O
ex-diretor-geral da Defesa Civil de Salvador, Gustavo Ferraz, foi solto
da prisão domiciliar que cumpria na casa dele, na capital baiana, no
sábado (3).
A decisão de soltura foi do ministro do Supremo Tribunal
Federal (STF) Edson Fachin, na sexta-feira (2).
Ferraz cumpria
prisão domiciliar desde o dia 23 de outubro do ano passado e passou a
usar tornozeleira eletrônica no dia 16 de novembro de 2017, após o
governo baiano adquirir os equipamentos.
Antes
disso, ele chegou a ser preso em regime fechado, junto com o
ex-ministro Geddel Vieira Lima, mas depois a prisão foi convertida em
domiciliar.
O advogado de Ferraz, Pedro Machado de Almeida Castro, informou que a
decisão de soltura foi após pedido da defesa, com a justificativa de que
ele não oferece risco e colaborou com as investigações.
Também
foram revogadas medidas cautelares como restrições de uso de telefone e
internet.
Com a soltura, ele passa a responder pelo processo em
liberdade.
As
digitais de Ferraz foram encontradas em notas de dinheiro, apreendidas
em um apartamento em Salvador, ligado a Geddel.
Na ocasião, a Polícia
Federal encontrou R$ 51 milhões escondidos em malas e caixas.
Segundo a
PF, o dinheiro pertence ao ex-ministro e é oriundo de propina.
Ferraz
foi preso suspeito de auxiliar Geddel a esconder o dinheiro.
Ele foi
demitido do cargo de ex-diretor-geral da Defesa Civil de Salvador logo
após vir à tona que ele havia sido detido.
A Polícia Federal atribuiu ao ex-ministro Geddel
Vieira Lima (PMDB) e ao deputado federal Lúcio
Vieira Lima (PMDB), os crimes de associação criminosa e lavagem de
dinheiro, em relatório conclusivo sobre o bunker dos R$ 51 milhões, descoberto
no âmbito da Operação
Tesouro Perdido.
A PF ainda atribuiu os crimes a Marluce Quadros Vieira Lima,
mãe dos irmãos peemedebistas, Job Ribeiro Brandão, homem de confiança da
família e Gustavo Pedreira do Couto Ferraz, ex-diretor da Defesa Civil de
Salvador apontado como operador de Geddel.
Segundo o delegado Marlon Oliveira Cajado dos Santos, que
assina o documento, eles 'estiveram unidos em unidade de desígnios para a
prática de crimes de lavagem de dinheiro, seja pelo ocultamento no apartamento
de Marluce Quadros Vieira Lima, seja pelo ocultamento no apartamento da Rua
Barão de Loreto, Graça, Salvador/BA, de recursos financeiros em espécie oriundos
atividades ilícitas praticadas contra a Caixa Econômica Federal
(corrupção de
GEDDEL), apropriação indevida de recursos da Câmara dos Deputados por desvios
de salários de Secretários Parlamentares (Peculato), Caixa 02 em Campanhas
Eleitorais (Art. 350 do Côdigo Eleitoral), possível participação de Lúcio
Vieira Lima em ilicitudes relacionadas a medidas legislativas e da
participação de GEDDEL VIEIRA LIMA em Organização Criminosa' descrita no
inquérito do Quadrilhão do PMDB na Câmara.
Bunker. A Operação Tesouro Perdido partiu de uma denúncia
anônima por telefone no dia 14 de julho
de 2017.
O apartamento em Salvador
aonde foram encontrados os R$ 51 milhões pertence ao empresário Silvio Antonio
Cabral Silveira, que admitiu às autoridades que emprestou o imóvel ao irmão de
Geddel, o deputado Lúcio Vieira Lima (PMDB), a pretexto de guardar bens do pai
do peemedebista, já falecido.
Na montanha de notas de R$ 100 e R$ 50 encontrada no
apartamento, há marcas dos dedos do ex-ministro, de seu aliado Gustavo Pedreira
Couto Ferraz, ex-diretor da Defesa Civil de Salvador, do assessor de Lúcio, Job
Ribeiro Brandão, além de uma fatura com o pagamento da empregada do
parlamentar.
No âmbito das investigações, Job resolveu colaborar com as
investigações e tem feito tratativas para firmar delação premiada e seus
depoimentos agravaram a situação dos peemedebistas perante a Justiça.
Ele disse que devolvia 80% de seu salário aos irmãos, além
de contar e guardar dinheiro vivo em grandes quantidades para o ex-ministro e o
deputado federal.
O homem de confiança dos peemedebistas foi preso no dia 16
de outubro, mesma data em que o gabinete de Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA) foi
alvo de busca
e apreensão.
COM A PALAVRA, GEDDEL
A reportagem entrou em contato com a defesa do peemedebista.
O espaço está aberto para manifestação.
COM A PALAVRA, LÚCIO
A reportagem entrou em contato com a assessoria do
deputado. O espaço está aberto para manifestação.
Postado em 28/10/2017 10:01 / atualizado em 28/10/2017 13:03
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva percorre
Minas
Gerais na Caravanas por Minas Gerais - Lula
pelo Brasil(foto: Divulgação )
Em discurso que durou mais de 30 minutos, em Montes
Claros, no dia de seu aniversário no final desta sexta-feira, o
ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a se defender das acusações que
pesam contra ele no âmbito das investigações da
Operação Lava-Jato.
Afirmou que é inocente e que nunca roubou", emendando
que, assim, vai disputar novamente a eleição presidencial em 2018 sem
impedimento por causa das denúncias investigadas.
Lula lembrou que, aos 12 anos, queria comer uma maçã e
como não tinha dinheiro, às vezes, sentia vontade de roubar a fruta. E
não fez isso para não envergonhar sua mãe.
"Não é (será) agora, aos
72 anos que vou roubar um centavo para envergonhar milhões e milhões de pessoas
que a vida inteira confiaram em mim", disse Lula, que se encontrou em
Montes Claros com o presidente da Coteminas, Josué Alencar, que corteja para
ser seu candidato a vice.
"Sei que represento muito para este país. Sei o que nós fizemos para este
país.
Eu a Dilma (Rousseff) e o PT. O Brasil nunca foi tão respeitado",
acrescentou o ex-presidente.
Ele discursou tendo a companhia no palanque a
ex-presidente Dilma Rousseff e outras lideranças nacionais do PT, como a
senadora Gleise Hofmann e o ex-ministro e ex-prefeito de São Paulo Fernando
Haddad, que também fizeram o uso da palavra.
Ele disse que é vítima de "ódio" e perseguição das
elites por favorecer as classes menos favorecidas e, sem citar nominalmente a
Lava Jato, voltou a manda um recado para os investigadores da Operação.
Lembrando que " não estou acima da lei e acima da justiça",
destacou: "Não são aqueles meninos que passaram alguns anos
estudando para fazer concurso que vão julgar a história de um homem de 72 anos
dedicados à luta do povo e da luta deste país" .
Salientou sua vida
foi "revirada" e deram buscas em sua casa e "não encontraram
nada e não ser vergonha de sobra".
O petista citou outros políticos investigados ou presos no âmbito da ava
Jato, dos quais foram localizados dinheiro em contas no exterior e em espécie,
como o ex ministro Geddel Vieira Lima, o suposto dono de R$ 51 milhões em malas
apreendidas em um apartamento em Salvador.
Em seguida, ele emendou, em tom de desafio:
"se eles (os
investigadores da Lava Jato) estão acostumados lidar com políticos ladrões, se
estão acostumados com políticos covardes, que eles denunciam e enfiam o rabo
entre as pernas, pois bem, vão ter que enfrentar um cidadão que não é corrupto,
que não tem medo deles.
A única que quero e é que se faça justiça neste país.
Por isso, quero disputar ( a eleição de 2018) e disputando e vencendo,
quero fazer uma revolução social neste pais", assegurou.
A concentração petista em Montes Claros foi realizada na Praça da Catedral, que
ficou lotada.
A Polícia Militar não informou o público.
O evento foi organizado
com o apoio da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e do Sindicato Único dos
Trabalhadores da Educação, além de movimentos sociais.
O ato público contou
também com a participação de moradores de outros municípios do Norte de Minas
citados na concentração pelo deputado estadual Paulo Guedes.
Eles foram
transportados em ônibus até Monte Claros, mas não foi divulgado como foram
pagas as despesas.
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva percorre Minas Gerais na Caravanas
por Minas Gerais - Lula pelo Brasil.
Na manhã deste sábado, ele faz uma parada
em Bocaiúva, ainda no Norte de Minas, onde se encontra com o governador
Fernando Pimentel.
De Bocaiúva, Lula e seus correligionários seguem para
Diamantina.
A viagem foi iniciada segunda-feira em Ipatinga, no Vale do Aço, e será
encerrada na próxima segunda-feira, em Belo Horizonte .
O ex-presidente petista
passou por Teófilo Otoni (Vale do Mucuri), Governador Valadares
(Leste do estado), por municípios do Vale do Jequitinhonha, como Araçuaí,
e outras cidades do Norte de Minas como Salinas e Francisco Sá.
A delação de Lúcio Funaro, foi sem dúvida alguma, a mais
contundente em relação as demais.
Além de falar sobre as manobras em transações
de vultuosas somas de recursos em propina no PMDB, através dos ex-deputados
Eduardo Cunha, Henrique Eduardo Alves, Geddel Vieira Lima, presos pela Polícia
Federal tendo a coordenação do presidente Michel Temer, o doleiro foi além das
expectativas, deixando o Brasil estarrecido.
Lúcio Funaro foi o único envolvido e ouvido, à denunciar o
esquema sórdido do impeachment, que redundou com o afastamento da presidente
Dilma Rousseff no ano passado, tendo a mesma atingido o apoio de mais 54
milhões de brasileiros e vencendo o pleito para o senador Aécio Neves.
O doleiro fez uma acusação da maior gravidade, afirmando ao
MPF, que acompanhou passo à passo, toda a trama das propinas e do golpe contra
a ex-presidente, afirmando inclusive, quem estaria encabeçando a arapuca para
Dilma e o PT seriam:
O presidente Michel Temer e “pasmem os senhores”, como
também o então Procurador Geral da República, Rodrigo Janot.
O mais intrigante,
foi a afirmação de que o STF estaria sabendo de tudo, inclusive da compra de
votos de parlamentares para que o intento fosse sacramentado.
Perguntar não ofende!
1º- Como a população brasileira que
tem o MPF e o Judiciário como defensores das leis e da garantia dos direitos
dos cidadãos, pode digerir tamanha barbaridade?
2º- Como um Procurador Geral da República tem o desplante de
se nivelar de maneira sorrateira como Rodrigo Janot, ao ponto de utilizar uma
instituição respeitosa como a PGR, para montar estratégias de seu interesse ou
para fazer o jogo de alguém, enganando a imensa população do país?
Será que foi por esse motivo que o ministro Gilmar Mendes do
STF, chegou a dizer que o então procurador seria classificado como responsável
pela pior gestão da PGR?
Quem sabe se não foi por isso que um dia a ministra Eliana
Calmon, assegurou categoricamente que se nas investigações da Lava Jato, não
constasse acusações envolvendo membros do judiciário e do MP, tudo não passaria
de uma farsa?
A verdade é que as denúncias são graves e os golpistas
tentam desqualificar as mesmas da maneira mais descarada possível, achando que
o povo é bobo.
A população exige através das comunidades em redes sociais,
nas ruas, praças e demais logradouros públicos, que a atual Procuradora Geral
da República, determine a abertura de uma investigação do senhor Rodrigo Janot,
denunciado em delação pelo doleiro Lúcio Funaro e agora do conhecimento de
todos.
Afinal de contas, ninguém está acima da lei, como diz a Carta Magna do
país, ou uma frase sustentada pelo próprio procurador:
“O pau que bate em
Chico, bate em Francisco.”
Não estamos fazendo qualquer pré-julgamento da figura do
procurador Janot, mas, exigimos que esse fato seja esclarecido à sociedade.
E
se comprovado, a PGR tem o dever moral de pedir a anulação do impeachment e a
punição dos envolvidos nessa faceta medíocre e de uma irresponsabilidade da
pior envergadura.
Se nada for feito com relação ao assunto, ficará comprovado
que o golpe terá ramificações inesperadas de chegar ao ponto de condenar Lula,
tornar o mesmo inelegível e de preferência na cadeia, bem como, acabar com
Dilma, o Partido dos Trabalhadores e sabe-se lá o que mais.
“O povo está de olho, cansado de tanta injustiça e de não
poder votar livremente.
A condenação de Lula irá gerar, a maior crise política
de todos os tempos, disso não tenha a menor dúvida”, disse um líder sindical.
Preso há pouco mais de um mês na Papuda, Geddel Vieira Lima,
operador e homem de confiança de Michel Temer há mais de duas décadas, tem uma
única saída para reduzir sua pena: contar o que sabe sobre o bunker de R$ 51
milhões estourado pela Polícia Federal em Salvador.
Geddel foi o pivô da maior apreensão de dinheiro sujo da
história do Brasil e agora seu irmão Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA), outro dos
articuladores do golpe de 2016, também foi atingido por uma blitz da Polícia
Federal (leia aqui).
É uma péssima notícia para o Palácio do Planalto, às
vésperas da apreciação da denúncia em que Temer é acusado de corrupção,
obstrução judicial e organização criminosa.
(Reuters) – A Polícia Federal realiza buscas na manhã desta
segunda-feira no gabinete do deputado Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA) na Câmara
como parte das investigações relativas à descoberta de 51 milhões de reais em
espécie em um apartamento de Salvador atribuídos ao ex-ministro Geddel Vieira
Lima, irmão do parlamentar, segundo a TV Globo.
Além das buscas na Câmara, a PF também cumpre mandados no
apartamento residencial do deputado em Brasília e em mais dois endereços
ligados ao parlamentar em Salvador, acrescentou a Globo.
Procurada, a Polícia Federal não respondeu de imediato.
No mês passado, a Justiça Federal do Distrito Federal enviou
ao Supremo Tribunal Federal investigações relativas às operações que envolvem
Geddel por suspeitas de que seu irmão, que possui foro privilegiado, possa
estar envolvido no crime de lavagem de dinheiro.
De acordo com a Justiça Federal do DF, a operação que
encontrou os 51 milhões de reais atribuídos a Geddel em um apartamento em
Salvador esbarrou em indícios de que Lúcio também pode ter participado do crime
de lavagem de dinheiro.
Os advogados de defesa do ex-ministro do #Governo dopresidente da República [VIDEO] #Michel Temer,#Geddel
Vieira Lima (PMDB-BA), alegaram um grave risco de "estupro" dentro
do Complexo Penitenciário da Papula, local onde o ex-ministro está preso desde
a semana passada, em Brasília.
O objetivo da defesa é tirar Geddel do regime
fechado e tentar colocá-lo em prisão domiciliar.
Uma matéria publicada pelo
jornal "A Folha Brasil" dava conta do vazamento de várias mensagens
enviadas através de familiares de detentos que indicavam que os políticos que
estão presos poderiam ser "estuprados".
Ameaças aos políticos presos e familiares
Não há certeza se as ameaças são realmente verídicas, mas
entre as que foram noticiadas pelo jornal é citado que os políticos presos
deverão fazer
"favores" para os outros internos do presídio,
incluindo serviços domésticos e atos sexuais.
Na reportagem é enfatizado que um ex-deputado muito famoso
já teria até mesmo "se casado" com um traficante da Papuda.
Familiares desse ex-deputado, que não teve o nome disponibilizado pela
reportagem, estariam tentando fazer de tudo para que as "humilhações"
parassem e ele saísse dessa terrível situação.
A defesa de Geddel também sinalizou que familiares estão
recebendo várias ameaças através das redes sociais e que peças do processo
criminal, como fotos, estão circulando livremente na mídia.
Os advogados do
ex-ministro citaram na petição que quem se omitir, prejudicando Geddel, irá se
responsabilizar caso aconteça algo, como por exemplo, Geddel ser estuprado por
algum preso da penitenciária.
Juíza não acredita nas informações da reportagem
A juíza responsável pelo caso, Leila Cury, disse que não se
pode basear em um noticiário de caráter especulativo e com notícias
inverídicas.
A magistrada cita que a defesa de Geddel está se
utilizando de meios, provavelmente "falsos", para conseguir uma
prisão domiciliar ao ex-ministro.
Em resposta a petição, Leila Cury diz que familiares de
presos que estão no bloco de Geddel nem chegaram a tê-lo visitado, negando
qualquer contato com o ex-ministro [VIDEO] para fazer ameaças desses
níveis.
A respeito da reportagem, a juíza acredita ser falsa, pois há
informações que não compactuam com a realidade.
Dentre elas, a quantidade de
refeições disponibilizadas aos presos.
Geddel Vieira Lima foi preso na última sexta-feira, 8 de
setembro, acusado de esconder cerca de R$ 51 milhões.
O dinheiro estava
guardado dentro de malas em um apartamento de Salvador, Bahia.
TEMER VAI A LOUCURA: Delação de Funaro ‘com provas’ foi
deciviva para a prisão de Geddel; SAIBA!
3 de julho de 2017
A prisão de Geddel Vieira Lima é conseqüência dos recentes
depoimentos do doleiro Lúcio Funaro, Joesley Batista e Francisco de Assis,
diretor do grupo J&F.
Sendo os dois últimos em colaboração premiada.
É o
que diz o MPF.
No pedido enviado à Justiça, os procuradores afirmaram que o
político estava agindo para atrapalhar as investigações.
O ex-ministro não
queria, em hipótese alguma, que Eduardo Cunha e Funaro firmassem um acordo de
colaboração com o Ministério Público.
Na petição, foram citadas mensagens enviadas recentemente
por Geddel à esposa do doleiro.
Nas mensagens, o ex-ministro, identificado pelo
codinome “carainho”, sonda a mulher sobre a disposição do marido em se tornar
um delator.
Além de “monitorar” o comportamento de Funaro, ele teria atuado
para que tanto ele quanto Cunha recebessem vantagens indevidas para não
delatarem.
Queridos amigos e leitores do blog, se vocês não ver
postagem do meu blog SUED E POSPERIDADE nos grupos do facebook é porque o mesmo
bloqueou as minhas postagens, que eu vejo como punição por eu divulgar notícias
de Lula e do PT. Vocês podem acessar o blog pelo Google, G+1, twitter e
Pinterest, ou no próprio blog, podem compartilhar as notícias para a página de
vocês.
A prisão do líder do MTST, Guilherme Boulos, que passou dez
horas detido nesta terça-feira, acusado de incitação à violência quando tentava
mediar um conflito entre posseiros e policiais, foi uma inflexão na marcha
autoritária em curso no país.
A polícia que o prendeu é estadual mas o clima de
estado policial é nacional e foi instaurado pelo golpe. A partir da derrubada
de uma presidente eleita, espalhou-se pelo corpo social a percepção de que as
fronteiras da legalidade e das garantias constitucionais estão liberadas.
Já o ex-ministro Geddel Vieira Lima, apesar de provas e evidências acumuladas
de envolvimento em delitos, não foi preso, embora muitos outros, por muito
menos, tenho sido levados para o xadrez de Curitiba.
Contra Boulos, a polícia do governador Geraldo Alckmin chegou a invocar
canhestramente a aplicação da teoria do domínio do fato, a mesma que, com
interpretação distorcida, conforme reclamou seu próprio autor, permitiu a
condenação de José Dirceu pelo STF.
A teoria, em sua original acepção,
responsabiliza quem ocupa o topo de uma hierarquia, em determinadas condições,
pelos feitos dos subordinados.
Serve ao direito penal, aos juízes, não à
autoridade policial em fase investigativa. Mas quando tudo tornou-se
permitido, quando vigora a exceção , todos os absurdos são
admitidos.
Contra Boulos alegou-se também que ele liderou protesto,
no ano passado, em frente à residência paulista de Michel Temer. Acertar contas
agora foi uma confirmação da natureza essencialmente política de sua prisão,
conforme definição dele mesmo depois de liberado. É o revanchismo contra
os movimentos sociais.
Ninguém se iluda: na medida em que os conflitos sociais
se agudizarem, na conjuntura de devastação econômica criada pela política
Meirelles-Temer, a repressão vai se acentuar.
Já contra o ex-ministro Geddel, acumulam-se evidências. Ele perdeu a posição de
homem forte do governo Temer quando seu então colega de ministério Marcelo
Calero demonstrou que usava o cargo em defesa de interesses pessoais.
Outras
suspeitas surgiram envolvendo o prédio irregular cuja legalização ele tentou
forçar junto ao Iphan. Nada lhe aconteceu, nem sequer um inquérito foi aberto
sobre a traficância de influência.
Agora, a operação Cui Bono? o aponta como
agente superior de um esquema criminoso que cobrava propinas para liberar recursos
na Caixa Econômica Federal.
Um esquema composto ainda por Eduardo Cunha, Lucio
Funaro, Derziê SantAnna e Fabio Cleto, todos homens “batizados” pelo núcleo
cleptocrático do PMDB, ligado a Michel Temer. Mas Geddel não foi preso após a
diligência em sua casa. Por muito menos, a Lava Jato prendeu outros “agentes
públicos”.
O ex-ministro da Fazenda Guido Mantega, citado numa delação, foi retirado do
hospital em que acompanhava sua mulher numa cirurgia. Foi liberado, numa
evidência de que sua prisão não era necessária. Era apenas conveniente à Lava
Jato e às forças políticas a que serviu no curso do golpe.
O também ex-ministro
Paulo Bernardo foi preso após citação e por delator e foi liberado por ordem do
STF, na ausência de provas ou justificativas para a prisão preventiva.
Lula sofreu uma condução coercitiva embora sempre tenha se colocado à
disposição das autoridades.
Todas estas prisões foram cercadas por grande
espetáculo midiático. Mas estas e outras pessoas presas sem necessidade
são do PT. Geddel é uma eminência do PMDB no poder.
Investigação da Polícia Federal aponta o partido comandado
por Michel Temer como beneficiário da propina oriunda de um esquema na
liberação de crédito da Caixa para empresários, no qual estão envolvidos Geddel
Vieira Lima, ex-ministro de Temer, e Eduardo Cunha, ex-presidente da Câmara e
principal responsável pelo golpe; "Os valores indevidos eram recebidos
(...), tendo como destinação o beneficiamento pessoal deles ou do PMDB",
aponta o procurador Anselmo Henrique Cordeiro Lopes, no relatório sobre a
Operação "Cui Bono?" ("A quem beneficia?"), deflagrada
nesta sexta-feira 13
13 DE JANEIRO DE 2017 ÀS 19:16
247 - Investigação realizada no âmbito da
operação "Cui Bono?" ("A quem beneficia?"), deflagrada
nesta sexta-feira 13 pela Polícia Federal, aponta que o PMDB, de cujo comando
Michel Temer só se licenciou em abril deste ano, quando assumiu a presidência
da República após o golpe contra Dilma Rousseff, era o destino das propinas
obtidas em um esquema na Caixa Econômica Federal.
Segundo o Ministério Público Federal e a PF, Geddel Vieira
Lima, ex-ministro e ex-braço direito de Temer, e Eduardo Cunha,
ex-presidente da Câmara, cobravam propina de empresários para liberar crédito
no banco.
O esquema aconteceu, de acordo com relatório da PF, pelo menos entre
2011 e 2013. Na época, Geddel ocupava o cargo de vice-presidente de Pessoa
Jurídica da instituição, e Cunha era deputado.
"Os diálogos não deixam dúvidas de que Geddel Vieira
Lima e Eduardo Cunha buscavam contrapartidas indevidas junto às diversas
empresas mencionadas ao longo da representação, visando à liberação de créditos
que estavam sob a gestão da vice-presidência de Geddel", escreveu o
procurador Anselmo Henrique Cordeiro Lopes.
"Os valores indevidos eram recebidos por meio das empresas
de Lucio Bolonha Funaro e possivelmente por outros meios que precisam ser
aprofundados, tendo como destinação o beneficiamento pessoal deles ou do
PMDB", diz ainda o procurador.
LASCOU: Trechos do depoimento de Calero são confirmados e
impeachment de Temer será oficializado; VEJA!
As pessoas citadas pelo ex-ministro da Cultura Marcelo
Calero confirmaram os trechos do depoimento que ele prestou à Polícia Federal,
no último dia 19.
Calero denunciou a pressão sofrida pelo então ministro Geddel
Vieira Lima, para rever uma decisão do Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico
e Artístico Nacional), para liberar a obra de um prédio em Salvador (BA).
Segundo a Folha de S. Paulo, além do presidente Michel Temer
e de Geddel, Calero citou dez pessoas em seu depoimento.
Carlos Henrique
Sobral, chefe de gabinete de Geddel e ex-assessor especial do ex-presidente da
Câmara e ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), admitiu por escrito, por meio de
sua assessoria, que conversou ao telefone com o então ministro da Cultura sobre
o assunto.
Calero disse à PF que Sobral lhe indagou “a respeito de
prazos recursais” em torno da obra.
Segundo a assessoria da Secretaria de
Governo, pasta de Geddel, “a ligação foi feita unicamente para obter a
informação sobre qual o prazo recursal”.
Demissão de Geddel repercute na imprensa internacional
BBC diz que Temer é acusado de pressionar ministro para que
participasse de práticas corruptas. Oposição tenta colocar presidente no centro
da crise.
Vídeo do youtube
Geddel foi o sexto ministro a cair em pouco mais de seis
meses de governo, e a saída dele não acaba com o problema criado pelas
acusações do ex-ministro da Cultura. Marcelo Calero disse que o presidente Michel Temer e o
ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, sabiam de tudo e que também o
pressionaram para encontrar uma solução para o caso.
A rede britânica BBC diz que o presidente Temer é acusado de
pressionar um ministro para que participasse de práticas corruptas. O francês
Le Monde destaca que o escândalo pode enfraquecer o governo e levar a um
inquérito contra Temer.
O espanhol El País diz que um caso de tráfico de
influência respinga no presidente. Os principais jornais americanos também
trataram do assunto.
O New York Times diz que Temer está no meio de um novo
escândalo de corrupção. O argentino El Clarín diz que Temer é acusado de
tráfico de influência.
No depoimento à Polícia Federal, o ex-ministro da Cultura
Marcelo Calero afirmou que no dia 16 de novembro compareceu a um jantar
oferecido pelo presidente aos senadores no Palácio da Alvorada, e que após ser
informado de toda a história, o presidente disse a Calero "para que
ficasse tranquilo, pois, caso Geddel lhe procurasse, ele diria que não havia
sido possível atender a seu interesse, por razões técnicas".
Mas Calero disse que que no dia seguinte foi convocado por
Temer a comparecer ao Planalto, que o presidente disse a ele que a decisão do
Iphan havia criado dificuldades operacionais em seu gabinete, já que o ministro
Geddel encontrava-se bastante irritado.
Segundo Calero, Temer pediu que ele
construísse uma saída para que o processo fosse encaminhado à AGU.
Calero afirmou que, no fim da conversa, "o presidente
disse que a política tinha dessas coisas, esse tipo de pressão".
O
ex-ministro da Cultura disse que ficou bastante desapontado por ter sido
advertido sem que houvesse cometido qualquer tipo de irregularidade.
Na quinta-feira (24), o porta-voz da Presidência, Alexandre
Parola, disse que o objetivo do presidente nas conversas foi arbitrar conflitos
entre os ministros. Ele negou que o presidente tenha enquadrado ou pedido a
Calero solução que não fosse técnica.
O porta-voz afirmou que Temer se disse
surpreso com boatos de que o ex-ministro Calero teria solicitado uma segunda
audiência antes de se demitir somente com o intuito de gravar clandestinamente
conversa com o presidente da República para posterior divulgação.
Marcelo Calero divulgou nesta sexta-feira (25) uma nota em
que declara o seguinte: "A respeito de informações disseminadas, a partir
do Palácio do Planalto, de que eu teria solicitado audiência com o presidente
Michel Temer no intuito de gravar conversa no gabinete presidencial, esclareço
que isso não ocorreu.
Durante minha trajetória na carreira diplomática e
política, nunca agi de má-fé ou de maneira ardilosa. No episódio que agora se
torna público, cumpri minha obrigação como cidadão brasileiro que não compactua
com o ilícito e que age respeitando e valorizando as instituições."
O texto dessa nota não permite concluir se Calero nega ter
sido ele quem solicitou a audiência com Temer ou se nega ter solicitado a
audiência com o intuito de gravar a conversa. Ou ainda se ele nega ter gravado
a conversa com o presidente.
No depoimento à Polícia Federal, Marcelo Calero afirmou
que também recebeu uma ligação do ministro da Casa Civil e que
Eliseu Padilha argumentou que, se a questão do prédio estava judicializada, não
deveria haver decisão administrativa definitiva a respeito.
E que Calero
tentasse construir essa saída com a Advocacia-Geral da União.
Marcelo Calero disse, ainda, que recebeu uma ligação do
secretário de Assuntos Jurídicos da Casa Civil, Gustavo Rocha, e que Gustavo
comunicou a ele que havia ingressado com recurso da decisão administrativa no
Ministério da Cultura e no Iphan, e que Calero deveria encaminhar os autos do
processo para a AGU.
A advogada-geral da União, Grace Mendonça, disse que não
chegou a receber o caso e, por isso, ainda não o analisou, mas que cabe à AGU,
sim, resolver conflitos.
“Não há menor possibilidade de sair do âmbito da Advocacia-Geral da União um
parecer desenhado ou moldado ao entendimento de quem quer que seja, ou de
qualquer outro interesse.
O único interesse que rege e norteia a atuação da AGU
é efetivamente o interesse público”, disse Grace Mendonça.
Nesta sexta, o presidente chegou ao Planalto às dez da manhã.
Três horas depois, almoçou no Palácio da Alvorada com líderes do PSDB, que
estavam em Brasília para um encontro com prefeitos do partido recém-eleitos. À
tarde, viajou para São Paulo.
Parlamentares de oposição iniciaram uma ofensiva para
colocar o Temer no centro da crise política, enquanto governistas tentam tirar
a pressão sobre Temer.
Afirmam que a saída de ministros faz parte da rotina de
qualquer governo e não pode afetar o enfrentamento da crise econômica.
O líder da Rede Sustentabilidade na Câmara, Alessandro
Molon, disse que o escândalo complica a relação do governo com o Congresso: “A
aprovação de medidas na Câmara certamente vai ser prejudicada com essa mudança
no governo.
Isso mostra a dificuldade do governo Temer de se organizar e, de
alguma maneira, de organizar a agenda do país.
Essa é a razão pela qual
acredito que a crise vai se aprofundando passo a passo no governo Michel
Temer.”
O ex-presidente Fernando
Henrique Cardoso, do PSDB, disse que o governo deve seguir trabalhando
firme.
“O importante é não perder o rumo. Diante da circunstância
brasileira, depois do impeachment, o que nós temos que fazer é atravessar o
rio. Isso é uma ponte.
Pode ser uma ponte frágil, uma pinguela, tudo bem, mas é
o que tem. O Brasil precisa, com urgência, tomar medidas de reforma, pois a
situação fiscal nossa é muito ruim, a situação econômica precisa ser reanimada,
o povo está perdendo emprego”, afirmou Fernando Henrique.
A senadora Gleisi Hoffmann, do PT, disse que não há como
abafar a crise.
“Isso é uma situação muito grave. Conflitos entre
ministérios se dá quando você tem uma discussão de política pública, um
entendimento sobre o encaminhamento dessa política pública. Mas não pode se dar
em relação a interesses particulares.
O Palácio do Planalto, a Casa Civil não
pode cuidar de interesses imobiliários de ministros”, afirmou.
O líder do governo no Senado disse que as votações no
Congresso vão ser mantidas.
“Uma vez que aquilo que o governo propôs e que está
tramitando aqui no Senado é aquilo que corresponde às necessidades do país e
que tem apoio não apenas no Senado, mas da população brasileira. É importante
avançarmos no caminho de reformas, sob pena de não sairmos da crise em que estamos
metidos”, disse Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP).
Em nota, o presidente do Senado, Renan Calheiros, do PMDB,
que é do mesmo partido do presidente, disse que "as alegações do
ex-ministro da Cultura não afetam Temer, que reúne todas as condições para levar
adiante o processo de transição".