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domingo, 24 de junho de 2018

Lula, muitos na Europa percebem também a falta que você faz na América Latina. Por Celso Amorim


Lula, muitos na Europa percebem também a falta que você faz na América Latina. Por Celso Amorim

Publicado por
 Diario do Centro do Mundo   23 de junho de 2018

 Celso Amorim e Lula. Foto: Agência Brasil

PUBLICADA NA REVISTA CARTA CAPITAL

Querido Presidente Lula,

no momento em que escrevo esta mensagem (madrugada do dia 20), estamos todos comemorando a absolvição pelo STF da nossa amiga e companheira Gleisi, que tem sido uma incansável defensora de sua liberdade e da sua candidatura.

Pessoalmente, tenho a certeza de que começa uma virada na atitude da própria elite brasileira, com impacto no Judiciário, que percebe que só há uma solução para a crise socioeconômica (além de política e institucional) em que nosso País está afundando e que ficou evidenciada, de forma ainda mais dramática, com a greve (ou lockout, pouco importa!) dos caminhoneiros.

Além de matar um pouco (um pouco apenas) a saudade, esta “carta” tem o objetivo de contar sobre a viagem que fiz a Paris, entre os dias 12 e 15 de junho. 

A razão principal da viagem foi ajudar a esclarecer aos nossos amigos na França sobre a situação política no Brasil e as circunstâncias que cercam a sua absurda e injusta prisão. 

Já havia feito algo parecido em Bruxelas, a convite de integrantes do Parlamento Europeu, há cerca de um mês.

Desta vez, tive a oportunidade de falar em duas instituições importantes, na Casa da América Latina, dirigida por um ex-embaixador no Brasil, e no Instituto de Relações Internacionais e Estratégia (IRIS, na sigla em francês). 

Em ambos os casos, falei para salas cheias e espectadores muito qualificados e preocupados com você e com o Brasil.

Tive também encontros com alguns ex-ministros e outras personalidades influentes, como a senadora (comunista) Laurence Cohen e com o nosso velho conhecido e amigo (apesar de eventuais divergências específicas) Pascal Lamy, que continua muito ativo como presidente de comissões na França e na Europa.

A Laurence está planejando a visita do Comitê que ela preside e me disse que na ocasião pretende ir a Curitiba (quem sabe não seja mais preciso?). 

Estive com dois ex-chanceleres, o Hubert Védrine, da época do Jospin, e o Dominique de Villepin, da época do Chirac, que se destacou principalmente na condenação da invasão do Iraque pelos EUA, em 2003.

Em todos esses encontros, mas especialmente com Villepin, pude constatar que, além da solidariedade a você e à democracia brasileira, os espíritos mais lúcidos na França têm uma preocupação real com o esvaziamento da posição do Brasil no cenário internacional.

Todos lamentam que o nosso País tenha praticamente desaparecido de cena em um momento crítico em que a ordem mundial se vê diante de enormes desafios, desde o drama político e humano dos refugiados até as atitudes belicosas de Trump, sobretudo com o Irã (embora deva dizer, de minha parte, que, apesar da teatralidade, vi méritos indiscutíveis na aproximação com a Coreia do Norte).

Muitos percebem também a falta que você faz na América Latina, onde a confrontação tem tomado o lugar do diálogo e a integração tem sido abandonada em benefício de uma agenda neoliberal na economia e conservadora (quando não abertamente fascista) na política e nos temas sociais. 

Como outros, Villepin, por exemplo, entende plenamente que somente o retorno a uma democracia real, com um governo legitimado pelo apoio popular, trará de volta ao Brasil o papel que teve sob sua condução e inspiração. 

Esses líderes sentem falta de uma voz firme e desassombrada (ativa e altiva, diria eu) que costumávamos ter na defesa de um mundo mais justo e mais pacífico. 

Todos entendem também, querido Presidente Lula, que isso só ocorrerá com a sua libertação e com o seu direito de candidatar-se.

Esses encontros me permitiram também esclarecer as dúvidas que ainda pudessem pairar sobre os processos movidos contra você. 

Na verdade, isso é importante porque, como me foi dito por uma eurodeputada da Esquerda alemã, para muitos europeus – mesmo aqueles que reconhecem o seu papel histórico na defesa dos mais pobres e na afirmação da posição do Brasil no mundo – é difícil compreender que a Justiça possa ser tão pouco imparcial.

Para isso, o trabalho de juristas e o ativismo de pessoas como a Carol Proner, presente em alguns das minhas atividades, tem sido de grande importância. 

Creio que, nesse sentido, a viagem foi também útil, pois é necessário, como você mesmo tem dito, não apenas exigir o “Lula Livre”, mas também proclamar o “Lula Inocente”, tanto no Brasil quanto lá fora. 

No mais, muita saudade, que espero possa matar em breve de forma pessoal, e de preferência no Ipiranga ou em São Bernardo.

Forte abraço do amigo, que teve a suprema honra de ser seu colaborador em um aspecto vital de um projeto de Brasil próspero, justo e soberano, 
Celso

.x.x.x.

Celso Amorim foi ministro das Relações Exteriores, inclusive no governo de Lula.


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sábado, 20 de janeiro de 2018

Político panamenho revela que condenação de Lula foi planejada nos EUA

Político panamenho revela que condenação de Lula foi planejada nos EUA
20/01/2018
 

“No fim de 2012, Manolo Pichardo (foto), político da República Dominicana, participou de uma sinistra reunião na suíte de um hotel em Atlanta, nos Estados Unidos.

Alguns ex-presidentes latino-americanos de inclinação de centro ou direita discutiram como varrer adversários progressistas do mapa.

Afinal, dizia um dos presentes, Luis Alberto Lacalle, ex-mandatário uruguaio, “não podemos ganhar desses comunistas pela via eleitoral”. 

A presença de Pichardo ali era estranha, só tinha ido a Atlanta graças ao convite de um ex-presidente amigo, Vinicio Cerezo, da Guatemala”. 

Esse um trecho da reportagem de André Barrocal, publicada no site da revista Carta Capital.

O texto continua:

Será que haveria um “Plano Atlanta”, batismo dado por Pichardo ao que escutou naquela suíte de hotel em 2012, com o qual o PLD deveria se preocupar? 
“Se há, não conheço”, diz ele.

E que “plano” é esse, afinal? Desmoralizar líderes progressistas via mídia com acusações de corrupção, inclusive a familiares, e ataques ao comportamento privado deles. 

Depois, converter os escândalos em processos judiciais que acabem com a carreira da turma.

A estratégia parece bem sucedida, a julgar pelo destino de Fernando Lugo no Paraguai em 2012 e de Dilma Rousseff por aqui em 2016, além das encrencas de Cristina Kirchner na Argentina, de Rafael Correa no Equador e, claro, de Lula.

A derrocada do petista seria a “joia da coroa”, algo que está perto de acontecer dado o iminente julgamento dele em segunda instância.

CartaCapital: O processo contra o ex-presidente Lula é parte do “Plano Atlanta”?

Manolo Pichardo: Claro que sim. 
Toda a perseguição que desencadearam contra ele é parte da artimanha que procura desqualificá-lo para que não retorne à Presidência do Brasil e retome a aplicação de políticas públicas que 
favorecem a maioria. 

Isso em razão de que as oligarquias brasileiras e da região não concebem que as riquezas geradas sejam distribuídas com maiores níveis de justiça. 

É que não se dão conta de que em um processo de distribuição democrática da renda, o consumo aumenta e eles têm mais possibilidades de fazer negócios. 
E não se dão conta porque estão acostumados a acumular riqueza com base na exploração das grandes maiorias.

CC: Por que Lula seria a “joia da coroa” do “Plano”?

MP: O Brasil é a maior economia da América Latina e se tornou uma das maiores do mundo. 

É o maior país da região em tamanho e população.

 Isso, obviamente, deu-lhe o peso político que lhe permitiu influenciar o resto dos países latino-americanos, algo que, sem dúvida, aumentou durante a Presidência de Lula, uma vez que remover mais de 40 milhões de pessoas da pobreza e incorporar 16 milhões ao mercado de trabalho tornaram-no uma referência obrigatória. 

Isso faz dele, de acordo com os interesses dos setores conservadores, um exemplo indesejável.

       A FARSA DO TRIPLEX : Lula é dono dele ou não?
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domingo, 10 de setembro de 2017

OS MARAJÁS DA REPÚBLICA! Janot Recebeu 160 Mil De Salário E Se Desmoraliza De Vez; VÍDEO!

OS MARAJÁS DA REPÚBLICA! Janot Recebeu 160 Mil De Salário E Se Desmoraliza De Vez; VÍDEO!
 

Quanto ganham o Moro e o Janot?

O SANGUE AZUL... Em dezembro, o salário do juiz Sérgio Moro foi o equivalente a 120 vezes o salário mínimo. 

O do procurador geral Rodrigo Janot foi de 160 mil reais - ou seja, 160 vezes o salário mínimo.

São os marajás da república, a nobreza brasileira, como diz a Carta Capital!



sexta-feira, 4 de agosto de 2017

CARTA CAPITAL: Temer e PSDB anunciam corte de 70% na saúde e sepultam o SUS

CARTA CAPITAL: Temer e PSDB anunciam corte de 70% na saúde e sepultam o SUS
4 de agosto de 201
 

Com cortes de 70% da verba, SUS entra em processo de extinção e preocupa especialistas
Em 2018, o SUS completa 30 anos. 

Apesar da falta de recursos, das crises recorrentes, da escassez de profissionais e de problemas de financiamento, o Brasil conseguiu erguer em poucas décadas o maior sistema público de saúde do planeta, feito notável para uma nação que tem dificuldades para desenvolver políticas de longo prazo.

O que seria um motivo de orgulho se tornou mais um ponto de preocupação. 

O SUS, afirma Ronald Ferreira dos Santos, presidente do Conselho Nacional da Saúde, corre o risco de não passar dos 30 anos, por conta da emenda constitucional que limita os gastos públicos nas próximas duas décadas.

Se a medida não for revertida, alerta Santos, o investimento público no setor despencará de 3,8% do PIB para menos de 1%. “Será a morte do sistema estabelecido na Constituição de 1988.”

Quais as maiores ameaças ao SUS?

Ronald Ferreira dos Santos: No próximo ano, o SUS completa 30 anos, mas corre sérios riscos de não ir além desse período, em razão da crise política, econômica, social e sanitária que vive o País.

Enxergo dois problemas cruciais. 

O primeiro, mais geral, o rompimento das regras que estabeleceram a saúde como um direito universal na Constituição de 1988. O segundo, o agravamento do subfinanciamento do sistema.

Não é de hoje que faltam recursos.

Não, não é. O subfinanciamento sempre foi um problema crônico, mas será agravado pela aprovação da Emenda Constitucional nº 95, chamada de Teto de Gastos. Alguns dizem que a medida vai congelar os dispêndios públicos por 20 anos.

Não é exatamente assim. É pior. Trata-se, na verdade, de uma diminuição progressiva dos recursos destinados à saúde. Vai ferir de morte o SUS. 

Se a medida não for revertida, podemos desistir da ideia de um sistema único.

Qual a perda estimada de recursos com o teto de gastos?

O Brasil investe, atualmente, 3,8% do PIB de dinheiro público na saúde. 

A atividade econômica do setor, incluídos os gastos privados, varia de 8,5% a 9% do PIB. 

No decorrer dos 20 anos, o porcentual dos gastos públicos vai cair de 3,8% para menos de 1% do PIB.

Vai piorar uma situação já ruim, pois o Brasil gasta menos em saúde do que a maioria dos países desenvolvidos ou em desenvolvimento, certo?
A maior parte dos países da América Latina, não vou citar aqui a Europa, economias bem menores que a nossa, aplica mais em proporção do PIB do que o Brasil. Estamos na rabeira, em termos de investimentos no setor.

Por que o SUS é tão atacado?

Está em disputa o modelo de atenção. 
No passado, tratava-se de um debate mais acadêmico entre o sistema universal e a cobertura universal. 

O Brasil optou, desde a Constituição, pelo sistema universal, que tem por princípio a garantia de direitos.

A lógica da cobertura universal é outra, garantir um pacote mínimo e nada mais. 

Quem desejar mais serviços precisa procurar na iniciativa privada. 

Não à toa surgiu a proposta de criação dos chamados planos privados populares e reforçou-se o discurso de que a saúde não cabe no Orçamento.

Por que os planos populares são uma ideia ruim?
Os planos populares traduzem a mudança do modelo de atenção, uma opção à lógica de se estruturar um sistema integrado, que reúna condições para garantir a integralidade, não um pacote de serviços focado nas questões assistenciais de recuperação do paciente.

Esse é o modelo do seguro, da saúde como mercadoria. Definimos o contrário em 1988. 

E agora se pretende impor, sem voto, sem poder constituinte, sem delegação da população, um sistema completamente diferente.

Qual o balanço do SUS nesses 30 anos?
Desde a Constituição há um claro conflito entre interesses diversos. 

Neste momento, a correlação de forças na sociedade está absolutamente desproporcional. 

A defesa do público, de valores como solidariedade e interesse coletivo, nunca esteve tão frágil.

Com todas as dificuldades, o País ergueu em três décadas o maior sistema público de saúde do mundo. E que resolve problemas complexos como o do vírus da Zika em menos de um ano. 

Identifica, intervém e produz conhecimento.

A maioria das nações levaria décadas para obter resultado semelhante. 

Conseguimos ter o maior programa de tratamento de Aids do planeta. Somos um dos centros globais de transplante de órgãos. Criamos o Samu, desenvolvemos a assistência farmacêutica.

Apesar do subfinanciamento crônico, há muito a se comemorar. Não nego os gargalos, a falta de profissionais, mas é muito rara a divulgação dos avanços e feitos do SUS. 

Os meios de comunicação exploram constantemente os problemas, até para estimular o mercado. Os planos de saúde e os seguros privados são grandes financiadores da mídia.

Desmontar o SUS não impedirá o Brasil de criar um poderoso sistema industrial no setor?

Esse complexo industrial foi criado. Um dos aspectos positivos do SUS é exatamente o desenvolvimento da indústria farmacêutica. Somos, hoje, um centro importante de produção de medicamentos, graças às encomendas públicas.

A atividade econômica no setor mobiliza, aproximadamente, 470 bilhões de reais por ano. É mais do que o PIB de Uruguai, Paraguai, Equador… O que o mercado deseja é total liberdade para alimentar suas planilhas. Por isso se ataca, entre outras instituições, a Anvisa.

O Congresso decidiu tirar da Anvisa a regulação dos remédios de emagrecimento. 

Quem decidirá são os próprios parlamentares. 

Obviamente, abre-se a porteira para a atuação dos mais diversos lobbies da indústria farmacêutica. 

O objetivo é esvaziar a capacidade de elaboração de políticas públicas. .

Por Sérgio Lira

Da Carta Capital


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sábado, 22 de julho de 2017

EM MINAS GERAIS: Mineirinho passa vexame e pesquisa aponta tucano com apenas 1% em seu estado natal para 2018; SAIBA!

EM MINAS GERAIS: Mineirinho passa vexame e pesquisa aponta tucano com apenas 1% em seu estado natal para 2018; SAIBA!
22 de julho de 2017
 

Pesquisa eleitoral revela que o senador Aécio Neves (PSDB-MG), após ter atuado como o principal articulador do golpe contra Dilma Rousseff, afundando o Brasil na maior crise econômica de sua história, virou um cadáver político em Minas Gerais.

Dados de um levantamento realizado pelo instituto GPP, divulgados pela Carta Capital, apontam que o senador tucano, um dos mais delatados na Lava Jato, só teria 1,1% dos votos para presidente da República em seu próprio Estado.

Investigado por esquemas de corrupção em Minas, estado que governou, e flagrado em gravação recentemente pedindo R$ 2 milhões em propina ao empresário Joesley Batista, da JBS, Aécio piorou drasticamente no cenário eleitoral desde as eleições de 2014.

Naquele ano, quando foi derrotado para Dilma na disputa presidencial, Aécio também já havia perdido em Minas, registrando 45,6% dos votos.


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domingo, 16 de abril de 2017

LULA: NÃO HÁ NADA ILEGAL NAS DELAÇÕES DA ODEBRECHT

LULA: NÃO HÁ NADA ILEGAL NAS DELAÇÕES DA ODEBRECHT

 Ricardo Stuckert

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva contestou, de forma didática e direta, por meio de perguntas e respostas, as acusações contra ele nas delações da Odebrecht, como a "conta amigo"; "Esta é a mais absurda de todas as ilações no depoimento de Marcelo Odebrecht. Ele disse que Lula teria uma 'conta corrente' na empresa. Ora diz que essa conta seria de 35 milhões, ora seria de 40 milhões, mas ressalva que jamais conversou com Lula sobre essa conta", diz ele; ex-presidente também contesta acusações relacionadas ao sítio de Atibaia, à sede do Instituto Lula e até ao patrocínio à revista Carta Capital; confira a íntegra

16 DE ABRIL DE 2017 ÀS 20:01

247 - O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva contestou, de forma didática e direta, por meio de perguntas e respostas, as acusações contra ele nas delações da Odebrecht, como a "conta amigo". "Esta é a mais absurda de todas as ilações no depoimento de Marcelo Odebrecht. Ele disse que Lula teria uma 'conta corrente' na empresa. 

Ora diz que essa conta seria de 35 milhões, ora seria de 40 milhões, mas ressalva que jamais conversou com Lula sobre essa conta", diz ele.

Ex-presidente também contesta acusações relacionadas ao sítio de Atibaia, à sede do Instituto Lula e até ao patrocínio à revista Carta Capital. 

Confira a íntegra:

Perguntas e Respostas

O ex-presidente Lula está mais uma vez no centro de intenso bombardeio midiático. Na liderança do ataque, o Jornal Nacional da Rede Globo divulgou 40 minutos de noticiário negativo em apenas 4 edições. Como vem ocorrendo há mais de dois anos, Lula é alvo de acusações frívolas e ilações que, apesar da virulência dos acusadores, não apontam qualquer conduta ilegal ou amparada em provas. Desta vez, no entanto, além de tentar incriminar Lula à força, há um esforço deliberado de reescrever a biografia do maior líder popular da história do Brasil.

Os depoimentos negociados pelos donos e executivos da Odebrecht – em troca da redução de penas pelos crimes que confessaram – estão sendo manipulados para falsificar a história do governo Lula. Insistem em tratar como crime, ou favorecimento, políticas públicas de governo voltadas para o desenvolvimento do país e aprovadas pela população em quatro eleições presidenciais.

São políticas públicas transparentes que beneficiaram o Brasil como um todo – não apenas esta ou aquela empresa – como a adoção de conteúdo nacional nas compras da Petrobras, a construção de usinas e integração do sistema elétrico, o financiamento da agricultura, o apoio às regiões Norte e Nordeste, a ampliação do crédito a valorização do salário e as transferências de renda que promoveram o consumo e dinamizaram a economia, multiplicando por quatro o PIB do país.

Estas políticas não foram adotadas em troca de supostos benefícios pessoais, como querem os falsificadores da história. Elas resultaram do compromisso do ex-presidente Lula de proporcionar uma vida mais digna a milhões de brasileiros.

Por isso Lula deixou o governo com 87% de aprovação e é apontado pela grade maioria como o melhor presidente de todos os tempos. É contra esse reconhecimento popular que tentam criar um falso Lula, apelando para o preconceito e até para supostas opiniões de quem chefiou a ditadura, de quem mandou prender Lula por lutar pela democracia e pelos direitos dos trabalhadores.

No verdadeiro frenesi provocado pela edição dos depoimentos da Odebrecht, é preciso lembrar que estes e outros delatores da Lava Jato foram pressionados a apresentar versões que comprometessem Lula. Mas tudo o que apresentaram, antes e agora, são ilações sem provas.

E é preciso lembrar também que essa teia de mentiras está sendo lançada contra Lula às vésperas do julgamento de uma ação na Vara da Lava Jato que pretende condená-lo não apenas sem provas, mas contra todas as provas testemunhais e documentais de sua inocência.

E lembrar ainda que o novo bombardeio de mídia foi deflagrado no momento em que, mesmo não sendo candidato, Lula é apontado crescentemente nas pesquisas como o favorito para as eleições presidenciais.

Por tudo isso, é necessário analisar cada uma das ilações apresentadas, para desfazer cada fio dessa a teia de mentiras.
Há algum ato ilegal de Lula relatado na delação da Odebrecht?

Não há. Delações não são provas, mas informações prestadas por réus confessos que apenas podem dar origem a uma investigação. 

A legislação brasileira proíbe expressamente condenações baseadas somente em delações, negociadas em troca da obtenção de benefícios penais por réus confessos. 

As delações devem ser investigadas e os depoimentos de delatores expostos ao questionamento dos advogados de defesa. 

Por enquanto, o que existe, são depoimentos feitos aos procuradores, a acusação, divulgados de forma espetacular antes dos advogados terem acesso a eles.

No passado, depoimentos divulgados de forma semelhante - como os de Paulo Roberto da Costa, Nestor Cerveró e Delcídio do Amaral - quando confrontados com depoimentos em juízo dos mesmos colaboradores não revelaram qualquer crime ou prova contra o ex-presidente Lula.

É parte da estratégia de lawfare e uso da opinião pública da Lava Jato, teorizada por Sérgio Moro em artigo de 2004, "deslegitimar o sistema político" usando a mídia, e destruir a imagem pública dos seus alvos para substituir o devido processo legal pela difamação midiática.

Sítio em Atibaia

Há mais de um ano a Lava Jato investiga um sítio no interior de São Paulo. Os proprietários do sítio, que não é do ex-presidente Lula, já provaram a propriedade e a origem dos recursos para a compra do sítio. 

Mesmo o relato de Emílio Odebrecht e Alexandrino Alencar indicam que eles desconhecem de quem é a propriedade, além do que ouviram em boatos, e de que a reforma de tal sítio seria uma surpresa para o ex-presidente, dentro de uma ação que não o envolveu em uma propriedade que não é sua. É estranho nesse contexto que Emílio Odebrecht diga que na véspera do fim do mandato tenha "avisado" Lula da obra. E é inadmissível que o silêncio de Lula, diante do suposto aviso, seja interpretado como evidência. 

O sítio não é do ex-presidente, não há nenhum ato dele em relação ao sítio, nem vantagem indevida, patrimônio oculto ou contrapartida.


"Terreno" e doações ao Instituto Lula
Como já foi repetido várias vezes e comprovado nos depoimentos e documentos, o Instituto Lula jamais recebeu qualquer terreno da Odebrecht. Ele funciona em um sobrado adquirido em 1991. O tal terreno foi recusado. E foi recusado porque sequer havia sido solicitado pelo Instituto ou por Lula. 

É prova do lawfare e perseguição a Lula que um terreno recusado seja objeto de uma ação penal.

O Instituto recebeu doações de dezenas de empresas e indivíduos diferentes. Todas registradas. As doações da Odebrecht não representam nem 15% do valor total arrecadado pelo Instituto antes do início de uma perseguição judicial. 

Todas as doações foram encaminhadas por meio de diretores com o devido registro fiscal. Jamais houve envolvimento de Antonio Palocci ou de qualquer intermediário nos pedidos de doação ao Instituto. Os depoimentos de delatores Alexandrino Alencar e Marcelo Odebrecht inclusive se contradizem sobre esse assunto.

"Conta amigo", os milhões virtuais que Lula nunca recebeu
Esta é a mais absurda de todas as ilações no depoimento de Marcelo Odebrecht. Ele disse que Lula teria uma "conta corrente" na empresa. Ora diz que essa conta seria de 35 milhões, ora seria de 40 milhões, mas ressalva que jamais conversou com Lula sobre essa conta. 

Narra uma confusa movimentação de saída e entrada de recursos, citando a compra de um terreno (depois devolvido), uma doação ao Instituto Lula e supostas entregas em dinheiro vivo a Branislav Kontic, totalizando R$ 13 milhões. Diz ainda que parte da reserva continuou na tal conta.

Se for verdadeiro o depoimento, Marcelo Odebrecht teria feito, na verdade, um aprovisionamento em sua contabilidade para eventuais e futuros transferências ou pagamentos. Isso é muito diferente de dizer que havia uma "conta Lula" na Odebrecht, como reproduzem as manchetes levianas. 

A ser verdadeira, trata-se, como está claro, de uma decisão interna da empresa. Uma "conta" meramente virtual, que nunca foi transferida, nem no todo nem em parte, que nunca se materializou em benefícios diretos ou indiretos para Lula.

O fato é que Lula nunca pediu, autorizou ou sequer teve conhecimento do suposto aprovisionamento.

As três supostas evidências apresentadas sobre a conta virtual desmoronam diante da realidade, a saber: 

a) o terreno comprado supostamente para o Instituto Lula nunca foi entregue, porque nunca foi pedido por quem de direito; 

b) as doações da Odebrecht para o Instituto Lula foram feitas às claras, em valores contabilizados na origem e no destino, e informadas à Receita Federal, em transação transparente; 

c) a defesa de Branislav Kontic negou, em nota ao Jornal Nacional, que seu cliente tenha praticado as ações citadas pelos delatores.

Todos os sigilos de Lula e sua família - bancários, fiscal, telefônico - foram quebrados. O Ministério Público sabe a origem de todos os recursos recebidos por Lula, o destino de cada centavo ganho pelo ex-presidente com palestras e que Lula vive em um apartamento em São Bernardo do Campo desde a década de 1990. Onde estão os R$ 40 milhões?

Palestras
Após deixar a presidência da República, com aprovação de 87% e reconhecimento mundial, Lula fez 72 palestras para mais de 40 empresas. Entre elas Pirelli, Itaú e Infoglobo. Em todas as palestras foram cobrados os mesmos valores. Todas foram realizadas, e a comprovação de tudo relacionado as palestras já está na mão do Ministério Público do Distrito Federal e do Paraná. 

A imprensa deu a entender que a Odebrecht teria "inventado" essas palestras. Isso não foi dito de forma alguma mesmo nos depoimentos, que indicaram que as palestras eram lícitas e legítimas. 

E a Odebercht não foi a primeira empresa, nem a segunda, nem a terceira a contratar palestras de Lula. Microsoft, LG e Ambev, por exemplo, contrataram palestras pelos mesmos valores ANTES da Odebrecht. 

Segue a relação completa de paletsras entre 2011 e 2015: 

http://institutolula.org/uploads/relatoriopalestraslils20160323.pdf
A legislação brasileira não impede que ex-presidentes deem palestras. Não impediria que eles fossem diretores de empresa, o que Lula nunca foi.

Ajuda ao filho
Após deixar a presidência Lula não é mais funcionário público.

Mesmo considerando real o relato de delatores que precisam de provas, Emílio Odebrecht e Alexandrino Alencar relatam que a ajuda para o filho de Lula iniciar um campeonato de futebol americano foi voluntária e após diversas conversas e análises 
do projeto. 

A expressão inserida em depoimento de "contrapartida" de melhorar as relações entre Dilma e Marcelo Odebrecht é genérica e de novo, mesmo que fosse real, não incide em nenhuma infração penal. Em 2011, anos dos relatos, Lula não ocupava nenhuma função pública.

A liga de futebol americano existiu e não teve a participação ou sequer o acompanhamento de Lula. Os filhos do ex-presidente são vítimas há anos de boatos na internet de que seriam bilionários. Tiveram suas contas quebradas e atividades analisadas. E não são nem bilionários, nem donos de fazendas ou da Friboi.

Frei Chico
De novo, mesmo considerando o relato dos delatores, que necessitam de provas, eventual relação entre a Odebrecht e o irmão de Lula eram relações privadas. 

Lula não tem tutela sobre seu irmão mais velho e não solicitou ajuda a ele, nem cuidava de sua vida. Não há relato de infração, nem de contrapartida, nem de que tenha sido o ex-presidente que tenha solicitado qualquer ajuda ao irmão.

Carta Capital

A breve menção a revista indica que Lula falou para Emílio Odebrecht ver o que poderia fazer e se poderia fazer algo para ajudar a revista, novamente após ter deixado a presidência da República. 

A relação entre dois outros entes privados (Carta Capital e Odebrecht) não tem qualquer contato com Lula a partir disso e o pedido de verificação se poderiam anunciar na revista não implica em nenhum ilícito. 

Os executivos da Odebrecht mencionaram que o grupo prestou ajuda a diversos outros veículos de imprensa, podendo ser citado como exemplo o jornal O Estado de S.Paulo.

Angola
O depoimento de Emílio Odebrecht indica que os serviços contratados da empresa Exergia, para prestar serviços em Angola, foram efetivamente prestados. A Exergia tem como um dos seus sócios Taiguara dos Santos, filho do irmão da primeira esposa de Lula. Se posteriormente a queda de serviços em Angola houve um adiantamento de recursos entre as duas partes privadas, ele não teve qualquer envolvimento do já ex-presidente, nem isso é mencionado nos depoimentos. 

Lula jamais recebeu qualquer recurso da empresa Exergia ou de Taiguara, e isso já foi objeto de investigação da Polícia Federal, que não achou nenhum recurso dessa empresa nas contas de Lula.

Esse caso já é analisado em uma ação penal na Justiça Federal de Brasília. Comprovando-se a verdade dos depoimentos dos delatores, a tese da ação penal se mostra improcedente, a acusação de que não houve prestação de serviços e que eles seriam algum tipo de propina ou lavagem cai por terra. Ou seja, nesse caso os depoimentos não só não indicam qualquer crime como inocentam Lula nessa ação penal.

Doações eleitorais
O depoimento de Emílio Odebrecht é explícito ao dizer que nunca discutiu valores ou forma de doações eleitorais com o ex-presidente Lula. Lula não cuidava das finanças de campanha ou partidárias.

O PT e o ex-presidente sempre defenderam o fim de qualquer financiamento privado de campanhas eleitorais. Mas o Supremo Tribunal Federal só determinou o fim de contribuição de pessoas jurídicas em 2015.

O ex-presidente nunca autorizou ninguém a pedir doações de qualquer tipo em contrapartida de atos governamentais de qualquer tipo.

Estádio do Corinthians

Mesmo tomando como verdade os relatos de delatores, não há nenhum ato ilegal relatado do ex-presidente em relação ao Estádio Privado do Sport Club Corinthians. Em 2011 havia o risco de São Paulo ficar fora da Copa do Mundo. 

O ex-presidente sempre defendeu o uso do Estádio do Morumbi, como registrou publicamente o falecido presidente do São Paulo, Juvenal Juvêncio, mas em 2011 esse estádio foi vetado pela FIFA.

O estádio do Corinthians de fato era um projeto menor. Com a possibilidade de sediar a abertura da Copa, o Corinthians construiu um estádio maior. O estádio, e isso é óbvio, não é do Lula, mas do Corinthians. Não só tem público lotado constantemente como a Rede Globo, empresa privada com fins lucrativos, já até usou o estádio vazio como estúdio dos seus programas de TV.


Lula e a presidência
Lula é considerado em todas as pesquisas o melhor presidente brasileiro de todos os tempos, mesmo com a intensa campanha midiática contra ele. Lula também é o único presidente da história da República de origem na classe trabalhadora, nascido na miséria do sertão nordestino, migrante criado pela mãe. O único que superou todas essas condições adversas para ser o presidente que mais elevou o nome do Brasil no mundo.

Lula sempre agiu dentro da lei e a favor do Brasil antes, durante e depois da presidência, quando voltou para o mesmo apartamento que residiaem São Bernardo do Campo antes de ir para Brasília.

Não foi só a Odebrecht que cresceu durante o governo Lula. 
A grande maioria das empresas brasileiras, pequenas, médias e grandes, cresceram no período. 

Milhões de empregos foram gerados e a pobreza e fome reduzidas de forma inédita no país. Foi todo o Brasil que cresceu no período de maior prosperidade econômica da democracia brasileira.

É hora de perguntar a quem interessa destruir Lula, quando o ex-presidente se posiciona contra o fim dos direitos trabalhistas e previdenciários.

A quem interessa destruir Lula, quando o patrimônio brasileiro - reservas minerais na Amazônia, o pré-sal, estatais - são colocados a venda a preço de banana? 

A quem interessa reescrever a biografia do maior líder popular do país?



domingo, 2 de abril de 2017

ATOR REJEITA PAPEL DE FHC E DIZ QUE FILME DA LAVA JATO É PROPAGANDA TUCANA

ATOR REJEITA PAPEL DE FHC E DIZ QUE FILME DA LAVA JATO É PROPAGANDA TUCANA
 

Filme sobre a operação Lava Jato voltou a ser criticado na imprensa; a película, que obteve de maneira ilegal imagens da condução coercitiva do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, recebeu comentários negativos do ator da Globo Herson Capri; segundo o colunista Ancelmo Gois, do jornal O Globo, Herson Capri foi convidado para representar o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) no filme; "O artista recusou. Publicamente, ele não fala sobre o assunto, em respeito aos colegas, profissionais que ele 'respeita muito, independentemente da posição política'. Mas, a um amigo, Capri disse que o filme é 'uma peça de propaganda do governo do PSDB, do Plano Real e do mandato do FH, visando a 2018'", diz Ancelmo Gois em sua coluna deste domingo, 2; assista a vídeo em que o ator Ary Fontoura, que interpreta Lula, revela como teve acesso às imagens da condução coercitiva do ex-presidente

2 DE ABRIL DE 2017 ÀS 14:20

247 - O filme sobre a operação Lava Jato "Polícia federal - A lei é para todos" voltou a ser criticado na imprensa. A película, que obteve de maneira ilegal imagens da condução coercitiva do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, recebeu comentários negativos do ator da Globo Herson Capri.

Segundo o colunista Ancelmo Gois, do jornal O Globo, Herson Capri foi convidado para representar o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) no filme. E teria recusado o convite. "Publicamente, ele não fala sobre o assunto, em respeito aos colegas, profissionais que ele 'respeita muito, independentemente da posição política'. 

Mas, a um amigo, Capri disse que o filme é 'uma peça de propaganda do governo do PSDB, do Plano Real e do mandato do FH, visando a 2018'", diz Ancelmo Gois em sua coluna deste domingo, 2. 

Leia a nota: 

Contra o Plano Real? 
A produção do filme "Polícia Federal - Al lei é para todos", sobre a Lava Jato, convidou Herson Capri para o papel de FH. 

O artista recusou. Publicamente, ele não fala sobre o assunto, em respeito aos colegas, profissionais que ele "respeita muito, independentemente da posição política". Mas, a um amigo, Capri disse que o filme é "uma peça de propaganda do governo do PSDB, do Plano Real e do mandato do FH, visando a 2018".

O filme polêmico, que é financiado por um investidor de identidade não revelada, é alvo de críticas por todos os lados. 

Neste fim de semana, o diretor da revista Carta Capital, Mino Carta, apontou ilegalidades na produção do longa e disse que a obra é mais uma prova de que a lei não é para todos. 

"A que se destina a obra? Que papel se atribui a Lula ainda em julgamento baseado nas convicções do promotor Dallagnol, um dos heróis da película? Fácil imaginar que o ex-presidente venha a ser o vilão, de sorte a favorecer a convicção do pregador da guerra santa”, diz Mino Carta. 

“Estamos diante de um absurdo total, um acinte jurídico, para se somar a tantos deslizes e irregularidades cometidos na República de Curitiba”, afirma. 

Assista a entrevista do ator Ary Fontoura, que faz o papel de Lula no filme, revelando como teve acesso às imagens da condução do ex-presidente Lula:

Ary Fontoura conta que atores do filme da Lava Jato tiveram acesso a imagens da condução de Lula

                                           Canal: Woodstock 59