QUI, 15/11/2018 - 12:05 ATUALIZADO EM 15/11/2018 - 12:11
Foto: Agência Brasil
Jornal GGN –
O jornalista
Jamil Chade, do Estadão, divulgou nesta quinta (15) uma reportagem informando
que documentos de uma cooperação internacional entre Brasil e Suíça afirmam que
um membro do PSDB mantém no exterior cerca de R$ 43 milhões em propinas
recebidas de empresas.
O nome de todos os envolvidos, inclusive o do tucano, é
mantido sob sigilo.
Procurado, o partido disse que não irá se manifestar porque
as informações não estão completas.
Chade lembra
em sua reportagem que este é o segundo pedido de cooperação entre Brasil e
Suíça.
O primeiro trabalho conjunto gerou o envio de extratos bancários do
chamado operador do PSDB de São Paulo, Paulo Vieira de Souza, o Paulo Preto,
investigado por corrupção na Dersa.
Mas, segundo
a matéria, o dono dos R$ 43 milhões na Suíça não é Paulo Petro, mas outro
tucano cuja identidade está sendo protegida pelas autoridades.
Esta segunda
cooperação começou com o Ministério Público Federal brasileiro solicitando a
cooperação em junho de 2017, no âmbito de um "processo criminal instaurado
contra B. e outros por lavagem de dinheiro e corrupção."
A letra é foi
colocada para indicar o tucano investigado, mas não corresponde à inicial de
seu nome."
(...)
os suíços mencionam a investigação brasileira e o fato de ela ter uma relação com
o financiamento de campanha do partido" PSDB.
"De
acordo com o tribunal da Suíça, a solicitação de cooperação do Brasil se refere
a pessoas que seriam 'suspeitas de terem concordado que o grupo C.
deveria
pagar, em troca da implementação de um contrato de empréstimo celebrado por
eles com D.
(uma joint venture brasileira ativa no desenvolvimento do serviço
rodoviário, controlada por governo do Estado de São Paulo para a construção,
exploração, manutenção e gestão de autoestradas e nós intermodais), o dinheiro
para financiar a campanha presidencial do PSDB”.
C e D são a
"empresas cujos nomes tampouco foram revelados".
No pedido de
cooperação, as autoridades brasileiras solicitaram o bloqueio de 10 milhões de
francos suíços em contas relacionadas ao investigado.
O valor equivale a R$ 43
milhões, pagos pelo "Grupo C", entre 2006 e 2012.
Em
entrevista ao jornal argentino Clarín, o ex-presidente Fernando Henrique
Cardoso (PSDB) disse não acreditar que Bolsonaro saiba alguma coisa a respeito
de como vai governar.
FHC ainda afirmou que a confirmação do juiz federal
Sérgio Moro como ministro da Justiça preocupa, pois o juiz não tem experiência
com a administração pública.
A reportagem
do jornal O Estado de S. Paulo – que replica a entrevista do Clarín – destaca a
fala do ex-presidente sobre os fatores que levaram Bolsonaro à presidência:
“insegurança
das pessoas, condições econômicas ruins, desemprego e a revolução industrial
das redes sociais, dão como resultado medo, um sentimento de quase ódio aos que
estão no poder, ao PT especialmente, isso foi servido de bandeja para o
fenômeno Bolsonaro.”
Sobre a
nomeação de Moro, ele diz: “é arriscada porque ele nunca foi ministro.
Mas
creio que aceitou porque pensa que pode influenciar (o novo governo).
Tomara
que consiga”.
FHC rejeitou
o rótulo de fascista para Bolsonaro:
“o fascismo é algo organizado, com uma
visão corporativa da sociedade, com um só partido, e ele é outra coisa
(…)
[Bolsonaro] representa um autoritarismo que pode ter uma base ideológico de
qualquer tipo.
Tem expressões autoritárias mas, se elas vão se materializar,
ainda não sabemos.”
Alckmin em 2010 com o então candidato a deputado estadual
Ney Santos, acusado de ligação com o PCC; prefeito eleito de Embu das Artes,
ele estava foragido
O que o PCC
ganhou no acordo com o governo paulista em 2006?
Na época, a
facção realizou vários ataques, especialmente a postos da Polícia Militar, de
maneira coordenada. Eles foram interrompidos após uma reunião no presídio de
Presidente Bernardes, no interior do estado.
De acordo
com o Estadão, a solução foi encaminhada pela advogada Iracema Vasciaveo, então
presidente da ONG Nova Ordem, que defendia os direitos dos presos e
representava o PCC.
Iracema
esteve com Marcola, o líder.
O substituto de Geraldo, Claudio Lembo, deu aval
para o encontro, bem como os secretários da Segurança Pública e da
Administração Penitenciária — Saulo de Castro Abreu Filho e Nagashi Furukawa,
respectivamente.
A história
foi revelada pelo delegado José Luiz Ramos Cavalcanti, que depunha num
processo contra advogadas supostamente ligadas ao
crime
organizado. “Eu apenas autorizei a viagem.
O que aconteceu lá dentro, não
tenho detalhes”, afirma Lembo.
O diabo está
nos detalhes. Em tese, garantiu-se a rendição dos criminosos, desde que se
assegurasse a integridade física deles. Os atentados cessaram, subitamente, e o
poder do PCC só fez crescer.
Geraldo sempre negou qualquer tipo de acordo, mas
o fato é que a relação com o Primeiro Comando da Capital só se tornou mais
confusa, para usar um eufemismo, com o passar do tempo.
O deputado
Conte Lopes, ex-capitão da PM, declarou, certa vez, que “essa facção criminosa
é cria do PSDB”.
O PCC nasceu em 1993 na Cadeia Pública de Taubaté e sua
relação com o governo paulista é recheada de episódios assombrosamente estranhos.
Em 2010,
Alckmin pediu votos para um candidato a deputado estadual do PSC chamado
Claudinei Alves dos Santos, conhecido como Ney Santos.
Pouco
depois, Santos seria preso, acusado de adulteração de combustível,
enriquecimento ilícito, lavagem de dinheiro, sonegação fiscal e formação de
quadrilha.
Era também
investigado por envolvimento com o PCC. Em seu nome, um patrimônio de 50
milhões de reais, incluindo uma Ferrari e um Porsche.
Acabou
eleito prefeito de Embu.
Ok. Alckmin
provavelmente não sabia do passado, do presente e do futuro de Santos.
Mas nem
sua equipe?
Em 2012, um
inquérito sobre o envolvimento de PMs com o
PCC foi arquivado. Um ano depois, aconteceu outro episódio de ampla
repercussão, em que o governador saiu-se como herói na luta contra os bandidos.
Ele teria
sido ameaçado de morte, segundo um recado interceptado.
“Os bandidos dizem que
as coisas ficaram mais difíceis para eles, pois eu quero dizer que vai ficar
muito mais difícil”, disse GA, triunfal, em Mirassol.
Não contavam
com a astúcia do ex-secretário Antônio Ferreira Pinto, que revelou que a escuta
dos membros do PCC circulava desde 2011.
“Esse fato
não tinha credibilidade nenhuma.
A informação é importante desde que você
analise e veja se ela tem ou não consistência. Essas gravações não tinham.
Tanto que o promotor passou ao largo delas”, falou.
“Aí vem o
governo e diz: ‘Não vou me intimidar’. Ele está aproveitando para colher
dividendos políticos”.
De novo: Geraldo, muito possivelmente, não tinha ideia
de que as tais ameaças tinham dois anos de idade e nunca foram levadas a sério.
No início de
2014, outro evento inacreditável.
Um relatório vazado do Ministério Público
dava conta de um esquema para tirar Marcola e outros três chefões da
penitenciária de Presidente Venceslau.
O plano
estaria sendo arquitetado há oito meses.
Os homens já tinham serrado as grades
das janelas de suas celas, colocando-as de volta em seguida, devidamente
pintadas.
Eles sairiam dali para uma área do presídio sem cobertura de
cabos de aço, de onde seriam içados por um helicóptero com adesivos da Polícia
Militar.
O
“vazamento” do documento criou situações surreais. Policiais ficaram de tocaia
aguardando os meliantes. Jornalistas correram para lá.
No Jornal Nacional, um
repórter perguntava, sussurrando, a um franco atirador como funcionava a arma
dele. Diante da falta de ação, era o jeito.
Claro que
não aconteceu nada. Alckmin, no entanto, estava pronto para faturar.
Na Jovem
Pan, elogiou “o empenho da polícia de São Paulo, 24 horas, permanentemente,
contra qualquer tipo de organização criminosa, tenha a sigla que tiver. São
Paulo não retroage, não se intimida”.
Para ele, “lamentavelmente, isso acabou
vazando.”
O PCC, hoje,
controla áreas inteiras da cidade, as cadeias, tem ligação com escolas de samba
e mantém bases no Paraguai e na Bolívia.
Um fenômeno. Graças à transferência de
presos, São Paulo exportou membros da organização para todo o país.
Naquele ano
de 2006, Geraldo deu uma entrevista a uma rede de televisão australiana.
A
jornalista quis saber sobre os “grupos de extermínio” e sobre as ações da
facção.
Irritado, o “Santo” da Odebrecht se levantou da cadeira e encerrou o
papo abruptamente.
“Esse é um
problema do governo estadual.
Você deveria ir falar com eles. Tchau, tchau.
Bye, bye”, diz.
“Se eu soubesse que era sobre isso, não tinha entrevista.
Não
faz o menor sentido”, continua, numa indireta a seus assessores.
A
entrevistadora ainda tentou, inutilmente, um apelo: “Alguém precisa falar sobre
isso”.
Quem
assistiu o Fantástico da Globo neste domingo (08) observou um fato lamentável.
Durante a
reportagem sobre a “briga judicial” no tocante a soltura do ex-presidente Lula,
a emissora carioca colocou imagens bem antigas do desembargador Rogério Favreto
do Tribunal Regional Federal da 4° Região de Porto Alegre.
Para um bom
entendedor, meia palavra basta.
A Globo tentou dar a entender ao seu público,
que o magistrado que determinou o HC do ex-presidente era
“imaturo” e
“inexperiente”, numa tentativa desesperada de socorrer o juiz Sérgio Moro,
“manchado” por sua parcialidade e vinculação ao PSDB.
O Fantástico
usou suas armas, porém, para muitos, sem êxito, tendo em vista que a Rede Globo
perdeu a moral no tocante a Lula, haja vista de sua campanha de ódio que já
ultrapassa os quatro anos contra o ex-presidente.
Lula
continua imbatível nas pesquisas e mesmo encarcerado venceria as eleições de
qualquer pré-candidato apresentado até o momento.
Vale
ressaltar que Juristas de todo o país se manifestaram sobre o episódio
lamentável em Curitiba.
“No dia 21
de setembro de 2010, pouco antes da eleição, o ex-presidente Fernando Henrique
Cardoso enviou um email a Mercelo Odebrchet, com um singelo e revelador
indicativo de assunto: ‘O de sempre’.
Odebrecht certamente já sabia do que se
tratava”, diz o jornalista Ricardo Kotscho, acrescentando que o empresário
ficou mais de dois anos preso e nunca foi chamado por Sérgio Moro
“para
esclarecer o conteúdo dos emails encontrados nos discos rígidos do computador
do empresário”; Kostcho critica a falta de interrogatório a FHC “mesmo que haja
provas cabais para a instalação de processos”
Por Ricardo Kotscho, em seu blog – No dia 21 de
setembro de 2010, pouco antes da eleição, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso
enviou um email a Mercelo Odebrchet, com um singelo e revelador indicativo de
assunto:
“O de
sempre”.
Odebrecht
certamente já sabia do que se tratava.
Não era um
eventual “pedido” de recursos para o partido, não registrados pelas campanhas
do PSDB. Ou seja, “caixa dois”, como se costuma dizer quando envolve outros
partidos.
Naquele
e-mail, FHC pede perdão pela insistência e volta a solicitar “o de sempre”,
desta vez para a campanha de Flexa Ribeiro, candidato a senador pelo PSDB do
Pará:
FHC: “Ainda
há tempo para eles alcançarem, no caso na verdade é manterem a posição que os
leva ao exito”.
Odebrecht:
“Flexa não sei dizer, mas vou verificar”.
No dia 13 de
setembro, FHC havia enviado o primeiro email ao empreiteiro, com um direto
indicativo de assunto, “pedido”, para reforçar a conversa que tiveram durante
um jantar em que o ex-presidente pediu socorro ao amigo:
FHC: “O
candidato ao Senado pelo PSDB do Mato Grosso, Antero Paes de Barros, ainda está
em segundo lugar, porém a pressão do governismo, ancorada em muitos recursos,
está fortíssima.
Seria possível ajudá-lo? Envio abaixo os dados bancários”.
Em resposta,
Marcelo Odebrecht falou para ele ficar tranquilo:
Odebrecht:
“Depois aproveito e lhe dou o feedback dos demais apoios e reforços que fizemos
na linha do que conversamos”.
É a primeira
vez, que o nome de FHC aparece, com provas, como arrecadador de recursos para
campanhas tucanas,mas o assunto não mereceu manchetes no noticiiário.
O que
aconteceu?
Marcelo
Odebrecht ficou mais de dois anos preso em Curitiba sob os cuidados de Sergio
Moro, que o condenou, mas nunca foi chamado pelo juiz para esclarecer o
conteúdo dos emails encontrados nos discos rígidos do computador do empresário.
A troca de
mensagens foi localizada por peritos da Polícia Federal e anexada a um dos
processos em que o ex-presidente Lula é réu, segundo relata Ana Luiza Albuquerque,
na Folha.
Por que só
foi revelada agora pela revista Veja? Não vinha ao caso?
São muitas
as perguntas e dúvidas que envolvem esta extemporânea denúncia que envolve os
nomes de dois ex-presidentes, por acaso um do PSDB e outro do PT.
FHC não se
limitava a pedir recursos à Odebrecht para as campanhas tucanas.
Numa outra
troca de mensagens, em dezembro de 2010, o assunto era “iFHC”, o nome do
instituto criado pelo ex-presidente, com recursos fornecidos por grandes
empresas, no final do seu segundo mandato, em 2002.
Neste
e-mail, André Amaro, presidente da Odebrecht Defesa e Tecnologia, diz a Marcelo
que, em alinhamento com Emílio Odebrecht, informou a um certo
“Daniel” que a
empreiteira contribuirá com R$ 1,8 milhão em 24 meses, “conforme acertado no último
encontro dos empresários no instituto”.
Não seria
interessante, só por curiosidade, saber quem era esse “Daniel”, ou a
força-tarefa da Lava Jato em Curitiba não tem tempo para perder tempo com isso?
A resposta
de Marcelo Odebrecht:
“Ele me
comentou. Parece que meu pai puxou para cima. Deixe meu pai avisado”.
Saberemos
algum dia o final desta história?
Procurado
pela Folha, FHC disse via assessoria:
“Posso ter
pedido, mas era legal. Não sei se deram e não foi a troco de decisões minhas,
pois na época eu estava fora dos governos, da República e do Estado”.
Sim, em 2010
FHC estava há oito anos afastado do governo central, mas o PSDB continuava
disputando eleições.
Existe em
campanhas algo chamado “expectativa de poder” que move os doadores de recursos
e FHC certamente conhece este fenômeno.
O candidato
tucano José Serra chegou a liderar as pesquisas na eleição presidencial e o
PSDB tinha grandes chances de manter o poder em Minas e São Paulo, além de
Ceará e Mato Grosso, onde a empreiteira tem interesses.
FHC também
conhece, certamente, aquela expressão de que não há “almoço grátis”.
Ao contar
esta história, reforço a minha impressão, cada vez mais generalizada, de que na
nossa Justiça impera a teoria de dois pessoas e duas medidas, a depender de
quem são os políticos envolvidos.
Uns vão para
a cadeia; outros não são nem importunados, mesmo que haja provas cabais para a
instalação de processos.