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segunda-feira, 21 de novembro de 2016

Cirurgia de Garotinho custou mais de R$ 1 milhão, diz coluna

Cirurgia de Garotinho custou mais de R$ 1 milhão, diz coluna
Notícias Ao Minuto5 horas atrás 22/11/2016
 
© Fornecido por New adVentures, Lda.

A cirurgia cardíaca a que foi submetido o ex-governador do Rio Anthony Garotinho (PR) teria custado mais de R$ 1 milhão. 

A informação é da coluna Esplanada, do jornal O Dia, desta segunda-feira (21).

Garotinho foi submetido a um cateterismo - procedimento para desobstruir uma artéria - no domingo (29) no Hospital Quinta D'Or, no Rio de Janeiro.

De acordo com boletim médico divulgado na tarde de hoje, o estado de saúde do ex-governador é estável.




Garotinho antes de ser preso: "O Globo recebeu 2 bilhões do Cabral"



Publicado em 19 de nov de 2016
19/11/2016 - Coincidência Garotinho grava esse vídeo 
e logo depois vai preso.

Garotinho antes de ser preso: "O Globo recebeu 2 bilhões do Cabral"

Fonte: https://www.youtube.com/watch?v=RXW0o9gsMlo

sábado, 19 de novembro de 2016

Deterioração política e desemprego podem fazer grandes protestos voltarem

Hoje às 00h31 20/11/2016  
Deterioração política e desemprego podem fazer grandes protestos                                                    voltarem
Analistas acreditam que as jornadas de 2013 devem ganhar versão ainda mais inflamada em 2017
Jornal do BrasilRebeca Letieri *
Protesto em frente a Alerj termina em confronto
Protesto em frente a Alerj termina em confronto

Ninguém nega uma crise de representatividade política como um fenômeno mundial. A dúvida quanto à legitimidade dos partidos, enquanto agentes de representação de interesses, traz à tona a falta de correspondência das demandas da sociedade.

A crise econômica e crescente descrédito dos cidadãos para com suas instituições representativas inflamaram os ânimos do brasileiro, que se vê vítima de um processo de deterioração do serviço público, e ainda é obrigado a pagar a conta. O resultado desta fórmula explosiva, segundo especialistas, pode ser a volta às ruas dos grandes protestos, como aconteceu em 2013.

Mas com o agravante de que, agora, o desemprego e os escândalos políticos incendeiam ainda mais a população.

Essa crise, que não é apenas econômica, pode ser demonstrada pelo aumento no número de eleitores que se abstiveram nas eleições municipais de 2014 e a emergência de formas alternativas de ativismo político, puxado, muitas vezes, pela violência.

Segundo dados oficiais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a taxa de abstenção é crescente desde 2008, quando 14,6% dos eleitores não compareçam à votação. No pleito deste ano, o índice chegou a 17,6%. Este cenário de descrédito questiona o sistema democrático e deixa dúvidas sobre o futuro da política nacional. 

"A sociedade quando entra num colapso de representatividade, como acontece em várias democracias do mundo; a espiral do silêncio, dos que pensam e não falam, vem à toa em momentos exacerbados. No fim das contas, a baixa participação nas urnas também não é uma surpresa, e é até aceitável num momento de crise de representatividade", disse o professor doutor em comunicação política, da Universidade Presbiteriana Mackenzie, Roberto Gondo Macedo.

Com o aumento crescente da insatisfação popular com a classe política, o lema “Sem partido” que se propagou pelo país nas manifestações de junho de 2013, resultou numa guinada conservadora, com a proliferação de discursos cada vez mais radicais. Neste sentido, o atual clima de despolitização se torna altamente nocivo e preocupante. 

"Acredito que 2017 pode ser um retorno de 2013, com o agravante das prisões, que ao mesmo tempo tranquiliza grupos e estimulam outros. Essa insatisfação dá brecha para discursos de mudanças radicais. 
No Brasil o exemplo é o caso do [deputado federal Jair] Bolsonaro.
Mas não acredito numa vitória do radicalismo no Brasil. Você tem outros nomes em território nacional que não são tão ruins, trazendo uma ideia de renovação. A última fase de descrédito é de não acreditar nem na justiça, e esse ainda não é o caso do nosso país", completou Roberto. 

Cristiano Noronha é cientista político, mora no Distrito Federal, em Brasília, e traça o mesmo paralelo com 2013, com o agravante, que segundo ele, o que a população insatisfeita tinha naquela época, ela não tem mais. 

"Naquela época, a gente tinha uma situação de baixo índice de desemprego, com acesso a produtos e serviços que antes eles não tinham, mas mesmo assim estavam insatisfeitos com a qualidade do que estava sendo ofertado. Hoje, esse cenário de economia forte não existe mais. As pessoas perderam aquilo que tinham, e passaram a viver uma situação bastante difícil", disse. 

Rio de Janeiro
As prisões deflagradas pela Operação Lava Jato, neste mesmo cenário, trazem uma carga simbólica para a crise e apontam um novo paradigma político, segundo os especialistas. 

"O ano de 2017 vai ser terrível, porque o simbolismo de corrupção se pragmatiza. Agora você vai, efetivamente, prender as pessoas. Isso, para o sistema democrático, pode ser positivo, pois você começa a ver pessoas, que até então eram acima da lei, sendo punidas. Estou mais preocupado com o processo econômico", pontuou Roberto. 

"É uma situação muito especial de crise de representação que mostra a deterioração e fragilidade do sistema", acrescentou Cristiano. 

Nesta quarta-feira (16), o ex-governador Anthony Garotinho foi preso pela Polícia Federal através da Operação Chequinho, que apura fraudes no programa Cheque Cidadão. Em menos de 24 horas foi a vez do ex-governador Sergio Cabral, através da Operação Calicute, suspeito de receber propina para a concessão de obras públicas. 
 Ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral está preso em Bangu 8
Ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral está preso 
em Bangu 8

"Algumas prisões já vêm sendo arrastadas em processos de investigação há anos. Elas não são nenhuma surpresa. Não dá para enxergar o Brasil só em 2016, tem que enxergar há pelo menos três anos. Se fosse, realmente, para esperar o momento certo, não seria agora, em meia à crise econômica dos estados", comentou o professor do Mackenzie. 

"A operação Lava Jato expôs que a classe política estava, na verdade, atuando muito em beneficio próprio nos últimos anos, tentando tirar proveito em sistemas de corrupção através desses contratos em atividades econômicas. 

Hoje essa população, além de perder o emprego, tem que pagar uma conta que não foi criada por ela", disse o cientista político Cristiano Noronha.

Para ele, o descontentamento do carioca, exemplificado pelas recentes manifestações violentas que ocorreram no Centro da capital, é uma conseqüência de um estado falido, que com o processo concomitante das prisões dos ex-governadores acaba por inflamar os ânimos da população.

"A percepção de falta de ordem é tão grande que um grupo de pessoas começa a pensar ‘democracia pra que se a classe política é toda a mesma?’. A exemplo do que a gente viu de movimentos pedindo a intervenção militar, eles entendem, ou pelo menos acham, que num regime militar a ordem seria restabelecida. Se esquecem de olhar o outro lado que é obscuro", disse.

Após os Jogos Olímpicos, a cidade e o Estado colocaram para fora a ferida de uma profunda crise financeira. O preço do petróleo despencou, a crise nacional e as investigações anti-corrupção estão paralisando os investimentos, e a euforia dá lugar a depressão. 

A taxa de desemprego subiu de 3,5% em 2014 para 6,7% hoje, quase o dobro da média nacional.

"O que está acontecendo no Rio é didático. A prova de que alguém tem que pagar [as contas dos gastos descontrolados e da segurança social]", disse o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, recentemente. 

O “alguém” que vai pagar as contas são justamente os servidores públicos que entraram em confronto com mais de 500 policiais da Força Nacional durante a análise na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) do pacote econômico proposto pelo governo do Rio. 

O governador Luiz Fernando Pezão (PMDB) desenvolveu um pacote de ajustes que causaram uma onda de protestos dos funcionários públicos. O "pacote de maldades", como foi apelidado por seus oponentes, prevê o aumento de impostos e a extinção de programas sociais, tais como aluguel social. 

"As pessoas estão inflamadas. Socialmente, a consequência é partir para violência. Pezão é apadrinhado do Cabral que foi preso. Com a crise do estado, começa o questionamento de quando ela teve início, e o Pezão é a bola da vez. A tendência é que esses movimentos aumentem", destacou o professor Roberto Gondo Macedo. 

"As prisões podem ajudar a inflamar as manifestações, porque a população identifica o culpado. E essa raiva é perigosa, especialmente, se não forem adotadas medidas rápidas e eficientes para contornar o problema. 
O governo insistir em medidas impopulares, sem procurar caminhos alternativos, não vai amenizar a situação. 

As medidas mais fortes penalizam a sociedade. 
Tem que haver corte na própria carne", finalizou Cristiano Noronha.
* do projeto de estágio do JB




Ministra do TSE tira Garotinho de Bangu

Ministra do TSE tira Garotinho de Bangu
Julia Affonso, Mateus Coutinho e Fausto Macedo
12 horas atrás 18/11/2016
 Garotinho deixa o Hospital Souza Aguiar, no centro do Rio, para Bangu
© Alexandre Cassiano/Agência O Globo Garotinho deixa o 
Hospital Souza Aguiar, no centro do Rio, para Bangu

A ministra Luciana Lóssio, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), tirou do presídio de Bangu nesta sexta-feira, 18, o ex-governador Anthony Garotinho (PR). Preso na quarta-feira, 16, na Operação Chequinho, o ex-governador havia sido transferido para o Hospital Souza Aguiar, no centro do Rio.


Na noite de quinta-feira, 17, o juiz eleitoral Glaucenir Oliveira, do município de Campos dos Goytacazes - reduto de Garotinho -, mandou remover o ex-governador para Bangu. A transferência de Garotinho foi marcada por uma confusão no hospital, onde sua filha, a deputada federal Clarissa Garotinho, se desesperou com a medida.

A defesa de Garotinho alega que ele está com problemas de saúde (angina instável). Em sua decisão, a ministra, acolhendo o pedido dos advogados do ex-governador, ordenou a remoção de Garotinho para um hospital.

"Ocorre, porém, que não cabe à autoridade judiciária avaliar oquadro clínico do segregado, tal como levado a efeito pelo juiz zonal, que assim procedeu sem qualquer embasamento técnico-pericial por parte de equipe médica regularmente constituída, atitude, a meu ver, em tudo temerária, ante o risco de gravame à integridade física do custodiado", assinalou a ministra.

Luciana Lóssio afirmou que 'a decisão pela qual se determinou a imediata transferência do paciente para o presídio baseou-se, também, na afirmação de que chegou ao conhecimento do juiz notícia de que o paciente estaria recebendo regalias no hospital municipal no qual se encontrava internado'.

"As graves consequências que podem advir de uma inapropriada interrupção do tratamento clínico do paciente em ambiente hospitalar exigem do magistrado redobrada cautela na solução do caso, não se revelando minimamente razoável que a decisão judicial tenha lastro em notícias de supostas regalias, em relação às quais não se indicou nada de concreto", advertiu a ministra.
Luciana Lóssio determinou:

 "A fim de assegurar o adequado e necessário acompanhamento médico, determino à autoridade policial a imediata remoção do ora paciente, Anthony William Garotinho Matheus de Oliveira, para hospital - podendo ser na rede privada, desde que por ele custeado - o qual deverá estar apto à realização dos exames indicados no relatório médico, devendo permanecer sob custódia no estabelecimento enquanto houver necessidade devidamente atestada pelo corpo clínico.

"A ministra autorizou a visita apenas de seus familiares e advogados, nos termos das regras estabelecidas pelo hospital, vedada, contudo, a utilização de aparelhos de comunicação, a exemplo de telefone celular'.Luciana Lóssio decidiu ainda. "Ultrapassado o prazo necessário para a conclusão dos exames e procedimentos médicos acima mencionados antes da conclusão do julgamento da medida liminar pelo plenário dessa Colenda Corte, determino que o paciente permaneça em prisão domiciliar, nos termos do artigo 318, inciso II, do Código de Processo Penal.

"COM A PALAVRA, AO ADVOGADO FERNANDO FERNANDES, QUE DEFENDE GAROTINHO"
Ultrapassamos a crueldade testemunhada por todos, em que um paciente é arrancado de um hospital sem concluir seu tratamento".




quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Aos berros, Garotinho vai para complexo penitenciário de Bangu onde está Cabral

Aos berros, Garotinho vai para complexo penitenciário de Bangu onde                      está Cabral
Publicado em quinta-feira, novembro 17, 2016 · 
 Alexandre Cassiano / Agência O Globo
Alexandre Cassiano / Agência O Globo

Como aliados, os ex-governadores Anthony Garotinho (PR) e Sérgio Cabral (PMDB) dividiram o mesmo palanque até a eleição de 2006. A partir desta sexta-feira, os arqui-inimigos vão compartilhar o mesmo complexo prisional, o de Gericinó, em Bangu. Após determinação da Justiça, Garotinho foi levado sob protestos para o presídio José Frederico Marques, no Complexo de Bangu. 

Uma ambulância dos Bombeiros, acompanhada de policiais federais, pegou o ex-governador no Hospital Municipal Souza Aguiar, , no Centro do Rio, onde estava internado desde ontem após passar mal na superintendência da Polícia Federal. Mais cedo, Cabral foi encaminhado para Bangu 8, onde ficam os presos com ensino superior.

Acompanhado da mulher, a prefeita de Campos, Rosinha Garotinho, e a filha e deputada federal Clarissa Garotinho, o ex-governador entrou na ambulância gritando para que não o levassem e pedindo respeito, “porque era um homem enfartado”.

– Me solta, me solta. Eu sou um enfartado. Vocês me respeitem – gritou com a voz bem rouca.

Rosinha também protestou, gritando:
– Meu marido não é ladrão. Deixa eu ir com ele. Eu quero ir com ele – protestou, ao lado da filha que também gritava para não levarem o pai para Bangu.

Vários funcionários foram para a porta do hospital e comemoraram a ida de Garotinho para Bangu, durante a saída da ambulância.

A temporada de Garotinho no Souza Aguiar irritou a Polícia Federal. A Secretaria municipal de Saúde informou hoje que, durante um exame de esforço, Garotinho relatou “dor intensa” no peito, o que pode indicar obstrução nas artérias. 

Os médicos, então, agendaram para a segunda-feira um cateterismo para investigar se há mesmo a interrupção. O hospital afirma que seguiu o “protocolo da Sociedade Brasileira de Cardiologia”.

O exame foi marcado para o Instituto Estadual de Cardiologia Aloysio de Castro, no Humaitá. A atitude, sem prévia comunicação às autoridades, irritou o delegado responsável pela investigação, Paulo Cassiano.

— A atitude do Souza Aguiar está sob suspeita para nós. Estamos tentando ver uma maneira de fazer a transferência. 
Foram marcados exames em outro estabelecimento hospitalar, mas isso não pode ser feito sem autorização do juízo, porque ele é um preso e está escoltado pela Polícia Federal — disse o delegado, antes da decisão da Justiça.

Procurada para comentar as críticas, a Secretaria de Saúde não respondeu.

Por ironia, foi Sérgio Cabral mesmo quem inaugurou a unidade de Bangu 8, em 2008. Por lá, já passaram o empreiteiro Fernando Cavendish, ex-amigo do peemedebista e hoje em prisão domiciliar, o bicheiro Carlinhos Cachoeira e o banqueiro André Esteves. Em Bangu 8, estão ex-diretores da Eletronuclear presos na Lava-Jato.
 
Da passarela da Avenida Brasil, pedestres aguardam a passagem do 
comboio com Cabral preso – Reprodução de TV

No caminho até a penitenciária, manifestantes se amontoaram nas passarelas na Avenida Brasil e gritavam palavras de ordem enquanto passava o comboio com Cabral. Na porta do presídio, também houve manifestação, assim como na porta da Polícia Fdederal, onde os manifestantes usavam guardanapos na cabeça, lembrando o episódio de um jantar de Cabral com empreiteiros em Paris.
Garotinho também foi encaminhado para o complexo prisional de Bangu após ter alta do hospital municipal Souza Aguiar, no Centro.

 O blog de Garotinho continua sendo atualizado mesmo depois de sua prisão. Hoje, uma postagem comemorou a prisão de Cabral.

Com o título “Cabral é preso por corrupção de R$ 224 milhões, bem diferente de Garotinho, acusado por dar Cheque Cidadão aos mais humildes”, o texto diz que “a hora de Sérgio Cabral chegou”.

BANHO DE SOL E VISITAS
Em um ofício enviado hoje à força-tarefa da Lava-Jato, o secretário estadual de Administração Penitenciária, Erir Ribeiro, afirma que o sistema prisional do estado está em condições de receber e dar total segurança a Cabral. Em nota, a secretaria informou que todos os internos “são tratados de forma igualitária, com direito a banho de sol, refeições e visitas após o cadastramento”.
Sérgio Cabral chega ao Complexo Penitenciário de Gericinó, 
em Bangu – Reprodução de TV / Agência O Globo

O cardápio em Bangu 8 é composto por arroz ou macarrão, feijão, farinha, carne branca ou vermelha, legumes, salada, sobremesa e refresco. No desjejum, são servidos pão com manteiga e café com leite. O lanche é pão com manteiga ou bolo. Os presos nas duas unidades de Bangu 8, a masculina e a feminina, têm que usar uniforme próprio do sistema penitenciário do Rio.

Bangu 8 foi inaugurado quando os últimos presos da Penitenciária Pedrolino Werling de Oliveira, no antigo Complexo Penitenciário Frei Caneca, no Estácio, foram transferidos para lá. Bangu 8 herdou o nome dessa penitenciária, que tinha sido construída em 1976 como anexo da Penitenciária Milton Dias Moreira, e era destinada a presos políticos oriundos da Ilha Grande.

Antes de Bangu, outros complexos penitenciários ficaram em evidência por abrigar políticos e empresários envolvidos em esquemas de corrupção. Na Papuda, em Brasília, ficaram os presos do mensalão. A unidade virou tema de marchinha de carnaval. Com a Lava-Jato, parte dos presos foi levada para a Superintendência da PF em Curitiba e, depois, para o Complexo Médico-Penal, em Pinhais.
Manifestantes com guardanapos na cabeça acompanham saída de 
Cabral da PF – TASSO MARCELO / AFP


quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Após ser preso pela PF, Garotinho passa mal e é levado para hospital

16/11/2016 17h56 - Atualizado em 16/11/2016 21h11
Após ser preso pela PF, Garotinho passa mal e é levado para hospital
Segundo advogados, ele sofre de pressão alta e corre risco de sofrer AVC. Após atendimento, ex-governador será levado para presídio em Bangu.
Do G1 Rio
 Garotinho foi preso e levado para a sede da PF no Rio (Foto: Reprodução/GloboNews)
Preso nesta quarta-feira (16) por suspeita de envolvimento com um esquema de compra de votos, o ex-governador do Rio, Anthony Garotinho, foi levado para o hospital Souza Aguiar, no Centro, no fim da tarde desta quarta-feira, onde passou por uma avaliação médica. Segundo seus advogados, Garotinho seguirá agora à noite para o Presídio Frederico Marques, em Bangu, na Zona Oeste do Rio. Na manhã desta quinta (17), Anthony Garotinho seguirá para Campos, no Norte Fluminense.

Nesta quarta, o desembargador eleitoral Marco Couto negou habeas corpus em favor do ex-governador.  De acordo com o magistrado,  "verifica-se que os motivos que levaram o juízo impetrado a decretar a medida são relevantes" e "não se vislumbra ilegalidade manifesta na decisão atacada (que determinou a prisão preventiva)". Os advogados de Garotinho recorreram ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Por volta das 18h15, o ex-governador foi retirado da Superintendência da PF, no Centro do Rio, em uma ambulância, e seguiu para o Hospital Souza Aguiar. Os advogados afirmaram ainda que ele corria risco de sofrer um AVC. 
A previsão era que o ex-governador seguiria para Campos ainda na noite desta quarta, mas o estado de saúde de Garotinho modificou os planos da polícia.

Garotinho foi preso por volta das 10h30 desta quarta-feira (16), no Flamengo, Zona Sul do Rio, por agentes da Polícia Federal. Ele é um dos investigados na Operação Chequinho, que apura o uso do programa social Cheque Cidadão para compra de votos na cidade em 2016.
O ex-governador foi preso preventimente, o que significa que não há prazo para sua  libertação. A PF cumpre ainda oito mandados de prisão temporária (com prazo de cinco dias), outros oito de busca e apreensão e um de condução coercitiva – quando a pessoa é levada a depor e depois liberada. Os mandados foram expedidos pelo juiz Glaucenir Silva de Oliveira, da 100º Zona Eleitoral de Campos.

Segundo a PF, o ex-governador do Rio de Janeiro foi preso em seu apartamento na Senador Vergueiro, de onde teria saído sem algemas, e levado para a sede da PF na Zona Portuária. As imagens acima, feitas pelo cinegrafista William Corrêa, da GloboNews, mostram o ex-governador sentado em uma sala; veja o vídeo. Ainda nesta quarta, Garotinho deve ser levado para Campos.

Anthony Garotinho foi governador do estado do Rio de 1998 a 2002, quando concorreu à presidência, sendo derrotado pelo ex-presidente Lula. Sua mulher, Rosinha Garotinho, foi eleita governadora do estado, e ele foi secretário de Segurança de seu governo. Neste período, uma série de denúncias de crimes eleitorais e comuns recaíram sobre o casal.
Garotinho foi preso e levado para a sede da PF no Rio (Foto: Reprodução/GloboNews)
Garotinho foi preso e levado para a sede da PF no Rio 
(Foto: Reprodução/William Côrrea/GloboNews)

Defesa do ex-governador
No dia 9 de novembro, um pedido de habeas corpus de Garotinho havia sido negado pelo juiz Glaucenir.

O advogado Fernando Augusto Fernandes, que defende Garotinho, afirmou nesta quarta que o decreto de prisão "vem na sequência de uma série de prisões ilegais decretadas por aquele juízo e suspensas por decisões liminares do Superior Tribunal Eleitoral". 

Por meio de nota, a defesa diz ainda que a comarca é alvo de denúncia de abusos de maus-tratos a pessoas presas ilegalmente (veja a nota na íntegra ao final da reportagem).
Segundo o advogado, o ex-governador deu uma declaração quando os policiais chegaram na sua casa. "Engraçado, eu que ajudo os pobres estou sendo preso por conta de Cheque Cidadão, que ajudo direcionado a população carente. Aqueles que roubam de verdade na Lava Jato, a grande maioria está solta ainda aqui no Rio de Janeiro."
Um post no Blog do Garotinho diz que não dá provas contra o ex-governador e que a operação se baseia em depoimentos de "pessoas que foram coagidas a dizer ao delegado que havia participação política no programa, pois senão ficariam presas".
Investigações
A Operação Chequinho investiga um esquema de compra de votos em Campos dos Goytacazes, no Norte Fluminense. Segundo o Ministério Público Estadual, em troca dos votos, a prefeitura oferecia inscrições fraudulentas no programa Cheque Cidadão, que dá R$ 200 por mês a cada beneficiário. A iniciativa é semelhante ao Bolsa Família e foi criada para atender a população de baixa renda.


A operação começou em setembro deste ano, quando o MPE e a PF viram um "crescimento desordenado" do Cheque Cidadão. Em apenas dois meses, o número de inscritos passou de 12 mil para 30 mil. Desde então, a operação prendeu vereadores, eleitores e outros envolvidos no caso. Todos já foram soltos.
Presos
Em setembro, a PF prendeu a secretária municipal de Desenvolvimento Humano e Social e a coordenadora do Programa Cheque Cidadão em Campos dos Goytacazes. Segundo investigadores, também foram presos eleitores que tinham ligação com um vereador – ele foi detido em 29 de agosto suspeito de aliciamento de eleitores para a compra de votos.


No dia 19 de outubro, dois vereadores foram presos temporariamente em Campos: Miguel Ribeiro Machado, o Miguelito, de 51 anos, Ozéias Martins, de 47. Machado ficou no Presídio Carlos Tinoco da Fonseca até o dia 26 de outubro, quando foi liberado. O vereador Ozéias Martins foi liberado no dia 29 de outubro.
No dia 26 de outubro, o vereador Kellenson "Kellinho" Ayres Figueiredo de Souza (PR), de 55 anos, foi preso em uma nova fase da operação. Na ocasião, também foram presos chefes de postos de saúde na cidade. Kellinho conseguiu uma liminar do Tribunal Superior Eleitoral e foi solto do Presídio Carlos Tinoco da Fonseca no dia 4 de novembro.

Além disso, Gisele Kock, coordenadora do Cheque Cidadão na cidade, também está entre as que tiveram a prisão preventiva cumprida no dia 26 de outubro. Ela deixou presídio feminino Nilza da Silva Santos em 3 de novembro, após conseguir habeas corpus.
No dia 29, a Polícia Federal prendeu Thiago Virgílio (PTC), vereador de Campos. O parlamentar foi preso em casa e levado para a sede da PF em Campos. Segundo a Polícia Federal, ele é suspeito de envolvimento com o esquema de compra de votos nas eleições 2016.

Thiago foi solto do Presídio Carlos Tinoco da Fonseca no dia 3 de outubro, após o término da prisão preventiva. O parlamentar havia sido afastado pela Justiça Eleitoral das atividades na Câmara e ficou proibido de acessar e frequentar as dependências da Casa e da Prefeitura, e de manter contato com os beneficiários do Cheque Cidadão e com testemunhas do processo.

No dia 31 de outubro, a vereadora eleita Linda Mara (PTC) e a ex-secretária municipal de Desenvolvimento Humano e Social, Ana Alice Ribeiro Lopes Alvarenga, foram presas pela Polícia Federal em um hotel de Copacana, Zona Sul do Rio.
Uma terceira mulher, que é radialista de Campos, também foi presa. Linda Mara foi liberada após cumprir cinco dias de prisão temporária no Presídio Feminino Nilza da Silva Santos. Ana Alice deixou o presídio após conseguir habeas corpus no dia 3 de outubro. As três estavam foragidas por suspeita de envolvimento na Operação Chequinho.

Nota da defesa
O criminalista Fernando Augusto Fernandes, responsável pela defesa de Anthony Garotinho, afirma que o decreto de prisão ocorrido em razão de decisão da 100ª Vara Eleitoral de Campos vem na sequência de uma série de prisões ilegais decretadas por aquele juízo e suspensas por decisões liminares do Superior Tribunal Eleitoral.
“A prisão a qual está submetido o ex-governador é abusiva e ilegal e decorre de sua constante denúncia de abusos de maus tratos a pessoas presas ilegalmente naquela comarca. Estas denúncias de abuso foram dirigidas à Corregedoria da Polícia Federal e ao juiz, que nenhuma providência tomou. Pessoas presas mudaram vários depoimentos após ameaças do delegado. No entanto, o TSE já deferiu quatro liminares por prisões ilegais. A Justiça certamente não permitirá que este ato de exceção se mantenha contra Garotinho.”