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sábado, 28 de janeiro de 2017

Juíza suspende parte de veto de Trump a imigrantes e refugiados nos EUA

Juíza suspende parte de veto de Trump a imigrantes e refugiados nos EUA
Determinação atinge cidadãos de 7 países de origem islâmica. Decisão recebeu críticas de líderes mundiais e gerou protestos em aeroportos.
Por G1, em São Paulo    29/01/2017 00h52  Atualizado há 20 minutos
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Manifestantes no aeroporto John F. Kennedy, em Nova York 
(Foto: STEPHANIE KEITH / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / AFP)

A juíza federal Ann Donnelly aceitou um pedido da União Americana pelas Liberdades Civis (ACLU, da sigla em inglês) na noite deste sábado (28) para conceder estadia de emergência e suspender as deportações de refugiados e imigrantes de sete países nos Estados Unidos após o veto do presidente Donald Trump. As informações são da CNN e do 'Washington Post'.

Segundo a decisão da juíza, o governo não pode retirar do país os refugiados que já tiveram seu pedido aprovado pelo Serviço de Imigração do país e estejam com os vistos regulares para permanecerem e chegarem aos EUA. O governo ainda não se pronunciou sobre a decisão judicial. 

A restrição imposta por Trump, com validade de 90 dias, atinge pessoas que tenham nascido no Iraque, Iêmen, Síria, Irã, Sudão, a Líbia e Somália. Além disso, o plano suspende o programa norte-americano de refugiados por 120 dias. Em retaliação, o Irã anunciou neste sábado que vai aplicar a reciprocidade e proibirá a entrada de americanos durante esse período.

De acordo com o jornal "The New York Times", já neste sábado, foram barrados um cientista iraniano que iria a um laboratório de Boston, um iraquiano que trabalha como intérprete há uma década e uma família de refugiados que iria recomeçar a vida em Ohio, entre inúmeros outros casos. 

O decreto firmado por Trump não bloquearia de forma imediata a entrada de refugiados, mas estabelece barreiras para a concessão de vistos, de acordo com a France Presse. No ano fiscal de 2016 (1º de outubro de 2015 a 30 de setembro de 2016), os Estados Unidos admitiram em seu território 84.994 refugiados, de diversas nacionalidades, incluindo 10 mil sírios. 
A intenção do novo governo é reduzir drasticamente este número, o que no caso dos sírios pode chegar a 50%.

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O primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau, no Parlamento 
canadense, em Ottawa, em foto de 10 de janeiro 
(Foto: Reuters/Chris Wattie)

Críticas
A decisão do governo Trump dividiu as opiniões de líderes mundiais neste sábado (28). Ministros canadenses, alemães, franceses e turcos criticaram a decisão do presidente norte-americano. A manifestação mais contundente de repúdio ao decreto de Trump veio de um vizinho, o Canadá. 

Justin Trudeu, primeiro-ministro canadense, disparou uma série de mensagens no Twitter ressaltando a receptibilidade do país. "Para aqueles que fogem da perseguição, terror e guerra, os canadenses irão recebê-los, independentemente da sua fé", comentou. "Diversidade é a nossa força", completou. 

Os ministros das Relações Exteriores da França e Alemanha afirmaram estar "preocupados" com as decisões de Trump e destacaram que "acolher refugiados que fogem da guerra é parte de nosso dever".

"Vamos entrar em contato com nosso colega [norte-americano] Rex Tillerson quando for nomeado para discutir ponto por ponto e ter uma relação clara", disse o chefe da chancelaria francesa, Jean-Marc Ayrault, após se reunir com o colega alemão, Sigmar Gabriel, em Paris. O nome de Tillerson como secretário de Estado ainda aguarda confirmação do Senado dos EUA.

"Acolher refugiados que fogem da guerra é parte de nosso dever. Devemos nos organizar para fazer isto de maneira equitativa, justa, solidária", disse Ayrault. "Precisamos de clareza, coerência e, se necessário, firmeza para defender nossas convicções, nossos valores, nossa visão de mundo, nossos interesses, franceses, alemães e europeus", disse o ministro francês.

A primeira-ministra britânica, Theresa May, não condenou a decisão dos EUA. "Os Estados Unidos são responsáveis pela política americana sobre os refugiados. 

O Reino Unido é responsável pela política britânica sobre os refugiados", afirmou May em Ancara, na Turquia, onde participou de um encontro com o premiê turco, Binali Yildirim. 

Ele, por sua vez, criticou as recentes medidas de Trump para conter a entrada de imigrantes. "Não podemos resolver este problema dos refugiados erguendo muros", disse Yildirim, fazendo menção à decisão tomada por Trump de construir um muro na fronteira com o México.


Em Nova Yokr, centenas carregaram faixas com frases como "muçulmanos e refugiados são bem-vindos aqui" (Foto: STEPHANIE KEITH / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / AFP)


Protestos

A medida também gerou protestos na noite deste sábado (28). Em sua página no Twitter, os taxistas de Nova York anunciaram uma paralisação dos trabalhos no Aeroporto Internacional John F. Kennedy das 18h às 19h (das 20h às 21h, horário de Brasília). "Os motoristas prestam solidariedade aos millhares em protesto contra medida desumana e inconstitucional", escreveram na rede social. 

No Aeroporto Internacional de Washington Dulles, centenas levaram faixas em oposição à nova política de Trump no início da noite. O veto irá estender também a entrada de imigrantes que tenham autorização de residência no país, os chamados "green cards".

Nos aeroportos de New Jersey, Dallas e Chicago, grupos também protestaram contra a medida. Mais cedo, também nos terminais aéreos de Nova York, manifestantes se reuniram na parte de fora após dois iraquianos, que tinham visto para entrar no país, serem detidos.

 Donald Trump falou ao telefone com Vladimir Putin e outros líderes internacionais este sábado
Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, participu de 
conversas telefônicas com cinco líderes mundiais neste sábado (28)
 (Foto: Andrew Harnik/ AP)

Sábado de medidas
Além da decisão de vetar a entrada de imigrantes, Trump conversou com líderes e apresentou um plano para derrotar com o Estado Islâmico (EI). O presidente dos EUA conversou com o presidente da Rússia, Vladimir Putin, sobre ações coordenadas entre os dois países contra o grupo terrorista na Síria. Eles também discutiram o programa nuclear iraniano, segundo a Reuters.

Nesta sexta-feira (27), Trump manifestou seu desejo de trabalhar com Moscou, mas reconheceu que ainda é “muito cedo” para discutir a remoção das sanções que o ex-presidente dos EUA, Barack Obama, impôs ao país, segundo a CNN.

Ele também conversou com outros líderes neste sábado, como a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, o premiê japonês, Shinzo Abe, e o presidente da França, François Hollande.

Após as conversas, ele assinou algumas medidas. Uma ordem executiva com instruções pede que o Pentágono apresente em até 30 dias uma estratégia para derrotar o EI. Na sexta-feira (27), Trump já havia se reuniudo com os comandos militares para tratar a forma de acelerar o combate ao grupo terrorista.




sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

Trump assina decreto que cria "escrutínio extremo" para imigrantes

Trump assina decreto que cria "escrutínio extremo" para imigrantes 
27/01/201719h49
 O presidente dos EUA, Donald Trump, assiste à posse do secretário da Defesa, James Mattis, no Pentágono
O presidente dos EUA, Donald Trump, assiste à posse do 
secretário da Defesa, James Mattis, no Pentágono

O presidente dos EUA, Donald Trump, assinou nesta sexta-feira (27) decreto presidencial que prevê a criação de um sistema de "escrutínio extremo" para a entrada de pessoas no país, especialmente para aqueles de origem muçulmana. 

"Estamos criando novas práticas de escrutínio para manter terroristas islâmicos radicais longe da América. Não os queremos aqui", afirmou Trump, afirmou em cerimônia do Pentágono após a posse de James Mattis como secretário da Defesa. 

"Queremos garantir que não estamos admitindo ao nosso país as mesmas ameaças que nossos homens e mulheres estão lutando no exterior."

"Nunca vamos esquecer as lições do 11 de Setembro", acrescentou.
Não foram apresentados detalhes do decreto.

Durante a campanha, Trump havia prometido limitar a imigração muçulmana aos EUA. 

"Só queremos aceitar no nosso país aqueles que vão apoiar nosso país e amar profundamente nosso povo", afirmou Trump. 

Um rascunho do decreto descrevia como um de seus objetivos "impedir a entrada de cidadãos estrangeiros que pretendam explorar as leis imigratórias americanas para fins maléficos".

O rascunho previa ainda um veto de 120 dias no reassentamento de refugiados nos EUA e um veto por tempo indeterminado de refugiados de origem síria. Também estabeleceria um limite no total de refugiados entrando nos EUA em 2017 para 50 mil (contra 117 mil no ano anterior). 

Ainda de acordo com o rascunho, vistos seriam suspensos para pessoas vindos do Iraque, da Líbia, da Somália, do Sudão, da Síria, do Iêmen e do Irã pelos próximos 30 dias. 

Trump assinou ainda outro decreto que prevê novos recursos para as Forças Armadas americanas, como "novos aviões, novos navios, novos recursos e novas ferramentas para nossos homens e mulheres em uniforme".

O presidente declarou que "nosso poderio militar não será questionado por ninguém, assim como nossa dedicação à paz. Queremos paz".(Com agências internacionais)