caso Geddel, a sede da prática delituosa mudou seu endereço para o Palácio do Planalto.

Além do Temer e de autoridades do coração do Planalto, outros ministros foram denunciados: Mendonça Filho [DEM], José Serra [PSDB] e Bruno Araújo, tucano que em 17 de abril de 2016 proferiu com estridente histeria o voto 342 para o impeachment fraudulento da Presidente Dilma no que a imprensa internacional caracterizou como "uma assembléia geral de bandidos comandada por um bandido chamado Eduardo Cunha".

A cúpula no Congresso, que garantia a sobrevivência do governo golpista, também foi gravemente atingida. O delator citou repasses milionários a Renan, Jucá, Eunício Oliveira, Agripino Maia, Rodrigo Maia, assim como a parlamentares da oposição.

O terrível para Temer e para a sociedade golpista liderada pelo PMDB e PSDB é que a delação de Cláudio Melo Filho é a primeira de um total de 77 acordos de delação firmados só com funcionários e dirigentes da Odebrecht. 

Além dessas, estão sendo feitas delações por funcionários e diretores de outras empreiteiras. Ou seja, uma tormenta que recém começa.

É óbvio que todas estas circunstâncias eram de conhecimento dos justiceiros da Lava Jato e da mídia desde muito tempo antes da fraude do impeachment, porém foram seletivamente ocultadas para permitir a perpetração do golpe de Estado.

Basta relembrar a famosa lista de Janot ainda de março de 2015 que, todavia, saiu do noticiário e da investigação policial e judicial para não prejudicar a evolução do golpe e também garantir a blindagem do PSDB.

Quem consegue a proeza de fazer desaparecer qualquer vestígio de helicóptero carregado com 450 quilos de cocaína, tem talento suficiente para outros milagres, como de eliminar adversários políticos através de caçadas ideológicas, como a que promovem contra o Lula.

O PSDB, a Globo e a oligarquia golpista arquitetam a sucessão do Temer a partir de 1º de janeiro de 2017 com eleição indireta no Congresso, a tal "assembléia geral de bandidos".

Essa solução é inaceitável, porque será fonte de conflito e tensão social em escala vertiginosa. 

A saída para o Brasil é a renúncia imediata de Michel Temer, e a convocação de eleição direta em 90 dias. 

Somente um governo eleito pela soberania popular terá legitimidade e força para evitar que o país caia no precipício.



Contra a parede: Temer é citado 43 vezes em delação da Odebrecht

Contra a parede: Temer é citado 43 vezes em delação da Odebrecht
HuffPost Brasil 9 horas atrás 10/12/2016
 Brazil's President Michel Temer looks on during a news conference at the Planalto Palace in Brasilia, Brazil, November 27, 2016. REUTERS/Ueslei Marcelino
© Ueslei Marcelino / Reuters Brazil's President Michel Temer 
looks on during a news conference at the Planalto Palace in 
Brasilia, Brazil, November 27, 2016. REUTERS/Ueslei Marcelino

O executivo Claudio Melo Filho, da Odebrecht, citou o presidente Michel Temer em 43 oportunidades em seu documento de delação premiada na Operação Lava Jato. Representantes do núcleo duro do partido também acabaram citados por diversas, segundo a Folha de S. Paulo.

O recordista é o senador Romero Jucá, com 105 citações. Geddel Vieira Lima, ex-ministro que caiu após suposta tentativa de burlar decisões de estado para que fosse construído um prédio em Salvador, aparece em 67 oportunidades.

O ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, foi citado 45 vezes, Moreira Franco, considerado um braço direito do presidente, por 35. Caixa 2 milionárioCláudio Melo Filho disse ter entregue dinheiro não declarado à Justiça Eleitoral para a campanha de 2014 de Michel Temer no escritório de advocacia de José Yunes, amigo e conselheiro próximo do presidente, de acordo com o BuzzFeed. Segundo relato do executivo Claudio Melo Filho a investigadores da Lava Jato, o dinheiro era parte dos R$ 10 milhões acertados por Temer e Marcelo Odebrecht em um jantar em maio de 2014, junto com o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha.

O encontro foi revelado em reportagem da Veja, em agosto. Segundo o delator, R$ 4 milhões ficariam com Padilha, responsável pela distribuição do dinheiro entre outras campanhas do partido. 

Os outros R$ 6 milhões seriam para a campanha de Paulo Skaf, presidente da Fiesp e candidato do PMDB ao governo de São Paulo em 2014.Yunes foi tesoureiro do PMDB em São Paulo e, hoje, é assessor especial de Temer no Palácio do Planalto.

Governo Temer treme
O ex-diretor de Relações Institucionais da Odebrecht Claudio Melo Filho citou em delação recursos repassados a peemedebistas, como o presidenteMichel Temer, o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, o secretário do Programa de Parcerias de Investimento, Moreira Franco, o líder no Senado, Eunício Oliveira(CE), o presidente da Casa, Renan Calheiros (AL), e o líder do governo no Congresso, Romero Jucá (RR), afirmou a TV Globo.

Durante o Jornal Nacional desta sexta-feira, a emissora informou que o ex-executivo da empreiteira disse que os recursos foram repassados em troca de vantagens para a Odebrecht, como o atendimento a pleitos da companhia no Congresso Nacional.A emissora citou que Melo Filho falou de repasses feitos a pedido de Temer, o que já havia sido relatado mais cedo também pela revista Veja.

O delator disse que a demanda por recursos feita pelos peemedebistas aumentava em períodos eleitorais e que os repasses eram feitos tanto por doações legais de campanha como por doações via caixa dois.

Segundo a TV Globo, o ex-diretor também citou em sua delação políticos de outros partidos, entre eles o presidente da Câmara dos Deputados,Rodrigo Maia(DEM-RJ).

A emissora disse que o Palácio do Planalto afirmou que os fatos narrados por Melo Filho jamais aconteceram e que todas as doações da Odebrecht foram declaradas à Justiça Eleitoral.

Todos os demais citados negaram à emissora que tenham cometido irregularidades.

Temer se defende
Em nota, a assessoria do presidente afirmou que todas as doações feitas pela empreiteira foram declaradas ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). 

“O presidente Michel Temer repudia com veemência as falsas acusações do senhor Cláudio Melo Filho”, informa a nota. 

“As doações feitas pela Construtora Odebrecht ao PMDB foram todas por transferência bancária e declaradas ao TSE. Não houve caixa 2, nem entrega em dinheiro a pedido do presidente”




sábado, 10 de dezembro de 2016

URGENTE: COM 25 MINUTOS NO JN, TEMER JÁ PODE PREPARAR A CARTA DE RENÚNCIA

URGENTE: COM 25 MINUTOS NO JN, TEMER JÁ PODE PREPARAR A CARTA DE RENÚNCIA
 

Numa reportagem correta do repórter Júlio Mosquera, no Jornal Nacional, Michel Temer foi apresentado ao público como o chefe do esquema do PMDB na Câmara dos Deputados e uma espécie de negociante de interesses privados no parlamento e no Executivo; ao todo, o telejornal dedicou 25 minutos aos capítulos da delação de Claudio Melo Filho dedicados ao PMDB, onde Temer e seus principais assessores, Eliseu Padilha, Moreira Franco e Geddel Vieira Lima (já demitido), aparecem como operadores de interesses da empreiteira; JN destacou o trecho em que Melo Filho fala da via de mão dupla entre a empreiteira e Temer: ela dava dinheiro e ele oferecia favores; rejeitado pela população e, agora, sem o apoio da Globo, Temer já pode começar a redigir sua carta de renúncia

10 DE DEZEMBRO DE 2016 ÀS 21:05

247 – Michel Temer já pode começar a redigir sua carta de renúncia. Se não sair espontaneamente da presidência da República, dela será ejetado no início de 2017, seja pela cassação no Tribunal Superior Eleitoral, seja por um processo de impeachment.

A principal evidência de que Temer não continuará no cargo ocorreu na noite deste sábado 10, no Jornal Nacional. 

Numa reportagem correta do repórter Júlio Mosquera, no Jornal Nacional, Michel Temer foi apresentado ao público como o chefe do esquema do PMDB na Câmara dos Deputados e uma espécie de negociante de interesses privados no parlamento e no Executivo.

Ao todo, o telejornal dedicou 25 minutos aos capítulos da delação de Claudio Melo Filho dedicados ao PMDB, onde Temer e seus principais assessores, Eliseu Padilha, Moreira Franco e Geddel Vieira Lima (já demitido), aparecem como operadores de interesses da empreiteira.

O JN destacou o trecho em que Melo Filho fala da via de mão dupla entre a empreiteira e Temer: ela dava dinheiro e ele oferecia favores.

Reitado pela população e, agora, sem o apoio da Globo, principal fiadora do golpe de 2016, ele já pode começar a limpar as gavetas.

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quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

Impeachment de Michel Temer é protocolado na Câmara dos Deputados

 8 December 2016 4:56 
 Impeachment de Michel Temer é protocolado na Câmara dos Deputados
 Renato Cortez Follow NINJA
Petição contendo o pedido de impeachment traz elementos que configuram crimes de responsabilidade e comuns cometidos pelo presidente e seus homens de confiança. Para juristas e entidades signatárias do documento, não restam dúvidas de conduta imprópria.
 Foto: Mídia NINJA
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No início da tarde desta quinta-feira (8) foi protocolado na Câmara dos Deputados pedido de impeachment do presidente Michel Temer. 

Fundamentado no art. 86 da Constituição Federal, o documento se baseia em fortes indícios de prática de atos ilícitos pelo Ministro Geddel Vieira Lima, agindo em benefício pessoal no que se refere a construção de um empreendimento imobiliária no orla de Salvador, capital da Bahia. 

Se comprovado que Temer intercedeu junto ao ex-ministro Marcelo Calero para obtenção de vantagem indevida a Geddel, o presidente da República pode ser enquadrado no crime de concussão, que é exigir para si ou para outrem vantagem indevida.

O pedido de impeachment protocolado hoje também expõe indícios do crime de advocacia administrativa, que é patrocinar interesse privado perante a administração pública valendo-se da qualidade de funcionário. 

De acordo com a denúncia de Calero, Temer sabia da pressão feita por Geddell, admitida em entrevista coletiva concedida no dia 27 de novembro, configurando, com a confissão, a prática de crime de responsabilidade e crime comum. 

As entidades que assinam o pedido afirmam que a conduta de Temer viabilizou e fortaleceu a pressão exercida sobre o ex-ministro da Cultura, permitindo que o interesse privado de Geddel interferisse nas providências a serem adotadas pelo órgão competente, no caso, o Ministério da Cultura.
 Foto: Mídia NINJA
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Ainda segundo o documento protocolado nesta quinta, a proposta de Temer para que Calero enviasse o processo à Advocacia Geral da União (AGU) também configura crime de responsabilidade, visto que a competência da AGU foi exercida por seu órgão junto ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), que corroborou a posição contrária ao empreendimento. 

Não havia conflito e sim a tentativa de pressionar o ministro Calero a divergir da posição do IPHAN, desencadeando, assim, ações que beneficiassem os interesses do ex- secretário de governo de Temer, Geddel Vieira Lima.

O envolvimento de outros nomes ligados a Michel Temer, dizendo que agiram por ordem deste, demonstra conduta comissiva, isto é, ação direta do presidente, valendo-se de preposto para praticar Crime de Responsabilidade e Crime Comum. 

O documento afirma que ao invés de responsabilizar Geddel, o presidente da República resolveu 'enquadrar' o ex-ministro Calero. 

Não havia conflito jurídico entre os órgãos, mas sim um posicionamento do IPHAN, chancelado pelo Ministro da Cultura, que começou a sofrer pressões em função de agir dentro da legalidade e apoiada em convicções técnicas.

Os crimes de responsabilidade cometidos podem ser descritos pelo Art. 85 da Constituição Federal e pela Lei 1.079/1950. 

Sobre isso, a Lei 12.813/2013, que trata dos conflitos de interesses, é autoexplicativa em seu artigo 5°, inciso IV: atuar, ainda que informalmente, como procurador, consultor, assessor ou intermediário de interesses privados nos órgãos ou entidades da administração pública direta ou indireta de qualquer dos poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios.
 Foto: Mídia NINJA
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Carolina Proner, jurista que está entre as pessoas que subscreveram o pedido, afirma que a conduta de Geddel e Temer configura, de forma inequívoca, crime de responsabilidade cometida pelo ex-ministro e presidente. 

"Seja por meio de intermediários, seja atuando ele próprio, Temer agiu de forma a mostrar que aquela conduta era uma coisa normal. Tráfico de influência e proteção de seus preferidos não podem ser admitidos por um governo que se diz empenhado no combate à corrupção", denuncia. Para ela, o mundo está acompanhando o que se passa aqui e "a sociedade está denunciando diariamente a conduta temerária desse grupo que se instalou no poder", completa.

A Jurista Carol Proner explica o pedido de impeachment de Michel Temer assinado hoje pelos movimentos sociais em Brasília.

Se o pedido for aceito pelo presidente da Câmara, deverá tramitar em comissão especial e depois ser aprovado por 2/3 dos deputados para seguir a julgamento no Senado Federal. 

A petição é assinada por cidadãs e cidadãos brasileiros ligados a movimentos sociais em defesa da Democracia e pela manutenção de direitos. São eles:

MST, UNE, Comunidades Negras Rurais Quilombolas, Intersindical, ANPG, MTST, UNEGRO, Levante Popular, Fora do Eixo, Mídia NINJA, UBM, CMP, APIB, CUT, CONAM e os Juristas: Carolina Proner, Juvelino Strozacke, Leonardo Yarochevsk e Marcelo Neves.
 Foto: Mídia NINJA
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