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quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

Temer paga Globo em campanha sobre intervenção militar


Temer paga Globo em campanha sobre intervenção militar
22/02/2018

Michel Temer resolveu abrir os cofres federais para as Organizações Globo, que tem adotado um discurso cada vez mais simpático ao governo; nesta quinta, 
Temer lançou no jornal da família Marinho uma campanha publicitária exaltando os benefícios da intervenção 
militar no Rio;

 embora a intervenção federal na Segurança Pública do estado mal tenha começado, peça diz que ação dos militares “vai tirar o Rio de Janeiro das mãos da violência”; 

no carnaval, os dois homens fortes da propaganda federal, Elsinho Mouco e Duílio Malfatti, se esbaldaram no camarote da revista Quem, da Globo, ao lado de Fred Kachar, principal executivo do grupo

Rio 247 – Enquanto tenta despistar suas intenções de vir a disputar a eleição, Michel Temer começa a fazer movimentos na construção de sua candidatura com ações típicas de quem terá o nome nas urnas em outubro.

Uma delas é o lançamento de uma campanha publicitária sobre a intervenção militar nos veículos de comunicação da Globo.
A publicidade, que despeja dinheiro público na Globo, afirma que a ação dos militares “vai tirar o Rio de Janeiro das mãos da violência”, embora a intervenção federal na Segurança Pública do estado mal tenha começado.
Nas últimas semanas, a rede Globo vem adotando um tom chapa branca e amistoso em relação a Michel Temer, provavelmente explicado pelo dinheiro público nos anúncios.

No carnaval, os dois homens fortes da propaganda federal, Elsinho Mouco e Duílio Malfatti, se esbaldaram no camarote da revista Quem, da Globo, ao lado de Fred Kachar, principal executivo do grupo mídia dos Marinho. 
Coincidência ou não, Luciano Huck, funcionário da Globo, desistiu de concorrer à presidência da República e Michel Temer anunciou a intervenção militar no Rio de Janeiro – medida apoiada pela Globo.
Parabéns para quem fechou essa página do @JornalOGlobo


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sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

O que Temer pretende com a intervenção militar no Rio de Janeiro


O que Temer pretende com a intervenção militar no Rio de Janeiro

16/02/2018
 

O jornalista Rodrigo Vianna, da Record escreve texto primoroso do que pode significar esse decreto de intervenção militar de Temer:

Diante do caos social provocado por Temer, direita traz Exército para as ruas: um AI-5 a conta gotas?

Muito importante esse movimento do governo Temer, de intervir na Segurança Pública do Rio de Janeiro.
 Na prática, é uma intervenção militar.  
A crise política assume assim novos contornos.

Por partes…

1) A intervenção federal, por lei, impede que nesse período seja votada qualquer alteração na Constituição. 
Com isso, Temer assume derrota na Previdência, que não poderá mais ser votada. 
Mas já oferece outra cenoura na frente do burro para o mercado e a direita: o discurso da ordem.

2) O fato do governador Pezao ter dado declarações estapafúrdias  (mostrando-se incapaz publicamente de deter escalada de violência) pode ter sido parte de uma estratégia combinada. 

Ele foi à reunião no Palácio que decidiu pela intervenção. E aceitou sem nenhum gesto de resistência. Estranho, no mínimo.

3) Rodrigo Maia, conservador na economia, mas um liberal nos costumes (e nem de longe um truculento no trato político), teria se oposto à medida extrema.
 Foi voto vencido. 
O que mostra que há uma linha dura no bloco de Temer – que é capaz de qualquer coisa daqui pra frente.

4) A meu ver, essa intervenção ajuda a criar “cultura política” para uma candidatura da ordem e da porrada – que não seria Bolsonaro, segundo planos da turma do palácio. 
Temer e a turma dele podem ganhar alguma simpatia dos setores à direita e transferir isso para o candidato que apoiarem. 
Esse nome não está ainda definido. 
Mas Alckmin tende a ganhar por WO no campo da direita, e encampar esse discurso. O provável “efeito colateral” é Bolsonaro se fortalecer.

Lembremos que bancos já começam a dialogar com ele, para a eventualidade de o discurso da ordem ser a única forma de enfrentar a eleição.

5) Os generais voltam a ter protagonismo político no país. 
Não me espantaria se um deles se aventurasse a uma candidatura (ao governo do Rio ou mesmo à presidência).

6) A meu ver, a esquerda deve denunciar o desmonte do estado e associar o caos no Rio ao liberalismo obtuso de Temer/PSDB/bancos – que destrói os instrumentos do Estado.

7) Devemos defender a ordem pública, mas com Democracia.
 E sem truculência. Devemos defender as comunidades que serão tratadas como “território inimigo” – espécie de Faixa de Gaza ocupada pelo Estado agora militarizado.

8) Contra o caos conservador e neoliberal, a ordem democrática é o único remédio. 
Não devemos abrir mão de também defender a ordem, essa bandeira não pode ficar com a extrema direita. Mas a ordem democrática.

9) Alguns analistas já apostam que o movimento de Temer desembocaria no cancelamento da eleição.
 Alguém lembrou, por exemplo, que o Ceará, governado pelo PT, foi o primeiro estado onde a OAB sugeriu intervenção federal há poucos dias.

10) A análise exposta no ponto 9 resume bem qual seria o provável “desejo” da ultradireita (com apoio dos EUA, sem dúvida nenhuma, e de setores do Exército com Etchegoyen à frente).

Mas entre desejo e fato há sempre uma distância.
Vamos ver se o lado de lá tem força pra impor essa agenda.

11) O Golpe de 2016 era (e é) baseado no “softpower” da toga e da mídia. 
Se virar “hardpower”, pode perder apoio do centro e até de certo “tucanismo paulista”.

12) Chegou a hora da onça beber água… A Dilma sempre disse (acertadamente) que perdemos o jogo em 2016 quando o centro se bandeou pra direita. 
Se a estrategia Etchegoyen avançar, o centro pode voltar pro nosso lado. 
Outra possibilidade é o centro (Alckmin/PSDB/Maia/DEM) assumir a estratégia da ordem e tentar se beneficiar dela eleitoralmente, isolando a esquerda.

13) Contra esse movimento extremado da direita conta uma onda que vem de baixo e ficou clara durante o Carnaval. 
O Rio está à beira de uma explosão e a política econômica tucana temerária aprofunda a crise social. 
Contra isso, só resta ao outro lado endurecer ainda mais o discurso da ordem. 
Eles terão apoio pra isso nas classes médias e altas.
 Mas e o povo que está à beira do desespero?

Vamos ver…

14) Os golpistas estão perdendo o controle “por baixo”… Essa onda Tuiuti mostra isso. 
O Sidney Resende (arguto jornalista do Rio, que circula no meio do samba e da cultura popular ) escreveu sobre isso ontem nas redes sociais. 
Está se criando uma onda de baixo pra cima. 
Com ou sem Lula na urna.
 Podemos assistir a algo parecido (mal comparando) com a eleição de 1974 (debaixo do AI-5, em silêncio,  o povo votou contra a ditadura)
É por isso que o golpismo está alvoroçado. 
Perderam a Previdência. 
Abriram mão. Agora resta o discurso da ordem e da porrada.

15) O desfile da Tuiuti, a invasão do Santos Dumont por bloco carnavalesco e as manifestações pró Lula no Carnaval podem ter sido uma espécie de Passeata dos Cem Mil de 2018. 
Lembremos que, para toda passeata dos Cem Mil, a direita pode sempre reagir com um AI-5. 
Ainda que ele venha a conta gotas.
 Não chegamos ainda a esse ponto.

Mas estamos à beira da implantação de um Estado militar-judicial: 
com a prisão provável do líder em todas as pesquisas e a militarização do cotidiano nas grandes cidades do país. 
O Rio é o laboratório para o golpe avançar para um patamar  mais autoritário. Ou para ser derrotado.

O Senador Roberto Requião, também faz uma análise um pouco diferente, afirmando que isso não passa de uma “jogada publicitária” de Temer:

 
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