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segunda-feira, 2 de dezembro de 2019

Relação Comercial De Lula E Dilma Com A China E As Bilionárias Reservas Deixadas Pelos Petistas, Salvam Bolsonaro


Relação Comercial De Lula E Dilma Com A China E As Bilionárias Reservas Deixadas Pelos Petistas, Salvam Bolsonaro

Celeste Silveira 2 de dezembro de 2019 


Segundo o Infomoney, na manhã desta segunda-feira (2), Donald Trump, presidente dos EUA, surpreendeu novamente no Twitter ao dizer que vai retomar, de imediato, a imposição de tarifas a importações de aço e alumínio do Brasil e da Argentina, inaugurando uma nova etapa da guerra comercial.

A sua justificativa é de que ambos os países “vêm promovendo maciça desvalorização” de suas moedas, “o que não é bom” para produtores agrícolas americanos.

Assim, no pré-market da bolsa de Nova York, os American Depositary Receipts (ADRs) da Gerdau (GGBR4) chegaram a cair 3%, antes da abertura da bolsa brasileira.

O movimento se estendeu na abertura, com os ativos GGBR4 chegando a ter queda de 2,18%.

Contudo, os papéis da companhia, assim como de outras siderúrgicas, passaram de queda para ganhos, com o anúncio sendo compensado pelos dados positivos vindos da China e também com os investidores digerindo o real impacto do anúncio feito pelo presidente americano.

Já o dólar, segundo a antipetista Folha, subiu e foi a R$ 4,257 com declaração de Trump e o Banco Central interveio.

A Folha só não disse que a intervenção foi feita pelo Banco Central com uma extraordinária monta em reservas internacionais deixadas por Lula e Dilma.

CONTINUA


Jamil Chade: Amadora, Diplomacia Brasileira É Duramente Golpeada Por Trump

Celeste Silveira 2 de dezembro de 2019



Numa mensagem em seu twitter nesta manhã de segunda-feira, Donald Trump escreveu o que praticamente todos sabem: na Casa Branca, “America First” significa exatamente o que o slogan diz. 

Primeiro, defendemos os nossos interesses e qualquer aliança tem de estar disposta a entender que serve aos nossos objetivos.

Só o governo brasileiro e a nova chancelaria brasileira pareciam não querer acreditar. 

Ou entender, o que é mais grave.

Numa resposta à desvalorização do real, que torna as exportações agrícolas mais competitivas e podem afetar os produtores dos EUA, o governo americano anunciou a imposição de tarifas sobre a siderurgia brasileira.

Uma retaliação ilegal e que repete com o Brasil o mesmo comportamento que Washington vem mantendo com a China.

Mas a decisão vai muito além dos metais. 

Ela golpeia o centro da política externa de Bolsonaro, que fez questão de anunciar sua admiração pelo presidente americano e, ao longo dos meses, repetiu como estava sendo tratado como um aliado especial pelo chefe do Salão Oval.

Um primeiro sinal claro do “desencanto” ocorreu quando o governo americano mandou uma carta oficial para OCDE para apontar quais países teriam preferências para aderir à instituição, sem citar o nome do Brasil.

O governo Bolsonaro, nos bastidores, pediu explicações. 

Mas, oficialmente, os dois “parceiros” reiteraram que aquela carta não era importante e que o que interessava era o compromisso público de Trump com a adesão do país, o que jamais se transformou em realidade.

Um segundo desencanto veio quando o governo brasileiro não conseguiu obter as autorizações para voltar a exportar carne bovina ao mercado americano.

Agora, quase um ano depois de assumir a diplomacia brasileira, a realidade é que a nova decisão de Trump deixa o chanceler Ernesto Araújo numa enorme saia-justa.

Em fóruns internacionais, a aliança entre o Brasil e os EUA já afastou o país do bloco das economias em desenvolvimento.

Na OMC, o Brasil sequer conseguiu eleger um de seus quadros mais qualificados para presidir uma negociação. 

Motivo: a instrumentalização feita pela Índia da existência da relação carnal entre Bolsonaro e Trump.

Também na OMC, o Brasil indicou que abandonaria certos privilégios que tinha como país em desenvolvimento, além de abrir seu mercado para o trigo americano.

Em política externa, não existem amigos. 

Apenas interesses. Tampouco há espaço para declarações de amor – muito menos num segundo encontro.

Em 2017, Ernesto Araújo publicou nos Cadernos de Política Exterior do Instituto de Pesquisa de Relações Internacionais (IPRI), uma defesa das políticas de Donald Trump e seu papel em “salvar” o Ocidente.

“Só quem ainda leva a sério a história do Ocidente, só quem continua sendo ator e não mero espectador, são os norte?americanos, ou pelo menos alguns norte?americanos.

Hoje, é muito mais fácil encontrar um ocidentalista convicto no Kansas ou em Idaho do que em Paris ou Berlim”, escreveu.

Um ano depois de comandar o Itamaraty, ou ele entende que Trump apenas tem o interesse de salvar seu mandato, ou está na hora de buscar uma função em algum think-tank financiado pelos ultra-conservadores americanos.

Quanto ao presidente Bolsonaro, um admirador convicto da Ditadura Militar, ele poderia passar mais seu tempo estudando o fato de que nem seus generais de cabeceira se entregaram aos EUA e, ouso dizer, não bateram continência à bandeira americana.

*Jamil Chade/Uol



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sexta-feira, 6 de julho de 2018

Corte Internacional Condena Brasil Pelo Assassinato De Vladimir Herzog


Corte Internacional Condena Brasil Pelo Assassinato De Vladimir Herzog



A Corte Interamericana de Direitos Humanos (Corte IDH) condenou o Estado brasileiro pelo assassinato do jornalista Vladimir Herzog, em 1975, durante a ditadura militar. 

O julgamento aconteceu nesta quarta-feira (4) em São José, na Costa Rica.

“Em sua Sentença, a Corte IDH determinou que os fatos ocorridos contra Vladimir Herzog devem ser considerados crime contra a humanidade, de acordo com a definição dada pelo Direito Internacional. 

Em vista do exposto, o Tribunal concluiu que o Estado não pode invocar a existência da figura da prescrição ou aplicar o princípio ne bis in idem, a lei de anistia ou qualquer outra disposição semelhante ou excludente de responsabilidade para escusar-se de seu dever de investigar e punir os responsáveis”, diz o comunicado oficial da Corte sobre a sentença.

O órgão reforçou que Herzog foi preso, torturado e assassinato 

“em um contexto sistemático e generalizado de ataques contra a população civil, considerada como opositora à ditadura brasileira”. 

A morte do jornalista foi “crime contra a humanidade”, afirmou a sentença.

Novas investigações sobre o assassinato foram iniciadas em 1992 e 2007, mas foram arquivadas em aplicação à Lei de Anistia.


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quinta-feira, 31 de agosto de 2017

FÁTIMA: “APÓS UM ANO DE GOLPE, O QUE VEMOS É SÓ RETROCESSO”

FÁTIMA: “APÓS UM ANO DE GOLPE, O QUE VEMOS É SÓ RETROCESSO”

 Geraldo Magela/Agência Senado

No dia em que completa um ano que um grupo liderado pelo peemedebista Michel Temer tomou o poder da presidenta legitimamente eleita Dilma Rousseff, a senadora Fátima Bezerra (PT) destacou no Plenário, nesta quinta-feira (31), que o Brasil vivencia um verdadeiro desmonte do Estado – esse é o resultado do golpe parlamentar; 
"Os resultados de um ano de golpe são catastróficos, especialmente para mais de 15 milhões de brasileiros que estão desempregados. 
Prometeram uma ponte para o futuro, mas estão, na verdade, é entregando uma ponte para o passado, para um passado de absoluta exclusão social", enfatizou

31 DE AGOSTO DE 2017 ÀS 19:26

247 - No dia em que completa um ano que um grupo liderado pelo pemedebista Michel Temer tomou o poder da presidenta legitimamente eleita Dilma Rousseff, a senadora Fátima Bezerra destacou no Plenário, nesta quinta-feira (31), que o Brasil vivencia um verdadeiro desmonte do Estado – esse é o resultado do golpe parlamentar. 

Fátima citou, como exemplo, a Emenda Constitucional 95, que congelou os investimentos por 20 anos; a alteração do marco regulatório do pré-sal; o enfraquecimento da indústria nacional, privatizações do patrimônio nacional, a destruição dos direitos trabalhistas e das políticas públicas que garantiam vida digna para a população.

"Os resultados de um ano de golpe são catastróficos, especialmente para mais de 15 milhões de brasileiros que estão desempregados. 

Prometeram uma ponte para o futuro, mas estão, na verdade, é entregando uma ponte para o passado, para um passado de absoluta exclusão social", enfatizou.

Fátima lembrou que, há exatamente um ano, em discurso à Nação, a Presidenta Dilma Rousseff previu alguns retrocessos que o país teria com seu impeachment. 

"Na ocasião, Dilma afirmou: 'O golpe é contra os movimentos sociais e sindicais e contra os que lutam por direitos em todas as suas acepções: 
direito ao trabalho e à proteção de leis trabalhistas; direito a uma aposentadoria justa; direito à moradia e à terra; direito à educação, à saúde e à cultura; direito aos jovens de protagonizarem sua história; direitos dos negros, dos indígenas, da população LGBT, das mulheres; direito de se manifestar 
sem ser reprimido'.

 Infelizmente, este governo que aí está faz questão de confirmar todas as previsões da presidenta Dilma".

Para a parlamentar, a principal área afetada com o impeachment de Dilma foi a de educação. 

Entre os retrocessos destacados pela senadora estão a intervenção no Conselho Nacional De Educação; a desconstrução do Fórum Nacional de Educação e da Conae -2018; redução de Vagas do Fies; cortes no Orçamento das Instituições Federais de Ensino; reforma do ensino médio e desvalorização do Plano Nacional de Educação.

"A educação, assim como aconteceu na época da ditadura militar, é uma das políticas públicas mais afetadas. 

Nós temos hoje uma coleção de ataques, de retrocessos que atingiram profundamente o esforço que estava sendo feito neste País para avançarmos, do ponto de vista de expansão e do fortalecimento das universidades, da educação profissional e tecnológica, da educação básica, da valorização dos profissionais da educação", afirmou Fátima Bezerra.

 "Em um ano apenas, a educação vive um dos momentos mais críticos, mais dramáticos da sua história. 
As nossas universidades e os nossos institutos federais estão asfixiados porque não têm, sequer, a garantia de que terão verbas para pagar seu custeio até o final do ano. 

Investimentos, então, nem se fala", lamentou.

Antes de concluir seu pronunciamento, Fátima chamou a atenção para a necessidade de mobilizações sociais e populares para trazer de volta a democracia e a soberania popular. 

Ela destacou que a Caravana do ex-presidente lula pelo Nordeste, acompanhada por ela em boa parte dos estados, mostrou que o povo ainda tem esperança que o Brasil volte a ser um país justo, como era na época dos governos do PT. 

" A caravana, por onde passa, está simplesmente irradiando fé e incentivando a luta para a construção de um novo amanhã para o Brasil. 

Mais uma vez, quero parabenizar o meu Rio Grande do Norte, o Seridó, a região oeste e todo o povo potiguar, bem como Mossoró, Currais Novos e todas as outras cidades, pela bela mobilização que fizeram.

 Continuaremos aqui, a postos, lutando para trazer de volta a democracia".


segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

URGENTE: Jornalista do Brasil 247 fala em dificuldade de Lula para registrar candidatura, ‘vai ser uma guerra’

URGENTE: Jornalista do Brasil 247 fala em dificuldade de Lula para registrar candidatura, ‘vai ser uma guerra’
20 de fevereiro de 2017

A espetacular aprovação de Lula nas pesquisas eleitorais expressa o reconhecimento da população pelo seu desempenho como presidente — mas não só.
Também mostra que, para uma grande parcela de brasileiros, Lula é o personagem decisivo para o país retornar ao Estado Democrático de Direito, o que pode ocorrer pelo respeito ao calendário eleitoral, que prevê eleições livres e diretas para presidente em 2018.

Este é o básico e, como é frequente em tempos turbulentos, também é o incerto.

A naturalidade com que a maioria das pessoas se refere à próxima eleição presidencial mostra um ponto fundamental da situação política. 

Confirma que os brasileiros não admitem em hipótese alguma qualquer esforço capaz de ameaçar um direito conquistado com suor, lágrimas — e sangue também 
— após 21 anos de ditadura militar.

Esta consciência democrática é a grande força que nos protege dos perigos que espreitam o futuro do país.

Na superfície da situação política, os próprios interessados se apresentam, se insinuam, se alinham. É muito natural. Afinal, o calendário recorda que falta um ano e oito meses para a escolha do novo presidente.

O conhecimento de nossa história e o reconhecimento das fraquezas que permitiram a derrocada de uma presidente eleita, sem prova de crime de obrigam a uma pergunta necessária: podemos fechar os olhos no sono dos justos porque está tudo certo e garantido para 2018 como esteve em 2014, 2010, 2006, etc, desde a primeira direta, em 1989?

Acho que não. Esta postura apenas mostra que pensamos o presente de 2017 com referências e possibilidades que pertencem a um passado pré-2016, quando se imaginava que golpes de Estado e rupturas institucionais eram excrescências arquivadas nas páginas viradas da História.

Esta é a questão do momento. Na mesma medida em que o apoio popular a Lula se amplia e se confirma, engordam as maquinações para golpear uma candidatura que, em caso de vitória, reduziria o período político transcorrido entre 31 de agosto de 2016 e 1 de janeiro de 2019 numa janela de vergonha, desperdício e cinismo.

Em condições normais, Lula seria um candidato com direito a todos os outros. Num estado de exceção, será preciso lutar para que sua candidatura não seja massacrada no meio do caminho, num processo que pode derrubar o conjunto do sistema político.

Golpes de estado são acontecimentos trágicos que não se definem num lance único, numa data precisa, com personagens específicos — sejam vitoriosos, sejam vencidos. 
As rupturas institucionais abrem comportas largas, com forças próprias, num movimento contínuo de ajustes e conflitos que irão definir a nova situação política.São mudanças abruptas e lances de aparência desencontrada, quando nem sempre é fácil decifrar o sentido real — até porque, nessas ocasiões, a relação de forças costuma mover-se em alta velocidade.

Por exemplo: em 9 de abril de 1964, o Congresso deu posse a Castello Branco através de um ato institucional que definia datas e funções do calendário eleitoral do país, após o golpe que derrubou João Goulart. 

Ao contrário do que sabemos hoje, confortavelmente informados sobre o que iria ocorrer anos seguintes, naquele momento tudo parecia assegurado para um retorno rápido à democracia.

Não parecia que o país estava diante de um golpe programado para durar duas décadas, suprimindo eleições diretas entre 1965 e 1989, espaço de uma geração inteira. 

Acreditava-se que o governo militar não passava de uma pequena pausa, um intervalo rápido para “depurar” o regime e permitir o retorno à “normalidade.”

No ato de posse de Castello, as eleições presidenciais diretas foram confirmadas para dali a 18 meses, em 3 de outubro de 1965, dando posse ao novo presidente eleito em 31 de janeiro de 1966 — como previa a carta de 1946. 

Mas, na data marcada para a realização da nova eleição, o país e o calendário que deveria organizar a disputa pelo poder através da decisão do eleitor estavam de cabeça para baixo.

O mandato do próprio Castelo Branco fora prorrogado até 1967. As eleições diretas haviam sido canceladas em todos os níveis: para presidente da República, para governadores de Estado, para prefeitos de capital.

Quem calculou que as medidas de exceção iriam limitar-se aos líderes e partidos de esquerda, logo se surpreendeu.

Depois de mandar as lideranças ligadas a Goulart, ao PCB e outras siglas para a prisão e o exílio, o Comando da Revolução voltou-se contra os líderes civis que haviam auxiliado a derrubar um governo constitucional. 

Os principais chefes da conspiração que derrubou Goulart estavam cassados, a começar pelo governador do Rio, Carlos Lacerda, o mais estridente, e o de São Paulo, Adhemar de Barros, discreto, mas muito mais ativo do que se imagina.

Como recordei num artigo publicado aqui mesmo em 31 de outubro (“Lula e Juscelino nas lutas da história” 
http://www.brasil247.com/pt/blog/paulomoreiraleite/263243/Lula-e-Juscelino-nas-lutas-da-hist%C3%B3ria.htm) 

há elementos úteis de reflexão sobre Lula no massacre enfrentado por Juscelino Kubitschek nos meses posteriores ao golpe de 64, que terminaram com sua eliminação da cena política.

Há uma diferença essencial na postura dos personagens, é bom reconhecer logo de cara. Ao contrário de Lula, que foi a principal voz na resistência ao golpe de 31 de agosto, exibindo sua rouquidão em atos de protesto realizados no país inteiro, JK foi um aliado tardio mas prestativo do golpe militar de 64.

Embora sua candidatura ao pleito presidencial de 1965 já tivesse até sido lançada oficialmente numa convenção do PSD, ele chegou a pedir votos a favor de Castello Branco no Congresso. 

Também multiplicou gestos conciliadores em direção àqueles que o enxergavam como inimigo, na esperança de apaziguá-los. 

Nada adiantou. A pressão para retirar JK de cena é bem descrita por Paula Beiguelman no livro “O pingo de azeite — Estudo sobre a instauração da ditadura.” 

A professora explica que o argumento para eliminar JK era que sua “candidatura seria o instrumento através do qual as correntes proscritas poderiam retornar ao comando da vida pública do país.” Trocando em miúdos: pelo passado desenvolvimentista, pelos espaços que reservava à esquerda, o retorno de JK era um obstáculo à consolidação da ditadura.

Naquele momento, os adversários de Juscelino possuiam o controle completo da situação política. 
Estavam presentes tanto no Comando Militar que definia cassações e impunha nomes que deveriam ser enviados ao cadafalso, como dirigiam as investigações sobre denúncias de corrupção. 

Em nenhuma hipótese, havia a chance de apresentar recurso ao Supremo Tribunal Federal.
“Para melhor dissuadí-lo de candidatar-se, ameaçavam avolumar as ‘restrições de natureza moral’ insinuadas ao longo de sua carreira,” escreve Paula Beiguelman.

No momento da cassação, JK era o político mais popular do país, favorito naquelas eleições que, em teoria, seriam realizadas em outubro de 1965. Também tinha aliados influentes em escala regional. Quando ocorreram eleições para governador, ainda por via direta, a vitória coube a aliados seus, em dois estados estratégicos do ponto de vista político e econômico, Minas Gerais e Rio de Janeiro. 

As vitórias estaduais foram empregadas como argumento para suprimir eleições para governador, também. Naquele momento — outra semelhança — o país enfrentava uma recessão duríssima, que levou o golpista de primeira hora, Carlos Lacerda, a acusar o governo de “matar os pobres de fome e os ricos de raiva”.

Lula encontrou um lugar na conjuntura política de 2017-2018 pelo passado de mais popular presidente da História, com uma herança inegável de combate a desigualdade estrutural da sociedade brasileira. Mas em 2016 ele se qualificou como a grande voz — rouca muitas vezes — no esforço final de denúncia da catástrofe que se aproximava.

Basta recordar que o país está sendo transformado numa “cloaca”, como definiu o ex-governador de São Paulo, Claudio Lembo, para entender a natureza das ameaças, verdadeiramente imundas, que podem ser colocadas no destino do Brasil e dos brasileiros. 

Na medida em que o Congresso vai oferecendo os votos para os projetos de Temer-Meirelles, as ideias que estavam apenas no papel começarão a desembarcar no país real, produzindo terríveis consequências práticas para a maioria. E aí temos uma eleição no meio.
Um pesadelo para uns. Uma oportunidade, para outros.
Considerando que ninguém derruba um governo constitucional para ficar dois anos e seis meses em Palácio e depois devolver o comando de Estado a um novo presidente eleito apenas porque precisa mostrar amor infinito pelo voto direto, candidatura Lula assume, acima de tudo, a forma de resistência, distúrbio, desafio — em nome da democracia.

Nunca, desde o fim da República Velha, a eterna classe dominante brasileira teve o conjunto da situação política na palma da mão, pronta para satisfazer ambições, desejos e até caprichos.

Depois do inimigo principal — Lula, repita-se — outros virão. Porque não se quer uma mudança de governo. Não há plano de curto prazo, mas uma reconfiguração histórica, numa nação com 206 milhões de habitantes, uma das dez maiores economias do planeta, a liderança mais influente da América do Sul. 

Tradução matemática de um país onde 5 famílias tem acesso a uma riqueza equivalente àquela disponível a 50% de toda população, o projeto pretende estabilizar uma ordem sem paralelo em sociedades que superaram a condição de senhor x escravo por formas mais civilizadas de trabalho humano. 

Não vamos nos iludir, portanto. A guerra contra Lula irá se tornar mais dura, mais encarniçada, mais covarde, daqui para a frente.


quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Jornal britânico aponta Bolsonaro como incentivador do neonazismo

Jornal britânico aponta Bolsonaro como incentivador do neonazismo
Publicação diz que democracia de raças no Brasil é um mito e revela o crescimento de movimentos ultranacionalistas e neonazistas
POLÍTICA JORNAL BRITÂNICO     HÁ 18 HORAS  12/01/2017    POR NOTÍCIAS AO MINUTO
 

O jornal britânico Financial Times divulgou uma reportagem sobre o que eles chamaram de "mito da democracia de raças no Brasil". 

A publicação da última terça-feira (10) aponta o deputado federal Jair Bolsonaro como um dos incentivadores de grupos ultranacionais e neonazistas no país.

A matéria traz uma entrevista com o delegado Paulo César Jardim, que ordenou em dezembro do ano passado buscas por supostos membros de grupos neonazistas em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. A polícia procurou por possíveis integrantes brasileiros de um grupo extremista de direita da Ucrânia.

"A revelação de que movimentos ultranacionalistas brasileiros estão buscando experiência de combate no exterior é um fenômemo preocupante que chocou o país, que se considera um caldeirão de mistura racial. 

A ascensão de grupos neonazistas desafia o mito popular de que o racismo não existe no Brasil, pelo menos não na proporção observada em países como os Estados Unidos", diz o texto.

O Financial Times menciona a invasão do Congresso por um grupo de extrema direitacom bandeiras do Brasil, pedindo a volta da ditadura militar no país.

A reportagem cita Bolsonaro como um doscongressistas "ultraconservadores e seus entusiastas", que "vêm preenchendo o vácuo deixado após o impeachment de Dilma Rousseff". 

Segundo o texto, o deputado "nega ser neonazista, mas os críticos o acusam de compartilhar muitos pontos de vista do movimento, como racismo e intolerância".

Sobre o crescente movimento neonazista no país, o delegado entrevistado afirma não se tratar de criminosos comuns, pois "eles têm uma ideologia. São pessoas que acreditam na limpeza étnica, em pureza racial", explica.

Jardim relembra do ataque de extremistas armados com facas a um grupo de judeus que comemorava o 60º aniversário do fim do Holocausto, em 2005, em Porto Alegre. 

Além dos diversos casos recentes de ataques a homossexuais na Avenida Paulista, em São Paulo.




segunda-feira, 29 de agosto de 2016

A coragem e a dignidade de Dilma calaram senadores

A coragem e a dignidade de Dilma calaram senadores
29 de Agosto de 2016
 :
Os senadores golpistas baixaram a bola.
Eles não esperavam que Dilma fosse ao Senado fazer a própria defesa, encará-los e desafiá-los a provar que ela cometera crime de responsabilidade.
Talvez pensaram que seria uma sessão sobre a qual teriam domínio, como de costume, mas não foi bem assim.
O discurso de Dilma foi tão forte e esclarecedor sobre as tramas e conspirações que levaram ao golpe que os fez calar.
Os senadores saíram pela retórica, coisa que eles estão acostumados a fazer, mas, num julgamento apenas a retórica não vale.
A defesa dela foi impecável. Senadoras e senadores como Ana Amélia, Aloysio Nunes, Aécio Neves, Cássio Cunha Lima e outros desceram da tribuna de rabo entre as pernas.
O Brasil conheceu hoje, mais uma vez, a coragem e a dignidade de Dilma, que enfrentou na vida dois tribunais injustos: o da ditadura militar e o do golpe parlamentar, no Senado. Os dois por lutar pela democracia e pela justiça.

Ela sairá do julgamento de espírito elevado, o Senado completamente desmoralizado, rebaixado, e exposto ao Brasil e ao mundo como uma instituição dominada por um bando de ratos.

quinta-feira, 28 de julho de 2016

José Serra diz que alta participação de mulheres na política do país 'é perigo'

José Serra diz que alta participação de mulheres na política do país 'é perigo'
Piada machista foi feita durante pronunciamento conjunto com chanceler mexicana
Redação OperaMundi, 27 de Julho de 2016 às 10:29
 Chanceler Serra fez piada machista durante pronunciamento conjunto com homóloga mexicana, Claudia Ruiz Massieu - Créditos: Wilson Dias/Agência Brasil
Chanceler Serra fez piada machista durante pronunciamento 
conjunto com homóloga mexicana, Claudia Ruiz Massieu / 
Wilson Dias/Agência Brasil

Em visita oficial ao México, o ministro das Relações Exteriores do Brasil, José Serra, fez uma piada machista durante um pronunciamento conjunto com a chanceler mexicana, Claudia Ruiz Massieu, na segunda-feira (25). Segundo a agência de notícias AFP, Serra "brincou" sobre o "perigo" para políticos homens de se ter tantas mulheres na política.
“Devo dizer, cara ministra, que o México, para os políticos homens no Brasil, é um perigo porque descobri que aqui metade das senadoras são mulheres”, disse o chanceler, ao lado de Massieu, na Cidade do México.
José Serra foi indicado para a pasta das Relações Exteriores pelo vice-presidente no exercício da Presidência, Michel Temer, em maio, e é parte de um gabinete ministerial composto exclusivamente por homens brancos— o primeiro desde o governo Geisel (1974-1979), na ditadura militar, sem mulheres.
O atual chanceler brasileiro reiterou o convite à ministra mexicana para que venha aos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, mas fez uma ressalva: “Eu quero muito que a senhora vá ao Brasil [durante as Olimpíadas], mas isso representará um perigo, porque a senhora vai chamar atenção para o assunto”, disse em referência à participação das mulheres na política no Brasil.
No Brasil, há 12 mulheres em um total de 81 cadeiras no Senado Federal (14,81%) e 52 deputadas do total de 513 cadeiras na Câmara dos Deputados no Brasil (10,13%). No México, são 47 mulheres do total de 128 congressistas no Senado, representando portanto 36,71% — algo distante da metade considerada "um perigo" por José Serra.
Contatado por Opera Mundi com pedido de posição sobre as declarações de José Serra, o Itamaraty afimou que responderia "com a brevidade possível".
Não é a primeira vez que Serra faz declarações machistas. Em dezembro de 2015, quando atuava como senador pelo Estado de São Paulo, ele disse à ex-ministra da Agricultura Kátia Abreu durante uma festa que ela tinha “fama de ser muito namoradeira”. A ex-ministra reagiu jogando uma taça de vinho no senador e declarou depois que achou o comentário “infeliz, desrespeitoso, arrogante e machista”.

O chanceler brasileiro visitou o México para reforçar as relações bilaterais, discutir a ampliação do comércio e investimento entre ambas as nações e firmar o Acordo para o Reconhecimento Mútuo da Cachaça e da Tequila como Indicações Geográficas e Produtos Distintivos do Brasil e do México. Lá, Serra também afirmou que o Brasil precisa "pedir a Deus" para que não aconteça atos terroristas no país durante os Jogos Olímpicos.