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terça-feira, 11 de outubro de 2016

Tensão entre Rússia e EUA é "hoje mais perigosa" do que a Guerra Fria

Tensão entre Rússia e EUA é "hoje mais perigosa" do que a Guerra Fria
10 DE OUTUBRO DE 201600:38
Ana Meireles

Vladimir Putin e Barack Obama encontaram-se pela última vez a 
5 de setembro, à margem da cimeira do G20, que se realizou em
 Hangzhou, na China | EPA/ALEXEI DRUZHININ/SPUTNIK/
KREMLIN POOL

Moscovo põe mísseis no enclave de Kaliningrado para provocar a NATO. Washington acusa Kremlin por ciberataque
"É uma falácia pensar que isto é como a Guerra Fria. Os dias de hoje são diferentes e mais perigosos". O aviso foi feito no sábado pelo ministro dos Negócios Estrangeiros alemão. Frank-Walter Steinmeier, em declarações ao Bild, falava sobre a crescente tensão nas relações entre Estados Unidos e Rússia - e que conheceram novos desenvolvimentos este fim de semana -, citando as diferenças sobre a Ucrânia, a guerra cibernética e a Síria. "As razões para o conflito entre Rússia e Estados Unidos estão a aumentar. Parece que o remanescente da confiança mútua foi esgotado. Se isto continua, iremos voltar aos tempos do confronto das duas superpotências", afirmou ainda o chefe da diplomacia de Berlim.
O mais recente sinal desta crescente tensão entre Moscovo e Washington foi dado ontem pelo ministro dos Negócios Estrangeiros russo. "Estamos a testemunhar uma mudança fundamental de circunstâncias no que diz respeito à agressiva russofobia que agora reside no centro da política dos Estados Unidos em relação à Rússia", disse ontem Serguei Lavrov à televisão estatal russa. "Não é apenas uma russofobia retórica, mas medidas agressivas que realmente prejudicam os nossos interesses nacionais e representam uma ameaça à nossa segurança", acrescentou.
O líder da diplomacia de Moscovo desfiou ainda uma lista de queixas da Rússia contra os EUA que, disse, contribuíram para o ambiente de desconfiança entre os dois países. Serguei Lavrov queixou-se de a NATO estar a instalar infraestruturas militares para junto das fronteiras russas e atacou o Ocidente pelas sanções por causa da Ucrânia.
O ministro disse ainda ter ouvido que alguns políticos em Washington estavam a sugerir que Barack Obama poderia aprovar o bombardeamento de bases aéreas militares do governo sírio para alojar aviões norte-americanos. "Este é um jogo muito perigoso tendo em conta que a Rússia, estando na Síria a convite do governo legítimo do país e tendo duas bases lá, ter sistemas de defesa aérea para proteger os seus ativos", avisou Lavrov, acrescentando esperar que o presidente norte-americano não aceite aquele cenário.
No dia 4, a Rússia mobilizou uma bateria de mísseis antiaéreos S-300 para a Síria, com o objetivo de defender a sua base naval no porto de Tartus, no mar Mediterrâneo. Medida anunciada um dia depois de os Estados Unidos terem suspendido a cooperação com a Rússia para tentar encontrar uma solução para o conflito sírio.
A situação na Síria teve no sábado mais um revés, com Moscovo a vetar no Conselho de Segurança da ONU uma resolução apresentada pela França e que pretendia acabar com os bombardeamentos sobre a cidade de Aleppo. Um texto alternativo apresentado pela Rússia - que apelava ao fim do conflito, mas sem pedir especificamente o fim dos ataques em Aleppo - foi igualmente chumbado. EUA apoiaram a proposta francesa e vetaram a russa.
Atos pouco amigáveis
A Rússia suspendeu no início do mês um tratado com os Estados Unidos sobre a reciclagem de plutónio utilizado em armas nucleares, em resposta ao que Moscovo chamou de "atos pouco amigáveis" de Washington. "O tratado foi acertado quando as relações estavam normais, civilizadas, quando ninguém estava a tentar interferir nos assuntos internos do outro. Esta é a mudança fundamental das circunstâncias", explicou.
Outro sinal da mudança de atitude da Rússia é a possibilidade dereativarem as suas bases militares em Cuba e no Vietname, que serviram como pivôs do poder militar soviético durante a Guerra Fria e desativadas no início do século. Possibilidade deixada em aberto pelo ministro adjunto da Defesa, Nikolai Pankov, citado esta sexta-feira pelas agências de notícias russas.
O que a Rússia já fez foi enviar mísseis Isklander, de capacidade nuclear, para o enclave de Kaliningrado, que faz fronteira com a Lituânia e a Polónia. No entanto, o Ministério da Defesa russo garante que trata-se apenas de exercícios de rotina, mas que poderá ser também um gesto para mostrar o desagrado da Rússia em relação à NATO.
Autorizado por altos funcionários
Os EUA, por seu turno, acusaram oficialmente a Rússia por ataques informáticos recentes contra pessoas e instituições norte-americanas com o objetivo de interferir nas presidenciais de 8 de novembro.
Num comunicado conjunto, divulgado na sexta-feira, o Departamento de Segurança Interna e o diretor de todos os serviços secretos dos Estados Unidos dizem ter a certeza de que "o governo russo dirigiu" recentemente vários ataques informáticos e que "tendo em conta o alcance e a sensibilidade", "só altos funcionários da Rússia poderiam ter autorizado estas atividades".
Em julho, Hillary Clinton acusou a Rússia do ataque informático ao Partido Democrata, que levou à divulgação de 20 mil emails pelo WikiLeaks. "A Rússia nunca fez uma coisa dessas a nível estatal", afirmou, na altura, Vladimir Putin.

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segunda-feira, 15 de agosto de 2016

CHINA OFERECE ABERTAMENTE À RÚSSIA UMA ALIANÇA MILITAR CONTRA A OTAN

CHINA OFERECE ABERTAMENTE À RÚSSIA UMA ALIANÇA MILITAR CONTRA A OTAN.
12 de agosto de 2016  Atualizado em 14/08/2016
 

“Está tudo acabado para a nova ordem mundial. Em dez anos, a chave para a nova ordem mundial será a união da Rússia e da China” – Presidente Xi Jinping.
01 de julho, a China marcou uma data importante em 1º de julho. Foi o 95º aniversário da fundação do Partido Comunista Chinês. O Presidente Xi Jinping abordou a reunião solene dedicada a este evento. Além dos louvores de “Viva!” (E merecidamente, uma vez que o Partido Comunista Chines CCP tem muito a se orgulhar) houve o discurso do presidente Xi, que foi curto, mas muito importante.
“O mundo está à beira de uma mudança radical. Vemos como a União Europeia está gradualmente entrando em colapso, como está a economia dos EUA… Está tudo acabado para a nova ordem mundial. Assim, ele nunca mais será como era antes, em 10 anos teremos uma nova ordem mundial na qual a chave será a união de China e Rússia”.
Na verdade, o presidente Xi convida a liderança russa para dar o próximo passo. E ir de uma aliança econômica e política para uma aliança político-militar, capaz não só de suportar os desafios do futuro, mas também de assumir a liderança no caso do colapso da ordem mundial existente.
É notável como delicadamente a parte chinesa faz uma oferta séria para a Rússia. Afinal de contas, pouco antes da celebração do Jubileu do CCP, uma delegação russa substancial liderada pelo presidente Putin chegou a visitar a China.
Houve negociações, e foram celebrados acordos-quadro e contratos reais. Mas as propostas mais importantes foram feitas pelo presidente da China na grande reunião do partido no poder da China, ao ressaltar que o lado russo não está sob nenhuma pressão e ninguém exige uma resposta imediata em um assunto tão importante.
“Estamos vendo agora as ações agressivas por parte dos Estados Unidos, sobre a Rússia e a China. Eu acredito que a Rússia e a China poderiam criar uma aliança para o qual a OTAN será impotente e que irá pôr fim aos desejos imperialistas do Ocidente.”
Este é um convite em texto simples, sem qualquer ambiguidade da expressão asiática “o barulho do meu riso sacode o Céu e a Terra”, que você entenda como quiser.
O Presidente Xi não se aventurou a prever como Putin irá tratar esta proposta, mas a forma com a qual o presidente Xi fez a proposta, parece-me, com suas especificidades, não deixa brechas para respostas em talvez-encorajado estilo.
É surpreendente que só recentemente a liderança chinesa e o presidente russo tenham dito seus países não têm a intenção de permitir que quaisquer unidades militares venham sobre eles, nem têm a intenção de ser amigos contra países terceiros. Mas, como se vê, o mundo está mudando drasticamente, e a questão da oportuna conclusão de uma aliança é bastante aguda, agora a liderança da China toma a iniciativa.
É claro, a China é um parceiro difícil, e, no passado, existe um monte de páginas negras. Mas agora, com toda a evidência, deve ser registrada: A China está pronta para ir ombro a ombro em caso de eventuais complicações militares e políticas entre a Rússia e o Ocidente.
Houve um tempo, em que a URSS realmente carecer de uma tal proposta. No confronto dos blocos militares da Guerra Fria, a China ganhou força por trás da URSS e ocupava uma atitude de espera, como no ditado “um urso e um tigre estão lutando e os macacos espertos observa de uma árvore e espera, até que ambos tornem-se fracos”. Mas isso não aconteceu.
 

A partir da esquerda: LM Kaganovich, presidente Mao Tse-tung, NA Bulganin, Joseph Stalin, Walter Ulbricht, J Tsedenbal, NS Khrushchev e I Koenig (Getty)
O que aconteceu foi que no início de 1970, Henry Kissinger foi em uma missão secreta para a China, e jogando com as contradições do CCP com os “revisionistas soviéticos”, concordou em uma convergência com Mao e Zhou Enlai. As relações da URSS e da Repúblia Popular da China na época foram afetadas pelo conflito fronteiriço sino-soviético sobre Zhenbao Island (Damanskiy Island) nas proximidades do Lago Zhalanashkol e uma razão aparente para a superação imediata da crise ainda não havia surgido, e os americanos não demoraram para tirar proveito.
 

Presidente Mao Tse-tung, à esquerda, congratula-se com o presidente americano Richard Nixon em sua casa em Pequim (AFP)
Como resultado, a China tornou-se um bom apêndice à pressão ocidental sobre a União Soviética e nosso país foi forçado a responder, criando um poderoso agrupamento militar na região do Trans-Baikal e no Extremo Oriente, e os gastos com a defesa (de acordo com Valentin Falin, um político soviético proeminente) atingiu 24% do PIB.
Os resultados deste longo conflito são bem conhecidos. O aquecimento das relações entre a URSS e a China, que começou em 1985, não ajudou a União Soviética porque capitulares chefiados por Gorbachev estiveram à frente.
 
Vladimir Putin, centro, e Xi Jinping, terceiro a esquerda, assistem a parada da vitória na Praça Vermelha em Moscow. Foto: Alexander Zemlianichenko / AP
Mas agora parece haver uma oportunidade real para a Rússia a se espalhar e reduzir a carga que pesa sobre seus ombros.
Embora eles não diriam isso para os altos tribunais, a Guerra Fria 2.0 com a Rússia já se arrasta por um longo tempo, e quem é que pode dizer que ela vai se repetir exatamente como a primeira?
Obviamente – que já se arrasta desde 1999.
Item: Violação pelo Ocidente do acordo na dissolução do Pacto de Varsóvia: OTAN prometeu não se estendem para além das fronteiras da Alemanha.
Item: Admissão à OTAN de ex-aliados soviéticos, e mais – as ex-repúblicas soviéticas.
Item: retirada do Tratado ABM.
Item: Conflagração do “arco de instabilidade” do Oriente Médio para o Afeganistão no “ponto fraco” da Rússia e da China,
Item: A eliminação forçada de regimes seculares estáveis ​​no Oriente Médio, incluindo a substituição por um califado terrorista.
Item: O “euromaidan” na Ucrânia,
Item: Uma guerra no Donbass e uma nova traquinagem entre as fronteiras ocidentais e o sudoeste da Rússia – é apenas mais um agravamento.

A liderança chinesa não hesita em admitir que a China por si só não pode enfrentar os desafios do futuro, especialmente de natureza militar. E, apesar do progresso econômico significante com os avanços tecnológicos em algumas áreas, muitas estruturas estatais chinesas não são totalmente modernizadas:
“A criação de um exército, que corresponde ao estatuto internacional do nosso país é uma tarefa estratégica. Devemos combinar desenvolvimento econômico com desenvolvimento em defesa, modernizar o exército, para que ele esteja atualizado e padronizado… Precisamos de forma abrangente promover a reforma na esfera militar para criar um exército que seja disciplinado e possa vencer”.
Atrevo-me a sugerir que a modernização do PLA (exército) de que o líder chinês falou pode resultar da impressão profunda feita pelos exercícios conjuntos russo-chineses, além dos resultados da competição no “biathlon tanque”, e, especialmente, vendo o progresso de VKS russos na Síria.
Tudo isso, aliás, implica um preço possível para uma aliança com a China – a modernização das suas forças armadas para os padrões russos. Existem outras armadilhas possíveis. Mas nós não estamos falando sobre isso agora. É importante que a Rússia não se apressa com uma resposta imediata e uma conclusão essencial de uma aliança chinesa desejável.
 
O acordo de cooperação militar e política será necessariamente precedido de conversações em que as partes terão em conta os desejos de cada um dos outros, de modo que nada seja deixado desacordado entre os aliados. É igualmente importante que a Rússia e a China têm muito a oferecer um ao outro, e para a Rússia há uma boa oportunidade, não só para transferir parte da carga sobre os ombros de um aliado, mas também para estimular o processo de re-industrialização.
Agora vamos esperar por via de resposta da Rússia e da reação da “comunidade mundial”.
Ver também: Poder Militar Global [Ranking das 10 maiores potencias militares em 2015] – Poder Militar Global 2015.kmz para visualizar no app Google Earth e comparar como seria o poder de Rússia e China juntas contra as potências ocidentais.
Autor: Alexander Rostovzef

Traduzido para publicação em dinamicaglobal.wordpress.com

Fonte: fort.russ.com