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segunda-feira, 13 de agosto de 2018

Diretor da PF conta como autoridades se uniram para descumprir a ordem judicial de libertar Lula


Diretor da PF conta como autoridades se uniram para descumprir a ordem judicial de libertar Lula

4 hours ago 12/ 08/2018 Denúncias



Trecho da entrevista de Rogério Galloro, diretor da Polícia Federa, a Andreza Matais
Como foi o episódio da prisão do ex-presidente Lula?

Foi um dos piores dias da minha vida. 

Quando eles (interlocutores de Lula) pediram detalhes da logística da prisão, nos convenceram de que havia interesse do ex-presidente de se entregar ainda na sexta (6 de abril, prazo dado pelo juiz Sérgio Moro). 

Acabou o dia e ele não se apresentou. Nós não queríamos atrito, nenhuma falha.

Chegou o sábado, Moro exigiu que a gente cumprisse logo o mandado. 

A missa (improvisada no sindicato) não acabava mais. Deu uma hora (da tarde) e eles disseram: ‘Ele vai almoçar e se entregar’.

O sr. perdeu a paciência em algum momento?

No sábado, nós fizemos contato com uma empresa de um galpão ao lado, lá tinha 30 homens do COT (Comando de Operações Táticas) prontos para invadir. 

Ele (Lula) iria sair em sigilo pelo fundo quando alguém, lá do sindicato, foi para a sacada e gritou para multidão do lado de fora, que correu para impedir a saída. Foi um susto. 

A multidão começou a cercá-lo e eu vi que ali poderia acontecer uma desgraça. Ele retornou.

Qual era o risco?

Quando tem multidão, você não tem controle.

 Aquele foi o pior momento, porque eu percebi que não tinha outro jeito. 

A pressão aumentando. Quando deu 17h30, eu liguei para o negociador e disse: 

‘Acabou! Se ele não sair em meia hora nós vamos entrar’. E dei a ordem para entrar. 
Às 18h, ele saiu.

Houve alguma exigência?

Eles pediram para não haver muita exposição, que não humilhasse o ex-presidente, nós usamos tudo descaracterizado. 

Ele estava quieto o tempo todo, bastante concentrado.

Por que o ex-presidente está na superintendência da PF?

Isso não nos agrada. Nunca tivemos preso condenado numa superintendência. 

É uma situação excepcional. O juiz Moro me ligou, pediu nosso apoio, ele sabe que não temos interesse nisso. 

Mas, em prol do bom relacionamento, nós cedemos.

Recentemente, Lula mandou chamar dirigentes do PT para discutir, dentro da superintendência, a eleição presidencial. 

É um tratamento diferenciado?

Não somos nós que organizamos isso (as regras para visitas), mas o juiz da Vara de Execuções Penais. O Lula está lá de visita, de favor. 

Nas nossas novas superintendências não vão ter mais custódia. No Paraná, não vamos mexer agora. Só depois da Lava Jato.

O sr. conversou com o ex-presidente na prisão?

Eu estive na superintendência, mas não fui vê-lo. É um simbolismo muito ruim. 

O segundo momento tenso para a PF envolveu a ordem de soltar Lula dada pelo desembargador Rogério Favreto e a contraordem de Moro e dos desembargadores Gebran Neto e Thompson Flores, do TRF-4. 

Eu estava no Park Shopping, em Brasília, dei uma mordida no sanduíche, toca o telefone.

 Avisei para a minha mulher: ‘Acabou o passeio’.

Em algum momento a PF pensou em soltar o ex-presidente?

Diante das divergências, decidimos fazer a nossa interpretação. 

Concluímos que iríamos cumprir a decisão do plantonista do TRF-4. 

Falei para o ministro Raul Jungmann (Segurança Pública): ‘Ministro, nós vamos soltar’. 

Em seguida, a (procuradora-geral da República) Raquel Dodge me ligou e disse que estava protocolando no STJ (Superior Tribunal de Justiça) contra a soltura.

‘E agora?’ Depois foi o (presidente do TRF-4) Thompson (Flores) quem nos ligou. ‘Eu estou determinando, não soltem’. 

O telefonema dele veio antes de expirar uma hora. 

Valeu o telefonema.

(…)


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sábado, 14 de julho de 2018

Quem prevaricou foi Moro, não Favreto: juristas explicam por quê


Quem prevaricou foi Moro, não Favreto: juristas explicam por quê

Publicado por  Diario do Centro do Mundo  13 de julho de 2018


PUBLICADO ORIGINALMENTE NO PORTAL VERMELHO

A tese de “prevaricação” foi lançada pela grande mídia como argumento para desqualificar a decisão de Favreto. 

Segundo a procuradora, o desembargador foi “movido por sentimentos pessoais” quando mandou soltar o ex-presidente Lula, no domingo (8). 

Ela diz que a atuação do desembargador consistiu num episódio atípico e inesperado que produziu efeitos nocivos sobre a credibilidade da justiça e sobre a higidez do princípio da impessoalidade, que a sustenta.

No entanto, na peça de 21 páginas produzida e apresentada por Dodge ela omite totalmente a atuação do juiz Sergio Moro, da 13º Vara Federal de Curitiba, que sem competência para agir, pois era o juiz de primeiro grau e de férias em Portugal, atuou para impedir a execução da decisão, afrontando a hierarquia do Supremo e fabricando o impasse.

Moro, que não tinha qualquer jurisdição no caso porque o processo já estava em segunda instância, decidiu que não devia ser cumprida a decisão do desembargador Favreto e mais: orientou a Polícia Federal a não cumprir.

Para o ex-conselheiro do Conselho Nacional de Justiça, José Norberto Campelo, admitir que um juiz de primeiro grau imponha sua vontade pessoal em detrimento de uma decisão judicial proferida por órgão superior “é algo muito grave que jamais poderá ser admitido”.

“Órgão inferior na estrutura do Judiciário não tem nenhum poder de revisão ou crítica das decisões proferidas por órgão superior, cabendo-lhe apenas o cumprimento, a não ser que haja absoluta impossibilidade material, o que deve ser informado ao prolator da decisão, motivadamente”, afirmou Norberto.

Ele aponta ainda que o impasse gerou “de modo esdrúxulo” duas decisões no mesmo habeas corpus, sendo uma por Favreto, desembargador plantonista e único competente para atuar durante o plantão, e outra pelo desembargador-relator Gebran Neto, neste caso a quem seria dirigido o pleito logo no primeiro dia útil após o plantão.

“Ocorre que a jurisdição pertencia ao plantonista até o término do seu plantão e, portanto, mesmo sendo o prevento para apreciar o pedido no expediente normal, decidindo o feito ainda durante o plantão, usurpou da competência do magistrado plantonista”, explica o advogado, apontando que para manter Lula preso, o desembargador atropelou o processo e a competência.

“Tenho para mim que sua decisão [do desembargador Gebran] é ato inexistente, porque proferido em momento em que não dispunha de competência para fazê-lo. 

Essa decisão se constitui em ilegalidade grave e patente e não poderia jamais ser praticada, mesmo que o objetivo fosse a ‘correção’ de um ‘erro’ cometido pelo desembargador plantonista”, frisou.

Segundo ele, a sequência de atropelos feitos para barrar a decisão do desembargador Favreto, inédita no Brasil, “criou sérias dificuldades para o tribunal, que não a queria cumprir”. 

Na decisão de Favreto, ele fundamenta que, no habeas corpus levado a ele, foi apresentado um fato novo: 
Lula havia se declarado oficialmente pré-candidato à Presidência da República. 

Como seus direitos políticos não estavam suspensos e a prisão o impedia de exercer sua pré-candidatura, Favreto mandou soltá-lo.

“Favreto não pode ter um pensamento jurídico diferente do juiz da Lava Jato?”
questionou a deputada federal Jandira Feghali (PCdoB-RJ), em discurso na tribuna da Câmara nesta quarta-feira (11). 

“O juiz Favreto continuará tendo o nosso apoio porque ele não agiu politicamente, mas a partir de sua visão constitucional e jurídica e tem o direito de tê-la. 

Não há um pensamento único na justiça, mas o pensamento da lei e da Constituição”, argumentou.

Para Dodge, o desembargador não tinha competência para praticar os atos que desrespeitaram a ordem jurídica, pois “pautou-se em premissas notoriamente artificiais e inverídicas”.

Sem fundamento para acusar Favreto
Desde o domingo, diversos juristas, advogados e professores de Direito têm abordado o assunto e a grande maioria aponta que a decisão de Favreto é subjetiva, ou seja, depende da convicção de cada um e como o desembargador estava exercendo a sua competência como juiz da causa, o máximo que se pode apontar é um erro. 

Por outro lado, não há dúvida de que a conduta de Sergio Moro e do desembargador relator João Gebran Neto violou a competência do magistrado com interesse de manter Lula preso.

O professor da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), Afranio Silva Jardim, considerado no mundo acadêmico como um dos mais importantes processualistas penais brasileiros, disse em entrevista ao Portal Vermelho que a acusação de prevaricação não se sustenta.

“Isso dificilmente pode ser aplicado ao ato jurisdicional na medida em que a decisão do desembargador Favreto pode ser questionada como todas as decisões jurídicas. 
A decisão não é ilegal e ele tinha competência, não tenho dúvida. 

Quem não tinha competência para praticar nenhum ato processual era Sergio Moro e Gebran. 

Decidir se ele julgou certo ou errado é uma questão de mérito”, afirmou Afranio, destacando que o fato de um juiz errar no mérito não quer dizer que esteja prevaricando.

O jurista lembrou que a reforma de decisões é ato comum do sistema judiciário. 
“Inúmeras sentenças e decisões de juízes são reformadas pelos tribunais e nem por isso quer dizer que o juiz que teve a sua sentença reformada tenha prevaricado”, advertiu.

 “Agora, acho razoável dizer que Gebran e Sergio Moro prevaricaram porque foram formalmente ilegais, na medida em que os atos que praticaram estavam totalmente fora da sua competência porque um estava de férias e outro estava de folga em casa.

 Favreto tinha competência de mérito”, completou.

Sobre a acusação da mídia e encampada por Dodge de que os deputados Paulo Pimenta (RS), Paulo Teixeira (SP) e Wadih Damous (RJ), este último ex-presidente da OAB-RJ, autores do pedido de habeas corpus, orquestraram com Favreto a ação para libertar Lula, Afranio também considera que é um argumento sem fundamento.

Até um estagiário de direito sabe que é normal advogados esperarem o plantão de um determinado juiz que que lhe parece mais favorável para pedir as medidas de urgência ou cautelares. 

“É muito comum e uma estratégia da advocacia que não é ilegal nem antiética. Todo advogado faz. 

Estando o Moro de plantão, a direita iria postular e a esquerda não”, ironizou Afranio.

A tese da Rede Globo é apenas baseada na trajetória de vida do desembargador que ocupou cargos em gestões petistas na Prefeitura de Porto Alegre e nos governos dos ex-presidentes Lula e Dilma Rousseff. 

“É notório as estreitas ligações afetivas, profissionais e políticas do desembargador com o réu. 

Assim, ele determinou a soltura sem ter jurisdição no caso, apenas com a finalidade de satisfazer interesses pessoais”, concluiu Dodge.

Segundo Afranio, há diversos juízes, desembargadores e até ministros com relações estreitas com lideranças de partidos políticos e até mesmo com filiações antes de ocuparem o cargo. 

“O ministro Alexandre de Morais, até pouco tempo, era do PSDB, foi secretário de Segurança de São Paulo, ministro da Justiça no governo de Michel Temer. 

Está vinculado politicamente”, citou o professor para demonstrar que apesar dessa relação, o ministro com estreitas relações com o tucanato não tem suas decisões colocadas sob suspeita.

“O Paulo Brossard, que foi um bom ministro do Supremo, era um político filiado a partido. 

Assim como o ministro Nelson Jobim, que foi do MDB e ocupou a Presidência do Supremo. 

É normal pois, evidentemente, quem indica os ministros e desembargadores são pessoas da esfera política. Faz parte do jogo de poder e é da democracia. 

Donald Trump, por exemplo, escolheu um ministro conservador para a Suprema Corte norte-americana.

 Ele iria escolher alguém ligado aos democratas?

 Jamais”, argumentou o professor, que lembrou que o pai de Thompson Flores, atual presidente do TRF-4, foi ministro do Supremo e escolhido por suas opções políticas.

Quando pedimos para Afranio comparar as condutas de Moro e Favreto, o jurista aponta que são notórias as violações e abusos cometidos pelo juiz de primeiro grau de Curitiba. 

“Se há alguma aparente tipicidade nas hipóteses na atuação vamos encontrar em relação à atuação já notória do juiz Sergio Moro, dando publicidade a gravações que estavam sob sigilo, gravações privadas que não tinham interesse processual, gravações feitas depois do tempo permitido e em escritórios de advocacia”, lembrou.

Afranio demonstrou que não tem expectativa de que o atual sistema judiciário venha corrigir os que ele classifica como “notórios absurdos”. 

“Estamos numa linha de desespero, porque a própria comunidade acadêmica tem se posicionado, mas nada é eficaz.

 Com esse Judiciário e Ministério Público Federal que temos – que não ouvem e não querem ouvir – parece que as vias institucionais estão cada vez mais se fechando e isso é perigoso para a democracia”, avalia.


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quarta-feira, 11 de julho de 2018

Laurita Vaz convocou para auxiliar relator da Lava Jato no STJ juiz denunciado por fraude em concurso da magistratura. Por Joaquim de Carvalho


Laurita Vaz convocou para auxiliar relator da Lava Jato no STJ juiz denunciado por fraude em concurso da magistratura. Por Joaquim de Carvalho

Publicado por  Joaquim de Carvalho 10 de julho de 2018

Laurita Vaz

Ao negar habeas corpus a Lula, a presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Laurita Vaz, funcionou como bombeira às avessas: jogou gasolina na fogueira, e usou argumentos que atendem ao enredo da Globo, mas não aos fundamentos da decisão do desembargador Rogério Favreto.

Num despacho que incentiva a quebra de hierarquia no Judiciário, com elogios a Moro e ataques a Favreto, 
não observou que desembargador fundamentou sua decisão de conceder habeas corpus pela inércia da juiz Caroline Lebbos diante do pedido de entrevistas de órgãos de imprensa para entrevistar Lula na condição de pré-candidato a presidente, especialmente ao do UOL/Folha de S. Paulo.

Este foi o fato novo aceito pelo desembargador para conceder habeas corpus, não a pré-candidatura em si, que é pública e já foi colocada pelo PT desde janeiro deste ano.

Quem disse que o fato novo era a pré-candidatura foi a Globo, não o desembargador. 

Favreto apenas disse que, na condição de pré-candidato, Lula deveria ter as mesmas oportunidades que os demais pré-candidatos, entre as quais a de se submeter à sabatina proposta pelo UOL e a Folha.

Como a juíza responsável pela execução penal em Curitiba no âmbito da justiça federal, Carolina  Lebbos, ignorou até agora o pedido de entrevista dos veículos de imprensa, ele entendeu que caberia o habeas corpus.

Para Favreto, em liberdade, Lula teria as mesmas condições de apresentar suas propostas que os demais pré-candidatos.

O ex-ministro Gilson Dipp, que foi vice-presidente do STF e corredor nacional de justiça, entende, por exemplo, que nesse episódio que expôs o conflito no Judiciário do Paraná quem menos errou foi Favreto.

Disse Dipp, em entrevista o site Jota, especializado na cobertura de assuntos jurídicos:

O ato do desembargador Favreto tinha competência? Claro. 

Todo mundo sabe que no plantão os advogados, e isso faz parte do jogo, escolhem um plantonista.

 Agora mesmo há a discussão se a Cármen Lúcia vai ser presidente [do STF] ou não durante o recesso. 

É isso aí. Escolheram um sujeito que tinha maior possibilidade ideológica. 

Ele estava na sua plena competência. Era o juiz plantonista indicado pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região. 

Naquele momento ele representava o tribunal.

Ele foi além, quando perguntado pelo site se Favreto poderia examinar o pedido de liminar:

Poderia, e fez isso. Eu posso não concordar com o teor, o conteúdo da decisão judicial. 

Basicamente porque não há nenhuma urgência ou nenhum fato novo que implique em um exame da matéria num domingo, sendo que no dia seguinte o relator da apelação originária já estaria trabalhando. 

Então a decisão do Favreto foi uma decisão fundamentada de acordo com a sua convicção, com seu entendimento. 

E isso faz parte do livre convencimento do juiz. Queiram-se, concorde-se ou não. 

Eu não daria no mérito essa decisão, mas ela é legítima, o desembargador tem competência e é uma decisão judicial. Plantonista é instrumento do tribunal.

Por que a presidente do STJ, Laurita Vaz, foi tão agressiva na análise do HC?

Só ela pode responder, mas o que se pode concluir por enquanto é que a repercussão da decisão foi positiva para a ministra: conseguiu lugar na escalada (manchetes) do Jornal Nacional desta terça-feira.

O que também não pode ser ignorado é que a presidente do STJ assinou em março uma portaria que se encaixa à perfeição no que advogados chamam nos bastidores de Conexão do Paraná na Lava Jato.

Isso mesmo: de Sergio Moro, na primeira instância, a Edson Fachin, no STF, a Lava Jato se encontra nas mãos de magistrados do Paraná, alguns com uma relação que é tão próxima que desafia quem acredita em coincidências.

No dia 15 de março, Laurita Vaz assinou a portaria número 64, que prorrogou por um ano a convocação do juiz Leonardo Bechara Stancioli, do Tribunal de Justiça do Paraná, no gabinete do ministro Félix Fischer, relator da Lava Jato no STF.

Stancioli é quem estuda os casos da Lava Jato antes que Fischer tome suas decisões — até hoje, Fischer rejeitou todos os recursos apresentados pela defesa de Lula.

Como lembrou o jornalista Lauro Jardim, colunista de O Globo, em uma nota de outubro do ano passado, Stancioli teve o ingresso na magistratura cercado de “muita polêmica”.

 
A portaria assinada por ele em que prorroga a convocação de juiz suspeito na Lava Jato

No Paraná, Stancioli é conhecido pelo escândalo protagonizado em 2007, com a divulgação pela revista Veja de escutas telefônicas autorizadas pela justiça, em que o ministro do STJ Paulo Medina aparece numa conversa com ele, que é seu genro.

Medina diz a Stancioli que um “esquema” estava montado, para garantir a aprovação dele no concurso para juiz substituto no Tribunal de Justiça do Estado.

”A missão está cumprida, viu, Léo?”
disse o desembargador, segundo reprodução no jornal O Estado de S. Paulo.

O resultado do concurso foi divulgado em 28 de novembro de 2006 e homologado em 11 de dezembro, com a aprovação de 22 pessoas. 

Stancioli apareceu em 17º lugar e, apesar de um pedido de investigação por parte da OAB, acabou nomeado e depois convocado para atuar no STJ. 

O Tribunal de Justiça do Paraná abriu sindicância, mas inocentou Stancioli da acusação de fraude,
O sogro de Stancioli, Paulo Medina, acabaria aposentado compulsoriamente do STF em 2010, 

não em razão da suspeita de tráfico de influência no Paraná, mas sob acusação de venda de sentenças em favor de proprietários de caça-níqueis.

Desde então, Medina recebe salário de ministro e enfrenta um processo na Justiça do Rio de Janeiro que já dura sete anos sem solução, como anotou em maio o blog Contraponto, de Celso Nascimento, que cobre os bastidores da política no Paraná.

Como braço direito de Fischer, Stancioli é um exemplo vivo de que a Lava Jato está longe de ser uma operação acima de suspeitas, que nasceu para combater os vícios da república, especialmente a corrupção.

Seria exagero dizer que Stancioli como relator de fato da Lava Jato no STF faz lembrar a fábula da raposa que toma conta do galinheiro?

Com conflito aberto por Moro, ao se insurgir contra a decisão de um desembargador do TRF-4, as entranhas do Judiciário começam a aparecer, o que levou o jornalista Juan Arias, do El País, a publicar um artigo em que sentencia:

“O Brasil descobriu que seu sistema judicial está podre.

Quem, sendo honesto, há de contestar?



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