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segunda-feira, 22 de fevereiro de 2021

Bolsonaro queria dar R$100 milhões a Record e SBT, presidente da Petrobrás recusou

 SUED E PROSPERIDADE

22/02/2021

Bolsonaro queria dar R$100 milhões a Record e SBT, presidente da Petrobrás recusou

22/02/2021

 Mais uma denúncia bombástica contra Bolsonaro, de acordo com a coluna de Merval Pereira na Globo, a demissão do presidente da Petrobrás, não foi motivada pelas constantes altas nos combustíveis, mas sim pelo fato que o presidente da estatal se recusou a destinar R$ 100 milhões de publicidade para as emissoras Record, do Bispo Macedo e SBT, de Sílvio Santos.

Record e SBT são grandes aliados do governo Bolsonaro, fazendo sempre propaganda das ações do governo e dando espaço ao bolsonarismo.

Agora no entanto, o motivo real da demissão do Presidente da Petrobrás, não foram as constantes altas nos combustíveis, mas sim o fato dele ter se recusado a dar R$ 100 milhões de publicidade ao SBT e Record.

De acordo com a coluna de Merval Pereira na Globo:

“Ele havia recusado um pedido do governo para colocar 100 milhões de reais em publicidade nas redes de televisão Record, do bispo Macedo, e SBT, de Silvio Santos.”

“Em outra ocasião, foi instado a participar de um grupo de empresas que compraria vacinas para serem utilizadas por empresas privadas, e achou que não deveria participar”, disse o colunista. 

“O esquema acabou não dando certo porque várias empresas, como a Petrobras, consideraram que seria inadequado financiar vacinação privada enquanto a vacinação do SUS está encontrando dificuldades devido à falta de doses suficientes”, complementou.

Segundo o colunista, “os conselheiros que não estão aceitando a demissão de Roberto Castello Branco se preocupam com mudanças que afetem contratos e acordos já firmados, no Brasil e no exterior, prevendo sanções por quebra de compromissos”.

“Até mesmo o estatuto da estatal será afetado, pois o presidente da Petrobras no governo Temer, Pedro Parente, incluiu nele o compromisso com os acionistas. 

Na reunião hoje, conselheiros advertiram o ministro Bento Albuquerque que qualquer decisão que não tenha base técnica poderá ser barrada no Conselho”.

CONTINUA

Toffoli denuncia: Houve financiamento estrangeiro a atos antidemocráticos

22/02/2021

Denúncia grave vazada pelo Ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffolli, informa que as manifestações pelo fechamento do Supremo Tribunal Federal, que pediam Intervenção militar, fechamento do Congresso Nacional e em apoio à Jair Bolsonaro, tiveram dinheiro estrangeiro o financiando, inclusive dinheiro estrangeiro financiando a rede de fake news bolsonarista.

A descoberta teria sido feita durante quebra do sigilo bancário.

A rede de fake news bolsonaristas, aqueles ataques ao Supremo, Congresso e  que defendiam Bolsonaro, recebiam dinheiro estrangeiro, é o que indicam as investigação no inquérito das fake news.

De acordo com a denúncia do Ministro Dias Toffoli, feita nessa madrugada da segunda-feira (22), foi identificado dinheiro estrangeiro financiando essa teia de extrema-direita no Brasil.

A declaração foi feita na Rede Bandeirantes, a denúncia é grave e pode piorar ainda mais a vida de influenciadores bolsonaristas, que são alvos do inquérito das fake news.

Na entrevista, Toffoli classificou a descoberta como “gravíssima”. Para ele, a história do Brasil já mostrou que financiamentos a grupos radicais, “seja de extrema direita ou seja de extrema esquerda, vem para criar o caos e desestabilizar a democracia em nosso país”.


Fonte: https://falandoverdades.com.br/

segunda-feira, 8 de julho de 2019

AFASTAMENTO TEMPORÁRIO DE MORO É ESTRANHO: NÃO EXISTE PREVISÃO LEGAL


AFASTAMENTO TEMPORÁRIO DE MORO É ESTRANHO: NÃO EXISTE PREVISÃO LEGAL

Escrito por Portal Click Política 8 de julho de 2019

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Do Congresso em Foco.

O padre Quevedo, religioso católico muito conhecido, doutor em Teologia, costuma refutar as alegações de fenômenos paranormais com a frase “isto non ecziste!”, carregando no forte sotaque espanhol.

Volta e meia, surgem notícias de que o ministro A ou B, envolvido em situações constrangedoras, irá “se licenciar”, ou que o ministro C se “afastará provisoriamente” do cargo.

Nessas horas, o padre Quevedo poderia dizer também que “isto non ecziste!”.

Com efeito, inexiste na ordem jurídica brasileira a hipótese da licença sem vencimentos, ou da licença remunerada, ou qualquer outra hipótese de afastamento do cargo de ministro de Estado.

A Lei nº 8.112, de 1990, que define o regime jurídico do servidor público da União, define as hipóteses de licenças ou afastamentos do servidor público efetivo ou comissionado.

O servidor efetivo tem direito às licenças previstas no art. 81 do RJU, que são as licenças por motivo de doença em pessoa da família; por motivo de afastamento do cônjuge ou companheiro; para o serviço militar; para atividade política; prêmio por assiduidade (direito adquirido até 1997); para capacitação; para tratar de interesses particulares; e para desempenho de mandato classista.

Quanto aos afastamentos, que são hipóteses em que o servidor, temporariamente, deixa de exercer as atribuições do seu cargo efetivo, mas são computadas como se em exercício estivesse, a lei prevê a cessão para servir a outro órgão em cargo em comissão ou hipóteses previstas em lei, 
o afastamento para exercer mandato eletivo, o afastamento para missão ou estudo no exterior, o afastamento para curso de pós-graduação.

O art. 102 prevê, ainda, os afastamentos para gozo de férias, participação em programa de treinamento regularmente instituído, júri e outros serviços obrigatórios por lei, e as licenças à gestante, à adotante e à paternidade; para tratamento da própria saúde, até o limite de vinte e quatro meses, cumulativo ao longo do tempo de serviço público prestado à União, em cargo de provimento efetivo; 
por motivo de acidente em serviço ou doença profissional; por convocação para o serviço militar; deslocamento para a nova sede; e participação em competição desportiva nacional ou convocação para integrar representação desportiva nacional, no País ou no exterior.

Tais regras se aplicam, em alguns casos, também aos titulares de cargos em comissão não detentores de cargos efetivos, uma vez que a Lei nº 8.112, de 1990, também se dirige a esses agentes públicos.

Quanto aos ministros de Estado, porém, nada disso se aplica.
(…)


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terça-feira, 14 de maio de 2019

FOLHA SUGERE QUE MORO PEÇA DEMISSÃO E ABANDONE BOLSONARO

FOLHA SUGERE QUE MORO PEÇA DEMISSÃO E ABANDONE BOLSONARO

Escrito por Portal Click Política 12 de maio de 2019

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Em editorial publicado neste domingo, a Folha de S. Paulo aponta que o ministro Sergio Moro vem sofrendo sucessivas derrotas e sugere que ele peça demissão.

“Moro parece se perder na tormenta da desorganização política e administrativa do governo. 

A inexperiência no jogo parlamentar e a desarticulação com movimentos da sociedade civil contribuem para o desnorteio do ministro, alvo de revanches por parte de figuras do Congresso”, diz o texto. 

“Sua grande iniciativa até aqui, o pacote anticrime, tem avançado pouco ou nada, em parte por ter sido elaborado sem diálogo suficiente com setores envolvidos.”

“Com as dificuldades do Planalto na tramitação da medida provisória que reorganizou as pastas da Esplanada, 
Moro pode perder o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), tido como peça central para os planos de combate à corrupção. 

De quebra, receberia de volta as por ele indesejadas questões indígenas”, aponta o editorial.

“ Expandir sua atuação para além da aridez brasiliense seria uma alternativa para Moro”, avança o texto, sugerindo uma demissão. 

“Moro não se mostra um superministro, mas tampouco precisa seguir os caminhos tortos do governo.”

CLICK POLÍTICA com informações de brasil24

CONTINUA

APÓS ENTREVISTA NA BAND: JORNALISTA PEDE DESCULPAS POR JÁ TER DEFENDIDO MORO


Escrito por Portal Click Política 13 de maio de 2019

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O jornalista Gilberto Dimenstein, editor e fundador do site Catraca Livre, veio à público nesta segunda-feira (13) para pedir desculpas por um dia já ter defendido o ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro.

“E pensar que eu arrumei briga com amigos por defender esse sujeito. 

E escrevi que ele era um dos heróis nacionais.

 Desculpa, desculpa, desculpa”, escreveu o jornalsita em sua conta do Twitter ao compartilhar um texto sobre a confirmação de que Jair Bolsonaro vai indicar Moro para a próxima vaga que abrir no Supremo Tribunal Federal (STF).

Em entrevista à Rádio Bandeirantes, no domingo (12), Bolsonaro disse que tem um “compromisso” a cumprir com o ministro da Justiça e esse compromisso seria sua indicação à Corte Suprema.

“Seria um acordo secreto para Moro aceitar ser ministro da Justiça, emprestando sua imagem ao governo. 

Traduzindo: uma barganha, semelhante aos acordos da chamada “velha política”, tão denunciada por Bolsonaro”, escreveu Dimenstein no texto compartilhado em que aproveitou para pedir desculpas.

Nesta segunda-feira (13), pela manhã, Moro negou que tenha pedido algo em troca à Bolsonaro para assumir o ministério.

Arrependido duas vezes

Essa não é a primeira vez que Gilberto Dimenstein se diz arrependido de um dia já ter apoiado Moro. 

Em novembro do ano passado o jornalista pediu desculpas por ter minimizado o fato de que Moro, enquanto juiz, recebia auxílio-moradia, mesmo tendo casa própria.

“Peço desculpas aos leitores por ter ajudado a criar uma imagem heroica de alguém que não a merecia”, escreveu Dimenstein à época.


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sábado, 5 de agosto de 2017

BBC mostra que Cunha barrou todos projetos de Dilma e a impediu de governar para derruba-la, desde que virou Presidente da Câmara

BBC mostra que Cunha barrou todos projetos de Dilma e a impediu de governar para derruba-la, desde que virou Presidente da Câmara
July 1, 2017 Atualizado em 06/08/2017
 


A partir de 2013, o governo Dilma Rousseff sofreu uma série de reveses que levaram a presidente, antes com a popularidade nas alturas, a obter uma vitória apertada na disputa pela reeleição e, em seguida, à pior crise no Planalto desde o governo Fernando Collor.

Embora sejam vários os fatores que colocaram a petista na complicada posição atual – prestes a possivelmente ser afastada para sofrer um processo de impeachment –, teve imenso peso a oposição ferrenha feita pelo deputado Eduardo Cunha, parlamentar do maior aliado do governo até então, o PMDB.

Principal artífice do atual processo de impeachment, antes mesmo de assumir a presidência da Câmara, em fevereiro de 2015, Cunha já era visto como um aliado, digamos, não tão aliado assim. 

O histórico, amplamente divulgado pela imprensa, não mente: o deputado foi o pivô das piores insurgências da base aliada no momento em que Dilma teoricamente ainda tinha maioria no Congresso.

Alçado ao comando da Casa, Cunha se tornou um dos políticos mais poderosos do país em seu terceiro mandato como deputado federal. E, diante de seu notório conhecimento do regulamento interno da Câmara, imprimiu um ritmo poucas vezes visto de votação, ao mesmo tempo em que fez uso de todo o seu poder de escolher o que colocar na pauta, e o que deixar “na gaveta”.

Em entrevista à BBC nesta quarta, antes de o ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal, decidir pelo afastamento do parlamentar não só da presidência da Câmara como do mandato de parlamentar, Dilma o acusou de usar esse poder para impedir “o país de aprovar as reformas necessárias para sair da crise”.

Além disso, criticou ainda o que chamou de “espécie de complacência” da sociedade brasileira com o peemedebista: “O responsável pela aceitação e colocação do processo de impedimento que me atinge é uma pessoa denunciada pública e notoriamente, com contas no exterior, com acusações de lavagem de dinheiro das mais variadas. 

E ele tem acusações há mais tempo que o meu processo de impeachment”, disse a presidente.

Em seguida, acrescentou que o processo de impeachment foi “detonado” por Cunha após o PT decidir, em dezembro passado, votar contra ele no Conselho de Ética da Câmara, que analisa um pedido de cassação contra o parlamentar.

 (Foto: Ag. Brasil)
Direito de imagemAG. BRASIL
Image caption Cunha acolheu pedido de impeachment contra Dilma

Essa crise, porém, não nasceu em 2015. 
Seu início, ao menos público, remonta, não coincidentemente, a 2013, ano em que tudo começou a dar errado para Dilma. 

Relembre os principais momentos:

Insurgência e concessões

Líder do PMDB na Câmara, Cunha foi o principal opositor, em 2013, à medida provisória que redefiniu as regras para o setor portuário. 

Acusado de atender a interesses empresariais, ele queria mudanças no texto, como permitir a renovação de concessões em portos públicos assinadas após 1993.

O tema consumiu longas e tensas sessões no Congresso. Para aprovar a MP, o governo teve, em parte, de ceder às reivindicações da rebelião na base aliada liderada pelo deputado.

O caso, porém, não parou aí: Dilma vetou alguns dos pontos incluídos na Câmara, provocando a fúria de Cunha. 

Ele saiu do episódio criticando duramente a articulação do governo na casa.

 (Foto: Luis Macedo: Ag. Câmara)
Direito de imagemLUIS MACEDO L AG. CAMARA
Image caption Parlamentar começou a ter destaque nacional ao enfrentar o governo na votação da MP dos Portos

Motim na base

Após a barulhenta experiência ocorrida na MP dos Portos, Cunha organizou em pleno 2014, ano de disputa presidencial, um bloco com parlamentares de partidos aliados e da oposição que passou a atuar contra propostas defendidas pelo Planalto.

Para aprovar algumas delas, o governo teve de fazer concessões tanto nos textos em si como ao liberar verbas para emendas dos congressistas no Orçamento.

Não foram poucos os bate-bocas, pela imprensa, entre Cunha e petistas. O deputado chegou a defender publicamente que o PMDB rompesse com o partido da presidente.

A corrida pela Câmara

Devido ao protagonismo alcançado nos anos anteriores, era claro entre os deputados o favoritismo de Cunha para assumir a presidência da Câmara em 2015 – também contou o fato de ele ser visto como um defensor de iniciativas pró-parlamentares.

 (Foto: Rodolfo Stuckert/Ag. Câmara)
Direito de imagemRODOLFO STUCKERT L AG. 
CAMARA Image captionDeputado venceu queda de braço com o PT e provou sua força ao se eleger presidente da Câmara

Sentindo as dores de cabeça que vinham por aí, o governo partiu para uma arriscada tentativa de evitar sua vitória. 

Surgiram relatos de que ministros usaram a negociação de cargos para pressionar deputados aliados a votarem no petista Arlindo Chinaglia (PT-SP) para mesma cadeira.

Além de piorar ainda mais a relação entre governo e Cunha, a estratégia não deu certo: o peemedebista foi escolhido com folga.

Com o poder nas mãos

Não foram poucas as derrotas sofridas pelo governo na Câmara sob o comando de Cunha. 

O peemedebista levou ao plenário, por exemplo, a PEC da Bengala, na gaveta desde 2005, que permite à cúpula do Judiciário se aposentar aos 75 anos, e não aos 70.

Aprovado, o texto retirou de Dilma a certeza de que indicaria ao menos mais cinco ministros do STF durante seu segundo mandato.

 (Foto: Ag. Brasil)
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Image caption Rompimento com Dilma, para muitos, foi apenas protocolar: 

Cunha já atuava como opositor

E vieram mais derrotas. 

Contra o governo, Cunha conseguiu a aprovação, por exemplo, de uma proposta de redução da maioridade penal, por exemplo.

Enquanto as investigações da Operação Lava Jato o implicavam cada vez mais, ele rompeu oficialmente com o governo, em julho. 

No início do mês, autoridades da Suíça afirmaram ter bloqueado US$ 5 milhões em contas do deputado e seus familiares no país, alimentando mais pedidos por sua saída.

Sua estratégia foi partir para o ataque: o parlamentar afirmou ser alvo de perseguição do governo por meio do procurador-geral da República, Rodrigo Janot.

Ele sempre negou ser titular das contas no exterior, algo que chegou a dizer inclusive à CPI da Petrobras. Para partidos como PSOL e a Rede, Cunha mentiu à comissão e Cunha deve perder o mandato por isso – o que ele também refuta ao sustentar ser apenas ser o beneficiário de um trust (entidade criada para administrar bens de terceiros).

O processo segue até hoje em lenta tramitação no Conselho de Ética da Câmara. 

Ele e seus muitos aliados na Casa, e no próprio colegiado, têm lançado mão de uma série de medidas protelatórias, inclusive com tentativas de anular a tramitação.

 (Foto: Getty)
Direito de imagemGETTY
Image caption Cunha é um dos principais acusados no escândalo de corrupção na Petrobras

Dono de suspense – e do martelo

Nos meses seguintes, enquanto as investigações da Lava Jato avançavam ainda mais contra Cunha e se aproximavam do Palácio do Planalto, o deputado adotou um clima de suspense em torno de aceitar ou não um pedido de impeachment contra Dilma Rousseff.

Segundo o noticiário político, nos bastidores ele cortejava o governo e a oposição com o objetivo de tentar preservar seu mandato. 

Publicamente, fazia várias críticas à gestão federal e acumulava encontros com representantes de movimentos favoráveis ao afastamento da petista.

Tudo isso durou até dezembro, quando os protestos que pediam a saída de Dilma haviam arrefecido e o tema tinha, de certa forma, perdido destaque.

Foi então que, em meio à expectativa sobre o Conselho de Ética da Câmara aceitar ou não abrir um processo contra ele, Cunha convocou jornalistas para anunciar que havia aceito o pedido de impeachment apresentados pelos advogados Janaina Paschoal, Hélio Bicudo e Miguel Reale Jr.

O deputado sempre negou ter agido por vingança, mas aliados da presidente, e mesmo ela própria, afirmam que ele tomou a medida porque o PT havia decidido votar contra ele no colegiado – o que de fato acabou ocorrendo.

Essa é, aliás, uma das linhas de defesa de Dilma: a de que houve “desvio de finalidade” por parte de Cunha ao usar seu cargo para se “vingar” do governo.

A cara do impeachment na Câmara

Desde o início, Cunha deixou claro o lado em que estava no processo de impeachment.

O processo foi paralisado pelo STF, após pedidos de parlamentares governistas, ele tomar uma série de medidas que desfavoreceriam Dilma, como a eleição de uma chapa avulsa, sem o aval dos líderes de cada partido, para a Comissão Especial que analisaria o pedido de afastamento na Casa.

Quando a corte deliberou sobre as questões contestadas, Cunha entrou com recursos que fizeram com que a tramitação ficasse paralisada até março.

O que se viu em seguida foi um processo célere. 

O deputado, com certa antecipação, marcou a sessão em que os deputados decidiriam por autorizar o processo contra a presidente para um domingo, aumentando sua visibilidade.

Em seu voto na sessão, na qual Dilma foi derrotada por 367 a 137 votos (eram necessários 342 para o impeachment avançar), o peemedebista disparou: “Que Deus tenha misericórdia desta Nação, voto sim”.

Saída (pelo menos até o momento) da presidência da Câmara

Apenas os aliados mais próximos de Cunha defendiam sua permanência na presidência da Câmara. 

Entre governo e oposição, e vários setores da sociedade, o sentimento era de que ele não tinha mais condições de comandar a Casa.

Seguidas pesquisas Datafolha mostraram que cerca de 80% dos brasileiros defendiam sua cassação.

O deputado, porém, sempre refutou a ideia de renunciar à cadeira. 

O STF, por exemplo, deveria analisar se ele, réu da Lava Jato, poderia assumir a Presidência da República na ausência de Michel Temer, que deve substituir interinamente Dilma já na semana que vem.

Caso Temer assuma, o presidente da Câmara se torna o segundo na linha sucessória do país.

A decisão de Teori será levada a plenário no STF. Ela se baseia em um pedido da Procuradoria-Geral da República, para quem o deputado usa o cargo para atrapalhar investigações contra si.

Tratando-se de Eduardo Cunha, difícil prever qual será o fim da história.


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segunda-feira, 29 de maio de 2017

POVO NAS RUAS: Com Temer cassado, caberá ao STF decidir sobre eleições diretas no Brasil e resolver crise de vez

POVO NAS RUAS: Com Temer cassado, caberá ao STF decidir sobre eleições diretas no Brasil e resolver crise           de vez
29 de maio de 201
 

Depende da ministra Cármen Lúcia, presidente do Supremo Tribunal Federal, a possibilidade de ocorrer eleições diretas após a cassação do presidente da República. 

Cabendo a ela a responsabilidade por agendar o julgamento, o próximo passo dependerá do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

O pedido partiu do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, há mais de um ano, no dia 18 de maio de 2016. 

Com uma ação direta de inconstitucionalidade (ADI), Janot narrava que a minirreforma eleitoral, aprovada em 2015 pelo Congresso, adotou alguns trechos que contrariam a Constituição Federal.

Um deles é o método da realização de eleições. No artigo 224 da minirreforma, ficou decidido:

§ 3o A decisão da Justiça Eleitoral que importe o indeferimento do registro, a cassação do diploma ou a perda do mandato de candidato eleito em pleito majoritário acarreta, após o trânsito em julgado, a realização de novas eleições, independentemente do número de votos anulados.

§ 4o  A eleição a que se refere o § 3o correrá a expensas da Justiça Eleitoral e será:

I – indireta, se a vacância do cargo ocorrer a menos de seis meses do final do mandato;

II – direta, nos demais casos.

Mas Janot lembrou que havia determinação específica no artigo 81 da Constituição. Em caso de cassação de candidatura, indeferimento de registro ou perda do mandato do candidato eleito, ocorre a vacância no cargo, e o futuro deve ser decidido pela Justiça.

“Essa não é matéria ao alcance de mudança por legislação ordinária, sob pena de ofensa à supremacia constitucional. 

A lei poderia, quando muito, oferecer detalhamento sobre o procedimento de realização de eleições, mas não trazer prazo diverso do previsto constitucionalmente para que ocorram eleições indiretas”, disse o procurador-geral, ainda em maio de 2016.

Naquela mesma ação, Janot questionou outros pontos da minirreforma e a própria “exigência de trânsito em julgado”, ou seja, quando não há mais possibilidades ou chances de recursos, para que o então presidente seja cassado pelo Tribunal Superior Eleitoral. 

Segundo ele, é “exagerada e desproporcional” cobrar isso, “em face da gravidade das condutas que autorizam cassação de diploma e mandato”.

Após entrar com os questionamentos no Supremo, o caso caiu das mãos do ministro Luis Roberto Barroso. 

Dois dias depois de receber a ação, Barroso já determinou que ele não seria responsável por julgar a ação sozinho, entendendo que, devido à importância do tema, precisaria ser levado ao Plenário, para todos os ministros julgarem [leia abaixo].

O nome do instrumento adotada pelo ministro é “rito abreviado”, e está previsto no artigo 12 da Lei 9868 de 1999:

 
Com isso, Roberto Barroso dispensou sequer a análise preliminar do caso. 

O intuito, dizia ele, era justamente “permitir a célere e definitiva resolução da questão”, e pediu também as informações à Presidência a República e à Presidência do Congresso Nacional, uma vez que se tratava de lei adotada por ambos os Poderes. No mês de junho, as partes se manifestaram:

A Câmara e o Senado responderam que o projeto de lei da minirreforma “foi processado de acordo com os trâmites constitucionais e regimentais”.

Sem saber que o caso voltaria contra si, o presidente Michel Temer, já ocupando a cadeira do Planalto, disse que os parágrafos questionados do artigo 224 da minirreforma “são incompatíveis com o  art. 81 da Constituição da República e com a autonomia de estados e municípios para dispor sobre matéria de interesse local”, e disse ser favorável ao pedido da PGR.

Em seguida, a ação foi encaminhada à Procuradoria-Geral da República para se manifestar. 

Em julho, a vice-procuradora em exercício por uma ausência de Janot, Ela Wiecko, emitiu seu parecer sobre o caso, reafirmando o posicionamento contra os trechos da minirreforma [leia abaixo].

Desde julho, a presidência do Supremo tinha em mãos a decisão de colocar o tema em pauta no Plenário. Cármen Lúcia assumiu em setembro e até o momento não agendou a ação para a análise de todos os ministros do STF.

A decisão sobre as eleições diretas, contudo, não recai somente ao Supremo. 

Isso porque, após a presidente da Corte determinar o julgamento, e se a maioria dos ministros votar favorável às diretas após a vacância do atual presidente da República, entra em cena o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), com a cassação da chapa no processo que tramita contra Michel Temer e Dilma Rousseff.

Será preciso que o STF vote favorável à proposta defendida por Rodrigo Janot e o TSE, em seguida, casse o mandato de Temer. Somente assim, a realização de eleições diretas no Brasil, no atual cenário, estará respaldada pelo Judiciário.

Jornal GGN


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