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segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Paulo Nogueira: Cristovam Buarque, a quem o senhor engana falando em ‘nova esquerda’?

Paulo Nogueira: Cristovam Buarque, a quem o senhor engana falando em ‘nova esquerda’?
31 de julho de 2016 às 16h21

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Biografia no lixo

A quem o senhor engana falando em ‘nova esquerda’? Carta aberta a Cristovam Buarque. Por Paulo Nogueira
Esta é mais uma da série das Cartas Abertas aos Golpistas. O destinatário agora é Cristovam Buarque. No futuro, as cartas poderão ser reunidas num livro que recapitule o golpe de 2016.
Caro Cristovam:
Li outro dia o senhor falando numa “nova esquerda”. Senador: o senhor não tem vergonha de falar em “nova esquerda” quando se aliou ao que existe de mais putrefato na velha direita brasileira num golpe que destruiu 54 milhões de votos e, com eles, a democracia?
Como o senhor dorme, senador? A consciência não lhe pesa? Que mentiras o senhor conta a si mesmo para conviver com tamanha ignomínia?
Já tivemos tempo para verificar qual foi o real propósito do golpe. Os ricos são favorecidos e os pobres castigados. É assim que funciona, desde sempre, a plutocracia brasileira.
Por isso somos uma das sociedades mais desiguais e mais abjetas do mundo.
E o senhor está ao lado dessa calamidade. Contribuiu, com seu voto, para mais uma vitória da plutocracia que, no passado, matou GV e derrubou Jango.
Vou citar o nome de alguns de seus companheiros de jornada.
Eduardo Cunha. Bolsonaro. Malafaia. Todos aqueles deputados federais que viraram piada no mundo na sessão do impeachment. Janaína Paschoal.
Os irmãos Marinhos da Globo. A família Frias da Folha. Os Civitas da Abril.
Michel Temer. Renan Calheiros. Collor. Gilmar Mendes.
Todos os analfabetos políticos que, manipulados pela mídia plutocrata, vestiram a camisa da CBF e foram às ruas bradar pelo golpe. Os idiotas que bateram panelas, igualmente induzidos pela imprensa.
Os comentaristas e editores recrutados pelas empresas de mídia em seu jornalismo de guerra. Todos eles.
É uma amostra da escória à qual o senhor se juntou, senador.
Como homem da Educação, o senhor bem sabe o valor dos livros. Qual o papel que os livros lhe reservarão no futuro?
É uma pergunta fácil de responder. O de um fâmulo da plutocracia. O de um golpista.
O senhor atirou sua biografia no lixo. Seus descendentes serão obrigados a conviver com a infâmia de um antepassado que optou pelos privilegiados em detrimento dos miseráveis com argumentos cínicos.
E o senhor ainda ousa falar em “nova esquerda”. A quem o senhor engana, senador? Nem ao senhor, presumo. O senhor não é tão mentecapto para acreditar em tamanho disparate.
Sinceramente.
Paulo
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sexta-feira, 22 de julho de 2016

‘Você é um golpista, como seu pai’: carta aberta a Otávio Frias, dono da Folha

‘Você é um golpista, como seu pai’: carta aberta a Otávio Frias, dono da Folha
Postado em 18 Jul 2016   por : Paulo Nogueira
Reacionário e golpista
                             Reacionário e golpista

Esta é uma da série das Cartas Abertas aos Golpistas. Futuramente, elas poderão ser reunidas num livro que mostre os rostos do golpe. Desta vez, o destinatário é Otávio Frias Filho, dono da Folha.
Caro Otávio:
Duas passagens recentes sobre você me vem à mente.
A primeira foi sua reação destemperada num seminário em Londres no qual uma jornalista britânica disse que os jornais brasileiros são pesadamente conservadores, a Folha incluída.
Sua vaidade pareceu ferida por ouvir que a Folha, uma jovem progressista nas Diretas Já, é hoje uma velha reacionária.
A segunda passagem é a edição que seu jornal deu ao último Datafolha, neste domingo.
Uma coisa está conectada à outra. Como você quer que a Folha não seja considerada reacionária se você edita de forma tão desonesta os resultados do Datafolha?
A Folha apresentou os números de tal forma que pareceu um triunfo de Temer. O objetivo claro é influenciar os senadores na votação definitiva sobre o impeachment.
O destaque da Folha foi: metade dos brasileiros prefere Temer a Dilma.
Ora, ora, ora.
Caro Otávio: por que não o seguinte. Metade não quer Temer?
Na verdade, o levantamento foi péssimo para Temer, mas seu jornal edulcorou descaradamente.
A informação mais importante era que apenas 14% das pessoas aprovam Temer. É um índice miserável sob qualquer aspecto, e tanto mais num início de administração, quando a tolerância da sociedade é muito maior do que no correr dos dias.
Fora isso, a imprensa vem tratando Temer como um príncipe, o exato oposto do que ocorreu com Dilma. Mesmo assim, 14% apenas?
E isso seu jornal escondeu no meio do texto. Tentou tirar a relevância do número ao dizer que era o mesmo de Dilma às vésperas do impeachment.
A Folha só não lembrou a diferença extraordinária das circunstâncias, como se isso fosse secundário. O nome disso é trapaça. Canalhice jornalística.
Outro dado que foi subestimado, e é estarrecedor, é que um terço das pessoas não sabe quem está no governo. É revelador da pequenez, da insignificância de Temer. Ninguém o enxerga, ainda que ele esteja no Palácio do Planalto.
É um Napoleão às avessas.
Não vou nem falar da forma como Lula foi tratado também no Datafolha. Lula apareceu isolado na liderança em todos os cenários, ainda que sob bombardeio ininterrupto da imprensa e de Moro.
Só que foi posto um “mas” para desqualificar Lula. Mas no segundo turno, e blablablá.
Com Temer não houve o truque do “mas”. Metade dos brasileiros o prefere a Dilma, mas metade o quer fora. Mas um terço sequer o conhece. Mas só 15% o aprovam.
Caro Otávio: você não é apenas um editor reacionário de um jornal reacionário.
É um golpista, como foi seu pai. Este pode ser seu epitáfio, aliás: “Foi um golpista, como o pai”.
Sinceramente.

Paulo