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sexta-feira, 20 de abril de 2018

Decisão da UE contra frango brasileiro deve provocar demissões e queda de preços no Brasil, diz associação de produtores


Decisão da UE contra frango brasileiro deve provocar demissões e queda de preços no Brasil, diz associação de produtores
Entidade questiona critério do teste sanitário e diz que ele é feito para forçar exportadores a pagar mais impostos e priorizar a carne local.

Por Marina Gazzoni, G1
19/04/2018 12h53  Atualizado 19/04/2018 14h00

Paraná é um dos líderes na produção nacional de frangos (Foto: Giuliano Gomes/PR Press)
Paraná é um dos líderes na produção nacional de frangos (Foto: Giuliano Gomes/PR Press)

Os produtores brasileiros de frango avaliam que a decisão da União Europeia de proibir frigoríficos brasileiros de exportar para a região vai provocar uma crise no setor. 

A expectativa é que ocorra um excesso de oferta no Brasil, o que levará à queda de preços no mercado interno e demissões nos frigoríficos
A avaliação é Ricardo Santin, vice-presidente de Mercados da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), entidade que representa produtores de frango e de suínos no país.

A UE proibiu 20 frigoríficos brasileiros de exportar para a União Europeia. 

A lista não foi divulgada, mas segundo a ABPA são 12 frigoríficos da BRF e outros 8 de outras empresas brasileiras.

A ABPA ainda está calculando o impacto dessa proibição nas exportações brasileiras para a Europa, mas segundo Santin isso deve afetar mais de 30% do volume exportado para o bloco.

"As consequências são as seguintes: 
vai faltar carne lá (Europa) e vai sobrar aqui. Com isso, o preço vai cair no mercado interno e disparar no externo", explicou.

O Brasil é o maior exportador de frango do mundo e a União Europeia é seu principal comprador. 

O bloco é responsável por 7,5% do frango vendido pelo país ao exterior, em toneladas, e 11% em receita, segundo dados da ABPA. Em 2017, o Brasil exportou US$ 775 milhões em frango para a União Europeia.
 Exportação de carne de frango do Brasil (Foto: Infografia: Juliane Monteiro/G1)
Exportação de carne de frango do Brasil (Foto: Infografia: Juliane Monteiro/G1

Segundo Santin, o mercado interno não tem condições de absorver o volume que deixará de ser exportado para a Europa e os frigoríficos vão ter de reduzir a produção.

suspensão temporária das exportações e as restrições impostos à Europa nos últimos meses já levaram frigoríficos brasileiros a darem férias coletivas para seus funcionários. 

Há um total de 15 mil trabalhadores nessa situação atualmente, de acordo com Santin.

"As férias coletivas podem virar desemprego. É triste ver que por um critério que é uma barreira comercial disfarçada vai ter gente perdendo emprego", afirmou.

Segundo a União Europeia, esses frigoríficos terão que "construir um histórico de conformidade com as normas da UE" para poder ser liberados para voltar a exportar. 
Fontes da UE disseram à TV Globo que a reabilitação dos frigoríficos pode levar anos.

Critério sanitário

O principal motivo que levou a União Europeia a bloquear as exportações de frigoríficos brasileiros foram problemas identificados em testes de qualidade, como a presença de salmonela acima do padrão europeu na carne brasileira exportada ao bloco.


 Isso porque maioria da carne brasileira exportada é crua, mas com adição de sal, categoria que paga um imposto menor do que se ela fosse vendida in natura (sem sal).

Segundo Santin, a maioria dos tipos de salmonela é aceita na carne crua, justamente porque a bactéria morre quando a carne é cozida. 

Há apenas dois tipos de salmonela que podem provocar problema à saúde humana se identificadas na carne.

"A UE faz os testes para a carne salgadas iguais ao de carne cozida. 

Tudo isso é feito não por motivos sanitários, mas para aumentar a compra de produto local e forçar os importados a venderem carne in natura - e pagar mais impostos", disse.

O critério é antigo, mas passou a ser cumprido com maior rigor após o início das investigações sobre os frigoríficos brasileiros após a operação Carne Fraca, deflagrada em março de 2017.

A realização do teste para a carne salgada é justamente o principal ponto que deve ser questionado pelo Brasil na Organização Mundial do Comércio (OMC), disse o representante dos produtores. 

Segundo ele, o questionamento é antigo, mas agora o governo brasileiro se mostrou solícito a ingressar na disputa contra a UE. 


Em 2017, o Brasil exportou 138 mil toneladas de carne salgada para os países da União Europeia, um volume de US$ 317 milhões. 

O preço médio da carne vendido a Europa foi de US$ 2.500 por tonelada, valores que subiram para US$ 4.000 este ano.

O Brasil tem uma cota de exportação para a Europa, de 170 mil toneladas por ano de carne salgada de aves. Há também cotas para os outros tipos de carne.



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sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

Bolsa Família: governo faz pente-fino para recuperar R$ 1,3 bilhão

Bolsa Família: governo faz pente-fino para recuperar R$ 1,3 bilhão
Auditoria aponta cerca de 345 mil fraudes em cadastros 
do programa
BRASIL  Giuliana Saringer, do R7
 Famílias declararam renda incorretamente
Famílias declararam renda incorretamenteJefferson Rudy/Agência 
Senado

A CGU (Controladoria-Geral da União) vai fazer um pente-fino para recuperar cerca de R$ 1,3 bilhão pagos em benefícios indevidos no programa Bolsa Família em um período de dois anos.

Auditoria feita em parceria com o MDS (Ministério do Desenvolvimento Social) e o Ministério da Transparência indica que cerca de 345,9 mil cadastros de famílias foram fraudados. 

Segundo o documento, existem "fortes indícios" de essas famílias "terem falseado a declaração da informação de renda no momento do cadastro".

O MDS vai instaurar processos administrativos para reaver o dinheiro. 

Segundo a pasta, os casos serão priorizados "de acordo com critérios de gravidade e relevância material".

Nas situações que a irregularidade ficar comprovada, as famílias podem ser submetidas a sanções legais, como a devolução do dinheiro que recebeu do programa e a impossibilidade de fazer um novo cadastro no Bolsa Família por um ano. 

O relatório aponta que estas famílias declararam a renda mensal incorretamente durante o cadastro no programa do governo federal. 

A maior parte dos cadastros fraudados se concentra na subdeclaração de renda que varia entre meio (R$ 477) e um salário mínimo (R$ 954) — são 296.940 casos. 

Outras 34.876 mil famílias subdeclararam entre um (R$ 954) e um e meio salário mínimo (R$ 1.431). 

As fraudes compreendidas entre um e meio (R$ 1.431) e dois salários mínimos (R$ 1.908) foram de 8.855, enquanto a subdeclaração maior do que dois salários mínimos (R$ 1.908) aconteceu no cadastro de 5.235 famílias. 


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segunda-feira, 1 de janeiro de 2018

Salário mínimo de R$ 954 entra em vigor

Salário mínimo de R$ 954 entra em vigor
01/01/2018 11h26publicação Brasília
Olga Bardawil - Repórter da Agência Brasil
Real-Moeda Nacional
O cálculo do salário mínimo é definido em leiMarcello Casal Jr/
Agência Brasil

O novo salário mínimo começa a valer hoje (1º). Decreto assinado pelo presidente na sexta-feira (29) fixa o seu valor em R$ 954, um aumento de R$ 17. É o menor reajuste do salário mínimo em 24 anos.

 O valor é inferior ao estimado anteriormente pelo governo, que era R$ 965.

O reajuste foi mais baixo porque a fórmula de correção leva em conta a variação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) do ano anterior, calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e o resultado do Produto Interno Bruto (PIB) de 
dois anos antes. 

Como o resultado do PIB de 2016 foi negativo, o reajuste do salário mínimo foi calculado apenas pelo INPC, estimado pelo governo em 1,81%.

Para o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, o novo valor do salário mínimo para 2018 foi determinado pela aplicação da lei, e não 
por escolha política.

“O salário mínimo basicamente está definido 
por lei. 

A questão é apenas como calcular exatamente a aplicação dos índices de inflação. Porque o salário mínimo é definido por crescimento do PIB e inflação.

 Então é meramente uma questão de definir esses itens”, disse Meirelles em outubro, ao participar de evento em São Paulo.

Cerca de 45 milhões de pessoas no Brasil recebem o salário mínimo, entre aposentados e pensionistas, cujos benefícios são, ao menos em parte, pagos pelo governo federal.

A atual fórmula de reajuste do salário mínimo foi criada em 2012, ainda no governo da então presidente Dilma Rousseff, e deve valer até 2019.

Como o reajuste ficou abaixo da estimativa anterior, o governo deve economizar cerca de R$ 3,3 bilhões em gastos este ano.

Edição: Juliana Andrade



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quinta-feira, 20 de abril de 2017

Lula: 'Eu sei cuidar do povo mais humilde, não é teoria, é prática'

20/4/2017 13:22
Lula: 'Eu sei cuidar do povo mais humilde, não é teoria, é prática'

 

Líder nas pesquisas de intenção de voto para a eleição presidencial de 2018, o ex-presidente Lula afirmou na manhã desta quinta-feira 20 que, se concorrer ao Palácio do Planalto, "vai ser para ganhar".

 As declarações foram feitas à rádio Fan FM, de Sergipe, e transmitida na página de Lula no Facebook.

"É muito cedo para a gente falar de pesquisa, porque ainda faltam praticamente dois anos para as eleições. A única coisa que eu tenho certeza é que se eu for candidato, eu vou querer lembrar a memória do povo do quanto ele foi feliz enquanto eu era presidente. 

Eu sei que se eu for candidato, eu tenho condições de ganhar as eleições porque eu sei cuidar das pessoas humildes. Não é teoria, é prática", disse.

"Se tem uma coisa que eu sei fazer na vida é cuidar das pessoas mais humildes, é incluir o pobre no orçamento", continuou Lula. 

O petista destacou ainda que "esse governo está destruindo a vida do brasileiro". "A renda está caindo, não tem emprego, e o que é pior... o povo não tem esperança".

"Eu já perdi a cota de eleições que eu tinha de perder, eu aprendi a ganhar. Se eu for candidato, é para ganhar", disse ainda o ex-presidente. Questionado sobre a possibilidade de firmar aliança com Ciro Gomes em uma chapa para 2018, Lula foi cauteloso: "É muito difícil dizer isso. O Ciro é candidato também, vamos esperar o tempo passar".

Lula condenou duramente as propostas do governo Michel Temer de reformas trabalhista e da Previdência. 

"É um crime contra os trabalhadores brasileiros o que estão fazendo com a Previdência nesse País. Eu tenho certeza que não vai passar [no Congresso]. Os trabalhadores não merecem ser castigados pelos erros do governo", criticou.

Sobre a reforma trabalhista, Lula defendeu que se faça mudanças na lei, mas não da forma como foi proposto. "Sempre achei que de tempos em tempos deve-se fazer uma adequação na legislação trabalhista, fazer algumas reformas. Mas isso tem que se fazer discutindo com os sindicatos, com os trabalhadores. 

É claro que essa lei pode precisar de um aperfeiçoamento, mas isso se faz discutindo com quem está no mundo do trabalho. 

Agora você rasgar tudo aquilo que os trabalhadores conquistaram no século XX e não propõe nada para eles... isso é um atentado contra as conquistas dos trabalhadores. Um grande equívoco 
do governo".

A respeito da Lava Jato, Lula defendeu que "o Brasil precisa acabar com a corrupção". 

"O que não dá é a pirotecnia da operação", criticou. "O que eu tiver que falar, o que eu penso, eu vou falar dia 3", afirmou, em relação ao depoimento que prestará ao juiz Sergio Moro 
em Curitiba. 

"Porque eu não tenho que provar minha inocência, eles é que têm que provar que eu tenho culpa. Porque até agora já encontraram conta de 'nego' na Suíça... e eu duvido que eles encontrem 50 centavos meus em qualquer lugar do mundo. 

A Globo vai ter que provar se tem apartamento meu, se tem conta minha. Porque já apareceram as contas dos candidatos deles", alfinetou.


Fonte: Brasil247