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terça-feira, 22 de maio de 2018

DERROTA PARA TEMER: MP QUE PRIVATIZAVA A ELETROBRAS É ARQUIVADA


DERROTA PARA TEMER: MP QUE PRIVATIZAVA A ELETROBRAS É ARQUIVADA

Por Redação Click Política Em 22 maio, 2018


Sem votos suficiente no plenário, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), anunciou na noite desta terça-feira 22 que a proposta de privatização do setor elétrico, encabeçada pelo governo Temer, foi retirada da pauta. 
A medida, agora, perde a validade.

 Segundo Maia, o Planalto pode enviar ao Congresso outro projeto de lei sobre o tema para substituí-la.

“Se não tem voto, não adianta ficar insistindo.

 Tem outras matérias que a gente precisa aprovar também”, disse Maia, informando que avisou o governo e a Fazenda de que havia desconforto nas bancadas com o texto do deputado federal Júlio Lopes (PP-RJ). 

A matéria precisaria ser aprovada antes do dia 1º de junho na Casa e no Senado para não perder validade.

O anúncio é uma grande vitória da oposição e de entidades do setor, que trabalharam incansavelmente contra a proposta, prometida por Temer ao mercado. 

“VITÓRIA da soberania nacional: 

Conseguimos derrotar a MP 814 e a tentativa do governo golpista de Temer de privatizar a Eletrobras e suas distribuidoras”, comemorou a deputada Erika Kokay (PT-DF).

“MP 814 que permitiria a privatização da Eletrobras foi retirada de pauta e não será votada. 

Vitória para o povo brasileiro que não ficará refém do mercado que elevaria a conta de energia elétrica com a mesma voracidade que estão fazendo com a gasolina, diesel e gás de cozinha”, postou no Twitter o deputado Elvino Bohn Gass (PT-RJ).

CLICK POLÍTICA com informações de brasil247



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sábado, 6 de janeiro de 2018

Urbanitários irão ao Supremo contra desmanche do sistema Eletrobras

REAÇÃO
Urbanitários irão ao Supremo contra desmanche do sistema Eletrobras
Federação nacional da categoria classifica MP de Temer que autoriza privatização da estatal de inconstitucional e autoritária, além de entreguista. "Fere os interesses da sociedade e desrespeita a soberania nacional"
por Redação RBA publicado 03/01/2018 15h50, última modificação 03/01/2018 15h51

                                     SECURITYMAGAZINE ©
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Inconstitucional, autoritário e entreguista, MP de Temer autoriza venda de empresas públicas do setor elétrico ao capital privado

São Paulo – Em repúdio à Medida Provisória (MP) 814/2017, editada pelo governo Temer em meio aos feriados do final de ano, com o objetivo de permitir a privatização do sistema Eletrobras, a Federação Nacional dos Urbanitários (FNU/CUT) ingressará na justiça para reverter tal resolução. 

A entidade divulgou nota ontem (2) para anunciar a resolução.

A medida assinada por Temer dá aval para a privatização da própria Eletrobras e das empresas Cepisa (Piauí), Ceal (Alagoas), Eletroacre (Acre), Ceron (Rondônia), Boa Vista Energia (Roraima) e Amazonas Distribuidora, além da Chesf, Eletrosul, Eletronorte e Furnas. Segundo explica o comunicado da FNU, a MP revoga o artigo 31 da Lei nº 10.848/2004, que impede a privatização da Eletrobras a lei que foi aprovada no governo Lula, após amplo debate no Legislativo e com a sociedade.

A entidade informa que prepara uma ADI (Ação Direta de Inconstitucionalidade) a ser encaminhada ao Supremo Tribunal Federal, apontando a violação do artigo 62 da Constituição Federal, além de outros dispositivos legais e constitucionais violados por Temer, na tentativa apressada e sem transparência de vender empresas públicas.

A nota diz ainda que o presidente ignora princípios como o da eficiência e da economicidade, previstos respectivamente nos artigos 37 e 70 da Constituição Federal, uma vez que as subsidiárias da Eletrobras possuem plenas condições de serem lucrativas, e ao mesmo tempo prestar serviços relevantes à população, com racionalidade operacional, econômica e boa gestão financeira.

"A medida provisória assinada por Temer é inconstitucional, além de autoritária, pois não ouve e nem debate com a população. 

Ela fere os interesses da sociedade e desrespeita a soberania nacional. 

Trata-se da entrega do patrimônio do povo brasileiro ao capital estrangeiro e não podemos aceitar uma violação dessa grandeza sobre um patrimônio que foi construído com o suor e sacrifícios da classe trabalhadora do nosso país", diz na nota o presidente da FNU/CUT, Pedro Blois.

Histórico

As privatizações de empresas do setor elétrico resultaram em queda da qualidade dos serviços prestados ao consumidor, conforme ressalta o comunicado da FNU/CUT. 

"Diversas empresas privatizadas ocupam as piores posições nos rankings de qualidade divulgados pela Aneel. 

Destaque-se que a Eletrobras e suas várias subsidiárias demonstram historicamente serem viáveis, bastando seu adequado gerenciamento para que possa continuar a ser patrimônio do povo brasileiro, bem como prestar serviços públicos essenciais de qualidade para a população."

A defesa da manutenção das distribuidoras da Eletrobras como empresas do povo brasileiro foi feita tecnicamente ano passado pelo próprio Ministério de Minas e Energia, conforme consta no Acórdão TC 003.379/2015-9, do Tribunal de Contas da União: 

"(...) não seria trivial a saída do atual concessionário e sua substituição. 

A decisão afeta milhares de funcionários, mais de 66 mil apenas das distribuidoras cujas concessões vencem em 2017, o que implica elevados riscos não só para a continuidade do serviço, como de judicialização de questões trabalhistas. 

O negócio de distribuição é mais dinâmico, exigindo corpo técnico especializado, de difícil substituição. 

O segmento de distribuição cuida da relação direta com o consumidor final e a troca do concessionário pode colocar em risco o atendimento à população. 

(...) são concessionárias que operam há mais de 20 anos no segmento de distribuição, com capacidade para desempenho do serviço(...)"




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terça-feira, 2 de janeiro de 2018

'Venda da Eletrobras vai provocar reajuste de até 30% nas tarifas de energia'

'Venda da Eletrobras vai provocar reajuste de até 30% nas tarifas de energia'
15:43 02.01.2018(atualizado 15:49 02.01.2018)
Itaipu é uma das 14 usinas que integram o Grupo Eletrobras
Alexandre Marchetti/Itaipu Binacional/Fotos Públicas

A privatização da Eletrobras e de suas subsidiárias vai encarecer em até 30% as tarifas de energia elétrica, além de demitir milhares de funcionários e precarizar a qualidade dos serviços. 

O cálculo é de Emanuel Torres, presidente do Sindicato dos Eletricitários do Estado do Rio de Janeiro e da Associação dos Empregados da Eletrobras (Aeel)

Em entrevista à Sputnik Brasil, Torres diz que a Medida Provisória, assinada no dia 28 de dezembro pelo presidente Michel Temer, retirando a proibição de venda da Eletrobras e suas subsidiárias, pegou a todos de surpresa.

"Fomos pegos de surpresa com essa medida provisória, porque estávamos entendendo que o governo iria fazer isso através de um 
projeto de lei. 

O presidente Lula tirou a Eletrobras do Programa Nacionall de Desestatização à época (2004), porque entendia que a Eletrobras poderia se transformar na Petrobras do setor elétrico. 

Agora esse governo, que não tem compromisso com o Brasil, coloca a Eletrobras no processo de privatização, e isso simplesmente para diminuir o rombo do governo para esse ano, não tem um projeto de futuro para a empresa", diz o dirigente.

Nem nos números, as avaliações batem. 

O Ministério das Minas e Energia afirma que o valor pátrimonial da Eletrobras é de R$ 46,2 bilhões e o valor de ativos chega a R$ 10,5 bilhões. 

Já a Aeel calcula que o valor patrimonial do grupo é de R$ 370 bilhões e o preço de venda será R$ 12 bilhões. Na visão de Torres, é um número muito alto para se deixar na mão de acionistas.

"Quem vai ganhar com a venda da Petrobras será meia dúzia de acionistas. 

O povo mesmo não terá nada. 
A tarifa vai aumentar, os trabalhadores vão ser demitidos, vão terceirizar e precarizar o serviço, hoje de excelência. 
Raramente falta energia por conta das usinas da Eletrobras", diz o sindicalista.

Segundo Torres, quem vai pagar essa conta é a sociedade brasileira. 

Nos seus cálculos, já existe uma perspectiva de reajuste de tarifa de energia elétrica de 9% para este ano, contra uma previsão de inflação em torno de 4%, segundo o mercado financeiro e o próprio Banco Central. 

"Com a venda da Eletrobras, estamos estimando entre 20% e 30% de reajuste na tarifa, porque você vai descotizar a energia daquelas 14 usinas que a Eletrobras vende hoje na faixa de R$ 20 a R$ 30 o Megawatt/hora (Mw/h). 

Se o governo descotizar essas usinas, isso vai ser vendido no mercado a R$ 200 o mw/h", alerta o sindicalista.

O diretor da Aeel lembra que pesquisas recentes de opinião pública, como a realizada pelo Instituto Data Folha no final de dezembro, revelam que 70% da população são contrários à privatização. 

Torres diz que o sindicato e a associação estão trabalhando no Congresso junto a parlamentares e também na questão jurídica para barrar a venda. 

"O presidente não pode achar que um decreto pode passar por cima da lei de criação da própria Eletrobras. 
Estamos indo para Brasília assim que acabar o recesso para discutir com aqueles parlamentares que dê para conversar."

Torres também discorda da avaliação do governo que defende a privatização do grupo sob a alegação que ele é deficitário.

"A Eletrobras, quando a presidente Dilma fez aquela Medida Provisória 579, tirou quase 80% do caixa das empresas. 
A presidente, ao mesmo tempo em que reduziu em 20% a tarifa para o consumidor — que acabou não sentido devido à inflação — as empresas do grupo perderam 80% de sua capacidade de caixa. 

A gente prorrogou a concessão de nossas usinas e em contrapartida reduzia as tarifas. Ficamos por isso dando prejuízo por três anos (de 2014 a 2016). 

Quando chegou em 2017, a Eletrobras começou a se recuperar e a dar lucro, e esse ano vai dar um lucro altíssimo. 
A Eletrobras está executando um plano de corte de gastos, já realizou três incentivos à aposentadoria, e mais de 5 mil trabalhadores aderiram. 
A empresa está enxuta. 

Os números apresentados pelo governo são sempre os anteriores", garante o dirigente


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quinta-feira, 24 de agosto de 2017

Amigo de Temer comprou ações da Eletrobrás um dia antes do governo anunciar privatização e lucrou R$ 1 bilhão

24/8/2017 16:35
Amigo de Temer comprou ações da Eletrobrás um dia antes do governo anunciar privatização e lucrou 
R$ 1 bilhão
Ações valorizaram 40% em apenas um dia, gerando lucro bilionário ao banqueiro

 

O banqueiro José João Abdalla Filho, conhecido como Juca Abdalla, e que chegou a lucrar R$ 1 bilhão com a valorização das ações da Eletrobras após o anúncio de privatização da estatal pelo governo federal, tem uma relação com Michel Temer.

De acordo com reportagem publicada em junho desse ano pelo jornal Diário Catarinense, trazido à tona pelo blog Tijolaço, “em 6 de março de 2016, Temer foi a Tietê (SP) em um helicóptero do empresário Antônio João Abdalla Filho. 

Sócio da Citrosuco, maior processadora de suco de laranja do mundo, Abdalla é amigo de Temer e esteve em Brasília para comemorar a posse do peemedebista na Presidência, em maio do ano passado”.

Segundo reportagem do Valor desta quinta-feira 24, Abdalla, dono do Banco Clássico, viu seu patrimônio aumentar em R$ 1 bilhão com a valorização de 50% das ações da estatal após o anúncio da privatização.

 Nesta quarta, com a queda de 11,8% nas ações, o ganho do banqueiro caiu para cerca de R$ 613 milhões.


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terça-feira, 22 de agosto de 2017

LULA EM SERGIPE! “Não Descansarei Enquanto Não Recuperar A Dignidade Do Povo Brasileiro”

 LULA EM SERGIPE! “Não Descansarei Enquanto Não Recuperar A Dignidade Do Povo Brasileiro”
 

O quinto dia da caravana Lula Pelo Brasil chegou ao fim em um ato na cidade de Nossa Senhora da Glória, no sertão sergipano, onde o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi homenageado com o título de cidadão gloriense.

Durante o ato, Lula falou sobre a importância de viajar o Brasil e conhecer a realidade do povo brasileiro. 

“O político conhece no máximo os aeroportos dos lugares e não conhece o Brasil. 

Então eu queria ouvir o povo, olhar nos olhos e conversar, porque às vezes quem domina a informação é só uma TV que não mostra nada daqui”, disse o ex-presidente.

As políticas públicas que fizeram uma revolução na educação durante os governos de Lula e Dilma, como as 18 novas universidades, o acesso democrático ao ensino superior e a construção das 421 escolas técnicas – quatro vezes mais do que a elite fez em toda história do Brasil-, foram citadas pelo ex-presidente. 

“Antigamente, o jovem não conseguia pagar uma universidade privada e não passava na pública. Ficava em casa sem sonho, sem esperança”, completou.
Para ver as fotos do evento em alta resolução, acesse o Flickr do Instituto Lula.

Para Lula, o povo precisa de duas coisas fundamentais: alimentos para suprir suas necessidades e oportunidades. “Um ser humano não consegue crescer se não tiver esperança, e cabe ao Estado manter essa esperança”, acredita 
o ex-presidente.

Lula ressaltou também os avanços promovidos pelas políticas públicas dos governos petistas no campo. 

“A agricultura familiar emprega famílias inteiras, o latifundiário compra máquinas e faz a colheita com um único trabalhador. 

Quando eu cheguei na presidência, o dinheiro para o Pronaf (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar) era 5 Bi, e só 2 foram utilizados. E nós terminamos o governo Dilma com 30 Bi”.

Eletrobras
O ex-presidente criticou ainda a venda da Eletrobras pelo governo Michel Temer, anunciada no fim da tarde de hoje. 

“Soube que o golpista disse que vai privatizar a Eletrobras. Ele tem que tomar vergonha na cara e trabalhar, não isso”.

Ao final do ato, Lula explicou que já escolheu o seu lado e disse que governa para o povo. 

“Todo mundo no fundo sabe o que tem que fazer para governar uma cidade, um estado, um país. 

Mas tem gente que acha que o óbvio é governar só pra 35% da população, só para os latifundiários, só entre os mais ricos. 

O governante tem que governar para todo mundo, mas aqueles que precisam mais, são os que devem receber maior atenção. 

Eu não descansarei enquanto a gente não recuperar a dignidade do povo brasileiro”, encerrou Lula.

Nesta terça-feira, a caravana Lula Pelo Brasil segue pelas estradas de Sergipe. 

A próxima parada é Aracaju, onde Lula participará de um ato com movimentos sociais.



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quarta-feira, 5 de abril de 2017

Eletrobrás irá demitir 15% de seus funcionários concursados. É a desgraça de Temer e PSDB

4/4/2017 22:14
Eletrobrás irá demitir 15% de seus funcionários concursados. É a desgraça de Temer e PSDB

 

A Eletrobras lançará nos próximos meses um programa um programa de demissão com incentivos, informou nesta terça-feira (4) o ministro do Planejamento, Dyogo Oliveira. De acordo com ele, a expectativa é de adesão de até 2.600 funcionários, o que equivale a cerca de 15% dos cerca de 17 mil trabalhadores da estatal.

Oliveira informou que essa conta não inclui os cerca de 6 mil funcionários das distribuidoras de energia controladas pela Eletrobras, nos estados do Amazonas, Acre, Roraima, Piauí, Alagoas e Rondônia, que serão privatizadas.

Questionado se haveria um programa de demissão incentivada para o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), o ministro afirmou que não.

Ele também não soube informar a expectativa geral do governo para adesões nos programas de demissão envolvendo todas as estatais – empresas como Correios, Banco do Brasil e Caixa também anunciaram medidas semelhantes.

“Não tenho previsão para todas, mas todas as     que necessitam, temos incentivado   que adotem programas de desligamento”, afirmou Oliveira.


Fonte: g1



sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Multinacionais querem privatizar uso da água e Temer negocia

Multinacionais querem privatizar uso da água e Temer negocia
25 de agosto de 2016
Em condição de anonimato, um alto funcionário da Agência Nacional de Águas revelou que o Aquífero Guanani, reserva de água doce com mais de 1,2 milhão de km², deverá constar na lista de bens públicos privatizáveis, à exemplo das reservas de petróleo no pré-sal e da estatal federal de energia, Eletrobras. Primeira reunião sobre privatizações acontece em 12 de setembro
 michel temer - agencia brasil 2

A sanha privatista do governo instalado após o golpe de Estado, em curso, atinge um dos segmentos mais estratégicos para o crescimento do país, segundo revelou um alto funcionário da Agência Nacional de Águas (ANA), em condição de anonimato, à reportagem do Correio do Brasil, na manhã da última segunda-feira (22). O Aquífero Guanani, reserva de água doce com mais de 1,2 milhão de km², deverá constar na lista de bens públicos privatizáveis, à exemplo das reservas de petróleo no pré-sal e da estatal federal de energia, Eletrobras.

O governo do presidente interino, Michel Temer, advertido para o efeito extremamente negativo da medida, caso venha a ser adotada, resolveu adiar para o dia 12 de setembro a primeira reunião do conselho do Programa de Parceria e Investimentos (PPI), na qual serão definidas as primeiras concessões e privatizações do governo, acrescentou a fonte. As negociações com os principais conglomerados transnacionais do setor, entre elas a Nestlé e a Coca-Cola, seguem “a passos largos”.

— Representantes destas companhias têm realizado encontros reservados com autoridades do atual governo, no sentido de formular procedimentos necessários à exploração pelas empresas privadas de mananciais, principalmente no Aquífero Guarani, em contratos de concessão para mais de 100 anos — acrescentou o funcionário.
A primeira conversa pública acerca deste e de outros setores que tendem a seguir para a iniciativa privada estava prevista para esta semana, no dia 25, mesmo dia em que será aberto o processo de votação do impeachment da presidenta Dilma Rousseff. Esta coincidência foi fatal para o adiamento da reunião. Se confirmada a cassação do mandato de Dilma, o seu substituto deverá viajar à China no início de setembro para a reunião do G-20. A reunião do PPI, que será presidida pelo próprio Temer, ocorreria então após seu retorno.
O anúncio deve conter uma lista de concessões mais “imediatas”, como as concessões dos aeroportos de Porto Alegre (RS), Florianópolis (SC), Salvador (BA) e Fortaleza (CE) e dos terminais de passageiros dos portos de Fortaleza e Recife (PE). Além disso, deve haver uma outra relação de projetos a serem concedidos ou privatizados no médio prazo, com leilões que podem ocorrer em até um ano, como das distribuidoras de energia da Eletrobras e dos mananciais de água doce.

Fator estratégico
A relevância de um dos maiores mananciais mundial de água doce é tamanha que, há décadas, tem sido alvo da especulação quanto ao seu uso e exploração. O Projeto de Proteção Ambiental e Desenvolvimento Sustentável do Sistema Aqüífero Guarani, conhecido por Projeto Aquífero Guarani (SAG), da ANA, foi criado com o propósito de apoiar Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai na elaboração e implementação de um marco legal e técnico de gerenciamento e preservação do Aqüífero Guarani para as gerações presentes e futuras. Após a vitória dos conservadores na Argentina e os golpes de Estado por orientação da ultradireita, tanto no Paraguai quanto no Brasil, restou ao Uruguai votar contra a privatização do aquífero.

Esse projeto foi executado com recursos do Global Environment Facility (GEF), sendo o Banco Mundial a agência implementadora e a Organização dos Estados Americanos (OEA) a agência executora internacional. A GEF, no entanto, mantém laços muito próximos às grandes corporações.
Com área total de 1,2 milhões de km², dois terços da reserva estão em território brasileiro, no subsolo dos Estados de Goiás, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. “A importância estratégica do Aqüífero para o abastecer as gerações futuras desperta atenção de grupos de diferentes setores em todo o mundo”, afirma documento da Organização de Direitos Humanos Terra de Direitos.
“A sociedade civil organizada está atenta às possíveis estratégias de privatização de grupos econômicos transnacionais. Uma vez que, em 2003, a Organização dos Estados Americanos (OEA) e o Banco Mundial, através do Fundo Mundial do Meio Ambiente (GEF), implementaram o projeto de Proteção Ambiental e Desenvolvimento Sustentável que visa reunir e desenvolver pesquisas sobre o Aqüífero Guarani, com objetivo de implementar um modelo institucional, legal e técnico comum para países do Mercosul”, acrescenta.

Água privatizada
O empresário austríaco Peter Brabeck-Letmathe, principal financiador de campanha dos partidos de extrema direita naquele país, preside o grupo Nestle desde 2005 e nunca escondeu seu objetivo de tornar o fornecimento da água passível de exploração ainda mais acentuada pelas companhias do setor alimentício. O comércio de água representa 8% do capital do conglomerado que, em 2015, totalizaram aproximadamente US$ 100 bilhões.
“A água que você precisa para a sobrevivência é um direito humano, e deve ser disponibilizada a todos, onde quer que estejam, mesmo que eles não possam se dar ao luxo de pagar por isso. No entanto, também acredito que a água tem um valor. As pessoas que usam a água canalizada para a sua casa para irrigar seu gramado, ou lavar o carro, devem arcar com o custo da infra-estrutura necessária para a sua apresentação”, disse Brabeck-Lemathe em recente artigo publicado na sua página, em uma rede social.

As fábricas que engarrafam, em muitos casos tomam a água da mesma rede destinada para uso público. Muitas vezes, como a Coca Cola, acrescentam um pacote de minerais e a chamam de “água mineral”. Com este procedimento, o preço da água de garrafa salta em mais de mil por cento, “engarrafando-a e tornando-se um dos negócios mais descarados do mundo capitalista”, revela a analista venezuelana Sylvia Ubal, em recente artigo publicado naquele país.
“Nestes tempos da globalização estamos assistindo uma concentração impressionante da indústria em torno de quatro a cinco multinacionais que estão criando um monopólio. Indústrias como Nestlé, Danone, Coca Cola, Pepsi Cola, possuem dezenas de marcas em torno de cada uma delas, que marcam o preço e a qualidade da água sem controle algum. Nos EUA mais de um terço da água engarrafada é simplesmente água de torneira tratada ou não; sendo um negócio monopolizado pela Nestlé e Danone, as líderes mundiais”, acrescentou.

Ubal afirma, ainda, que está cada vez está mais claro que a água doce é um recurso finito, “vulnerável à contaminação – que é excessiva por parte das empresas transnacionais”.

“Esta situação contribuiu para conceber a água como um bem mercantil e não como um direito fundamental, em prejuízo à satisfação das necessidades humanas básicas, das concepções ancestrais das comunidades étnicas, gerando assim maior desigualdade social e afetando, por sua vez, a biodiversidade e o equilíbrio dos ecossistemas. A expansão deste negócio exige das grandes corporações de bebidas e alimentação como a Coca Cola, Pepsi Cola, Danone, Nestlé…, a ter cada vez mais acesso aos recursos hídricos, impulsionando a privatização de água e aquíferos. E o setor da água engarrafada está crescendo muito rapidamente em todo o mundo, sendo o negócio mais lucrativo atualmente, mas também é um dos menos regulados, o que dá lugar a situações verdadeiramente escandalosas”, conclui.