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quarta-feira, 4 de julho de 2018

Vidas paralelas: Dallagnol é uma espécie de Neymar sem a parte do talento, mas com a da canastrice. Por Kiko Nogueira


Vidas paralelas: Dallagnol é uma espécie de Neymar sem a parte do talento, mas com a da canastrice. Por Kiko Nogueira

Publicado por  Kiko Nogueira  3 de julho de 2018

                                      Menino Deltan

Deltan Dallagnol é o Menino Ney do Ministério Público — não o dos gols e do talento inegável, mas o do mimimi e do esperneio estéril.

É a estrela do time da Lava Jato, ao lado do parceiro Carlos Fernando dos Santos Lima, que lhe dá as principais assistências.

Até quando Dallagnol vai abusar da paciência dos brasileiros com suas cambalhotas?

Até quando vai afrontar o STF?

Na noite de segunda, dia 3, usou o Twitter para reclamar do juiz.

Criticou o ministro Dias Toffoli, do STF, que cassou decisão de Moro impondo tornozeleira eletrônica a José Dirceu.

“Naturalmente, cautelares voltavam a valer. 

Agora, Toffoli cancela cautelares de seu ex-chefe”, escreveu, atropelando a pontuação numa pressão que só pode ser explicada como a ansiedade do guerreiro do povo brasileiro em salvar a nação.

A insinuação de favorecimento se deve ao fato de Toffoli ter sido, antes de assumir o posto, advogado do PT e sub-chefe da Casa Civil na gestão de Dirceu.

Pode isso, Arnaldo? Claro que sim.

Dallagnol tem carta branca para agir politicamente e exercer sua demagogia barata — com o benefício indelével de não correr risco algum de perder cargo para o qual não foi eleito.

Detona o Supremo sem medo de ser feliz porque é inimputável.

Em novembro de 2017, o Conselho Nacional do Ministério Público concluiu que suas famosas palestras são corretas e “filantrópicas”.

Isso apesar de a Constituição proibir, no artigo 128, § 5º, II, “receber, a qualquer título e sob qualquer pretexto, honorários, percentagens ou custas processuais” e “receber, a qualquer título ou pretexto, auxílios ou contribuições de pessoas físicas, entidades públicas ou privadas, ressalvadas as exceções previstas em lei”.

A Lei Complementar nº 75, de 1994, a Lei Orgânica do Ministério Público da União, repete parcialmente a disposição constitucional em seu artigo 237.

Há alguns dias, o corregedor nacional do MP, Orlando Rochadel Moreira, abriu contra ele um processo administrativo disciplinar.

Em 20 de fevereiro, Menino Deltan replicou a mensagem do colega em seu Twitter com um comentário luminoso.

“Se cabem buscas e apreensões gerais nas favelas do Rio, cabem também nos gabinetes do Congresso.

 Aliás, as evidências existentes colocam suspeitas muito maiores sobre o Congresso, proporcionalmente, do que sobre moradores das favelas, estes inocentes na sua 
grande maioria”, disse.

“Com tal conduta, mascarada através de suposto exercício da liberdade de expressão, incitando o ódio e ofendendo o Congresso Nacional, deixou o processado de observar o seu dever funcional de guardar decoro pessoal em respeito à dignidade de suas funções e à da Justiça, e também ao prestígio do Ministério Público”, afirma Moreira.

Deltan Dallagnol se defendeu com o teatro de sempre. 
“Calar a verdade, dita contra poderosos, é próprio de ditaduras, não de democracias”, alega.

“Tapar o sol com a peneira, esconder o diagnóstico que a Lava Jato e a imprensa fazem ou varrer a sujeira para debaixo do tapete não contribuirá para o amadurecimento de nossa democracia ou para o controle da corrupção.”

Rodrigo Tacla Durán teria muito a esclarecer sobre a questão de tapar o sol com a peneira e esconder diagnósticos.

Tão certo quanto o Menino Ney vai dar seu chilique em seus próximos jogos, Dallagnol será absolvido no CNMP.

Como fazê-lo respeitar a democracia ou o decoro no Judiciário num país em que isso virou uma ficção?

Menino Deltan leva uma vantagem sobre Neymar: 

se o atacante já não engana os juízes com sua canastrice, o procurador continua fazendo-os de bobos na maior. 



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Vazamento da delação de Palocci confirma a suspeita: vem aí mais uma farsa. Por Joaquim de Carvalho


Vazamento da delação de Palocci confirma a suspeita: vem aí mais uma farsa. Por Joaquim de Carvalho

Publicado por  Joaquim de Carvalho  3 de julho de 2018

         Ele

Aos poucos, com os vazamentos da Polícia Federal que começam a alimentar a velha imprensa, se vai conhecendo detalhes da farsa da delação de Antonio Palocci.

O Globo publica hoje um ponto do acordo feito entre a PF e o ex-ministro da Fazenda, homologado no dia 22 de junho pelo desembargador João Pedro Gebran Neto, do Tribunal Regional Federal da 4a. Região.

O acordo está sob sigilo, mas tal condição não impediu que “fontes da PF” liberassem parte do seu conteúdo: 
Palocci vai entregar os arquivos dos computadores da sua consultoria, que estavam desaparecidos.

Quando a PF fez a operação de busca e apreensão na sede da consultoria do ex-ministro em São Paulo, em setembro de 2016, encontrou monitores, teclados e mouses, mas não o desktop — no lugar, havia notebooks novos.

Esse cenário, aparentemente montado para dissimular a retirada dos desktops com os arquivos mais importantes da consultoria, é que teria levado ao pedido de conversão do decreto de prisão temporária do ex-ministro em prisão preventiva, condição que o mantém encarcerado até hoje.

No acordo homologado pelo desembargador Gebran, Palocci prometeu entregar o conteúdo dos arquivos, mas fará isso através de uma perícia particular.

Segundo o jornal, os dados dos computadores da Projeto (nome da empresa de Palocci) ainda não foram entregues à PF porque estão passando por uma análise de peritos contratados por Palocci.

Os consultores particulares estariam fazendo esse serviço para “facilitar o trabalho dos investigadores”: organizarão “o material de maior relevância”, supostamente filtrariam apenas os conteúdos que envolvem crimes.

Aí é que está o perigo, a manobra para proteger alguns e incriminar outros, sem falar na possibilidade de forjar provas.

Exagero?

Quando a Odebrecht celebrou acordo de delação premiada, também foi feita essa filtragem antes, através de uma empresa suíça, a FRA.

A empresa fez supostas “cópias forenses” do sistema My Web Day (contabilidade) e Dousys (comunicação, tipo whatsapp), armazenados em servidores da Suíça. A PF recebeu um HD e alguns pen drives.

Ao mesmo tempo em que se tornavam públicas as inconsistências de alguns arquivos, claramente adulterados, a defesa do ex-presidente Lula contratou uma empresa inglesa para fazer uma perícia dessas cópias.

A CCL, que tem entre seus integrantes antigos peritos da Scotland Yard, concluiu que não é possível garantir que não houve havido adulteração, pois, para ter essa garantia, era preciso comparar as cópias com o sistema original.

Mas este sistema original está inacessível, já que foi cadeado digitalmente e ninguém consegue abri-lo.

Em outras palavras, as cópias extraídas pela FRA são imprestáveis do ponto de vista forense.

Isso não impediu, entretanto, que houvesse decreto de prisão e até condenação com base nas “provas” fornecidas pela Odebrecht.

A maior evidência de que provas foram forjadas no caso da Odebrecht é a revelação de documentos por parte do advogado Rodrigo Tacla Durán, que prestou serviços para a Odebrecht e hoje mora na Espanha.

O juiz Sergio Moro, no entanto, indeferiu todos os pedidos de que ele fosse ouvido como testemunha.

Tacla Durán, que tinha acesso ao Drousys da Odebrecht, possui extratos e planilhas originais e os comparou com as cópias juntadas pelo Ministério Público Federal: são diferentes.

No caso da Odebrecht, outro indício de que o sistema foi adulterado é o depoimento de um diretor da empresa, Fernando Migliaccio.

Ele admitiu que, em 2015, antes que as supostas cópias dos sistemas da Odebrecht fossem entregues, houve reunião de executivos da empresa em Madri, na Espanha.

Lá, decidiram tomar providência para se protegerem.

 Tacla Durán contou que participou dessa reunião e ali houve a decisão de cortar o tracking do dinheiro, isto é, impedir seu rastreamento.

Segundo o advogado que Moro se recusa a ouvir, foi assim, por exemplo, que contas do publicitário João Santana desapareceram das planilhas entregues à Lava Jato em Curitiba.

No caso de Palocci, a PF diz que ele entregará também os HDs originais, assim como a Odebrecht fez no caso do acordo de leniência dela. Mas para que serviram? Ninguém abriu.

O que está em jogo, além da saída dele da prisão para usar tornozeleira eletrônica em casa durante algum tempo, é a quantia de R$ 30 milhões da empresa de consultoria, que estão bloqueados.

Segundo o acordo, caberá a Moro decidir sobre sua liberação — há alguma dúvida de que, depois de dizer a Moro o que este quer sobre Lula, o dinheiro será liberado?

A Odebrecht também recebeu varias imunidades em troca da entrega do seu sistema e do depoimento dos seus executivos. 

Mas, quando ficou evidente que ela havia entregado gato por lebre, o acordo não foi rescindido.

Pelo contrário: ao manterem as cláusulas do acordo, os agentes do Estado chancelaram o que fez a empresa. Com Palocci, tudo indica o mesmo caminho.

O ex-ministro, ao oferecer a Moro a cenourinha da grande empresa de comunicação (leia-se Globo) que ele ajudou a não quebrar, lubrificou a engrenagem que levou ao acordo.

Hoje, o jornal do grupo publica o vazamento de que Palocci vai entregar os arquivos da consultores, depois de bondosamente peritos contratados por ele selecionarem o que vale a pena ser investigado.

Quem acredita que os dados (ou registro de pagamentos, sabe-se lá) referentes à grande empresa de comunicação estarão nesses arquivos?

.x.x.x.

PS: O vídeo sobre a recompensa de Palocci para entregar Lula:
Palocci vai receber 30 milhões para 
incriminar Lula


Publicado em 7 de mai de 2018




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sábado, 16 de junho de 2018

CPI das delações da Lava Jato deve ser instalada semana que vem


CPI das delações da Lava Jato deve ser instalada semana que vem

19 hours ago 16/06/2018 Denúncias



A Câmara dos Deputados deve instalar na semana que vem — terça ou quarta-feira — a CPI da Delação Premiada, para investigar a denúncia dos doleiros presos pela seção carioca da Lava Jato, Vinícius Claret, o Juca Bala, e Cláudio de Souza, conhecido como Tony ou Peter.

Os doleiros dizem que foram obrigados a pagar propina ao advogado Antonio Figueiredo Basto.

Segundo os delatores, os pagamentos de US$ 50 mil mensais foram feitos entre 2005 e 2013, para que ficassem protegidos de supostas acusações de outros investigados ao Ministério Público e à Polícia Federal (PF).

Um dos autores do requerimento de instalação da CPI, deputado Paulo Pimenta, diz que é necessário investigar as denúncias, inclusive para garantir a lisura de futuras delações.

“É uma oportunidade de passar a limpo a indústria das delações e as relações que envolvem escritórios de advogados, juízes e promotores, que transformaram a Lava Jato em um grande negócio”, afirmou.

Fatos para investigar não faltam,
 a começar pelos que deram origem à onda de delações que contribuiu decisivamente para derrubar um governo de Dilma Rousseff.

A CPI tem que retroagir ao caso Banestado e a 2006, quando o delegado da Polícia Federal Gerson Machado, de Londrina, procurou o juiz Sergio Moro para revelar que o doleiro Alberto Yousseff havia mentido em seu acordo de delação premiada.

Segundo ele, Yousseff continuava nas operações de lavagem de dinheiro e tinha ocultado pelo menos 25 milhões de reais de dinheiro sujo.

Mesmo informado de que Yousseff operava no mercado, o juiz não anulou o acordo de delação e só foi prendê-lo oito anos depois, em 2014, quando começou Lava Jato.

A história veio à tona em 2016, quando os advogados da Odebrecht chamaram o delegado para depor como testemunha em um processo conduzido por Moro.

O advogado de Yousseff, Antonio Figueiredo Basto, estava presente e, de maneira muito agressiva, tentou desqualificar o depoimento de Gerson.

Trouxe à tona fatos relativos à aposentadoria compulsória do delegado, por razões psiquiátricas.

 Moro impediu que Figueiredo Basto continuasse, e ficou em silêncio quando o advogado, em tom desafiador, disse ao próprio juiz:
“Você não quer buscar a verdade”.

Figueiredo Basto, a quem procurei em Curitiba sem que conseguisse retorno, é advogado nos casos mais rumorosos de Moro.

Em 2005, além de Yousseff, ele representava o empresário Tony Garcia, ex-deputado estadual, preso pela acusação de um golpe milionário no mercado através do consórcio Garibaldi.

Tony Garcia deixou a prisão depois de um acordo de colaboração negociado com o procurador Carlos Fernando dos Santos Lima.

Por determinação de Moro, passou a grampear determinados alvos, inclusive políticos com foro privilegiado.

Comprometeu-se a devolver R$ 10 milhões para ressarcir vítimas do golpe do consórcio, mas não devolveu, e ficou por isso mesmo, apesar de Moro ter sido acionado.

Tony Garcia voltou ao noticiário há um mês, quando divulgou uma gravação mais recente, com o chefe de gabinete do então governador Beto Richa, sobre acerto em uma licitação para obra em rodovia do Paraná.

Os doleiros Juca Bala e Cláudio de Souza, o delegado Gérson Machado, o ex-colaborador Tony Garcia e Alberto Yousseff são pessoas que poderiam ser chamadas pela CPI.

Mas há outros que também têm muito a dizer.

Por exemplo, o advogado Roberto Bertholdo, que foi advogado dos ex-deputados José Janene e José Borbe e passou uma temporada na prisão por ordem de Moro, depois de bater de frente com o juiz.

Bertholdo foi acusado de realizar escutas clandestinas em telefones de juiz.

Ele sempre negou a autoria das escutas, mas admitiu que teve acesso a elas e, na época em que esteva preso, disse, em entrevista à afiliada da Globo em Curitiba e a uma repórter da rádio Bandeirantes, que Moro estava sendo usado para desequilibrar o mercado paralelo de dólar.

Yousseff tinha delatado antigos concorrentes, como Toninho da Barcelona, e operava livremente no mercado, apesar de preso.

“É só vir ao Cope (onde ele estava preso) e verificar que a Neuma Cunha vinha visitá-lo semanalmente quando estava preso e era quem operava câmbio para ele. 

Durante esse período, toda a operação de corrupção de Janene (José Janene, deputado federal) era transformada em dinheiro vivo por Youssef”, afirmou na ocasião.

O tempo mostrou que Bertholdo estava certo. 

A “Neuma Cunha” citada por ele é Nelma Kodama, que, oito anos depois, seria presa no aeroporto, tentando fugir para o exterior com 200 mil euros escondidos sob a roupa, inclusive na calcinha.

Outro que deve ser ouvido é Rodrigo Tacla Durán, o advogado que teve a prisão preventiva decretada por Moro já na Lava Jato, e se refugiou na Espanha.

Tacla Durán, que tem dupla nacionalidade (brasileira e espanhola), teve a extradição negada pela Justiça da Espanha e começou a escrever um livro em que denuncia o advogado Carlos Zucolotto Júnior, amigo e padrinho de casamento de Moro, como intermediário em uma negociação para vender facilidades em acordo de delação premiada.

Este é um roteiro básico, para buscar a verdade, sem perder de vista o essencial: os doleiros Juca Bala e Cláudio de Souza, operadores de Dario Messer, podem estar mentindo a respeito do esquema de proteção que denunciaram.

Mas há um fato dá verossimilhança ao que disseram:

 duas famílias comandam há décadas o mercado paralelo de câmbio no Brasil, o mesmo que usou os mecanismos do Banestado: Messer e Matalon, um no Rio, outro em São Paulo.

Nenhum deles foi incomodado por Moro, e Dario Messer conseguiu fugir do Paraguai antes que a polícia chegasse aos endereços conhecidos dele.

 Messer foi provavelmente avisado da prisão iminente e hoje, pelo que se comenta no mercado, se encontra refugiado em Israel, onde tem cidadania.

Pelo bem das instituições brasileiras, a CPI da Delação pode se transformar numa lufada de ar fresco no meio ao deserto que a Lava Jato criou. 

Um detergente para eliminar suspeitas.

Espera-se que a OAB não se oponha ao depoimento de dois suspeitos: Antônio Figueiredo Basto e Carlos Zucolotto Júnior.

Em última análise, o instituto do direito de defesa sairá beneficiado com uma investigação séria, já que a Lava Jato deu protagonismo a advogados que se comportam como linha auxiliar da acusação.

A verdade, doa a quem doer.

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quarta-feira, 30 de maio de 2018

SEGURA MORO: Tacla Durán Acerta Com A Comissão De Direitos Humanos Depoimento No Dia 5


SEGURA MORO: Tacla Durán Acerta Com A Comissão De Direitos Humanos Depoimento No Dia 5

Por Redação Click Política Em 30 maio, 2018



A Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados enviou hoje ao advogado Rodrigo Tacla Durán convite para que preste depoimento no próximo dia 5, a respeito da pressão que sofreu para que fizesse delação premiada, inclusive com a ameaça dos procuradores de envolver a irmã dele no caso.

Por conta disso, Tacla Durán levou toda a família para morar com ele na Espanha. 

O advogado, que prestou serviços para a Odebrecht, deve aceitar o convite e, a exemplo do que fez na CPI da JBS, prestar depoimento por videoconferência. 

Ele também está disposto a depor como testemunha nos processos de Lula em Curitiba, mas Sergio Moro rejeita a produção dessa prova.

Estranha a negativa de Moro. 

Afinal, quem não deve não teme.


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