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domingo, 20 de novembro de 2016

Privada aquecida no banheiro de Cabral chama a atenção de investigadores

Privada aquecida no banheiro de Cabral chama a atenção de investigadores
20/11/2016 às 13h07 - Por Redação SRzd 
 Privada. Foto: Reprodução
Privada. Foto: Reprodução

Joias e ternos importados não foram os únicos itens que a força-tarefa da Lava-Jato no Rio de Janeiro encontrou no apartamento do ex-governador Sérgio Cabral, no bairro do Leblon.

Os investigadores encontraram no banheiro da esposa de Cabral, Adriana Ancelmo, uma privada repleta de botões. 

O “adereço” é da marca polonesa “Xime”, especialista no segmento. O equipamento fornece água em três temperaturas: 35°C, 40°C ou 45°C. O assento também pode ser aquecido. Sérgio Cabral foi preso na manhã do último dia 17, em ação da Polícia Federal e da força-tarefa do Ministério Público Federal do Rio.

Operação Calicute
A Operação Calicute, nome dado em referência à tormenta enfrentada pelo navegador português Pedro Álvares Cabral em Calicute, na Índia, aponta a cartelização de obras no estádio do Maracanã e do Arco Rodoviário Metropolitano carioca.

São investigados os crimes de organização criminosa, corrupção passiva, corrupção ativa e lavagem de dinheiro. Participam das diligências 19 procuradores do MPF e cinco auditores fiscais da Receita. A Calicute é resultado de investigação em curso da Lava-Jato no Rio de Janeiro, em atuação coordenada com a força-tarefa do Paraná.



sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Moro dispensa mulher de Cunha de audiência, devolve passaporte e dá 4 meses à defesa

Moro dispensa mulher de Cunha de audiência, devolve passaporte e dá 4 meses à defesa

QUI, 25/08/2016 - 12:54 ATUALIZADO EM 25/08/2016 - 12:59
 

Jornal GGN - No mesmo despacho em devolve o passaporte de Cláudia Cruz - investigada na Lava Jato por corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas - o juiz Sergio Moro aceitou um pedido da defesa da esposa de Eduardo Cunha (PMDB) para que sete testemunhas na Suíça e Cingapura sejam ouvidas por meio de cooperação com as autoridades internacionais. Para isso, Moro estipulou o prazo máximo de quatro meses para "esperar a resposta ao pedido de cooperação."
Moro estimou o prazo levando em conta que há "acusados presos cautelarmente", mas considerando, sobretudo, o direito à "ampla defesa" de Cláudia Cruz. No despacho, Moro sinaliza que considera essas testemunhas dispensáveis para o processo em que a jornalista é acusada de usufruir das contas que Cunha mantinha no exterior, abastecidas com dinheiro desviado dos esquemas de corrupção na Petrobras.
"Apresentou a defesa argumentos para defender a imprescindibilidade da prova e quesitos. Retificou que, em realidade, são sete testemunhas, pois havia nome repetidos, e retificou o endereço de uma delas (Angela Nicolson). Observando os quesitos, é muito duvidosa a imprescindibilidade da prova, como exige o art. 222­A do CPP, disse Moro.
Para ele, "a questão relevante quanto à origem dos recursos [das contas usadas por Cláudia Cruz] encontra­-se no domínio de conhecimentos dos titulares das contas, no caso, em princípio, Cláudia Cordeiro Cruz e seu cônjuge, e não no dos empregados bancários ou responsáveis pela constituição dos trusts ou off­shores."
"Da mesma forma, a questão relevante é saber se, caso os ativos tenham origem criminosa, tinha a acusada ciência disto, o que os mecanismos de compliance dos bancos, em princípio, nada resolverão. De todo modo, a bem da ampla defesa, resolvo deferir essa prova."
Na mesma decisão, Moro atendeu a mais dois pedidos da defesa de Cláudia Cruz: devolveu seu passaporte, mas indicou que, para deixar o País, a jornalista necessitará de autorização judicial; e dispensou a mulher de Cunha de audiência programada para esta quinta-feira (26).
Há alguns dias, saiu na imprensa despacho de Moro criticando a dificuldade da Lava Jato em localizar Cláudia em seu endereço residencial para fazer notificações.
"Informa a Defesa de Cláudia Cordeiro Cruz que a acusada possui residência no Rio de Janeiro/RJ, situada na Avenida Heitor Doyle Maia, 98, Barra da Tijuca, e na cidade de Brasília, na SQS 316, Bloco B, Apto 202. Noticia, ainda, que a acusada declarou­-se intimada da audiência que irá ocorrer no dia 26 de agosto de 2016, da qual, inclusive, requereu dispensa. Anotem­-se os endereços da acusada. Defiro o pedido de dispensa, sob a condição de que a intimação para os atos processuais vindouros seja realizada na pessoa de seus advogados. Ausência de oposição será interpretada como concordância tácita."

O único pedido que Moro não concedeu à defesa de Cláudia Cruz foi a imposição de sigilo sobre o inquérito, alegando que - com exceção dos dados protegidos por lei - o caso é de interesse público.

sexta-feira, 22 de julho de 2016

TEMPLOS RELIGIOSOS SÃO O MELHOR LUGAR PARA SE LAVAR DINHEIRO NO BRASIL

“TEMPLOS RELIGIOSOS SÃO O MELHOR LUGAR PARA SE LAVAR DINHEIRO NO                                     BRASIL”
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O Favela 247 procurou o ex-diácono André Constantine, 38, hoje presidente da associação de moradores da Babilônia, a comentar as acusações de que o presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ) teria utilizado a Assembleia de Deus para lavar dinheiro de propina: "O que eu vou falar todo mundo sabe: nenhum templo religioso contribui com imposto no Brasil, e este é o ponto de partida para toda a picaretagem. Viabiliza que ali se lave dinheiro do narcotráfico, de bicheiro, de político e das milícias", afirma Constantine

14 DE OUTUBRO DE 2015 ÀS 21:00 / Atualizado em 22/06/2016

Por Artur Voltolini, para o Favela 247

Segundo ex-pastor, isenção de impostos estimula a lavagem de dinheiro nos templos religiosos

Entre as diversas acusações que pairam sobre Eduardo Cunha (PMDB-RJ), uma é a que ele tenha utilizado a igreja Assembleia de Deus, da qual é membro, para receber pagamentos e fazer lavagem de dinheiro de propina, segundos investigações da operação Lava Jato.
Para comentar as suspeitas, o Favela 247 procurou o ex-diácono da Igreja Universal do Reino de Deus André Constantine, 38, presidente da associação de moradores do morro da Babilônia e criador do movimento Favela Não Se Cala. Constantine não demonstrou surpresa com as acusações de lavagem de dinheiro dentro de uma igreja: "O que eu vou falar todo mundo sabe, qualquer pessoa que frequente esses templos ou tem algum cargo, tem a ciência de que esses templos são isentos de impostos. Nenhum templo religioso contribui com imposto pro Estado brasileiro", afirma.
"E este é o ponto de partida para toda a picaretagem: como eles são isentos de impostos, viabiliza que ali se lave dinheiro do narcotráfico, de bicheiro, de político e de milícias. Esses templos religiosos são o melhor lugar para se lavar dinheiro no Brasil", diz Constantine, que afirma existir muita gente honesta, tanto que frequenta como que tenha cargos eclesiásticos nas igrejas, mas, segundo ele: "A alta cúpula sabe até os ossos, estão enterrados até o pescoço nisso".
Além da corrupção e da lavagem de dinheiro, outra característica dessas igrejas e de seus líderes que incomoda Constantine são as aspirações políticas: "O que mais me preocupa, principalmente no segmento religioso protestante, é a intenção que existe nele de obter poder de Estado. Eles elegeram diversos vereadores, deputados estaduais e federais. O Marcelo Crivella (PRB) quase virou governador do Rio. A bancada evangélica é a mais conservadora, vê as alianças que eles fazem: ruralistas, bancada da bala... Na Marcha para Jesus estava o Bolsonaro. Aquilo ali virou carnaval e palanque político. Cada eleição que passa essa bancada cresce mais. Eles alavancam o fascismo e o conservadorismo através do discurso da 'família brasileira', mas por trás dele há um discurso machista, homofóbico e racista", acredita André.
Questionado sobre se essas denúncias contra Eduardo Cunha ou outras lideranças religiosas evangélicas suspeitas de corrupção abalam a fé dos fiéis, Contantine responde: "Isso não diz nada ao ouvido dos fieis. A mente da maioria deles está tão cauterizada que, infelizmente, não conseguem enxergar as coisas de forma mais abrangente. Eles fazem um trabalho muito forte de condicionamento mental nessas igrejas", defende.
"Na favela, hoje, quando o morador vivencia um problema existencial, financeiro ou de saúde, existem duas portas sempre abertas para o acolher: a da droga e do crime, e a de um igreja", afirma o ex-diácono, antes de iniciar uma crítica à interpretação das escrituras nas igrejas neopentecostais: "Eles se utilizam de artifícios bíblicos. Para eles a Bíblia é a inerrante palavra de Deus. O Malafaia que usa muito isso. Eles confiam cegamente nesse livro, e é um livro muito fácil para você criar diversas interpretações. Eles sempre pegam alguma coisa fora do contexto para fazer a base ideologia deles verdadeira".
Constantine afirma que foi a leitura da Bíblia que o fez escolher a apostasia, aos 23 anos: "Eu percebi que estava tudo errado lendo a própria Bíblia, principalmente na questão do dízimo. Na Bíblia ele era recolhido em forma de alimento, e apenas poderia ser recolhido pela tribo de Levi, e só poderia ser destinado às viúvas, aos órfãos e aos estrangeiros. O dízimo era uma parte da colheita separada pra fazer essa distribuição. Aí que eu comecei a contestar. Hoje eles alegam que precisam pegar um dinheiro para a manutenção da obra de Deus. E isso é uma grande deturpação da obra de Deus. Não tem nada de espiritual nisso. Há também as questões naturais, como quando eles falam que pagar dízimo vai repreender o gafanhoto. Eles demonizaram os gafanhotos. Dizem que se você não entregar o dízimo na Igreja, os gafanhotos mexem nas suas finanças. Eles espiritualizam coisas que são do campo natural. Qualquer pessoas racional que leia aquele texto verá o que estou falando. Tudo isso está no Malaquias 3:10, o livro mais utilizado por esse cães gulosos, por esses vagabundos, pata justificar a cobrança de dízimo. Cães gulosos é como o próprio profeta chama os falsos pastores, veja em Isaías", sugere.

Questionado sobre se pastores e políticos evangélicos metidos em corrupção têm fé, Constantine é taxativo: "Pra mim esses caras são os verdadeiros ateus. É tudo empresa cara, a estrutura toda funciona como empresa. E na lógica do capital a empresa foca o lucro, assim como essas instituições religiosas. A nossa sorte é que eles ainda são muito fracionados, há interesses pessoais muito grandes envolvidos. Se não estivessem tão fracionados a possibilidade de eleger um presidente evangélico seria muito maior. Olhe o Malafaia: ladrão pilantra e safado. Apoiou o Cunha, e agora sai por aí dizendo que não tem, nem nunca teve, nada com o Cunha. Esse Malafaia é um dos maiores safados e pilantras do Brasil", acusa o ex-diácono.