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domingo, 29 de janeiro de 2017

Especialistas alertam para os perigos desconhecidos das tatuagens

Especialistas alertam para os perigos desconhecidos das tatuagens
Muitos tatuados sofrem reações adversas sem saber o motivo devido à falta de estudos sobre o nível tóxico das novas tinta
JAVIER SALAS  16 SET 2015 - 00:58 CEST atualizado em 30/01/2017
 

A arte da tatuagem evoluiu muito desde que Ötzi, o homem do gelo, se tatuou há 5.000 anos

Infelizmente, o conhecimento sobre as tintas utilizadas não avançou tanto quanto a sofisticação dos desenhos. Na verdade, pode-se dizer que nos tatuamos cegamente, sem conhecer os ingredientes que são injetados ou por que causam rejeição e reações adversas de todos os tipos nos tatuados. 

O alerta foi feito por um grupo internacional de especialistas na revista médica The Lancet, chamando a atenção das autoridades, tatuadores e dos cidadãos sobre o risco para a saúde representado por não se saber exatamente o que está causando esses efeitos colaterais na população e, principalmente, o que pode acontecer no longo prazo.

Especialistas alertam que o maior problema pode surgir a longo prazo, já que não se sabe ao certo como as tintas interagem com o organismo

Entre 1% e 5% de todas as tatuagens que são feitas hoje têm provocado infecções bacterianas, embora existam muitos outros problemas: desde úlceras localizadas no desenho até casos graves que afetam todo o organismo, além de reações alérgicas e inflamações. 

Um estudo da Alemanha publicado em 2010 constatou que 67,5% das pessoas tatuadas revelaram ter experimentado alguma complicação e, em 6% dos casos, o problema havia se tornado permanente. No entanto, apenas os casos mais graves acabam no consultório médico, por isso o perigo continua oculto.

Por exemplo, sabe-se que as tatuagens que usam tintas coloridas provocam mais problemas, especialmente o vermelho, que gera mais reações alérgicas do que as outras cores. No entanto, os especialistas desconhecem as razões. 

"A ausência de testes de alergia confiáveis para as cores das tatuagens continua sendo um problema premente. Principalmente porque essas alergias causam não apenas sérias complicações, mas também uma sensibilidade a corantes têxteis”, 

dizem os autores da pesquisa, coordenada por Andreas Luch, do Instituto Federal da Alemanha para a Avaliação de Riscos.

O vermelho é o corante que provoca mais alergias, mas nenhum dos estudos realizados conseguiu identificar o motivo

"[As] tintas e pigmentos utilizados tradicionalmente estão sendo substituídos por corantes que nunca foram usados antes. Essa evolução coincide com o aumento de relatos de reações adversas", alertam os especialistas, “e, portanto, representa um desafio para a avaliação e regulamentação do risco das tintas de tatuagem em todo o mundo". 

Os autores do artigo alertam que as tintas utilizadas atualmente não têm nada a ver com as do passado e que "nenhuma" foi avaliada do ponto de vista toxicológico para sua aplicação sob a pele humana.

"Os pigmentos foram elaborados principalmente para uso industrial, não para aplicá-los nas pessoas", afirmam.

Até alguns anos atrás, os problemas de saúde relacionados com as tatuagens tinham mais a ver com a higiene e as infecções por causa das condições precárias dos estabelecimentos e práticas comuns como umedecer a agulha com saliva. 

Com a popularização dessa prática e a introdução de rígidas normas de higiene e de saúde, esse problema foi resolvido. Mas a falta de regulamentação dos produtos usados nos desenhos sob a pele está causando novos problemas. 

Os especialistas alertam que o maior problema pode surgir a longo prazo, já que não se sabe ao certo como as tintas interagem com o organismo e, em muitos casos, tem-se observado que as reações demoram meses para surgir ou mesmo anos. 

"Embora as razões exatas ainda não tenham sido elucidadas, essas complicações tardias são um exemplo de um problema muito maior: o depósito intradérmico dos pigmentos da tatuagem representa uma exposição para toda a vida", dizem os especialistas.

Na Europa, pelo menos 100 milhões de pessoas têm uma tatuagem, mas as autoridades não regulamentam os corantes utilizados

Um estudo realizado por autoridades suíças entre 2008 e 2013 sobre tintas de tatuagem encontrou 39 corantes orgânicos diferentes, sendo que nenhum tinha sido testado para uso em contato com a pele humana, embora o uso desses produtos tivesse se generalizado no período. 

As novas tintas, juntamente com os corantes, contêm metais pesados, e o estudo dessa composição revelou titânio, alumínio, cobre, cobalto, chumbo e cádmio, entre outros. 

Além disso, as nanopartículas de óxidos de alumínio e de titânio são usadas, por exemplo, para criar efeitos e brilho nas tatuagens. Ainda não existem estudos de como esses coquetéis atuam sob a pele.

Esses desenhos podem gerar várias reações alérgicas, que geralmente se desenvolvem lentamente. Por isso, a impressão dos especialistas é que essas reações nem sempre resultam dos elementos do corante, mas que os alérgenos são formados no interior da pele ao metabolizá-lo. 

O vermelho é o corante que provoca mais alergias, mas nenhum dos estudos realizados conseguiu identificar o motivo. Outros estudos revelam que até 20% das amostras de tinta estavam contaminadas com bactérias, quer no processo de fabricação ou pela utilização de água contaminada ao serem diluídas.

Na Europa, pelo menos 100 milhões de pessoas têm uma tatuagem, mas as autoridades não regulamentam os corantes utilizados. Vários países pediram que a Comissão Europeia tome medidas, já que atualmente esses produtos não são considerados nem cosméticos nem medicamentos para que possam ser regulamentados. 

A Comissão destaca que, desde 2010, os países da UE têm adotado uma série de medidas contra essas tintas por apresentarem riscos graves para os consumidores: a Dinamarca e a Áustria já proibiram a importação de algumas tintas com elementos tóxicos, segundo o site Chemical Watch; 70% dos corantes utilizados na UE são provenientes dos EUA, onde esses produtos tampouco são analisados.

"São necessárias medidas internacionais urgentes para a proteção dos consumidores", alerta o estudo. 

E os especialistas acrescentam: "Embora a indústria necessite obedecer a regulamentação existente e adotar uma postura mais proativa sobre a segurança das tatuagens, reguladores e cientistas têm a responsabilidade de avaliar os possíveis riscos das tatuagens.

O ideal seria que essas avaliações dessem lugar à aprovação de substâncias que são seguras para a aplicação intradérmica até uma dose definida".





sexta-feira, 2 de setembro de 2016

Furacão Hermine desperta novos temores sobre zika

MUNDO02/09/2016 15:32
Furacão Hermine desperta novos temores sobre zika
 Furacão Hermine tocou a terra firme da Florida na madrugada desta sexta-feira.
Furacão Hermine: "É incrivelmente importante que todos façam sua
 parte para combater o zika vírus acabando com a água estagnada"

Da REUTERS

Tampa - O furacão Hermine passou pela Flórida causando destruição nesta sexta-feira, quando deixou 253 mil consumidores sem eletricidade, inundou áreas baixas e despertou temores de uma disseminação de zika vírus nas poças de água.
Primeiro furacão a atingir o território da Flórida em mais de uma década, o Hermine chegou às praias do Estado norte-americano no início desta sexta-feira perto da St. Marks, 30 quilômetros ao sul da capital Tallahassee, com ventos de 130 quilômetros por hora e desencadeando uma onda de tempestades devastadora nas áreas costeiras.
O furacão deve prejudicar o trânsito no feriado do Dia do Trabalho norte-americano, que cai na primeira segunda-feira de setembro, depois de afetar a indústria turística de 89 bilhões de dólares da Flórida.
A Geórgia foi poupada dos estragos que esperava quando colocou 56 condados em estado de emergência, mas 85 mil casas e empresas ficaram sem energia devido às linhas de transmissão e árvores derrubadas.
"Estamos dando um certo suspiro de alívio", disse Jim Butterworth, diretor da Agência de Gerenciamento de Emergências da Geórgia.
Embora seus ventos tenham diminuído para 80 quilômetros por hora, a tempestade seguiu para o nordeste, rumo à costa atlântica, percorrendo um trajeto onde moram dezenas de milhões de norte-americanos e provocando avisos de tempestade e alertas até Rhode Island, informou o Centro Nacional de Furacões (NHC).
O Hermine pode ganhar força novamente no oceano e causar até 38 centímetros de chuva em Estados do sudeste e do Atlântico central nas próximas 48 horas, também sendo possível que cause uma precipitação intensa no litoral de Delaware e Nova Jersey a partir da noite de sábado, disse o NHC.
"Existe a possibilidade de inundações com risco de morte durante as próximas 48 horas na maioria das localidades costeiras entre a fronteira da Carolina do Norte/Virgínia e Bridgeport, no Connecticut", afirmou o centro.
Na Flórida, as preocupações com a água estagnada, onde os mosquitos procriam, se intensificaram no momento em que o Estado combate um surto de zika vírus.
"É incrivelmente importante que todos façam sua parte para combater o zika vírus acabando com a água estagnada, não importa se pouca", disse o governador da Flórida, Rick Scott, em uma coletiva de imprensa, também alertando as pessoas para ficarem de olho em linhas de transmissão caídas e evitarem dirigir em poças de água estagnada.

Surgiram 47 casos de zika em pessoas que se suspeita terem contraído o vírus de mosquitos locais, de acordo com o Departamento de Saúde da Flórida. Acredita-se que a transmissão ativa só está ocorrendo em duas áreas pequenas nos arredores de Miami.

domingo, 17 de julho de 2016

Para ministro da Saúde, pacientes imaginam doenças

16/07/2016 08:30
Para ministro da Saúde, pacientes imaginam doenças
Ricardo Barros: "A maioria das pessoas chega ao posto de saúde ou ao atendimento primário com efeitos psicossomáticos"
Fabiana Cambricoli, doEstadão Conteúdo
Ricardo Barros, novo ministro da saúde, do PP
São Paulo - O ministro da Saúde, Ricardo Barros, disse nesta sexta-feira (15) que a maioria dos pacientes que procuram atendimento em unidades de atenção básica da rede pública apenas "imagina" estar doente, mas não está.
De acordo com o ministro, é "cultura do brasileiro" só achar que foi bem atendido quando passa por exames ou recebe prescrição de medicamentos e esse suposto "hábito" estaria levando a gastos desnecessários no Sistema Único de Saúde (SUS). Entidades médicas criticaram a fala de Barros.
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"A maioria das pessoas chega ao posto de saúde ou ao atendimento primário com efeitos psicossomáticos. Por que 50% dos exames laboratoriais não são retirados pelos interessados? Por que 80% dão resultado normal? Porque foram pedidos sem necessidade", disse o ministro, na manhã de ontem (15), em evento na sede da Associação Médica Brasileira (AMB), em São Paulo.
Barros disse que a população costuma associar uma boa consulta à solicitação de exames e defendeu que os médicos ajudem a mudar esse pensamento. "Se (o paciente) não sair ou com receita ou com pedido de exame, ele acha que não foi ‘consultado’. Isso é uma cultura do povo, mas acho que todos nós temos de ajudar a mudar, porque isso não é compatível com os recursos que temos", declarou.
"Não temos dinheiro para ficar fazendo exames e dando medicamentos que não são necessários só para satisfazer as pessoas, para elas acharem que saíram bem atendidas do postinho de saúde."
O ministro defendeu que os médicos façam uma investigação mais criteriosa do paciente, antes de solicitar exames ou prescrever remédios. "O médico tem de apalpar o cliente, fazer anamnese, tem de conversar com a pessoa", afirmou.
Críticas
Representantes de entidades médicas discordaram da afirmação de Barros de que a maioria da população procura postos de saúde sem estar, de fato, doente.
"De maneira geral, qualquer unidade de saúde terá 70% dos exames com resultado normal. Isso acontece porque o paciente não é bem examinado, não é bem interrogado, e são solicitados os exames errados. Ou então, na rede pública, o exame demora tanto para ficar pronto que, até lá, o paciente já sarou e não vai retirar o resultado", diz Antonio Carlos Lopes, presidente da Sociedade Brasileira de Clínica Médica.
Ele afirma que a solicitação de exames desnecessários está relacionada a falhas na formação ou na postura do médico. "O paciente não tem culpa nisso. A maioria tem queixa real, que não é devidamente valorizada pelo médico", afirmou.
Presidente da Associação Médica Brasileira (AMB), Florentino Cardoso afirmou que o paciente nem tem o poder de escolher se quer fazer exames ou tomar remédios e é preciso avaliar melhor os dados informados pelo ministro antes de qualquer conclusão.

"O julgamento do que o doente precisa é médico. Às vezes está lá que o doente não foi pegar (o resultado do exame), mas o doente ou o médico viram na internet. Precisamos saber quais lugares têm essa população de pacientes atendidos com exames normais ou que não foram buscá-lo. Porque, senão, fica algo jogado no ar." As informações são do jornal O Estado de S. Paulo