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terça-feira, 10 de julho de 2018

EX-CORREGEDOR DO CNJ E STJ DIZ QUE ATITUDE DE FAVRETO “FOI LEGAL” E CRITICA MORO


EX-CORREGEDOR DO CNJ E STJ DIZ QUE ATITUDE DE FAVRETO “FOI LEGAL” E CRITICA MORO

Por Redação Click Política Última Atualização 10 jul, 2018


O ex-ministro Gilson Dipp, que foi vice-presidente do STJ e corregedor nacional de justiça no CNJ, deu entrevista ao Jota sobre o imbróglio causado pela sucessão de decisões envolvendo um pedido de habeas corpus para Lula:

Confusão não, foi a cena mais patética que eu jamais vi na minha vida em todo o Judiciário. 

Tudo isso me choca muito porque esse imbróglio foi feito no tribunal de onde sou egresso e do qual fui presidente. Sem apontar qualquer culpa de ninguém, mas foi um processo altamente politizado. 

(…)

O ato do desembargador Favreto tinha competência?

 Claro. Todo mundo sabe que no plantão os advogados, e isso faz parte do jogo, escolhem um plantonista. 

Agora mesmo há a discussão se a Cármen Lúcia vai ser presidente [do STF] ou não durante o recesso. 

É isso aí. Escolheram um sujeito que tinha maior possibilidade ideológica. 

Ele estava na sua plena competência. 
Era o juiz plantonista indicado pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região

Naquele momento ele representava o tribunal.
Eu posso não concordar com o teor, o conteúdo da decisão judicial. 

Basicamente porque não há nenhuma urgência ou nenhum fato novo que implique em um exame da matéria num domingo, sendo que no dia seguinte o relator da apelação originária já estaria trabalhando.

 Então a decisão do Favreto foi uma decisão fundamentada de acordo com a sua convicção, com seu entendimento. 

E isso faz parte do livre convencimento do juiz. Queira-se, concorde-se ou não. 

Eu não daria no mérito essa decisão, mas ela é legítima, o desembargador tem competência e é uma decisão judicial. Plantonista é instrumento do tribunal.

Ele [Moro] se manifestou em um momento inapropriado. 

Porque no caso da liminar ele seria ouvido. 

Pela lei, tanto a autoridade coatora quanto o MPF são ouvidos em um prazo de cinco dias. 

Ele, no entanto, atravessou um despacho questionando a competência de um superior hierárquico seu. 

Afirmou falta de competência, afirmou que falou com o presidente do tribunal, afirmou que teria que ouvir o relator. Nada disso poderia ter sido feito.

Quem menos errou aí, em termos de competência, em termos de processo penal, foi o desembargador Favreto, apesar de eu não concordar no conteúdo com a tese dele, porque não tinha urgência. 

E a questão está sendo examinada pelas instâncias superiores. Não dá para decidir isso num domingo.

 Mas ele resolveu, e ele estava no direito, tinha competência para tanto, resolveu enfrentar a questão. 

E no caso do HC o recurso não se confunde totalmente com a apelação no mérito, aquela que está sendo julgada pelo tribunal, e que tem recursos no STF e no STJ. 

O HC tem particularidades, é uma medida constitucional que tem particularidades, que foram desenvolvidas ali naquele HC. Certo ou errado, não interessa.

Para mim, todas essas decisões foram decisões jurisdicionais. Certas ou erradas

E sendo decisões jurisdicionais podem ser atacadas pelo recurso cabível em matéria processual penal da legislação.

 Não se trata de infração disciplinar que mereça a atenção do CNJ. Houve um fundamento na decisão.

 O CNJ não é um órgão judicial, é um órgão administrativo disciplinar do Judiciário. 

Aqui se tratam de várias decisões judiciais, mesmo que quase todas formuladas de modo irregular.

CLICK POLÍTICA com informações de DCM


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segunda-feira, 9 de julho de 2018

Quem são os especialistas suspeitos que a velha imprensa usa para demonizar Favreto. Por Joaquim de Carvalho


Quem são os especialistas suspeitos que a velha imprensa usa para demonizar Favreto. Por Joaquim de Carvalho

Publicado por  Joaquim de Carvalho  9 de julho de 2018

 Maristela Basso: sócia do escritório que patrocinou ações pró-impeachment

A Folha de S. Paulo publica hoje opinião da advogada Maristela Basso sobre a decisão do desembargador Rogério Favreto de conceder habeas corpus a Lula.

 Diz a advogada que o desembargador pode ser acusado de usurpação da função pública.

Maristela é apresentada como professora da USP. 

Só que, no caso, a qualificação mais apropriada seria a de sócia do escritório de advocacia Nélson Wilians, que patrocinou recentemente um evento em Nova York que teve palestra de Sergio Moro.

Wilians é também advogado da Petrobras, o que, em princípio, colocou Moro em situação de conflito de interesse em razão da palestra, já que a Petrobras, como assistente de acusação, é parte nos processos conduzidos pelo titular da 13a. Vara Federal Criminal de Curitiba.

A opinião de Maristela carece, portanto, de isenção.

Melhor seria se ela explicasse como Nelson Wilians se tornou a maior banca de advocacia do Brasil e, depois que Michel Temer assumiu, 
beneficiado pelo impeachment, conseguiu contratos expressivos no governo federal, como as ações da GEAP (autogestão em saúde dos servidores públicos federais).

Wilians é também ligado ao tucano João Doria, como advogado e como dono de jatinhos que o ex-prefeito de São Paulo usou para deslocamentos pelo Brasil,em eventos de pré-campanha a 
presidente (por enquanto, sem conseguir viabilizar a candidatura a presidente no lugar de Geraldo Alckmin, ele é pré-candidato a governador do Estado de São Paulo).

Da pequena Cianorte, na região de Maringá, Nelson Wilians também é um entusiasta de Moro, a quem homenageou com manifestações na rede social,  e seu escritório contou com a presença dele e da mulher, Rosângela, na festa em que se comemorou o título de cidadã honorária do Paraná concedido pela Assembleia Legislativa a Sandra Marchini Comodaro, sócia do escritório em Curitiba.

Nelson Wilians também esteve na linha de frente do movimento que levou à deposição de Dilma — advogados do seu escritório prepararam um dos pedidos de impeachment entregues a Eduardo Cunha, o do ator Alexandre Frota.

Frota também foi levado em avião de Nelson Williams para participar das manifestações pelo impeachment realizadas no dia da votação da Câmara, em maio de 2016.

Ao mesmo tempo em que Wilians patrocinava ações pró-impeachment, Moro, com o espetáculo da Lava Jato, criava o ambiente tóxico propício a manifestações de rua e à queda de popularidade de Dilma.

Para Wilians, a troca de presidente foi um bom negócio. 
Com Michel Temer, seu escritório conseguiu mais contratos no governo federal e em áreas de influência no governo federal.

Depois do impeachment, além do contrato com a GEAP, o escritório foi escolhido sem licitação para arbitrar uma disputa no porto de Santos, antiga área sob influência de Temer, com honorários estimados em R$ 23 milhões.

Se o impeachment foi bom para o escritório, a prisão de Lula talvez também seja. 

Para quem ajudou a derrubar Dilma, faz sentido, dois anos depois, Lula ou alguém indicado por ele voltar ao poder?

Como profissional do direito, a opinião de Marilena Basso sobre a decisão do desembargador Favreto vale, portanto, tanto quanto a de Carlos Cachoeira sobre as máquinas de caça-níqueis. 

Nas suas respectivas áreas, têm interesses.

A entrevista de Maristela à Folha ajuda a entender como funciona a máquina de formar opinião no Brasil. 
Outros especialistas, com interesses na disputa política, também estão sendo ouvidos para enaltecer Moro e demonizar Favreto.

É um truque manjado para quem conhece a área de comunicação, mas o grande público não percebe.

 Compra gato por lebre, ou, em outras palavras, sócia de escritório que faz parte condomínio golpista por professora da USP.

Roberto Marinho com Joaquim Falcão: opinião de jurista com selo da Globo
 Na mesma reportagem, a Folha entrevista Joaquim Falcão, advogado que foi secretário-geral na Fundação Roberto Marinho e, a exemplo do ministro Luís Roberto Barroso, sempre esteve sob o guarda-chuva da Globo.

Disse Falcão:

“A questão não é o ativismo do Judiciário, mas a militância do magistrado. 
E a militância é um subproduto da fragmentação e da individualização da Justiça, cujo exemplo básico vem de cima, do Supremo Tribunal Federal”.

Falcão foi escolhido recentemente para a Academia Brasileira de Letras, com grande publicidade da Globo, e com seu prestígio Falcão tem defendido em artigos publicados no principal jornal da família Marinho teses que ajudam a manter Lula fora de circulação.

Tanto Maristela Basso quanto Falcão têm currículo para emitir opiniões na área jurídica, e não há nenhum problema em ouvi-los. 

Seria mais honesto, entretanto, se os jornais informassem a seu distinto público quem de fato são suas fontes e a que interesses servem.

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