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domingo, 7 de maio de 2017

ODEBRECHT ENTREGA TODO ESQUEMA DE PROPINAS DE AÉCIO

ODEBRECHT ENTREGA TODO ESQUEMA DE PROPINAS DE AÉCIO

 Foto: DIDA SAMPAIO

Empreiteira afirma que a contrapartida oferecida pelo senador Aécio Neves (PSDB-MG) foram obras em Minas Gerais, como a Cidade Administrativa, e grandes parcerias no setor elétrico, em parceria com Furnas e Cemig; “Nós estávamos investindo dinheiro numa pessoa que ia se constituir no mandatário do país”, disse o executivo Benedicto Barbosa Junior; "Ele passou a ser a grande interface nossa com o PSDB”, disse ainda Marcelo Odebrecht; alvo de cinco inquéritos no Supremo Tribunal Federal, o senador tucano, que atirou o Brasil na maior crise de sua história, ao liderar o golpe de 2016, disse que jamais se envolveu em atos ilícitos

6 DE MAIO DE 2017 ÀS 07:57

Minas 247 – O senador Aécio Neves (PSDB-MG), que atirou o Brasil na maior crise de sua história, ao liderar o golpe de 2016, é o protagonista de uma reportagem do jornalista Hudson Corrêa, que revela todo o seu esquema de propinas na Odebrecht.

Confira, abaixo, um trecho:

Aécio Neves acabara de perder a eleição para presidente da República. Mesmo assim, a Odebrecht honrou o pagamento da última parcela de sua campanha, em novembro de 2014 – em caixa dois, como mandava a regra. Eram R$ 500 mil, derradeira fatia de um acerto de R$ 6 milhões. 

O executivo Sérgio Neves conta que pegou o dinheiro numa mochila preta no escritório da empreiteira em Belo Horizonte, colocou no porta-­malas do carro e dirigiu por meia hora até a Minasmáquinas, concessionária Mercedes-Benz localizada na saída da cidade. Encontrou-se no estacionamento com o dono da loja, Oswaldo Borges da Costa, o Oswaldinho, tesoureiro informal de Aécio. 

“Ele [Oswaldo] pegou a mochila e colocou no porta-malas do carro”, diz Sérgio Neves em seu depoimento. 

Pronto, mais uma entrega de propina da Odebrecht para Aécio era concluída com sucesso. Oswaldinho convidou Sérgio Neves para almoçar no escritório. Na despedida, mostrou sua coleção de mais de 100 carros antigos, guardados em dois galpões. 

Entre as raridades figurava um Rolls-Royce Silver Wraith 1953, a bordo do qual Aécio Neves desfilou na posse como governador de Minas Gerais em 2007. Por pouco, o investimento da Odebrecht não levou o tucano a passear em outro Rolls-Royce da década de 1950, que o levaria ao Palácio do Planalto. Seria o terceiro presidente da República ligado à Odebrecht.  

Presidente do PSDB e senador, Aécio Neves é um dos personagens mais frequentes nas delações dos 77 executivos da Odebrecht. Não à toa, divide com o senador Romero Jucá, do PMDB, o título de campeão no número de inquéritos derivados da delação, abertos pelo ministro Edson Fachin, relator da Lava Jato no Supremo. 

É investigado em cinco. Nesta semana, ele prestou seu primeiro depoimento à Polícia Federal, sobre a investigação relacionada a irregularidades em Furnas. Reunidos os inquéritos, Aécio é acusado de ter cometido os crimes de corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro e fraude em licitação. 

A divulgação da delação da Odebrecht mudou a perspectiva do senador tucano. A segunda candidatura à Presidência da República em 2018, que seria natural, soa muito distante, coisa do passado. 

Recentemente, Aécio comentou com amigos que pode ser candidato apenas a deputado federal, diante das dificuldades para obter votos até para manter-se no Senado

Aécio foi uma aposta antiga da Odebrecht, coisa de longo prazo. As delações relatam propinas pagas desde que ele era governador de Minas Gerais, entre 2003 e 2010. “Nós estávamos investindo dinheiro numa pessoa que ia se constituir no mandatário do país”, disse o executivo Benedicto Barbosa Junior, o BJ, chefe de Sérgio Neves. 

BJ cuidava das principais obras da empreiteira pelo Brasil – acima dele estava apenas Marcelo Odebrecht. Por isso, tinha trânsito com políticos de variados partidos, entre eles Aécio. 

A relação era tão boa que BJ disse aos procuradores da Lava Jato que frequentava o apartamento do senador no Rio de Janeiro e o Palácio das Mangabeiras, residência oficial do governo em Minas Gerais. 

Possuía na agenda até o telefone da mãe de Aécio para encontrar o tucano quando seus assessores não o localizassem. 

Leia aqui a íntegra



terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Promotoria investiga obra bilionária de Aécio

Promotoria investiga obra bilionária de Aécio
Inquérito do Ministério Público estadual de Minas foi aberto em setembro e mira a Cidade Administrativa e suposto pagamento de vantagem indevida pela OAS a Oswaldo Borges da Costa Filho, então presidente da estatal que realizou licitação
Mateus Coutinho    07 Fevereiro 2017 | 04h30
 cidadeadministrativamg
Cidade Administrativa de Minas Gerais. Foto: Divulgação

A Promotoria de Defesa do Patrimônio Público do Ministério Público de Minas Gerais investiga suspeitas de fraude à licitação nas obras da Cidade Administrativa de Minas Gerais, a mais cara da gestão Aécio Neves (PSDB/2003-2010) no governo do Estado. O inquérito civil público foi aberto em setembro do ano passado após vir à tona que o ex-presidente da OAS Léo Pinheiro citaria em delação premiada na Operação Lava Jato o pagamento de propina de 3% do valor do empreendimento – que ficou em R$ 1,2 bilhão – a um dos principais auxiliares do tucano, o empresário Oswaldo Borges da Costa Filho.

A investigação é a primeira aberta desde que começou a ser divulgado pela imprensa que delatores da Lava Jato citaram irregularidades na obra.

A portaria de abertura do inquérito aponta para ‘supostas irregularidades referentes às obras da Cidade Administrativa de Minas Gerais, consistentes no pagamento de vantagem indevida pela empresa OAS, uma das participantes de um dos consórcios responsáveis pelo empreendimento, a Oswaldo Borges da Costa Filho, então presidente da Codemig, órgão estatal que realizou o correspondente procedimento licitatório’.

A negociação da delação de Léo Pinheiro foi suspensa pela Procuradoria-Geral da República no ano passado após a revista Veja divulgar que o empreiteiro – condenado a 26 anos por corrupção e lavagem de dinheiro – teria citado o ministro do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli.

O episódio envolvendo a obra, contudo, deve aparecer também na delação premiada de executivos da Odebrecht, homologada pelo Supremo Tribunal Federal no começo do mês.

Segundo o site Buzzfeed, a Procuradoria-Geral da República vai instaurar um novo inquérito contra o tucano no Supremo por suspeita de recebimento de valores supostamente desviados das obras da Cidade Administrativa com base na colaboração da empreiteira.

Enquanto isso, o Ministério Público mineiro também apura o episódio envolvendo a licitação do centro administrativo, que já foi alvo de outro inquérito em 2007, quando foi lançada a licitação. 

Na época, o consórcio formado pela Construcap (CCPS) – Engenharia e Comércio S/A, Convap Engenharia S/A e Construtora Ferreira Guedes S/A que participou do certame, entrou com uma representação no Ministério Público questionando o procedimento licitatório da Codemig e todos os membros integrantes da comissão especial responsável do órgão pela obra.

O consórcio da Construcap acabou sendo derrotado na licitação, dividida em três lotes. A Camargo Corrêa, Santa Bárbara e Mendes Júnior formaram o lote um. 

A Odebrecht, Queiroz Galvão e OAS compunham o segundo consórcio e as construtoras Andrade Gutierrez, Via Engenharia e Barbosa Mello, por fim, o terceiro lote de empresas.

A investigação com base na denúncia das empresas derrotadas acabou sendo arquivada em 2014, mas está sendo reanalisado com as novas delações decorrentes da Operação Lava Jato.

‘Oswaldinho’. Além disso, não é a primeira vez que o nome de Oswaldo Borges da Costa, conhecido como Oswaldinho, aparece relacionado ao tucano. 

Apontado como tesoureiro informal de Aécio, o nome do empresário aparece em trocas de mensagens no celular do ex-presidente da Andrade Gutierrez Otávio Marques de Azevedo no mesmo dia em que a empresa fez uma doação para a campanha do tucano, em 2014.

Em depoimento na ação que pede a cassação da chapa Dilma-Temer no Tribunal Superior Eleitoral, Otávio admitiu que todas as doações eleitorais saíam do mesmo caixa da empresa e, em relação ao PSDB, confirmou que se encontrou com Oswaldo para tratar da doação registrada na Justiça Eleitoral.

Em 2014, segundo dados declarados à Justiça Eleitoral, a Andrade doou R$ 21 milhões para a campanha de Dilma e R$ 20 milhões para a de Aécio.


Oficialmente, o coordenador financeiro de Aécio foi o ex-ministro José Gregori. Em nota quando as mensagens da Andrade vieram à tona, o PSDB informou que Borges da Costa atuou na campanha de 2014 “apoiando o comitê financeiro”.

A obra. Principal vitrine do governo Aécio em Minas, a Cidade Administrativa ocupa 804 mil metros quadrados, sendo 265 mil metros de área construída. O centro é formado pelo Palácio do Governo – com 146 metros de vão livre, considerado o maior vão suspenso do mundo -, dois edifícios em curva de 15 andares que abrigarão as secretarias, auditório, centro de convivência, praça cívica e lagos.

A obra foi contratada por R$ 949 milhões pela Companhia de Desenvolvimento de Minas Gerais (Codemig), mas seu custo final, incluindo reajustes e intervenções complementares, como obras complementares no entorno, já passou de R$ 1,2 bilhão em recursos públicos. 

Outro montante significativo foi gasto na contratação de serviços. Somente com mobiliário e divisórias foram desembolsados R$ 78,6 milhões. Quando da apresentação do projeto, em julho de 2004, o gasto global estava estimado em cerca de R$ 500 milhões.

A reportagem não conseguiu localizar Oswaldo Borges da Costa para comentar. O espaço está aberto para a manifestação do empresário. A Andrade Gutierrez vem reiterando que colabora com as investigações da Lava Jato.

COM A PALAVRA, O PSDB-MG:

“São falsas as acusações sobre irregularidades na obra da Cidade Administrativa.

Investigação do Ministério Público sobre a licitação da obra foi arquivada em 2014 após a constatação de absoluta regularidade de todos os procedimentos licitatórios. (Inquérito Civil Público 0024.07.000.185-4)

O inquérito civil instaurado recentemente não traz nenhum indício ou prova de qualquer irregularidade. Foi aberto tendo como base apenas um email distribuído em uma rede de pessoas vinculadas ao PT.
O PSDB-MG não tem conhecimento de qualquer acusação de superfaturamento da obra.

Assessoria de Imprensa do PSDB-MG”




segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

ESQUEMA NAS OBRAS DA CIDADE ADMINISTRATIVA PODE TRAZER A DERROCADA FINAL DE AÉCIO

ESQUEMA NAS OBRAS DA CIDADE ADMINISTRATIVA PODE TRAZER A DERROCADA FINAL DE AÉCIO
 

Senador mineiro continua com proteção na grande mídia e tem tratamento diferenciado de outros políticos delatados na Operação Lava Jato; Aécio Neves apareceu, de novo, na delação da Odebrecht; segundo o depoimento de Benedicto Júnior, ex-presidente da empreiteira, houve reunião com o então governador mineiro para combinar a fraude na licitação da construção da Cidade Administrativa – a obra mais cara dos 8 anos do governo de Aécio; foram despejados mais de R$ 2 bilhões na nova sede oficial;  esquema teria sido criado para favorecer as grandes empreiteiras; segundo o delator, o governador indicava Oswaldo Borges da Costa Filho, conhecido como Oswaldinho, para tratar das propinas

5 DE FEVEREIRO DE 2017 ÀS 15:58

IMAGINE QUE UM SIMPLES comerciante do interior de Minas Gerais tenha sido preso por participar de um esquema de vendas de habeas corpus para traficantes de drogas em conluio com um desembargador.

Imagine que este comerciante seja primo de um político responsável pela nomeação do desembargador que mais tarde se tornaria seu comparsa no esquema.

Agora, imagine que o comerciante e o desembargador tenham sido presos e que o Fantástico tenha feito uma excelente reportagem de quase 12 minutos sobre o assunto, mas não citou que o político em questão levava o nome de Aécio Neves (PSDB/MG).

Não precisa imaginar mais nada

Tudo isso aconteceu entre 2011 e 2012. A possibilidade bastante factível de as digitais de Aécio estarem presentes no esquema nunca foi sequer cogitada pela polícia ou pela imprensa. 

Com todo esse carinho e proteção, o mineiro despontou na corrida presidencial de 2014 com um duro discurso contra a corrupção e, poucos meses depois, lideraria a oposição no processo que derrubou a presidenta eleita.

Essa é uma história real que pouquíssimos brasileiros conhecem. Por outro lado, muitíssimos têm certeza de que um dos filhos de Lula é proprietário da Friboi – um boato que ganhou tanta força que quem ousar contestá-lo corre o risco de ser ridicularizado.

Essa semana, o senador mineiro apareceu novamente na boca mole de um executivo da Odebrecht. 

Segundo a delação de Benedicto Júnior, ex-presidente da empreiteira, houve uma reunião com o então governador mineiro para combinar a fraude na licitação da construção da Cidade Administrativa – a obra mais cara e inútil dos 8 anos do governo do faraó mineiro. 

Foram despejados mais de R$ 2 bilhões na nova sede oficial, que fica a 20km do centro de Belo Horizonte, obrigando muitos servidores a gastarem quase duas horas para chegar na “Brasília mineira” – o que não chega a ser problema para os servidores que andam de helicóptero.

O esquema teria sido criado para favorecer as grandes empreiteiras. Segundo o delator, o governador indicava Oswaldo Borges da Costa Filho, conhecido como Oswaldinho, para tratar das propinas.

Oswaldinho foi nomeado presidente da CODEMIG – estatal que financiou integralmente a obra – por Aécio e é conhecido por tucanos e opositores como seu tesoureiro informal nas campanhas entre 2002 e 2014. 

Ele também foi dono de uma empresa de táxi-aéreo em sociedade com seu cunhado Clemente Faria (morto em 2012 em acidente aéreo), filho de Gilberto Faria, que foi padrasto de Aécio durante 25 anos. 

Foi com os jatinhos dessa empresa que Aécio viajou algumas vezes para Cláudio (MG), onde um aeroporto público foi construído dentro da fazenda de sua família e cujas chaves ficavam sob a responsabilidade do primo Quedo (sim, o mesmo que foi preso por vender absolvição para traficantes).

Você provavelmente já se perdeu nesse emaranhado de parentescos que aparelhou a coisa pública mineira, portanto, voltemos à caguetagem. 

Delações isoladas não provam nada, e Aécio tem se apegado a isso ao negar tudo. Mas quando pessoas de diferentes empresas narram o mesmo modus operandi dos pagamentos de propina, fica difícil não acreditar. 

A última delação bate com a de outras empreiteiras que participaram do consórcio. 

Léo Pinheiro, ex-presidente da OAS, contou no ano passado exatamente a mesma história que o ex-executivo da Odebrecht: a propina era de 3% do valor dos contratos e foi paga para Oswaldinho. Segundo apuração da Folha, ex-executivos da Andrade Gutierrez também irão contar a mesmíssima história nas próximas semanas.

Mas até blindagem sofre fadiga de material. Com tantas citações em delações nas costas, vai ficando cada vez mais difícil para os aliados de Aécio na imprensa segurarem essa barra que é gostar do mineirinho. 

Os detalhes das propinas na Cidade Administrativa foram apurados pela Folha e ganharam manchete de capa no jornal. 

Porém, ainda há na imprensa quem resista. O Estado de Minas, que se autointitula o “grande jornal dos mineiros”, escondeu a notícia em seu site sem oferecer nenhuma chamada na página principal.

Nas edições impressas de quinta e sexta, nem vulto da notícia na capa. 

Parece que o fato de um ex-governador e senador mineiro estar sendo acusado de fraudar licitação na construção de uma obra faraônica não tenha sido a grande pauta de Minas Gerais dessa semana. Até a notícia “Internauta compara político ao ‘Dino da Silva Sauro’ e é condenado pela Justiça” ganhou chamada na página principal do site do jornal durante dois dias.

Já o Jornal Nacional continua funcionando normalmente. Assim como já havia ignorado quando o senador foi “discretamente” chamado para depor na Polícia Federal, o jornal televisivo de maior audiência do país fingiu que nada aconteceu com Aécio nesta semana e dedicou 0 segundo para o caso.

Bom, era isso o que eu tinha pra contar. Encerro lembrando que eleitores do mineirinho saíram às ruas para protestar contra a corrupção do governo Dilma vestindo uma camiseta com os dizeres: “Eu não tenho culpa. Votei no Aécio”.



sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

Aécio passa a ser investigado pela PGR e a lista de suspeitas aumenta

Aécio passa a ser investigado pela PGR e a lista de suspeitas aumenta
Publicado por CdBem: 03/02/2017Em: Brasil
 Aécio Neves sofreu uma queda brusca nas pesquisas
Aécio queria ser diplomado no lugar da presidenta Dilma

Entre os crimes atribuídos ao senador Aécio Neves, derrotado nas eleições de 2014 pela presidenta deposta Dilma Rousseff (PT), consta a receptação de propina nos contratos superfaturados por empreiteiras, ao longo de sua gestão

Por Redação – de Brasília e Belo Horizonte

Ex-presidente da Odebrecht Infraestrutura, o executivo Benedicto Júnior apontou o senador mineiro Aécio Neves (PSDB) como corrupto. 

Em sua delação premiada aos delegados da Operação Lava-Jato, vazada para a mídia conservadora, Benedicto relata que Neves, em sua passagem pelo governo de Minas Gerais, montou um esquema fraudulento para desviar recursos dos cofres públicos. 

Ele e seus associados na organização criminosa, segundo um dos integrantes — réu confesso e autor da delação premiada —, fraudavam licitações nas obras da Cidade Administrativa. 

Foi o maior projeto executado em seus oito anos de administração. Procurado pela reportagem do Correio do Brasil, o senador negou qualquer irregularidade nos projetos.

Entre os crimes atribuídos ao senador tucano, derrotado nas eleições de 2014 pela presidenta deposta Dilma Rousseff (PT), consta a receptação de propina nos contratos superfaturados por empreiteiras, ao longo de sua gestão. Um assessor de Aécio, responsável pela cobrança de acertos entre 2,5% e 3% sobre os valores das faturas quitadas, também entrou no radar da Polícia Federal (PF).]

Oswaldo Borges da Costa Filho, que integra o círculo familiar de Aécio Neves, é apontado por Benedicto Júnior como o ‘homem da mala’ (responsável pela coleta da propina) do então governador. Além de montar o circuito criminoso com as construtoras, Aécio teria orientado os executivos das empreiteiras a procurar por Costa Filho. 
A Cidade Administrativa custou R$ 2,1 bilhões. Conhecido como Oswaldinho, Costa Filho consta na lista de colaboradores nas campanhas do senador tucano.

Recall de Aécio
Após as delações de Benedicto Júnior, procuradores da Lava Jato teriam exigido dos advogados da Andrade Gutierrez, no fim de 2016, uma espécie de complementação das delações de seus executivos, chamada no jargão da PF de “recall”.

Segundo investigadores, funcionários da Andrade não detalharam o esquema de propina na Cidade Administrativa e em outras duas obras especificadas nas delações da Odebrecht: a construção do Rodoanel e do Metrô, em São Paulo. 

Nestas duas últimas, consta também a citação ao senador José Serra (PSDB-SP). Ele teria recebido propina no valor de R$ 23 milhões, no exterior.

Nas próximas semanas, o ex-presidente da AG Energia Flávio Barra e o ex-vice-presidente institucional da empresa Flávio Machado serão ouvidos, mais uma vez, na Vara Federal comandada pelo juiz Sérgio Moro. Outros executivos da empresa também podem ser incluídos no “recall”.

Barra dará detalhes das obras em São Paulo, enquanto Machado vai confirmar a versão que Oswaldinho cobrou propina de 3% do valor dos contratos da Cidade Administrativa, o que chegaria a cerca de R$ 40 milhões somente na parte da Andrade.

‘Doação oficial’
Esse também é o relato do ex-presidente da OAS Léo Pinheiro. O ex-CEO da empreiteira disse que repassou a Aécio, via Oswaldinho, o montante referente à propina de 3%. As negociações com a OAS, porém, teriam sido suspensas devido aos vazamentos de informação.

O nome de Oswaldinho também aparece em uma troca de mensagens de setembro de 2014 entre o então presidente da Odebrecht, Marcelo Odebrecht, e Benedicto Júnior. Eles tratavam de “uma doação de R$ 15 milhões, de recursos disponibilizados a Mineirinho via Sergio Neves”.

“Combinei que Sergio Neves sentaria com OSW para ver forma (dentro das limitações que temos) de 15”, diz a mensagem enviada a BJ por Marcelo Odebrecht. Na campanha presidencial de 2014, Aécio Neves recebeu R$ 15 milhões da empreiteira baiana como doação oficial.

Após o Supremo Tribunal Federal (STF) homologar a delação da empreiteira Norberto Odebrecht, com 77 executivos, ex-executivos e funcionários da empreiteira, a Procuradoria-Geral da República (PGR) acaba de instaurar inquérito para investigar Aécio Neves. A informação foi publicada no site de notícias Buzzfeed.

Fim do sigilo
Neves negou, em resposta às acusações, vazadas para o diário conservador paulistano Folha de S. Paulo, que tenha participado de qualquer fraude na licitação da Cidade Administrativa. 

Ele segue dizendo que a obra cumpriu todos os parâmetros legais.
“O senador desconhece o conteúdo dessa suposta delação e afirma, com veemência, que as afirmações relatadas são falsas e absurdas.

O edital de construção da Cidade Administrativa foi previamente apresentado ao Ministério Público e ao Tribunal de Contas do Estado e as obras auditadas durante sua execução por empresa independente”, declarou, em nota, o senador.

O tucano mineiro se diz favorável, ainda, ao “fim do sigilo sobre as delações homologadas para que todo conteúdo seja de conhecimento público e as pessoas mencionadas possam se defender, uma vez que é impossível responder a especulações, interpretações ou informações intencionalmente vazadas por fontes não identificadas”.