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segunda-feira, 25 de julho de 2016

O impeachment de Dilma se transformou num teatro do absurdo

MARIA LUISA MENDONÇA
Doutora em Geografia Humana pela Universidade de São Paulo (USP) e coordenadora da Rede Social de Justiça e Direitos Humanos
O impeachment de Dilma se transformou num teatro do absurdo
20 de Julho de 2016

"Quando um processo que nem ao menos é justo é conduzido por interesses inconfessáveis mas que todo mundo mais ou menos já sabe, então se cria uma espécie de capa de cinismo que encobre os processos sociais legítimos da política".
Essa observação, da psicanalista Maria Rita Kehl, resume o contexto no qual presenciamos o impeachment da presidente Dilma Rousseff, que lembra também o livro "Ensaio sobre a cegueira" de José Saramago e sua metáfora para descrever o sofrimento daqueles que sāo capazes de enxergar quando a sociedade mergulha em um processo de autodestruição.
Desde o início estava claro que a acusação declarada contra Dilma, que seria baseada nas "pedaladas fiscais", servia somente como uma "capa de cinismo" para barrar as investigações de corrupção e implantar uma agenda conservadora que tem sido rejeitada pela maioria da sociedade nas eleições presidenciais desde 2002. Estava claro, portanto, que se tratava de um golpe parlamentar contra uma presidente eleita e reeleita.
Atualmente ganha força entre os golpistas a estratégia de criar a impressão de que o impeachment seria um fato consumado, não importa o que aconteça. Esse teatro já conta com tantas cenas patéticas que pode ser descrito como surreal — quando a representação dos fatos apresenta contornos absurdos.
Começou com a votação na Câmara dos Deputados, quando uma maioria de parlamentares que é investigada por corrupção aprovou o impeachment em nome de Deus e da família.
No Senado, novamente, a estratégia dos golpistas foi desviar a atenção daquilo que deveria ser a base de suas acusações — as tais "pedaladas".
Assim, garantem que grande parte da sociedade nem mesmo entenda a acusação contra Dilma.
Basicamente, o que se caracterizou como "pedalada fiscal" representa um tipo de mecanismo financeiro utilizado não somente no Brasil, mas faz parte da estratégia de financiamento das estruturas do Estado em todos os países, que emitem dívida para cobrir o orçamento público.
No caso específico da acusação contra Dilma, como mostrou o Ministério Público Federal, as operações foram feitas para subsidiar empréstimos a taxas de juros menores do que aquelas estabelecidas como taxas de referência no mercado financeiro.
Esse fato seria suficiente para mostrar que o debate principal não deveria ocorrer na esfera jurídica, já que o caso analisado tem relação com opções políticas e econômicas, que devem ser avaliadas criticamente, mas não constituem base suficiente para justificar o impeachment.
Outro elemento ausente nesse processo é o entendimento sobre a chamada lei de "responsabilidade fiscal", muitas vezes utilizada para atropelar a "responsabilidade social", ou seja, para violar direitos básicos de bem-estar social.
Obviamente, esse tipo de manipulação não seria possível sem o apoio da mídia corporativa, que sequer pretende demonstrar minimamente alguma "imparcialidade".
A boa notícia é que essa chamada "grande" mídia tem perdido espaço para meios alternativos, diversos, criativos e que trazem informações confiáveis.
As cenas patéticas continuaram, com a queda de três ministros de Temer e as gravações que revelaram a conspiração desses políticos contra Dilma.
Mas o grande ato tragicômico foi reservado para o ator principal, Eduardo Cunha, que permanece controlando seus marionetes nos bastidores.
Tudo isso sob a "capa" de silêncio do Supremo Tribunal Federal.
Recentemente, a constatação de maior relevância para o processo de impeachment foi o pedido de arquivamento pelo Ministério Público Federal da investigação criminal contra Dilma sobre as "pedaladas fiscais".
Porém, novamente, um fato central para o processo foi minimizado pela mídia e por políticos interessados no golpe.
A cada dia fica mais evidente que a sentença contra Dilma já estava definida antes mesmo do início desse teatro chamado impeachment.
Voltando à observação de Maria Rita Kehl, essa é a "capa de cinismo que encobre os processos sociais legítimos da política", em outras palavras, que pode alimentar traços de fascismo no Brasil.
A construção dessa hegemonia conservadora facilita a eliminação de direitos fundamentais nas relações de trabalho, educação, saúde, com impactos negativos de longo prazo.
Não precisamos ir muito longe para compreender as conseqüências da quebra das regras fundamentais em uma democracia.

A memória do golpe de 1964 que instalou uma ditadura no Brasil por mais de duas décadas ainda deixa marcas profundas na sociedade.

domingo, 24 de julho de 2016

Justiça Federal pede o arquivamento do inquérito de impeachment de Dilma Roussef

Justiça Federal pede o arquivamento do inquérito de impeachment de Dilma Roussef
julho 14, 2016 – Atualizado 23/07/2016
dilma-rousseffe

O Ministério Público Federal (MPF) concluiu que a “pedalada” fiscal envolvendo o Plano Safra – uma das duas bases do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff no Senado – não se configurou operação de crédito nem crime. O mesmo entendimento foi aplicado a outras “pedaladas”, que não fazem parte do impeachment, como os atrasos de repasses da União para a Caixa Econômica Federal (CEF) referentes a programas sociais como o Bolsa Família, seguro-desemprego e abono salarial.
O procurador da República Ivan Cláudio Marx, responsável pelo procedimento criminal aberto no MPF no Distrito Federal, pediu nesta quinta-feira à Justiça Federal o arquivamento do inquérito. Na última sexta-feira, Marx já havia decidido arquivar parte das investigações, referente à “pedalada” com o BNDES. Os atrasos do governo nos repasses de auxílio de taxas de juros de financiamentos do banco foram entendidos como um “simples inadimplemento contratual”.
Este tipo de subsídio é o mesmo usado no Plano Safra: o governo, para garantir taxas menores nos financiamentos, faz aportes como compensação ao Banco do Brasil. O processo de impeachment no Senado diz que os atrasos do governo em relação ao Plano Safra configuram uma operação de crédito, uma infração à Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) e crime de responsabilidade de Dilma.
O crime descartado pelo procurador está previsto no Código Penal. É punido com prisão de um a dois e diz respeito a ordenar, autorizar ou realizar operação de crédito sem prévia autorização legislativa.

Agência o Globo

sexta-feira, 15 de julho de 2016

“Ó, NÃO TEM PEDALADA NÃO”, DIZ DILMA, LEMBRANDO DECISÃO DO MP

“Ó, NÃO TEM PEDALADA NÃO”, DIZ DILMA, LEMBRANDO DECISÃO DO MP
Roberto Stuckert Filho/PR:
Presidente comentou a decisão do Ministério Público Federal, que a inocentou na questão das "pedaladas fiscais", durante discurso em Teresina, no Piauí, onde participou de Ato em Defesa da Democracia e dos Direitos Sociais; "Passaram dois anos que tinha pedaladas, aí chega o Ministério Público e diz que 'ó, não tem pedalada não'. Tirando a pedalada que eu ando, não tem pedalada", disse Dilma Rousseff; ela lembrou em seguida que "gravações" também comprovaram que sua retirada do poder foi um golpe parlamentar; Dilma criticou as medidas do governo interino no campo social e alertou: "Se eu não voltar, essas medidas graves se tornarão permanentes"; a presidente anunciou que lutará "em todas as frentes" contra o impeachment; "Temos que honrar essa democracia"
15 DE JULHO DE 2016 ÀS 18:56 
247 – A presidente Dilma Rousseff comentou nesta sexta-feira 15 a decisão do Ministério Público Federal, que nesta quinta mandou arquivar denúncia contra ela sobre as chamadas "pedaladas fiscais". Decisão do procurador Ivan Cláudio Marx afirma que a prática contábil não é crime.
"Passaram dois anos que tinha pedaladas, aí chega o Ministério Público e diz que 'ó, não tem pedalada não'. Tirando a pedalada que eu ando, não tem pedalada", disse Dilma Rousseff, durante discurso em Teresina, no Piauí, onde participou de Ato em Defesa da Democracia e dos Direitos Sociais.
Ela lembrou em seguida que "gravações" da Operação Lava Jato também comprovaram que o processo de impeachment que a tirou do poder foi um golpe parlamentar. Os áudios revelaram integrantes do governo interino de Michel Temer – como o senador Romero Jucá, demitido do ministério do Planejamento – combinando uma forma de atrapalhar as investigações, entre elas a saída de Dilma do Planalto.

A presidente criticou também as medidas do governo provisório no campo social, como o teto de gastos públicos para saúde e educação, e alertou: "Se eu não voltar, essas medidas graves se tornarão permanentes". A presidente anunciou que lutará "em todas as frentes" contra o impeachment e causou euforia nos presentes quando disse que é "é da luta". "Temos que honrar essa democracia", defendeu.