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terça-feira, 26 de novembro de 2024

PF encontra ‘oração ao golpe’ enviada a aliados de Bolsonaro para pedir apoio de generais

 PF encontra ‘oração ao golpe’ enviada a aliados de Bolsonaro para pedir apoio de generais

História de Wesley Bião

foto do arquivo
Polícia Federal (PF) resgatou do celular do padre José Eduardo de Oliveira e Silva, da Diocese de Osasco, na Grande São Paulo, uma “oração ao golpe”. Segundo o documento, em 03 de novembro de 2022, o pároco encaminhou uma mensagem a um contato salvo como “Frei Gilson”, identificado pela corporação como Gilson da Silva Pupo Azevedo.

No texto, o religioso pede “que todos os brasileiros, católicos e evangélicos, os incluam em suas orações, os nomes do Ministro da Defesa e de outros dezesseis Generais 4 estrelas ‘pedindo para que Deus lhes dê a coragem de salvar o Brasil, lhes ajude a vencer a covardia e os estimule a agir com consciência histórica e não apenas como funcionários público de farda’”. O religioso pede ainda que Frei Gilson repasse a mensagem apenas para “pessoas de estrita confiança”.

Relatório da PF cita 'oração ao golpe' distribuída aliados de Bolsonaro para pedir apoio de generais Foto: Reprodução/Polícia Federal

Para a PF, a mensagem “demonstra que José Eduardo, logo após a derrota de Jair Bolsonaro nas eleições presidenciais, já disseminava a ideia de um golpe de Estado apoiado pelas Forças Armadas, para manter o então presidente no poder e impedir a posse do governo eleito”.

São citados na mensagem os seguintes generais de Exército e seus postos à época dos fatos:

1.   Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira, ministro da Defesa

2.   Marco Antônio Freire Gomes, comandante do Exército

3.   Valério Stumpf Trindade, chefe do Estado-Maior do Exército

4.   Estevam Cals Theophilo Gaspar de Oliveira, chefe do Comando de Operações Terrestres

5.   João Chalella Júnior, chefe do Departamento-Geral de Pessoal

6.   Flávio Marcus Lancia Gomes, chefe do Departamento de Cultura e Educação

7.   Guido Amin Naves, chefe do Departamento de Ciência e Tecnologia

8.   Laerte de Souza Santos, comandante Logístico

9.   Júlio César de Arruda, chefe do Departamento de Engenharia e Construção

10.                    Sérgio da Costa Negraes, secretário de Economia e Finanças

11.                    Achilles Furlan Neto, comandante militar da Amazônia

12.                    Ricardo Augusto Ferreira Costa Neves, comandante militar do Norte

13.                    Richard Fernandez Nunes, comandante militar do Nordeste

14.                    Anísio David de Oliveira Júnior, comandante militar do Oeste

15.                    André Luís Novaes Miranda, comandante militar do Leste

16.                    Tomás Miguel Miné Ribeiro Paiva, comandante militar do Sudeste

17.                    Fernando José Sant’Ana Soares e Silva, comandante militar do Sul

As investigações da PF também já tinham identificado que o pároco participou de uma reunião em 19 de novembro de 2022 no Palácio do Planalto, quando foi discutida uma minuta golpista para impedir a posse do então presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Segundo o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), Oliveira seria integrante do núcleo jurídico do esquema e atuaria no “assessoramento e elaboração de minutas de decretos com fundamentação jurídica e doutrinária que atendessem aos interesses golpistas do grupo investigado”.

Na operação, o padre foi informado que teria que cumprir medidas cautelares para não ser preso. Ele disse que entregou seu celular à PF sem as senhas pois, segundo ele, seu “sigilo sacerdotal não pode ser violado” já que o equipamento armazena os “dramas mais profundos de fiéis”.

No dia do resultado do primeiro turno das eleições presidenciais, 2 de outubro, o pároco postou uma foto de um altar com a bandeira do Brasil em cima de uma santa. Na legenda, escreveu: “Uns confiam em carros, outros em cavalos. Nós, porém, confiamos no Senhor e, assim, resistiremos.” Atualmente, o religioso tem mais de 430 mil seguidores.

Quando da Operação Tempus Veritatis, em fevereiro, o sacerdote afirmou, em nota, que, em relação ao inquérito da PF, sua posição sobre o assunto é “clara” e “inequívoca”, e diz estar à disposição da Justiça.

“A República é laica e regida pelos preceitos constitucionais, que devem ser respeitados. Romper com a ordem estabelecida seria profundamente contrário aos meus princípios. Abaixo de Deus, em nosso País, está a Constituição Federal. Portanto, não cooperei nem endossei com qualquer ato disruptivo da Constituição. Como professor de teologia moral, sempre ensinei que a lei positiva deve ser obedecida pelos fiéis, dentre as quais humildemente me incluo”, escreveu em nota.

Também em nota, a Diocese de Osasco afirmou que recebeu a notícia sobre as investigações e buscas da PF à casa do padre por meio das mídias sociais. “A Diocese se colocará sempre ao lado da Justiça, colaborando com as autoridades na elucidação do caso”.

Veja a nota divulgada pela defesa do padre após o indiciamento:

“Menos de 7 dias depois de dar depoimento à Polícia Federal, o padre José Eduardo de Oliveira e Silva viu seu nome estampado pela mesma PF como um dos indiciados no inquérito da Pet 12.100. Os investigadores que apresentaram o relatório não se furtaram em romper a lei e tratado internacional ao vasculhar conversas e direções espirituais que possuem garantia de sigilo e foram realizadas pelo padre.

Consta que o Ministro Alexandre de Moraes decretou sigilo no referido processo, o que significa que não cabia à Polícia Federal, sem autorização nos autos, do mesmo juiz, fazer declarações ou emitir notas com nomes de indiciados. Houve um descumprimento de ordem judicial.

Como se repete sempre, ordem judicial se cumpre. Portanto, sequer caberia à Polícia Federal sugerir que havia qualquer tipo de autorização direta do Ministro, pois ordem judicial só pode ser modificada por outra ordem judicial, com decisão em regular processo, e não por mera comunicação verbal ou escrita.

O referido descumprimento da ordem judicial é um dos vários abusos cometidos ao longo da investigação.

O padre José Eduardo reitera que jamais participou e nem tem condições técnico-jurídicas de participar de qualquer reunião que visasse o rompimento da Ordem Institucional e do Estado de Direito. Como religioso, vai a Brasília desde o ano de 2013 e sempre atendeu todos aqueles que o procuraram para atendimentos de cunho religioso. Foi exclusivamente neste contexto que se deram as visitas dele a Brasília ao final do ano de 2021 em todas as demais vezes que se dirigiu à Capital do país.”

Estadão

Fonte: https://www.msn.com/pt-

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sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

Filho de Teori diz que ainda duvida de acidente e que ameaças envolveram até netos

Em nova entrevista, filho de Teori diz ainda ter dúvidas sobre acidente que tirou a vida do pai. O advogado Francisco Zavascki revelou ainda que as ameaças envolveram até o neto de 2 anos do ex-ministro do STF
JURISTAS08/FEB/2017 ÀS 15:14
 filho Teori duvida acidente ameaças netos
Francisco Prehn Zavascki, filho de Teori Zavascki (Imagem: 
Pragmatismo Político) Por Fernanda Canofre, Sul 21

O governo Michel Temer esperou dezoito dias, após o acidente de helicóptero com o ministro Teori Zavascki, para indicar quem seria seu sucessor no Supremo Tribunal Federal (STF). 

Na segunda-feira (06), Temer anunciou o nome do atual ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, para a vaga. Um nome polêmico entre juristas, já que Moraes é filiado ao PSDB, trabalhou na defesa de uma empresa investigada por ligação com o PCC, e ocupa um cargo no governo – o que contraria sua própria tese, de que nomeações do tipo deveriam ser proibidas, para não parecer “gratificação política”.

O filho de Teori, o advogado Francisco Prehn Zavascki, disse preferir “não se manifestar sobre o assunto” no momento. “Não vou me manifestar sobre isso. Nesse momento a gente estava bem fora do assunto, acompanhamos pela imprensa, mas não acompanhamos de perto”, afirmou por telefone ao Sul21.

Francisco foi quem denunciou nas redes sociais, no início de 2016, as ameaças que a família de Teori vinha sofrendo desde que ele assumiu a relatoria da Lava-Jato e determinou que o juiz Sérgio Moro, magistrado de primeira instância, devolvesse os processo envolvendo o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva ao STF

As ameaças chegavam à família especialmente por Francisco, através de emails e redes sociais e preocupavam o pai.

“Ele se preocupava, todo mundo se preocupava, porque acabava envolvendo não só os filhos, mas os netos dele. Teve uma, que foi o auge do absurdo, pegaram a foto do meu sobrinho, que tinha dois anos de idade na época, e diziam: se encontrar com ele por aí, dá uma prensa nele. Uma criança, um bebê. Esse nível de coisas”, conta ele.

A última vez que falou com o pai foi na véspera do acidente. Conhecido pela postura reservada e por evitar comentar assuntos de trabalho, em meio a família, o ministro Teori desabafava sobre o peso de levar um processo como a Lava-Jato e como 2017 seria um ano difícil. 

Ele tinha bem essa noção e estava preocupado com isso. Eu falei pouco com ele, falei na véspera da morte com ele, falava isso: que vinha muita coisa nessas delações da Odebrecht que iam sacudir o país”, diz Francisco. “Mas era um cara muito forte, tanto que carregou toda essa bronca sem muitos percalços”.

Dezenove dias depois da queda do avião, que causou a morte de Teori Zavascki e outras quatro pessoas, Francisco diz ainda ter dúvidas sobre as circunstâncias da queda do avião. “Tenho. Eu não tenho conclusões nenhuma ainda, até porque, do que a gente sabe da investigação, é tudo muito preliminar. Não estou dizendo nem que sim, nem que não. Vou aguardar”.

Na missa de sétimo dia de Teori, o filho pediu à imprensa que seguisse investigando o caso e checando todo tipo de informação que fosse levantada. Apesar de acreditar que a imprensa pode “trazer a verdade à tona”, no entanto, Francisco também diz que “talvez nunca se esclareça tudo”.

Filho aprova Lava-Jato nas mãos de Fachin
Francisco usou as redes sociais, na última quinta, para comentar também o nome do novo relator do processo que teria sido um dos maiores desafios da carreira do seu pai. Após pedir para trocar de turma e ser incluído no sorteio, o ministro Edson Fachin foi anunciado como novo responsável pela Lava-Jato na Corte.

“Acho que está nas melhores mãos possíveis. Conheço o ministro Fachin desde antes de ele ser ministro. Ele é um ser humano fantástico, um cara muito humilde, tranquilo, seguro de si, e técnico, reservado, bem no estilo que o pai era”, avaliou ele.

Durante o velório de Zavascki, no dia 21 de janeiro, em Porto Alegre, Fachin conversou rapidamente com a imprensa e comentou a proximidade com o colega. 

O ministro disse que considerava Teori seu “irmão de bancada” e que os dois sempre se sentaram lado a lado no Plenário. Fachin lembrou ainda da última conversa dos dois: 

“Quando nos despedimos no Tribunal, falamos um pouco sobre o sentido da nossa vida, dos afazeres que como todos os senhores têm acompanhado, como grande parte da população brasileira tem acompanhado, tem sido afazeres de uma ‘alta voltagem’, para usar uma expressão que já foi cunhada. 

Então nós dizíamos a importância de manter a serenidade e eu fiz uma brincadeira com Teori dizendo: no seu caso, é um pleonasmo, serenidade combina com seu nome”.