Lula afirma
inocência e diz que se for preso o Brasil terá que arcar com o que acontecerá
02/03/2018
Em entrevista
exclusiva à AFP, Lula disse também estar preparando uma nova carta ao povo
brasileiro, que deve ser divulgada em alguns dias
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva admitiu, em entrevista
exclusiva à AFP na
tarde desta quinta-feira (1), que a ideia de ser preso
“passa todos os dias”
por sua cabeça, mas garantiu não ter medo por ser inocente.
Ele reafirmou o
desejo de concorrer às eleições presidenciais de outubro e ainda garantiu
ganhar no primeiro turno.
Sobre a sua prisão, Lula foi enfático:
“A única preocupação que
eu tenho nesse momento é tentar mostrar minha inocência.
Se eles resolverem me
condenar e me prender, eles estarão condenando um inocente, prendendo um
inocente. Isso tem um preço histórico.
Se querem tomar essa decisão, vão arcar
com a responsabilidade do que vai acontecer no país.
Por isso é que eu durmo
tranquilo.
E
repetiu que não vai fugir, pedir asilo e nem se matar:
“Não vou para nenhuma
embaixada, não peço asilo político, não vou me esconder, não vou me matar.
Eu
vou brigar.
A única coisa que me motiva é brigar, porque eu tenho uma única
coisa para defender, que é minha inocência”.
Lula disse que a prisão passa todo dia pela sua cabeça.
“Eu não
tenho problema. O problema é que eu não tenho medo e não estou preocupado.
(…)
Toda história tem consequências.
Uma prisão pode durar muito tempo, como a de
(Nelson) Mandela, que durou 27 anos, ou pode durar muito pouco tempo, como a de
(Mahatma) Gandhi”.
O
ex-presidente foi condenado a 12 anos e um mês de prisão por corrupção e
lavagem de dinheiro pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4).
Ele
garante, entretanto, que todas as acusações foram montadas para desmoralizar
sua candidatura e impedir a volta do Partido dos Trabalhadores (PT) ao poder.
Atualmente,
ele tenta conseguir um habeas corpus no Superior Tribunal de Justiça (STJ) para
impedir sua prisão quando se esgotarem seus recursos no TRF-4.
Contudo, a
Justiça eleitoral ainda pode torná-lo inelegível.
Lula disse
também estar preparando uma nova carta ao povo brasileiro, que deve ser
divulgada em alguns dias:
“Eu quero fazer
uma carta ao povo brasileiro para o povo brasileiro. É uma carta assumindo o
compromisso com o povo, o que é o que eu quero fazer neste país
(…)
É possível
fazer as coisas diferente do que está sendo feito.
Você não tem que vender
patrimônio público.
Você não tem que fazer corte na educação, na saúde, nas
ciências e na tecnologia para poder equilibrar as finanças públicas.
Essa carta
estou trabalhando com muito carinho porque ela vai ser a base inclusive do
programa de governo que a gente está fazendo.
Eu penso que mais alguns dias,
quem sabe uns quinze dias
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O juiz Sergio Moro, da Lava Jato, foi alvo de
um protesto no local onde fez uma palestra nesta sexta-feira 2 em Nova York.
Os manifestantes, que enfrentaram chuva e neve para
protestar, gritavam em inglês que Moro
“vende sentenças” e listavam benefícios
de seu cargo no Brasil, como o auxílio-moradia, segundo relatos do repórter
Silas Martí, da Folha de S.Paulo.
Um cartaz com um retrato de Lula
dizia que o ex-presidente é inocente e outro afirmava que a decisão do
magistrado no caso do tríplex – de condenação contra Lula – “envergonhou o
Brasil”.
Moro chegou antes do início do protesto, que ocorreu na porta
da Americas Society, o think-tank que organizou o evento sobre corrupção na
América Latina.
Em sua fala, Moro disse, sem citar Lula diretamente, que “as
pessoas têm ilusões sobre alguns ídolos, mas é hora de verem a verdade”.
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O
Tribunal de Justiça de São Paulo ratificou, nesta quinta-feira (1º), a
absolvição do ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto e mais quatro pessoas, em
ação sobre supostos desvios da Cooperativa Habitacional dos Bancários
(Bancoop).
Também foram absolvidos Ana Maria Érnica, Tomás Edson Botelho Fraga,
Leticya Achur Antonio e Henir Rodrigues de Oliveira.
Vaccari foi diretor
administrativo e financeiro da cooperativa e responde a outros processos.
O
ex-tesoureiro já havia sido inocentado em primeira instância e o Ministério
Público apelou, mas o TJ recusou a apelação, confirmando a decisão.
O processo estava na fase da sentença desde o início do ano.
O
promotor José Carlos Blat, autor da denúncia, responsabilizou a defesa pela
demora.
Blat é o mesmo promotor que apresentou em março, junto com outros dois
colegas, uma nova denúncia relacionando a Bancoop ao triplex no Guarujá, que
seria do ex-presidente Lula.
Segundo eles, a posse do imóvel seria um
“tentáculo” das irregularidades na cooperativa dos bancários.
O
caso acabou fatiado, a contragosto dos promotores:
os trechos contra Lula, seu
filho Fábio Luís e a ex-primeira-dama Marisa Letícia ficaram nas mãos do juiz
federal Sergio Moro, enquanto as acusações contra Vaccari Neto, o ex-presidente
da construtora OAS José Adelmário Pinheiro e outras dez pessoas
continuaram em São Paulo, com a juíza Maria Priscilla Veiga Oliveira, da 4ª
Vara Criminal.
O desenrolar mostra uma falta de sintonia do judiciário, pois,
enquanto o TJ absolve, Moro condena o mesmo caso.
Defesa
de Vaccari
De
acordo com a defesa de Vaccari, durante o “processo ficou demonstrado que o Sr.
Vaccari, à frente da Bancoop, saneou a cooperativa e viabilizou a entrega dos
apartamentos aos cooperados, inclusive por meio de acordos com o Ministério
Público, homologados pelo Judiciário”.
“O TJSP
bem decidiu este processo, pois ao rejeitar este recurso, confirmando a
absolvição do Sr. Vaccari, fez justiça à luz dos elementos constantes dos
autos, pois o Sr. Vaccari é inocente”, diz o texto.
O Ministério Público afirmou
que vai tomar conhecimento do acórdão para depois se pronunciar.
Ele tinha sido denunciado pelos crimes de formação de
quadrilha, estelionato, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro.
A juíza
Cristina Ribeiro Leite Balbone Costa, da 5ª Vara Criminal, afirmou em sua
decisão, de novembro de 2016, que alguns fatos descritos na denúncia não foram
demonstrados.
“Desde logo se assenta que não foi especificado qual a
informação omitida, nem quais os balanços e muito menos quais seriam as
‘contas, balanços e outro documentos’ que constituiriam a própria materialidade
do pretenso delito”, escreveu a magistrada, referindo-se a uma das acusações
(falsidade ideológica).
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O principal
palestrante, o juiz Sergio Moro, da Operação Lava Jato, será em seguida nomeado
homem do ano em outro evento especial patrocinado pelas maiores instituições
bancárias.
Este artigo publicado
pela Brazil Wire em
28 de janeiro deste ano explica a história dos EUA na “guerra contra a
corrupção”, na qual a AS/COA atuou como uma agência de relações públicas, em
parte através de sua revista, a Americas
Quarterly, autodenominada “diário de políticas para o Hemisfério
Ocidental”, mas também via outros de seus tentáculos, que se estendem à
política, judiciário, mídia e academia.
A
organização AS/COA, além de suas conexões com o governo dos EUA – organiza um
evento anual no próprio Departamento de Estado –, é a editora da Americas Quarterly e
abriga não somente os principais bancos, corporações extrativistas e gigantes
do setor de tecnologia, mas também as mais importantes plataformas para a
divulgação dos interesses de seus clientes na América Latina, como a Bloomberg.
Tem, ainda, ligações com importantes agências de notícias como a
Reuters. Sua própria Americas
Quarterly ridiculamente se apresenta como
“a América Latina real, e
não a que você vê no Twitter”, o que é irônico, considerando não apenas que
seus funcionários são extremamente ativos na plataforma, mas pelo fato de o
próprio Twitter ser membro corporativo do Council of the Americas (COA).
Sua
presidente e CEO Susan Segal, chamada por alguns como “a mulher mais influente
das Américas”, sustenta comandar uma organização hemisférica, que pretende
expandir-se ainda mais, triplicando seu alcance na próxima década.
É um estudo
sobre como políticos, políticas e a própria democracia são capturados através
de relações diretas e incentivos do poder corporativo transnacional.
Brian
Winter, atual editor-chefe da Americas
Quarterly e vice-presidente de políticas da AS/COA, escreve
também para agências de notícias como a Newsweek & CNN na qualidade de
especialista em Brasil.
Outros funcionários do COA são convidados pelas redes
de notícias para discutirem política latinoamericana, como se fossem
observadores neutros.
Em
agosto de 2016, por ocasião do golpe que afastou Dilma Rousseff, Brian previu
que a vitória da equipe brasileira de futebol nas Olimpíadas do Rio poderia ser
um momento catártico, permitindo que o país seguisse adiante frente à crise
política e econômica pela qual passava.
Naquela mesma época, os manifestantes antigolpe
enfrentavam uma brutal repressão da Polícia Militar.
Brian,
que já havia atuado como ghost writer de biografias de líderes alinhados aos
EUA, como Avaro Uribe, da Colômbia, e o próprio Fernando Henrique Cardoso,
trocou a Reuters Brasil pela AS/COA em 2015, com o golpe já em andamento,
algumas
semanas depois de censurar o papel de Fernando Henrique no
escândalo de corrupção da Petrobras – envolvimento que precedeu a presidência
de Lula.
Seus colegas insistiram que sua saída era uma simples coincidência.
Apesar
das constantes manobras públicas de seus editores, a AQ é
a plataforma mais evidente do modelo narrativa do Norte para a América Latina.
Originalmente
chamado de “Grupo Empresarial para a América Latina”, a COA foi criado por
David Rockefeller, então presidente do Chase Manhattan Bank, a pedido do
presidente Kennedy, nos anos que se seguiram à Revolução Cubana em 1959, para
ajudar a combater a propagação dos governos de esquerda no hemisfério.
Rockefeller
permaneceu na liderança do grupo até sua morte em 2017.
Outros funcionários
notáveis incluem o ex-Secretário de Estado dos EUA, primeiro Diretor de
Inteligência Nacional, conspirador-chave do fracassado golpe da Venezuela de
2002 e supervisor de crimes de guerra na América Central, John D. Negroponte.
O
slogan da Americas Society/Council of the Americas é “unir líderes de opinião
para trocar idéias e criar soluções para os desafios das Américas hoje”.
Sua
biografia online afirma: “A Americas Society (AS) é o principal fórum dedicado
à educação, debate e diálogo nas Américas”.
Sua missão é “promover uma
compreensão das questões políticas, sociais e econômicas contemporâneas
enfrentadas pela América Latina, o Caribe e o Canadá, e aumentar a
conscientização pública e a valorização da diversidade do patrimônio cultural
da região e a importância do intercâmbio interamericano”.
“OCouncil of the Americas (COA) é a principal organização
empresarial internacional cujos membros compartilham um compromisso comum com o
desenvolvimento econômico e social, os mercados abertos, o Estado de Direito e
a democracia em todo o Hemisfério Ocidental.
Os membros do Conselho são
constituídos por empresas líderes internacionais, que representam um amplo
espectro de setores, incluindo bancos e finanças, serviços de consultoria,
produtos de consumo, energia e mineração, indústria, mídia, tecnologia e transportes”.
A organização se baseia na “crença fundamental de que os mercados
livres e a iniciativa privada oferecem o meio mais eficaz para alcançar o
crescimento econômico regional e a prosperidade”.
A adesão ao COA cresceu para
mais de 200 empresas, que respondem pela maioria do investimento privado dos
EUA na América Latina.
O COA acolhe presidentes, ministros, chefes de bancos
centrais, funcionários do governo e especialistas em economia, política,
negócios e finanças, o que lhe dá acesso exclusivo a informação sobre a região.
O
COA defende acordos de livre comércio e tem sido fundamental na concepção do
Acordo de Livre Comércio da América do Norte (NAFTA) e do Tratado
de Livre Comércio entre Estados Unidos, América Central e República Dominicana (CAFTA)…
além da área de livre comércio das Americas (Free Trade Area of the Americas –
FTAA), ainda a ser implementada – uma antiga e duradoura ambição do próprio
David Rockefeller.
A
elite do COA inclui: Bloomberg, Blackrock, Bank of America, Barings, Barrick
Gold Corporation, Boeing, Bombardier, Banco Bradesco, Banco do Brasil, Banco
Santander, Cisco, Citigroup, Coca Cola, ExxonMobil, Ford, General Electric,
General Motors Google, Itaú Unibanco, IBM, Johnson & Johnson, JP Morgan
Chase, Lockheed Martin, McDonalds, Moody’s, Morgan Stanley, Microsoft, News Corp
/ Fox, Pearson, Pfizer, Philip Morris, Raytheon, Shell, Television Association
Of Programmers Latin America (Associação de Programadores de TV da América
Latina), Time Warner/Turner,
Toyota, Viacom, Wal-Mart.
Uma
das empresas sucessoras da Standard Oil, a Chevron Corporation, é listada como
Patron Corporate Member (Membro Corporativo Benfeitor), e há tempos tem
especial interesse em quem governa o Brasil.
Em 2010, a Chevron foi
desmascarada ao recrutar jornalistas para espionar a América Latina.
Os membros do Council of the Americas muito se beneficiaram do
golpe de Estado de 2016 no Brasil.
Os mercados estarão assistindo muito de
perto as eleições presidenciais do país deste ano, prevê a Bloomberg, membro do
COA, quando os eleitores do país terãoseus votos contados pela
Smartmatic, membro do COA.
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