Ao propor o plebiscito, Dilma dá um xeque no golpe e já sai da história
maior do que entrou. Por Kiko Nogueira
Postado em 10 Jun 2016 por
: Kiko Nogueira
O ponto
alto da boa entrevista de Dilma à TV Brasil foi o trecho em que ela falou do
plebiscito sobre novas eleições (sem esquecer os detalhes sobre o tratamento do
câncer, a queda de cabelo e os recados a Merval Pereira).
“Será necessário consultar a população para remontar um pacto que
vinha desde a Constituição de 1988 e foi rompido com o processo de
impeachment”, disse a Luis Nassif no Palácio da Alvorada.
Para que a “consulta popular” seja efetivada, diz ela, é
necessário “o fim do golpe”. É preciso “lavar e enxaguar essa lambança que está
sendo o governo Temer”.
Eduardo Cunha ainda está “dando as cartas”. Nas condições atuais,
“é impossível recuperar a confiança” do empresariado, ainda mais levando-se em
conta que a atual gestão rompeu um contrato fundamental, que foi o das
eleições.
Dilma está dando um xeque mate nos golpistas.
No Senado, abre uma porta para quem estava em dúvida e para os que
não querem nem Temer e nem ela. Também conversa com o pedaço da população que
deseja outro pleito.
O senador Walter Pinheiro (sem partido) propôs uma PEC nesse
sentido. Tem o apoio de, entre outros, Cristovam Buarque (PPS-DF), João
Capiberibe (PSB-AP) e Randolfe Rodrigues (Rede-AP). De acordo com a última
pesquisa CNT/MDA, 50,3% dos brasileiros estão de acordo com a ideia.
Mostra, além disso, desapego e grandeza — o oposto do interino.
Dependendo da resposta a sua proposição, feita publicamente, fica escancarada a
sede de sangue golpista e a cumplicidade de quem aceita e banca uma gangue
fazendo uma mudança completa na casa sem qualquer legitimidade.
Dilma se movimenta num momento em que a vilegiatura de Temer, que
tinha tudo a favor, dá sinais de que será um desastre completo. Ele é apenas um
mau síndico.
Cunha, apesar de ainda operar, está com a necessaire e o KY prontos
para a prisão, destino possível de colegas do PMDB; denúncias de corrupção
atingem praticamente um ministro por dia; o PSDB se reduziu a Serra e Aécio
morreu; a lua de mel com o mercado acabou; a desmoralização no exterior está
consolidada; e, acima de tudo, Michel Temer, que era um anão moral decorativo,
diminui a cada dia.
Sobram-lhe, como fiadores, a Globo, a Fiesp, os bandidos de sempre
no Congresso e a parcela de fascistas que admite que foi para as ruas para
combater os corruptos que não eram deles.
Os movimentos sociais não darão descanso. Por que deveríamos nos
arrastar assim até 2018 assim?
Há questões jurídicas. De acordo com a Constituição, uma eleição
só poderia ocorrer em 2016 caso a titular e o vice deixassem o cargo por
cassação do mandato no Tribunal Superior Eleitoral, impedimento ou renúncia de
ambos.
Randolfe propõe um referendo revogatório, o “recall”, adotado em
países como Alemanha, em alguns estados dos EUA, na Suíça e na Venezuela.
Muita água vai correr sob a ponte para o futuro. Mas Dilma já sai
da história maior do que entrou.
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