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quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

Há um rio de ferro que corre cada vez mais depressa no interior da Terra

Há um rio de ferro que corre cada vez mais depressa no interior da Terra
Três satélites europeus têm observado o campo magnético terrestre nos últimos três anos, para detectarem todas as suas mudanças e “verem” como é que este escudo invisível do planeta está a ser gerado no seu interior. Agora fizeram a sua primeira grande descoberta.
TERESA FIRMINO   27 de Dezembro de 2016, 8:31
 Ilustração do campo magnético da Terra, um escudo que nos protege da radiação cósmica e das partículas electricamente carregadas emitidas pelo Sol
Ilustração do campo magnético da Terra, um escudo que nos 
protege da radiação cósmica e das partículas electricamente 
carregadas emitidas pelo Sol ESA/ATG MEDIALAB

Por baixo da Sibéria e do Alasca, bem no interior da Terra, está a correr um rio de ferro líquido. Vai em direcção a oeste e move-se cada vez mais depressa – uma descoberta feita graças às observações de três satélites lançados em 2013 pela Agência Espacial Europeia (ESA).

Esse rio encontra-se no núcleo externo da Terra, rico em ferro e níquel, a cerca de 3000 quilómetros de profundidade. 

O nosso planeta tem 12.700 quilómetros de diâmetro e é composto por camadas: a seguir à crosta e ao manto está o núcleo externo e, depois, o interno. Enquanto o núcleo interno é sólido, indo dos 5100 quilómetros de profundidade até ao centro da Terra, o núcleo externo é líquido e vai dos 2900 quilómetros até aos 5100. 

Este líquido, superquente e em movimento, gera correntes eléctricas que, por sua vez, criam o campo magnético do planeta.
 PÚBLICO -
Ilustração da corrente de ferro derretido no núcleo externo da 
Terra e da constelação de satélites que a descobriu ESA

Ora o campo magnético da Terra muda constantemente. Além disso, não há muitas maneiras de olhar para o interior profundo da Terra – as medições do campo magnético são uma dessas maneiras (as ondas sísmicas são outra). 

Ao registarem-se pormenorizadamente as mudanças do campo magnético é então possível inferir como é que o ferro se está a movimentar no interior do planeta.

Por isso, a ESA lançou três satélites gémeos – na missão Swarm e que custará cerca de 230 milhões de euros – para fazer medições muito rigorosas do campo magnético terrestre e destrinçar todas as fontes que contribuem para ele.

Ainda que a fonte principal seja o núcleo externo, há outras mais, como rochas magnetizadas presentes na crosta terrestre e a ionosfera, uma das camadas exteriores da atmosfera. 

O campo magnético do planeta é o resultado da contribuição de diversas fontes, formando um escudo que nos protege da radiação cósmica e de partículas electricamente carregadas emitidas pelo Sol, e que são perigosas para nós e para as telecomunicações, por exemplo. 

“As medições precisas dos satélites da constelação Swarm vão permitir separar as diferentes fontes de magnetismo, tornando mais claro o contributo do núcleo”, explica a ESA em comunicado.

Foram as medições dos satélites Swarm que permitiram descobrir o rio de ferro na região do Pólo Norte, cujos materiais derretidos não só se deslocam mais depressa do que aqueles que estão à sua volta como o fazem cada vez mais depressa. 

Publicados num artigo científico na revista Nature Geoscience, por investigadores da Universidade de Leeds (no Reino Unido) e da Universidade Técnica da Dinamarca, os resultados das observações indicam que o ferro por baixo da Sibéria e do Alasca está agora a andar 45 quilómetros por ano, ou seja, cerca de cinco metros por hora. 
E que esta velocidade triplicou nos últimos 15 anos.

“Pode parecer que 45 quilómetros por ano não é muito. Mas nunca vimos nada mover-se tão depressa no interior da Terra”, sublinha Christopher Finlay, investigador da Universidade Técnica da Dinamarca e que está envolvido no projecto Swarm. “E é três vezes mais rápido do que tudo o resto no núcleo da Terra”, acrescenta o investigador, citado num comunicado da sua universidade.

Este rio tem cerca de 420 quilómetros de largura, estende-se por 7000 quilómetros de comprimento e é provável que vá até aos 5000 quilómetros de profundidade. 

Os cientistas comparam-no a um fenómeno existente na atmosfera a grande altitude – as correntes de jacto, que são correntes estreitas de vento forte e que corre de forma quase horizontal. 

“É uma descoberta fascinante. É a primeira vez que vimos esta corrente de jacto de forma tão clara”, diz Christopher Finlay, referindo-se ao ferro líquido. 

“Esta corrente de jacto pode ser importante no dínamo que gera o campo magnético da Terra. Também pode estar a causar mudanças na taxa de rotação do núcleo interno da Terra. Ao compreendermos melhor a física do núcleo, acabaremos por fazer melhores previsões sobre as mudanças futuras do campo magnético da Terra”, acrescenta o investigador.

“É provável que haja mais surpresas”, antevê por sua vez Rune Floberghagen, responsável da ESA pela missão Swarm. “O campo magnético está sempre a mudar, o que até pode levar a corrente de jacto [de ferro derretido] a mudar de direcção.”





quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Agência espacial europeia deve cooperar com Rússia na exploração da Lua

Agência espacial europeia deve cooperar com Rússia na exploração da                           Lua
Os projetos lunares russos Luna-27 e Luna-28 podem se tornar parte do programa Aldeia Lunar
TECH   ESPAÇOHÁ 21 HORAS  21/09/ 2016  POR NOTÍCIAS AO MINUTO
 
Além do projeto ExoMars, a Agência Espacial Europeia (ESA) planeja aumentar a cooperação com a Rússia no estudo e exploração da Lua, afirma o chefe do escritório da ESA na Rússia, Rene Pischel.
A declaração foi feita em uma entrevista à agência de notícias russa RIA Novosti.
"Se aprovarem na conferência ministerial dos países membros da ESA, em dezembro de 2016, iremos cooperar com a Rússia na exploração da Lua", disse ele.
Mais cedo, o vice-diretor-geral da empresa estatal russa Roscosmos, Sergei Saveliev, disse que, além da missão ExoMars, as partes continuarão cooperando na Lua.
Esses projetos são interessantes aos nossos parceiros europeus, eles manifestaram o desejo de participar neles, estamos analisando áreas específicas de cooperação", disse o vice-diretor da Roscosmos, falando sobre os projetos que já estão em andamento.
Além disso, a ESA está desenvolvendo uma ideia,  o projeto Aldeia Lunar, em que uma série de países, como a Rússia, pode colaborar. O projeto abrange um número de diferentes missões na Lua com vários edifícios - elementos da Aldeia.
Este projeto da ESA pode ser combinado com a missão russa Luna-27 Resurs, cuja implementação a Roscosmos está atualmente acontecendo em colaboração com a exploração da Lua. Os países europeus estão criando dois componentes – um sistema de software "inteligente" do módulo de pouso, bem como um sistema de análise das amostras coletadas.

Os projetos lunares russos Luna-27 e Luna-28 podem se tornar parte do programa Aldeia Lunar. (Sputnik Brasil)