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sábado, 23 de julho de 2016

Ministério Público investiga igreja por mensagem que sugere morte de gays

22/07/2016 19h49 - Atualizado em 22/07/2016 23h00
Ministério Público investiga igreja por mensagem que sugere morte de gays
Situação foi registrada em Porto de Sauípe, Litoral Norte da Bahia.
Caso foi denunciado ao órgão por um morador da localidade.
Do G1 BA
Igreja evangélica coloca placa com mensagem de que gays devem ser mortos (Foto: Ministério Público)
 Igreja evangélica exibe placa com mensagem que sugere
 morte de gays (Foto: Ministério Público)

O Ministério Público da Bahia (MP-BA) investiga uma denúncia contra uma igreja evangélica que fica em Porto de Sauípe, no Litoral Norte do estado, por conta de uma mensagem exposta na fachada do templo religioso, que sugere que gays devem ser mortos. "Se um homem tiver relacionamento com outro homem, os dois deverão ser mortos por causa desse ato nojento; eles serão responsáveis pela sua própria morte”, diz a mensagem.
Em contato com o G1 nesta sexta-feira (22), a promotora de Justiça e coordenadora do Centro de Apoio dos Direitos Humanos do MP-BA, Márcia Teixeira, disse que recebeu a denúncia de um morador da localidade. Para ela, a mensagem pode ser considerada uma incitação ao crime.
Outra placa, com a mensagem “Você é livre para fazer suas escolhas, mas não é livre para escolher as consequências”, foi colocada na frente da igreja e também será alvo de apuração do Ministério Público da Bahia, segundo informou a promotora.
O caso foi encaminhado ao promotor criminal responsável pela região, Dário Kist, que deve começar a apurar a situação a partir da segunda-feira (25). Conforme Márcia Teixeira, Kist vai analisar se um inquérito civil será ou não aberto contra o templo religioso.
 Igreja evangélica coloca placa com mensagem de que gays devem ser mortos (Foto: Ministério Público)
Igreja evangélica exibe placa com mensagem que sugere morte de gays
 (Foto: Ministério Público)

A igreja pertence à Congregação Batista Bíblica Salém. O pastor Milton França, que há seis anos coordena o local, disse que a placa possui apenas um trecho bíblico e que não incita a violência. Ele disse, ainda, que aguarda decisão da Justiça sobre o caso. "Eu fiz o que de errado? Onde está o meu erro? Eu transcrevi aqui. É a palavra de Deus", afirmou.
Ainda conforme a promotora Márcia Teixeira, estimular a violência é crime previsto no Código Penal, cuja pena varia de três a seis meses de prisão e multa. Além disso, segundo ela, cabe uma indenização coletiva à população local.
"Ainda tem uma pena pecuniária para que possa fazer uma campanha, uma cartilha, sobre os direitos LGBTs, sobre a dignidade da pessoa humana, sobre o respeito ao próxim. Isso, realmente, é muito grave. A liberdade religiosa, o direito à manifestação religiosa, não autoriza ninguém a fazer apologia ao crime", destacou a promotora.

[Acesse o catálogo de vídeos e assista às reportagens do BATV]

domingo, 17 de julho de 2016

Pastor justifica abuso contra a própria filha: “era só pra saber que era virgem”

02/FEB/2016 ÀS 12:04 Atualizado 17/07/2016
Pastor justifica abuso contra a própria filha: “era só pra saber que era virgem”
Líder religioso abusava sexualmente da própria filha quase que diariamente desde que ela tinha 14 anos. O pastor, que é dono de duas igrejas, alega que agia em nome de Deus e mantinha tais atos para comprovar a virgindade da adolescente. Às vezes, diante do choro da filha, ele parava e pedia perdão
pastor abusa filha virgem
Pastor abusou da própria filha durante três anos. Religioso
 alega que agia em ‘nome de Deus’ (Imagem: Bruno Barros)

Ele era pastor em duas igrejas e visto como um bom homem por seus fiéis. Mas dentro de casa era temido por uma das filhas, uma estudante de 17 anos.
A menina procurou a polícia para denunciar que há três anos era abusada sexualmente pelo próprio pai, 37 , que também atuava como taxista. O líder religioso foi preso durante um culto e confessou o crime.
O autor do crime não será identificado e a congregação da igreja não será revelada para preservar a identidade da vítima, menor de idade. As informações são do ESHoje.
O delegado Lorenzo Pazolini, responsável pela Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA), garante que o pastor realizava abusos sexuais no quarto da filha. “Nos primeiros dois anos ele permanecia com atos libidinosos, depois cometeu a conjunção carnal. A madrasta explicou que nunca tinha visto nada e nem desconfiava do marido”, comenta.
A polícia destaca que o homem cometia o abuso nos mesmos horários, diariamente, com agressão física e verbal. “O abuso sexual tornou-se rotineiro, quase diário. Às vezes diante do choro da filha ele parava e pedia perdão”, relata.
O agressor também é pai de uma criança de quatro, e um menino de 13 anos.
“Virgindade”
O pastor alega que mantinha tais atos para comprovar a virgindade da adolescente, já que suspeitava de um encontro com um rapaz. “Inicialmente era para atestar a virgindade, porque ela só poderia se casar na minha igreja se fosse virgem. Eu sei que fui errado, eu coloquei a mão nela, eu coloquei o dedo nela, mas sempre fui um bom pai”, prepondera o religioso.
A adolescente, exausta dos abusos, foi morar com uma amiga, a qual a ajudou a realizar a denúncia no dia 11 de janeiro deste ano. Na ocasião, o pai da vítima estava viajando para o Pará, local em que abriria outra igreja.
A equipe de policiais encontrou na residência do pastor, no município canela-verde, móveis em caixas. De acordo com o delegado Lorenzo Pazolini, essa pode ser uma suspeita de que ele poderia estar planejando uma fuga, já que desconfiava que seria denunciado pela filha.

Pazolini frisa que, antes, a menina morava com a avó paterna, no Pará, e mais tarde veio morar com o pai, com o qual viveu por oito anos. A mãe mora no Maranhão, mas não mantém contato. O pastor aguarda julgamento, em reclusão no Centro de Triagem de Viana (CTV), e, se condenado, pode continuar por lá por até mais 15 anos.