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quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

MORO É ESCRACHADO NO MÉXICO E CHAMADO DE ‘IMORAL E PARCIAL’


MORO É ESCRACHADO NO MÉXICO E CHAMADO DE ‘IMORAL E PARCIAL’



 O juiz federal Sérgio Moro foi alvo de protestos nessa terça-feira, 27, na Cidade do México, durante palestra no Colégio Nacional. 

Sua intervenção foi interrompida pelos manifestantes, que o acusaram de ser “golpista” e de promover perseguição política contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

“Moro imoral, juiz parcial”, gritaram os manifestantes, que levaram cartazes contra o magistrado da operação Lava Jato. 
O ministro da Suprema Corte, José Ramón Cossío, teve que intervir, para que o juiz Moro pudesse continuar com a palestra.
 Moro se ofereceu para compartilhar com as autoridades do país, as evidências sobre o envolvimento de funcionários mexicanos em casos de suborno para empreiteiros brasileiros envolvidos no escândalo da Petrobras.

Ele disse que tem muita evidência e é seu interesse em colaborar para que a evidência “seja usada” contra autoridades alegadamente subornadas em troca de contratos para as empresas de construção brasileiras.
CLICK POLÍTICA com informações de brasil247


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quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

Trump ameaça enviar tropas ao México para 'cuidar dos hombres maus'

Trump ameaça enviar tropas ao México para 'cuidar dos hombres maus'
22:36 01.02.2017(atualizado 22:54 01.02.2017) 
Bonecos de cera do presidente dos EUA Donald Trump e do mexicano Enrique Peña Nieto na Cidade do México
© REUTERS/ Henry Romero

O presidente dos EUA Donald Trump ameaçou enviar tropas para o México para conter os "hombres maus" (“bad hombres”, na expressão original) se o exército mexicano não fizer mais esforços para detê-los, segundo relata a AP nesta quarta-feira (1).

"Você tem um bando de homens maus aí embaixo", disse Trump durante a conversa telefônica realizada na sexta-feira (27) com o presidente mexicano, Enrique Peña Nieto, de acordo com um trecho da ligação a que a AP teve acesso.

"Vocês não estão fazendo o suficiente para detê-los”, continua a transcrição da fala. “Acho que seus militares estão assustados. Os nossos militares não estão, então eu poderia simplesmente enviá-los para cuidar disso", teria dito o presidente norte-americano.

Segundo a AP, uma pessoa com acesso à transcrição oficial do telefonema forneceu um trecho para a agência em condição de anonimato, porque a administração Trump não tornou públicos os detalhes da conversa.

A transcrição não esclarece a quem Trump se referia por "hombres maus", nem o tom ou o contexto da declaração.

Segundo a AP, um porta-voz da Casa Branca não respondeu a um pedido de comentário.



quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

Polícia prende caminhão cheio de corpos de crianças sem órgãos

Polícia prende caminhão cheio de corpos de crianças sem órgãos
Polícia prende caminhão cheio de corpos de crianças sem órgãos no México
Jornal Cidade 1, 11/12/2016 11h26
  (Foto: Reprodução)
Foto: Reprodução

O caminhão foi preso em uma operação realizada pela polícia militar daquela cidade, que ao avistar o veículo pediu para o mesmo parar, para que eles pudessem avaliar a carga.

Mas o motorista ficou nervoso e acelerou o caminhão. A Polícia Militar perseguiu e ordenou que o motorista parasse. Ao verem o que tinha no interior foram surpreendidos. 

Foram encontradas várias crianças mortas. Imediatamente eles acionaram agentes especializados para transportar os corpos das crianças.

Descobriu-se que as crianças mortas não tinham mais os órgãos.

A Polícia Militar conduziu o motorista de nome ”Javier Guzman Torres”.

Guzman tem 38 anos de idade. Ele disse que não era culpado de matar as crianças e remover os órgãos.


Ele disse que estava apenas conduzindo as mesmas, porque foi contratado para fazero transporte.

Ele disse que os nomes dos responsáveis contratantes são; Oscar Castro Herrera 42 anos,Carlos Vargas 36, Armando Cabrera Cabrera 29. Suponhas-se que eles operam em diferentes países além do , com o tráfico de orgão. 

E que já tenham matado centenas ou milhares de crianças. Talvez essa também seja uma justificativa para o sumiço de várias crianças no México e em países vizinhos.


terça-feira, 6 de dezembro de 2016

"Aos sete anos, o meu pai me disse: 'Sou bandido. É a minha profissão'"

"Aos sete anos, o meu pai me disse: 'Sou bandido. É a minha profissão'"
Notícias Ao Minuto 11 horas atrás  06/12/2016
 
© Fornecido por New adVentures, Lda.

Juan Pablo Escobar foi obrigado a mudar de país e de nome. Sebastián Marroquín, filho de Pablo Escobar, deu uma entrevista exclusiva ao Notícias ao Minuto, onde revela como foi e como é ser filho de um dos maiores nomes da história do tráfico de droga.

Apesar de todo o sangue derramado na Colômbia, amor foi coisa que nunca lhe faltou em casa, assegura. Esse mesmo amor que recebeu, é o único sentimento que tem pelo pai. "Odiá-lo seria ingrato".
Juan Pablo tinha 16 anos quando o pai, Pablo Escobar, um dos homens mais ricos do mundo, morreu, em 2 de dezembro de 1993. A sua irmã, Manuela Escobar, tinha apenas nove anos. 

Os dois, juntamente com a mãe, esposa do narcotraficante, encontraram asilo político na Argentina, nação que lhes permitiu mudar de nome e ocultar a identidade para que pudessem, finalmente, viver em paz. 

Para trás, na Colômbia, ficara um rasto de morte difícil de apagar: foram mais de três mil as vítimas de Pablo Escobar, o 'Rei da Cocaína' que, na década de 1980 e início dos anos 1990, ganhava a cada semana 420 milhões de dólares, 22 bilhões por ano  [chegou a fornecer 80% da cocaína traficada no mundo]. 

Um império conquistado a partir de 76 às custas de muito sangue derramado e 'acarinhado' pelo poder corrupto, além da conivência de nações estrangeiras.

No Aeroporto de Miami, conta Juan (agora Sebastián), entravam 800 quilos de cocaína todas as semanas, uma rota que contava com a cumplicidade americana. 

Sobre o que se diz acerca do seu pai em séries como 'Narcos', não tem dúvidas: incitam milhares de jovens a tornarem-se traficantes de droga. E, afinal, como morreu 'El Pátron'?

Você encontrou refúgio na Argentina depois da morte do seu pai. Falando de futebol, qual o melhor jogador do mundo, Messi ou Cristiano Ronaldo?
Creio que são ambos do melhor. Não sou fã de comparações, acredito no talento individual. E sou mais amigo de futebol a cada quatro anos.

Que opinião tem da situação atual da Colômbia e dos acordos de paz entre o governo e as FARC?

Espero uma conclusão breve, que seja bem sucedida e que traga paz ao país. Mas me parece que foi um erro grave que se tenha perguntado ao povo se quer guerra ou paz. Isso não se pergunta, deve-se praticar a paz sem demoras e ponto final.

Qual é a sua opinião sobre a vitória de Trump? Considera que a construção de um muro na fronteira com o México poderia ter um impacto no tráfico?
Tudo o que seja proibir ajudará a fazer crescer o negócio e a capacidade dos traficantes de desafiar qualquer que seja a democracia na América. O muro pode, na realidade, deixar os próprios americanos encerrados.
  
O que pensa das séries que popularizaram a vida do seu pai, particularmente Narcos?

No meu Facebook publiquei uma lista de 28 erros graves da segunda temporada. Fiz o mesmo no meu novo livro 'Pablo Escobar in fraganti', onde revelo toda a verdade sobre 'Narcos'. O pior é que estas séries incitam os jovens a se tornarem narcotraficantes porque só lhes mostram uma vida tranquila e com muito poder como os guionistas acreditam, mas isso nunca aconteceu na realidade. 

Desde que a série 'Narcos' surgiu não tenho parado de receber milhares mensagens de jovens (da Índia, Austrália, Europa e América) que querem se tornar traficantes pela história mentirosa que estão contando sobre o meu pai.

E qual a série mais fiel, entre 'Narcos' e 'El Patrón del Mal'?

'Narcos' é um pouco menos mau. 'El Patrón del Mal' sim é uma enganação total, uma simples caricatura desenhada à medida do poder colombiano que quer fazer crer ao mundo que a polícia colombiana era boa. Se fosse tão boa como mostram, a Colômbia não teria sofrido nem metade da violência do meu pai.
Que herança sobrou de Pablo Escobar?

A herança que o nosso pai nos deixou foi roubada pelo governo que nunca compensou as vítimas do meu pai. Os políticos roubaram muitos dos bens. 

O resto, foram os inimigos do meu pai que nos roubaram através de ameaças. [Numa reunião com líderes de outros cartéis em que a família Escobar teve de entregar tudo o que lhe restava para que saíssem de lá com vida]. 

O Sebastián tem uma versão diferente da morte do seu pai, que não foi uma "vitória" da polícia, mas sim uma espécie de rendição de Pablo Escobar que acabou por se matar?

Não é teoria. É uma certeza absoluta. 

A investigação forense me confirmou isso. Mas foi tudo arquivado e tiveram de mudar o relatório final para aquela que é a versão oficial, de que Pablo Escobar foi apanhado e morto. 

O meu pai sempre me disse que daria um tiro em si próprio antes que o capturassem. E fez isso para libertar a família da condição de refém a que foi submetida pelo governo da Colômbia com a conivência da Alemanha e dos Estados Unidos. 

Carlos Castaño (Chefe paramilitar da Colômbia) foi o homem que entrou primeiro na casa do meu pai. Não havia sequer um policial nas proximidades. Chegaram depois para dizer que foi mérito seu. Mas mentem.

Recorda-se do dia em que se deu conta de quem era Pablo Escobar para os colombianos?
Aos sete anos, o meu pai disse-me: "Sou um bandido. Essa é a minha profissão".

Tinha consciência da existência do cartel de Medellín e do que faziam os sicários?
Eram todos meus babysitters. Nasci ali dentro.

Alguma vez esteve em perigo de vida? Pode contar-me uma dessas situações?

Caiu uma granada entra as minhas pernas. 

Apanhei-a e lancei-a antes que explodisse. Noutra situação, puseram-me num carro bomba com 700kg de dinamite capaz de destruir os vidros da cidade a um 1km de distância. Sobrevivi por milagre. E há muitas histórias como estas.

Apesar do 'negócio' e da violência inerente, teve sempre o amor que uma criança precisa de ter em casa?

Tive mais amor na minha casa do que os mais refinados da Colômbia. Como filho, não tenho nada a apontar do meu pai. Educou-me bem e com amor. Sou o resultado desse amor. 

Em criança tinha tudo o que queria, com 13 anos já tinha várias motos, tinha um jardim zoológico só para você, entre outros luxos.

 Faltava-lhe algo?
Liberdade, paz e tranquilidade eram coisas muito escassas. E sem isso o dinheiro não vale nada.

Tinha noção de que a maioria dos colombianos tinha muito pouco, que era muito pobre?
O meu pai se dedicou a ajudar como ninguém antes havia feito na Colômbia com os pobres. O meu pai queria alterar isso e que todos os colombianos vivessem com mais dignidade. 

Mas o governo não permitiu que continuasse ajudando e perseguiram-no. E o meu pai também se enganou ao querer matá-los a todos por serem corruptos. 

Regressou à Colômbia? Sente raiva e rancor da parte do povo colombiano por tudo que o que o seu pai fez? 
O povo da Colômbia trata-me bem e com respeito. Sabe quem eu poderia ser, mas que escolhi não ser um Pablo Escobar 2.0.

Em adulto, já se encontrou com algum capanga fiel a Pablo Escobar? O que falou com eles?
Com alguns. O que falei com eles está publicado nos meus dois livros.
Tem algum ressentimento por ter perdido o seu pai muito cedo [Escobar tinha 44 anos quando morreu]? 
O meu pai escolheu o seu final. Para tudo há um tempo na vida.

Até que ponto o governo e a polícia tiveram culpa naquilo que ocorreu nos anos 'dourados' de Pablo Escobar?
Pelo menos 50 % de responsabilidade. 
Eram muito corruptos e, felizes, recebiam todo o dinheiro que [o meu pai] lhes dava. Em troca, davam-lhe tudo o que lhes pedia: decretos, benefícios, alterações na Constituição. Deixaram-no financiar, escolher e construir a sua prisão [La Catedral, em 1991] e as suas próprias condições de recluso. Enfim, o meu pai parecia o presidente.

Pensou, em algum momento, seguir o caminho do seu pai? Como escapou a esse mundo paralelo? Recebeu propostas para ser o substituto do seu pai?
O poder se toma, não se oferece. Escolhi caminhar no sentido oposto ao do meu pai. Seria um insulto ao legado da sua experiência se continuasse com ela.
Ganha a vida, no fundo, com a história do seu pai (através dos livros e das conferências que dá em todo o mundo). Alguns acusam-no de fazer dinheiro através de uma tragédia. Que tem a dizer aos críticos?

"Alguns" soa a muita gente, mas ninguém com nome próprio me acusa realmente de alguma coisa. Tem os nomes? Esses críticos são os que aplaudem a Netflix? E a Caracol TV? E a Benicio del Toro? E a Barden e a Penéople Cruz? A Discovery , a NatGeo e o canal História? E os milhares de meios que lucram com a história da minha família? Têm mais direitos estas empresas do que a minha família de fazer dinheiro com as tragédias que o meu pai causou? Eu pelo menos o faço com respeito pela verdade e pelas vítimas, e convidando o mundo a não repetir esta história. Me parece que é a eles a quem tem de perguntar.

Na sua opinião, há alguma forma de erradicar o problema do tráfico de droga?
Legalizando. Declarando paz às drogas.

Do que falou com o seu pai nos seus últimos dias de fugitivo?
De todos os crimes que tinha cometido.
Que sentimento tem pelo seu pai? Que gostaria dizer às pessoas sobre o seu pai, sobre o que podem ver nas séries?
Tenho amor pelo meu pai. Nada mais. 

Odiá-lo seria uma coisa muito má e ingrata. Nas minhas conferências e nos meu livros, digo às pessoas que não tenho orgulho da violência do meu pai e que a sua história deve ser escrita para que ninguém ouse repeti-la.

Que ensinamento moral e político deixa Escobar à Colômbia?
No dia em que a Colômbia se atrever a investigar as verdadeiras ligações políticas, a nível internacional, saberemos quais foram os ensinamentos. Enquanto isso, é muito confortável a versão de que Pablo Escobar foi o único culpado.

Para terminar, que segredos conta no seu novo livro 'Pablo Escobar In fraganti: Lo que nunca me contó mi padre'?
Revelo as suas ligações com os principais líderes da corrupção mundial. Como por exemplo a forma como [o meu pai] trabalhou para a CIA com a venda de cocaína para que eles financiassem a luta anti-comunista na América central.

Revelo também, no capítulo 'El Tren', uma rota em que o meu pai contou com a cumplicidade de uma agência norte-americana que o ajudou a receber e a passar pelo Aeroporto Internacional de Miami 800 quilos de cocaína por semana, durante três anos consecutivos. O lucro dessa rota foi impressionante.





sexta-feira, 14 de outubro de 2016

heran: a cidade mexicana onde as mulheres expulsaram policiais, políticos e traficantesC

Cheran: a cidade mexicana onde as mulheres expulsaram policiais, políticos e traficantes
Linda PresslyDe Cherán, BBC News
13 outubro 2016
 A população da cidade de Cheran
A população da cidade de Cheran

No México, o crime organizado está por toda a parte, até nos menores vilarejos - com exceção de uma cidadezinha no estado de Michoacán. Governada por mulheres locais, a população de Cherán defendeu sua floresta de madeireiros armados - e aproveitou para já expulsar também policiais e políticos ao mesmo tempo.
As mulheres se reuniram em segredo para bolar o plano. Elas estavam fartas dos assassinatos e sequestros que haviam se tornado rotina e tinham raiva dos homens mascarados que circulavam pela cidade extorquindo pequenos comerciantes. Além disso, durante mais de três anos elas assistiram, indignadas, aos caminhões passando um a um carregados de madeira recém cortada de suas florestas.
Antigamente, os cartéis mexicanos lidavam exclusivamente com drogas, mas eles diversificaram seu modelo de negócios e hoje tentam dominar outros setores lucrativos - incluindo a indústria madeireira, a base da economia de Cherán.
Em 2011, os madeireiros estavam chegando perto da nascente de água de Cherán. "Estávamos preocupadas", recorda Margarita Elvira Romero, uma das conspiradoras. "Se você corta as árvores, há menos água. Nossos maridos têm gado, onde eles beberiam água sem a nascente?"
 Mapa do México, com Cheran marcada em vermelho
Um guarda da floresta e o mapa de Cherán (em vermelho) em
 Michoacán, México

Um grupo de mulheres foi à floresta tentar dialogar com os homens armados. Elas foram verbalmente agredidas e perseguidas. A partir daí o plano evoluiu. Elas sabiam que era muito perigoso confrontar os madeireiros na floresta perto do manancial, então decidiram que interromperiam a passagem dos caminhões na cidade com a ajuda dos vizinhos.
No começo do dia 15 de abril de 2011, o "levantamiento de Cherán", ou o levante, começou. Na estrada que leva à floresta, diante da casa de Margarita, as mulheres pararam as picapes e levaram alguns dos madeireiros como reféns.
Ao nascer do dia, quando soaram os sinos da cidade de El Cavario e rojões explodiram no nascer do dia alertando a comunidade de perigo, a população de Cherán correu para ajudá-las. Foi tenso - alguns mais esquentados tiveram de ser contidos e convencidos pelas mulheres de não enforcar os reféns em uma árvore antiga na frente da casa de Romero.
"Todos corriam pelas ruas com suas facas nas mãos", diz Melissa Fabian, que na época tinha 13 anos. "As mulheres estavam correndo para cima e para baixo com o rosto coberto. Você podia ouvir as pessoas gritando e os sinos tocando sem parar".
A polícia municipal chegou com o prefeito e homens armados vieram libertar seus amigos reféns. Houve um confronto entre moradores, madeireiros e polícia. O conflito terminou após um jovem atirar um rojão em dois madeireiros, que ficaram feridos. E Cherán - uma pequena cidade de apenas 20 mil habitantes - iniciou sua jornada rumo à autonomia.
"Lembrar daquele dia me dá vontade de chorar", diz Margarita. "Foi como um filme de terror, mas foi a melhor coisa que poderíamos ter feito".
 Margarita Elvira Romero, uma das conspiradoras do levante
Margarita Elvira Romero, uma das conspiradoras 
do levante

A polícia e os políticos locais foram rapidamente expulsos da cidade porque a população desconfiava de que eles estariam conspirando com a rede criminosa. Os partidos políticos foram - e ainda são - banidos sob a acusação de dividir a população. E cada um dos quatro bairros de Cherán elegeram representantes para compor um comitê municipal.
Em vários sentidos, Cherán - uma cidade de população indígena da tribo Purepecha - retomaram suas raízes, a maneira antiga de fazer as coisas sem depender de forasteiros. Ao mesmo tempo, pontos armados de patrulha foram instalados nas principais estradas que levam à cidade.
Hoje, cinco anos mais tarde, os pontos de patrulha ainda existem e são defendidos por membros da Ronda Comunitária, uma milícia ou força policial local composta por homens e mulheres de Cherán. Todos os veículos que passam pela localidade são parados e seus ocupantes questionados sobre sua origem e destino.
 A milícia de Cherán treina para um desfile
A milícia de Cherán treina para um desfile

"Aprendemos muito", diz Heriberto Campos, um dos fundadores e coordenadores da Ronda Comunitária e cujo apelido é "Diablo" ("diabo" em espanhol). "Naquele tempo, não sabíamos de nada sobre uso de armas. Mas agora sabemos como lutar, e se os criminosos voltarem, estaremos preparados".
 Treino da Ronda Comunitária para desfile
O treino da Ronda Comunitária para desfile

Cherán tem sua própria Justiça para crimes menores. Muitos deles são relacionados a álcool. Em uma manhã de domingo, 18 jovens voltam à sobriedade atrás das grades na sede da Ronda depois de serem detidos por beber nas ruas e dirigir alcoolizados.
As penas incluem multas e trabalho comunitário, por exemplo serviço de gari. Várias infrações são levadas ao procurador-geral, mas no ano passado não houve sequer um caso de assassinato, sequestro ou desaparecimento.
 Jovens na cadeia
Jovens na cadeia

Se você mora em algum lugar pouco familiarizado com crimes violentos, você pode achar isso pouco surpreendente. Porém, Michoacán é um dos Estados mais sangrentos do México, onde cabeças literalmente rolam em pistas de boate e granadas são jogadas em praças lotadas.
Em julho, houve mais de 180 homicídios no Estado, a maior taxa em uma década. E em comunidades próximas a Cherán, a menos de 10 quilômetros de distância, são comuns histórias de assassinatos, extorsões e sequestros.
"Em Cherán eu me sinto segura porque posso andar nas ruas à noite e não tenho medo de que algo vá acontecer comigo", diz Melissa, 18 anos, studante de biomedicina em uma universidade próxima a Cherán.
 Melissa Fabian
Melissa Fabian, estudante de 18 anos e moradora de Cheran

Não são apenas as ruas de Cherán que são seguras. A floresta de pinheiros - um mar verde que desce das montanhas até a cidade - foi destruída pelos madeireiros. Atualmente, o perímetro da cidade é patrulhado diariamente pelos membros da Ronda.
Os terrenos em Cherán são comunitários - as famílias os administram mas não têm a propriedade. Sem criminosos, as regras são impostas com rigor - qualquer um que quiser derrubar uma árvore precisa de permissão das autoridades.
 Homem e cavalo carregam madeira retirada da floresta
Homem e cavalo carregam madeira retirada da floresta

Lentamente, a floresta está sendo regenerada. A estimativa é que mais da metade dos 17 mil hectares de floresta foi devastada pelo crime organizado. Cerca de 3 mil hectares foram replantados nos cinco anos que se seguiram ao levante. As mudas foram cultivadas no viveiro florestal da própria cidade.
Cherán não é completamente independente - ainda recebe recursos estaduais e federais. Mas sua autonomia como uma comunidade de índios Purepecha é reconhecida e garantida pelo governo mexicano. O banimento dos partidos politicos foi aceito pela Justiça, que confirmou seu direito de não participar de eleições locais, estatais ou federais.
No Estado de Michoacán, Cherán se tornou um oásis de esperança - sua paz e sua segurança são forte contraste ao medo que ainda domina as comunidades vizinhas. Então por que prosperou em uma região tão cruel, ainda que linda? Margarita, Melissa e Heriberto têm a mesma resposta, de apenas uma palavra: solidaridad ("solidariedade", em português).
 Banda da Ronda Comunitária treina para desfile em Cheran
Banda da Ronda Comunitária treina para desfile em Cheran

Muitas habitantes de Cherán nasceram na própria cidade. Os códigos morais ditam que os locais devem casar com locais - há poucas pessoas de fora. Famílias são grandes e próximas. Todos conhecem todos. E essa é a base da união da cidade.
Com a violência no México voltando a aumentar, há ansiedade em Cherán em relação ao futuro, uma preocupação com o retorno dos cartéis. Outras cidades tentaram copiar o modelo de Cherán, sem o mesmo sucesso.

Melissa está otimista e preparada para ir às ruas defender o que foi conquistado. "Enquanto houver ao menos uma pessoa que quiser manter isso, estaremos ao lado dela. Estamos todos orgulhosas porque impedimos algo e fizemos uma coisa que nenhuma outra comunidade ousou fazer".

quinta-feira, 28 de julho de 2016

José Serra diz que alta participação de mulheres na política do país 'é perigo'

José Serra diz que alta participação de mulheres na política do país 'é perigo'
Piada machista foi feita durante pronunciamento conjunto com chanceler mexicana
Redação OperaMundi, 27 de Julho de 2016 às 10:29
 Chanceler Serra fez piada machista durante pronunciamento conjunto com homóloga mexicana, Claudia Ruiz Massieu - Créditos: Wilson Dias/Agência Brasil
Chanceler Serra fez piada machista durante pronunciamento 
conjunto com homóloga mexicana, Claudia Ruiz Massieu / 
Wilson Dias/Agência Brasil

Em visita oficial ao México, o ministro das Relações Exteriores do Brasil, José Serra, fez uma piada machista durante um pronunciamento conjunto com a chanceler mexicana, Claudia Ruiz Massieu, na segunda-feira (25). Segundo a agência de notícias AFP, Serra "brincou" sobre o "perigo" para políticos homens de se ter tantas mulheres na política.
“Devo dizer, cara ministra, que o México, para os políticos homens no Brasil, é um perigo porque descobri que aqui metade das senadoras são mulheres”, disse o chanceler, ao lado de Massieu, na Cidade do México.
José Serra foi indicado para a pasta das Relações Exteriores pelo vice-presidente no exercício da Presidência, Michel Temer, em maio, e é parte de um gabinete ministerial composto exclusivamente por homens brancos— o primeiro desde o governo Geisel (1974-1979), na ditadura militar, sem mulheres.
O atual chanceler brasileiro reiterou o convite à ministra mexicana para que venha aos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, mas fez uma ressalva: “Eu quero muito que a senhora vá ao Brasil [durante as Olimpíadas], mas isso representará um perigo, porque a senhora vai chamar atenção para o assunto”, disse em referência à participação das mulheres na política no Brasil.
No Brasil, há 12 mulheres em um total de 81 cadeiras no Senado Federal (14,81%) e 52 deputadas do total de 513 cadeiras na Câmara dos Deputados no Brasil (10,13%). No México, são 47 mulheres do total de 128 congressistas no Senado, representando portanto 36,71% — algo distante da metade considerada "um perigo" por José Serra.
Contatado por Opera Mundi com pedido de posição sobre as declarações de José Serra, o Itamaraty afimou que responderia "com a brevidade possível".
Não é a primeira vez que Serra faz declarações machistas. Em dezembro de 2015, quando atuava como senador pelo Estado de São Paulo, ele disse à ex-ministra da Agricultura Kátia Abreu durante uma festa que ela tinha “fama de ser muito namoradeira”. A ex-ministra reagiu jogando uma taça de vinho no senador e declarou depois que achou o comentário “infeliz, desrespeitoso, arrogante e machista”.

O chanceler brasileiro visitou o México para reforçar as relações bilaterais, discutir a ampliação do comércio e investimento entre ambas as nações e firmar o Acordo para o Reconhecimento Mútuo da Cachaça e da Tequila como Indicações Geográficas e Produtos Distintivos do Brasil e do México. Lá, Serra também afirmou que o Brasil precisa "pedir a Deus" para que não aconteça atos terroristas no país durante os Jogos Olímpicos.