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quarta-feira, 24 de maio de 2017

Investigado por corrupção, Temer põe Exército nas ruas por uma semana

Investigado por corrupção, Temer põe Exército nas ruas por uma semana
24/05/2017 - [16:41] – Política

Investigado pelo Ministério Público Federal por corrupção, organização criminosa e obstrução judicial, Michel Temer assinou decreto em que coloca tropas federais nas ruas do Distrito Federal por uma semana; decisão praticamente coloca o Brasil em estado de sítio, no momento em que mais de 85% dos brasileiros desejam a saída de Temer e eleições diretas para presidente; nesta quarta-feira 24, Brasília entrou em chamas com os protestos contra as reformas de um governo ilegítimo, que chegou ao poder por meio de um golpe parlamentar; decreto já está publicado no Diário Oficial

 Brasília 247 – Investigado pelo Ministério Público Federal por corrupção, organização criminosa e obstrução judicial, Michel Temer assinou decreto em que coloca tropas federais nas ruas do Distrito Federal por uma semana.

A informação foi dada pelo ministro da Defesa, Raul Jungmann, em coletiva de imprensa durante confusão em Brasília após repressão da Polícia Militar contra manifestantes que protestavam contra as reformas do governo, pela saída de Temer e por eleições diretas.

"O senhor presidente da República decretou, por solicitação do presidente da Câmara, uma ação de garantia da lei e da ordem", anunciou Jungmann, que disse que Temer não irá aceitar baderna.

 "O senhor presidente da República faz questão de ressaltar que é inaceitável baderna, inaceitável o descontrole e que ele não permitirá que atos como esse venham a turbar o processo que se desenvolve de foram democrática e com respeito às instituições", afirmou.

"Atendendo à solicitação do senhor presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, mas também levando em conta fundamentalmente uma manifestação que estava prevista como pacífica. 

Ela degringolou à violência, vandalismo, desrespeito, agressão ao patrimônio público e na ameaça às pessoas, muitas delas servidores que se encontram aterrorizados", acrescentou o ministro, em seu pronunciamento.

A decisão praticamente coloca o Brasil em estado de sítio, no momento em que mais de 85% dos brasileiros desejam a saída de Temer e eleições diretas para presidente. 

Brasília entrou em chamas com os protestos contra as reformas de um governo ilegítimo, que chegou ao poder por meio de um golpe parlamentar.

 



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quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

FHC surpreende, diz que situação atual é “pior” do que 1964 e pede dialogo com ex-presidente Lula para conter crise

FHC surpreende, diz que situação atual é “pior” do que 1964 e pede dialogo com ex-presidente Lula para conter                                             crise
28 de dezembro de 2016
 

O golpe de 2016, articulado pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, fracassou. 

O plano inicial previa a derrubada de Dilma Rousseff, o impedimento preventivo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a eventual cassação do registro do PT. Paralelamente, Michel Temer implantaria a chamada “ponte para o futuro”, a confiança retornaria e, em 2018, um tucano seria eleito para a presidência da República.

Oito meses depois do golpe, Lula lidera as pesquisas Datafolha e três presidenciáveis tucanos estão implicados na Lava Jato: José Serra por receber R$ 23 milhões na Suíça, Geraldo Alckmin acusado de ganhar R$ 2 milhões por meio do cunhado e Aécio Neves suspeito de ter despesas pessoais bancadas pelo marqueteiro.

Além disso, a “pinguela” Michel Temer fracassou. A economia brasileira foi ao fundo do poço, em razão do golpe, a imagem do Brasil, cujas elites sabotaram a democracia, foi arruinada.

É nesse contexto que FHC prepara uma guinada. Em entrevista à colunista Sonia Racy, ele sinalizou a intenção de dialogar com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Depois de dizer que a crise atual no Brasil é mais grave do que a de 1964, ele defendeu o entendimento. “É preciso que pessoas de posições diferentes conversem e retorne o bom senso. Mas quando falo em diálogo não é entre os que se entendem. É com os que não querem o diálogo”.

FHC, na realidade, nunca quis o diálogo, enquanto imaginou que o golpe seria um projeto bem-sucedido. Agora que o fracasso é evidente, ele muda de postura. De todo modo, sua posição converge com a do ex-presidente Lula, que recentemente falou à TV turca e pregou o entendimento.

“Eu acho que a melhor solução agora é os partidos políticos discutirem uma PEC, uma emenda constitucional e recuperar o direito do povo escolher o seu presidente da República outra vez pelo voto direto”, disse ele, defendendo o diálogo entre os partidos.



quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

Lula engrossa discurso e pede antecipação de processo eleitoral para tirar Brasil da crise

Lula engrossa discurso e pede antecipação de processo eleitoral para tirar Brasil da crise
22 de dezembro de 2016
 

Em mensagem de fim de ano, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva assumiu a bandeira das diretas já e defendeu mudanças radicais na economia.

Segundo ele, é preciso mudar a música da economia e estimular investimentos públicos e privados para retirar o Brasil do marasmo em que se encontra.

“Eu falo com conhecimento de causa porque já fiz”, afirmou.
De acordo com o ex-presidente, só um governo com legitimidade poderá fazer as mudanças necessárias e, segundo ele, isso se chama “voto na urna”.

Lula pediu ainda que o povo se mobilize para defender seu emprego e sua aposentadoria. “Quando só se fala em corte, isso significa cortar do pobre, e não do rico.



sábado, 19 de novembro de 2016

Deterioração política e desemprego podem fazer grandes protestos voltarem

Hoje às 00h31 20/11/2016  
Deterioração política e desemprego podem fazer grandes protestos                                                    voltarem
Analistas acreditam que as jornadas de 2013 devem ganhar versão ainda mais inflamada em 2017
Jornal do BrasilRebeca Letieri *
Protesto em frente a Alerj termina em confronto
Protesto em frente a Alerj termina em confronto

Ninguém nega uma crise de representatividade política como um fenômeno mundial. A dúvida quanto à legitimidade dos partidos, enquanto agentes de representação de interesses, traz à tona a falta de correspondência das demandas da sociedade.

A crise econômica e crescente descrédito dos cidadãos para com suas instituições representativas inflamaram os ânimos do brasileiro, que se vê vítima de um processo de deterioração do serviço público, e ainda é obrigado a pagar a conta. O resultado desta fórmula explosiva, segundo especialistas, pode ser a volta às ruas dos grandes protestos, como aconteceu em 2013.

Mas com o agravante de que, agora, o desemprego e os escândalos políticos incendeiam ainda mais a população.

Essa crise, que não é apenas econômica, pode ser demonstrada pelo aumento no número de eleitores que se abstiveram nas eleições municipais de 2014 e a emergência de formas alternativas de ativismo político, puxado, muitas vezes, pela violência.

Segundo dados oficiais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a taxa de abstenção é crescente desde 2008, quando 14,6% dos eleitores não compareçam à votação. No pleito deste ano, o índice chegou a 17,6%. Este cenário de descrédito questiona o sistema democrático e deixa dúvidas sobre o futuro da política nacional. 

"A sociedade quando entra num colapso de representatividade, como acontece em várias democracias do mundo; a espiral do silêncio, dos que pensam e não falam, vem à toa em momentos exacerbados. No fim das contas, a baixa participação nas urnas também não é uma surpresa, e é até aceitável num momento de crise de representatividade", disse o professor doutor em comunicação política, da Universidade Presbiteriana Mackenzie, Roberto Gondo Macedo.

Com o aumento crescente da insatisfação popular com a classe política, o lema “Sem partido” que se propagou pelo país nas manifestações de junho de 2013, resultou numa guinada conservadora, com a proliferação de discursos cada vez mais radicais. Neste sentido, o atual clima de despolitização se torna altamente nocivo e preocupante. 

"Acredito que 2017 pode ser um retorno de 2013, com o agravante das prisões, que ao mesmo tempo tranquiliza grupos e estimulam outros. Essa insatisfação dá brecha para discursos de mudanças radicais. 
No Brasil o exemplo é o caso do [deputado federal Jair] Bolsonaro.
Mas não acredito numa vitória do radicalismo no Brasil. Você tem outros nomes em território nacional que não são tão ruins, trazendo uma ideia de renovação. A última fase de descrédito é de não acreditar nem na justiça, e esse ainda não é o caso do nosso país", completou Roberto. 

Cristiano Noronha é cientista político, mora no Distrito Federal, em Brasília, e traça o mesmo paralelo com 2013, com o agravante, que segundo ele, o que a população insatisfeita tinha naquela época, ela não tem mais. 

"Naquela época, a gente tinha uma situação de baixo índice de desemprego, com acesso a produtos e serviços que antes eles não tinham, mas mesmo assim estavam insatisfeitos com a qualidade do que estava sendo ofertado. Hoje, esse cenário de economia forte não existe mais. As pessoas perderam aquilo que tinham, e passaram a viver uma situação bastante difícil", disse. 

Rio de Janeiro
As prisões deflagradas pela Operação Lava Jato, neste mesmo cenário, trazem uma carga simbólica para a crise e apontam um novo paradigma político, segundo os especialistas. 

"O ano de 2017 vai ser terrível, porque o simbolismo de corrupção se pragmatiza. Agora você vai, efetivamente, prender as pessoas. Isso, para o sistema democrático, pode ser positivo, pois você começa a ver pessoas, que até então eram acima da lei, sendo punidas. Estou mais preocupado com o processo econômico", pontuou Roberto. 

"É uma situação muito especial de crise de representação que mostra a deterioração e fragilidade do sistema", acrescentou Cristiano. 

Nesta quarta-feira (16), o ex-governador Anthony Garotinho foi preso pela Polícia Federal através da Operação Chequinho, que apura fraudes no programa Cheque Cidadão. Em menos de 24 horas foi a vez do ex-governador Sergio Cabral, através da Operação Calicute, suspeito de receber propina para a concessão de obras públicas. 
 Ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral está preso em Bangu 8
Ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral está preso 
em Bangu 8

"Algumas prisões já vêm sendo arrastadas em processos de investigação há anos. Elas não são nenhuma surpresa. Não dá para enxergar o Brasil só em 2016, tem que enxergar há pelo menos três anos. Se fosse, realmente, para esperar o momento certo, não seria agora, em meia à crise econômica dos estados", comentou o professor do Mackenzie. 

"A operação Lava Jato expôs que a classe política estava, na verdade, atuando muito em beneficio próprio nos últimos anos, tentando tirar proveito em sistemas de corrupção através desses contratos em atividades econômicas. 

Hoje essa população, além de perder o emprego, tem que pagar uma conta que não foi criada por ela", disse o cientista político Cristiano Noronha.

Para ele, o descontentamento do carioca, exemplificado pelas recentes manifestações violentas que ocorreram no Centro da capital, é uma conseqüência de um estado falido, que com o processo concomitante das prisões dos ex-governadores acaba por inflamar os ânimos da população.

"A percepção de falta de ordem é tão grande que um grupo de pessoas começa a pensar ‘democracia pra que se a classe política é toda a mesma?’. A exemplo do que a gente viu de movimentos pedindo a intervenção militar, eles entendem, ou pelo menos acham, que num regime militar a ordem seria restabelecida. Se esquecem de olhar o outro lado que é obscuro", disse.

Após os Jogos Olímpicos, a cidade e o Estado colocaram para fora a ferida de uma profunda crise financeira. O preço do petróleo despencou, a crise nacional e as investigações anti-corrupção estão paralisando os investimentos, e a euforia dá lugar a depressão. 

A taxa de desemprego subiu de 3,5% em 2014 para 6,7% hoje, quase o dobro da média nacional.

"O que está acontecendo no Rio é didático. A prova de que alguém tem que pagar [as contas dos gastos descontrolados e da segurança social]", disse o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, recentemente. 

O “alguém” que vai pagar as contas são justamente os servidores públicos que entraram em confronto com mais de 500 policiais da Força Nacional durante a análise na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) do pacote econômico proposto pelo governo do Rio. 

O governador Luiz Fernando Pezão (PMDB) desenvolveu um pacote de ajustes que causaram uma onda de protestos dos funcionários públicos. O "pacote de maldades", como foi apelidado por seus oponentes, prevê o aumento de impostos e a extinção de programas sociais, tais como aluguel social. 

"As pessoas estão inflamadas. Socialmente, a consequência é partir para violência. Pezão é apadrinhado do Cabral que foi preso. Com a crise do estado, começa o questionamento de quando ela teve início, e o Pezão é a bola da vez. A tendência é que esses movimentos aumentem", destacou o professor Roberto Gondo Macedo. 

"As prisões podem ajudar a inflamar as manifestações, porque a população identifica o culpado. E essa raiva é perigosa, especialmente, se não forem adotadas medidas rápidas e eficientes para contornar o problema. 
O governo insistir em medidas impopulares, sem procurar caminhos alternativos, não vai amenizar a situação. 

As medidas mais fortes penalizam a sociedade. 
Tem que haver corte na própria carne", finalizou Cristiano Noronha.
* do projeto de estágio do JB




domingo, 24 de julho de 2016

Crise força o fim do injusto ensino superior gratuito

Crise força o fim do injusto ensino superior                                   gratuito
Os alunos de renda mais alta conseguem ocupar a maior parte das vagas nos estabelecimentos públicos, enquanto aos pobres restam as faculdades pagas
POR EDITORIAL
24/07/2016 0:00 / atualizado 24/07/2016 14:40
Numa abordagem mais ampla dos efeitos da maior crise fiscal de que se tem notícia na história republicana do país, em qualquer discussão sobre alternativas a lógica aconselha a que se busquem opções para financiar serviços prestados pelo Estado. Considerando-se que a principal fórmula usada desde o início da redemocratização, em 1985, para irrigar o Tesouro — a criação e aumento de impostos — é uma via esgotada.
Mesmo quando a economia vier a se recuperar, será necessário reformar o próprio Estado, diante da impossibilidade de se manter uma carga tributária nos píncaros de mais de 35% do PIB, o índice mais elevado entre economias emergentes, comparável ao de países desenvolvidos, em que os serviços públicos são de boa qualidade. Ao contrário dos do Brasil.
Para combater uma crise nunca vista, necessita-se de ideias nunca aplicadas. Neste sentido, por que não aproveitar para acabar com o ensino superior gratuito, também um mecanismo de injustiça social? Pagará quem puder, receberá bolsa quem não tiver condições para tal. Funciona assim, e bem, no ensino privado. E em países avançados, com muito mais centros de excelência universitária que o Brasil.
Tome-se a maior universidade nacional e mais bem colocada em rankings internacionais, a de São Paulo, a USP — também um monumento à incúria administrativa, nos últimos anos às voltas com crônica falta de dinheiro, mesmo recebendo cerca de 5% do ICMS paulista, a maior arrecadação estadual do país.
Ao conjunto dos estabelecimentos de ensino superior público do estado de São Paulo — além da USP, a Unicamp e a Unifesp — são destinados 9,5% do ICMS paulista. Se antes da crise econômica, a USP, por exemplo, já tinha dificuldades para pagar as contas, com a retração das receitas tributárias o quadro se degradou. A mesma dificuldade se abate sobre a Uerj, no Rio de Janeiro, com o aperto no caixa fluminense.
Circula muito dinheiro no setor. Na USP, em que a folha de salários ultrapassa todo o orçamento da universidade, há uma reserva, calculada no final do ano passado em R$ 1, 3 bilhão. Mas já foi de R$ 3,61 bilhões. Está em queda, para tapar rombos na instituição. Tende a zero.
O momento é oportuno para se debater a sério o ensino superior público pago. Até porque é entre os mecanismos do Estado concentradores de renda que está a universidade pública gratuita. Pois ela favorece apenas os ricos, de melhor formação educacional, donos das primeiras colocações nos vestibulares
Já o pobre, com formação educacional mais frágil, precisa pagar a faculdade privada, onde o ensino, salvo exceções, é de mais baixa qualidade. Assim, completa-se uma gritante injustiça social, nunca denunciada por sindicatos de servidores e centros acadêmicos.
Levantamento feito pela “Folha de S.Paulo”, há dois anos, constatou que 60% dos alunos da USP poderiam pagar mensalidades na faixa das cobradas por estabelecimentos privados. Quanto aos estudantes de famílias de renda baixa, receberiam bolsas.

Além de corrigir uma distorção social, a medida ajudaria a equilibrar os orçamentos deficitários das universidades, e contribuiria para o reequilíbrio das contas públicas.