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segunda-feira, 3 de abril de 2017

MERCADANTE: FIM DO CIÊNCIA SEM FRONTEIRAS É “RETROCESSO INACEITÁVEL”

MERCADANTE: FIM DO CIÊNCIA SEM FRONTEIRAS É “RETROCESSO INACEITÁVEL”

 

Ex-ministro da Educação, Aloizio Mercadante, reagiu ao anúncio do fim do programa Ciência Sem Fronteiras, criado pelo governo da presidente Dilma Rousseff; "Quando denunciamos o fim do Ciência Sem Fronteiras, falaram também que só queríamos criar pânico nos estudantes. Agora, confirmam o desmonte do programa", disse Mercadante sobre a medida de Michel Temer; ele lembra que dos alunos que participaram do Ciência Sem Fronteiras, 26,4% são negros, 25% são jovens de famílias com renda até três salários mínimos e mais da metade são de famílias com renda de até seis salários mínimos; "Mais uma vez, a sociedade paga pelos retrocessos e desmandos na educação. Sofrem, principalmente, os mais pobres que, em razão da renda, dificilmente terão a oportunidade de estudar no exterior, como faziam com o suporte do Ciência Sem Fronteiras"

2 DE ABRIL DE 2017 ÀS 12:50

247 - O ex-ministro da Educação, Aloizio Mercadante, condenou o fim do programa Ciência Sem Fronteiras, realizado pelo governo de Michel Temer. Segundo informações publicadas na coluna Lauro Jardim deste domingo, 2, "Mendonça Filho fez as contas e afirma que, com o total gasto para mandar 30 mil estudantes para fora, seria possível pagar a merenda escolar para 40 milhões de alunos da educação básica. 

Novas bolsas não serão concedidas a partir de agora" (leia mais).

Para Mercadante, com o fim do programa, "mais uma vez, a sociedade paga pelos retrocessos e desmandos na educação.

Sofrem, principalmente, os mais pobres que, em razão da renda, dificilmente terão a oportunidade de estudar no exterior, como faziam com o suporte do Ciência Sem Fronteiras". 

"Dos alunos que participaram do Ciência Sem Fronteiras, 26,4% são negros; 25% são jovens de famílias com renda até três salários mínimos; e mais da metade são de famílias com renda de até seis salários mínimos. Nunca tiveram essa oportunidade", afirma.

A nota lembra, ainda, que só na primeira fase do Ciência Sem Fronteiras o Brasil enviou 73,3 mil universitários brasileiros para o exterior. "Eles participaram de 2.912 universidades de 54 países, sendo 182 das 200 melhores universidades do mundo. 

Além disso, a participação no Ciência Sem Fronteiras despertou nestes jovens a motivação para seguir na pós-graduação, mestrado e doutorado".

Além disso, dos 13 mil alunos de graduação que passaram um ano no exterior pelo programa, que retornaram e concluíram o ensino superior no Brasil, 20% se tornaram alunos de pós-graduação. Quando falamos dos alunos que não participaram do Ciência Sem Fronteiras, esse percentual é inferior a 5%, nas mesmas áreas de formação.

Orçamento
Mercadante também desmontou argumento utilizado por Mendonça Filho, desde que assumiu o Ministério da Educação, para justificar os desmontes que vem realizando na pasta. 

Sempre que questionado sobre algum corte, Mendonça costuma dizer que encontrou a pasta sem orçamento.

Na nota, o ex-ministro diz que "eles sempre atribuíram os desmontes que vem realizando na educação ao fato de supostamente terem encontrado o MEC quebrado, em razão do contingenciamento provisório de R$ 4,2 bilhões que fizemos em março de 2016, enquanto aguardávamos a votação da alteração da meta do superávit. 

Pois bem. Depois do golpe, quando o Congresso finalmente alterou a meta, este valor foi reintegrado ao orçamento do MEC, como havíamos planejado".

"Agora, eles anunciam um bloqueio dos mesmos R$ 4,2 bilhões no orçamento do ministério. Ou eles mentiram antes ou estão, agora, quebrando o MEC de vez, isto depois de já terem acabado com o Pronatec, terem cortado o Fies e terem suspendido toda expansão das Universidades Públicas", afirma.

Confira a íntegra da nota do ex-ministro:
"Eles sempre atribuíram os desmontes que vem realizando na educação ao fato de supostamente terem encontrado o MEC quebrado, em razão do contingenciamento provisório de R$ 4,2 bilhões que fizemos em março de 2016, enquanto aguardávamos a votação da alteração da meta do superávit. 

Pois bem. Depois do golpe, quando o Congresso finalmente alterou a meta, este valor foi reintegrado ao orçamento do MEC, como havíamos planejado.

Agora, eles anunciam um bloqueio dos mesmos R$ 4,2 bilhões no orçamento do ministério. Ou eles mentiram antes ou estão, agora, quebrando o MEC de vez, isto depois de já terem acabado com o Pronatec, terem cortado o Fies e terem suspendido toda expansão das Universidades Públicas.

Quando denunciamos o fim do Ciência Sem Fronteiras, falaram também que só queríamos criar pânico nos estudantes. Agora, confirmam o desmonte do programa. Mais uma vez, a sociedade paga pelos retrocessos e desmandos na educação. 

Sofrem, principalmente, os mais pobres que, em razão da renda, dificilmente terão a oportunidade de estudar no exterior, como faziam com o suporte do Ciência Sem Fronteiras. Dos alunos que participaram do Ciência Sem Fronteiras, 26,4% são negros; 25% são jovens de famílias com renda até três salários mínimos; e mais da metade são de famílias com renda de até seis salários mínimos. Nunca tiveram essa oportunidade.

Todos os países importantes do mundo têm programas importantes de incentivo a mobilidade internacional de estudantes. A União Europeia, por exemplo, tem o Erasmus Mundi, isso para não falarmos da China que tinha, quando lançamos o Ciência Sem Fronteiras, 80 mil estudantes de doutorado só nos Estados Unidos.

O choque de conhecimento gerado pelo Ciência Sem Fronteiras ajudou o a Brasil chegar a ser, em determinado momento, o 13º país do mundo que mais publicava artigos científicos. 

Além disso, lançamos o Idiomas Sem Fronteiras para atender a demanda pelo aprendizado de idiomas, especialmente o inglês, gerada pelo Ciência Sem Fronteiras, que já era um dos objetivos complementares do programa, o de internacionalizar nossas universidades.

Além disso, a participação no Ciência Sem Fronteiras despertou nestes jovens a motivação para seguir na pós-graduação, mestrado e doutorado. Dos 13 mil alunos de graduação que passaram um ano no exterior pelo programa, que retornaram e concluíram o ensino superior no Brasil, 20% se tornaram alunos de pós-graduação.

Quando falamos dos alunos que não participaram do Ciência Sem Fronteiras, esse percentual é inferior a 5%, nas mesmas áreas de formação.

O programa priorizou áreas estratégicas para o país como ciências, tecnologias, engenharia, matemática, computação, informática, medicina e saúde. Com isso, o Ciência Sem Fronteiras impulsionou o país para a ciência, tecnologia e inovação, aumentando a produtividade, competitividade e preparando as bases da economia do conhecimento. Só na primeira fase do programa, enviamos 73,3 mil universitários brasileiros para o exterior. 

Eles participaram de 2.912 universidades de 54 países, sendo 182 das 200 melhores universidades do mundo.

Em tempos de crise, é até compreensível que o programa passe por ajustes, como a redução do escopo para melhoria da qualidade, a questão da oferta de bolsas parciais, ou até a busca de mais parcerias com a iniciativa privada, que deveria ter sido responsável 25% do financiamento do programa, apesar de algumas empresas não terem cumprido o acordado, enquanto estivemos na gestão.

Agora, acabar definitivamente com o programa é um retrocesso inaceitável. A crise exige ajustes, mas não desmontes e retrocessos que eles querem que permaneçam pelos próximos vinte anos, com a PEC do teto dos gastos sociais".



terça-feira, 26 de julho de 2016

Governo acaba com o Ciência Sem Fronteiras para cursos de graduação

Edição do dia 26/07/2016
26/07/2016 08h04 - Atualizado em 26/07/2016 10h38
Governo acaba com o Ciência Sem Fronteiras para cursos de graduação
Ministério avaliou que era caro e muitos alunos não estavam preparados. Se houver dinheiro, serão oferecidas bolsas de pós-graduação no exterior. 
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O governo confirmou o fim do Programa Ciências Sem Fronteiras para os alunos de graduação. A justificativa é o preço. Nem dinheiro em caixa é garantia da volta dessas bolsas, realmente agora vai dar uma parada pelo menos nos cursos de graduação.
A prioridade agora é outra. Se tiver dinheiro no ano que vem, será usado para bolsas na pós-graduação. O Ministério da Educação avaliou que era alto o custo para mandar alunos da graduação para o exterior e que muitos nem estavam preparados para estudar fora.
Foi uma experiência inesquecível. A Bia mostra, com o maior orgulho, as fotos do período em que passou em Glasgow, na Escócia. Ela estudava psicologia na Universidade de Brasília e foi selecionada para participar do Programa Ciência Sem Fronteiras.
“A gente cria uma rede de contatos no Brasil com esses outros inter cambistas também. A gente troca ideias, faz interfaces com a nossa área, cria ideias de pesquisas”, afirmou a psicóloga Beatriz Yamada.
Hoje, a psicóloga diz que valeu muito a pena, mas faz algumas críticas ao programa que, segundo ela, investe alto para mandar alunos para o exterior, mas não cobra quase nada no retorno.
“Acho que tem possibilidade da gente trazer de retorno para o Brasil o que a gente aprendeu lá e talvez formar um grupo mesmo, compartilhando essas experiências”, afirmou Yamada.
O programa começou em 2011 e já mandou mais de 100 mil alunos de graduação e pós-graduação para universidades no exterior. A maioria das bolsas, 65 mil, foi para estudantes que ainda estavam na faculdade. Ano passado e este ano já não teve seleção para novas bolsas. Por falta de recursos, foram mantidos apenas os alunos que já tinham sido selecionados antes e agora o programa deve mudar.
O governo diz que o Ciência Sem Fronteiras não acabou, mas como já não tinha mesmo previsão no orçamento deste ano para selecionar novos bolsistas, o Ministério da Educação decidiu fazer uma avaliação do programa. Chegou à conclusão de que custa muito caro para manter os alunos lá fora, principalmente os de graduação. Isso porque a maioria dos selecionados não tinha conhecimento suficiente de língua estrangeira para frequentar as aulas. Então primeiro tinham que passar alguns meses, lá fora, estudando a língua, antes de fazer as matérias específicas. Então a partir de agora, se tiver dinheiro no Orçamento do ano que vem para o programa, as bolsas vão ser só para alunos de pós-graduação.
A Capes, um dos órgãos do Ministério da Educação que concede as bolsas, diz que o custo médio de um bolsista de graduação no exterior é de R$ 100 mil por ano.
“Do ponto de vista do país, a gente tem que considerar, sim, a questão do custo benefício, porque nós temos outras carências, nós temos o ensino básico, que tem uma carência muito grande”, declarou o presidente substituto do Capes, Geraldo Nunes.
Ele explicou que, além disso, a vantagem dos bolsistas de pós-graduação é que normalmente eles publicam artigos em revistas estrangeiras importantes, o que conta muito para as universidades brasileiras.
O Pedro, estudante de engenharia de produção, que pretendia se candidatar a uma bolsa do programa ainda na faculdade, ficou frustrado.
“Um currículo com Ciência Sem Fronteiras é um peso a mais. Pessoal vai lá para fora, amigos meus que foram para Holanda e Bélgica, trabalham com logística e viram coisas que eu só vou ver lá no meu 10º semestre, nono semestre. Tecnologias completamente diferentes que a gente tem aqui. Vai para Europa trabalha com logística, vê uma malha ferroviária gigantesca, que a gente não tem essa disponibilidade de ir conhecer essas ferrovias. É uma pena”, afirmou o estudante Pedro Nascimento.

Quem já está no exterior não será atingido por essa decisão do governo. São cerca de 10 mil bolsistas. Eles vão continuar recebendo os pagamentos das bolsas até o fim do intercâmbio.