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segunda-feira, 6 de novembro de 2017

VIVENDO O MAIOR SUFOCO: Meirelles Diz Que Contas Milionárias No Caribe São “Para Administrar Herança”; SAIBA!

VIVENDO O MAIOR SUFOCO: Meirelles Diz Que Contas Milionárias No Caribe São “Para Administrar Herança”; SAIBA!
 

O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, afirmou nesta segunda-feira (6), que a criação do fundo no paraíso fiscal das Bermudas é para gerir parte de sua herança. 

Ele ainda ressaltou que a aplicação dos recursos foi declarada à Receita Federal e ao Banco Central.

Vale mencionar que o fundo foi criado em 2002 por Meirelles , a partir de uma doação de US$ 10 mil e que as informações que o atingem foram divulgadas no domingo (5), pelo site “Poder360”, um dos veículos de imprensa que realizaram análises de documentos deste caso, batizado como Paradise Papers , sob a coordenação do Consórcio Internacional de Jornalismo de Investigação (ICIJ).

lém do ministro, as informações que constam dados internos do escritório especializado em o ffshores Appleby – contas bancárias e empresas utilizadas para ocultar recursos perante as autoridades – também afetam o ministro de Agricultura, Blairo Maggi.

Leia também:Financiador de atos contra Dilma usava contas em paraíso fiscal para não pagar impostos
“Está tudo declarado, como tudo o que eu faço, não só à Receita Federal, mas ao Banco Central. 

E também qualquer movimentação. É uma entidade filantrópica. Visa investir recursos em educação no Brasil, exclusivamente. 

Na época, dirigia uma grande instituição financeira internacional. Morava no exterior. Ela [a entidade], portanto, foi constituída no exterior””, disse em entrevista à rádio BandNews, nesta manhã.

Paraísos fiscais
Segundo a investigação, ambos os ministros fazem parte das dezenas de políticos mundiais vinculados a empresas em paraísos fiscais. 

“Foi feita uma pequena doação inicial visando constituir a entidade. E depois disso a entidade está inativa.

A partir do momento que ocorrer o meu falecimento, uma parte da minha herança será doada para esta entidade para aplicar exclusivamente em educação no Brasil”, explicou o ministro da Fazenda.

Para ele, essa era a maneira mais “eficaz e objetiva” para direcionar os recursos por seus advogados. 

“As regras de aplicação são muito claramente definidas. 

Garantem a aplicação de recursos de herança de maneira muito eficaz”.
Do IG


domingo, 5 de novembro de 2017

Novo vazamento global revela offshores de Henrique Meirelles nas ilhas Bermudas

Novo vazamento global revela offshores de Henrique Meirelles nas ilhas Bermudas
BBC Brasil  2 horas atrás 05/11/2017
 Ministro Henrique Meirelles concede entrevista: o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, filiado ao PSD | foto: José Cruz/Agência Brasil
© BBC o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, 
filiado ao PSD | foto: José Cruz/Agência Brasil

Pelo menos dois ministros do governo de Michel Temer são mencionados em um grande vazamento de informações do escritório de advocacia Appleby, especializado em empresas offshores. 

Além de Henrique Meirelles (Fazenda), há também informações sobre uma empresa ligada ao ministro da Agricultura, Blairo Maggi.

O vazamento está sendo chamado de "Paradise Papers", e envolve figuras importantes do governo do presidente norte-americano, Donald Trump.

Antes de se tornar ministro de Temer, Meirelles presidiu o Banco Central brasileiro (de 2003 a 2010), durante o governo do ex-presidente Lula (PT). 

Na semana passada, Meirelles disse em entrevista à revista Veja que pretendia se candidatar à presidência da República.

Os dados - cerca de 1,4 terabytes de informações - foram encaminhados por uma fonte anônima ao jornal alemão Süddeutsche Zeitung, de Munique, e compartilhados com jornalistas de todo o mundo organizados pelo Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ, na sigla em inglês). 

No caso do Brasil, as informações são do site jornalístico Poder360, do jornalista Fernando Rodrigues.

Cidadãos brasileiros possuem o direito de manter empresas offshores - e as contas bancárias associadas a elas - no exterior. 

A única exigência da lei é que os recursos sejam devidamente declarados à Receita, para que os impostos devidos sejam pagos.

Meirelles enviou à reportagem do Poder360 cópia de sua declaração de Imposto de Renda, provando que a offshore dele está devidamente registrada.

Embora a prática seja legal, empresas offshore podem ser usadas também para cometer crimes, como sonegação de impostos, ocultação de patrimônio (no caso de pessoas que deixam de pagar dívidas) e evasão de divisas. 

Podem ser usadas também para criar "fundos paralelos" em empresas, possibilitando o pagamento de propinas sem que estas apareçam na contabilidade oficial da companhia. E ainda, para esconder dinheiro de origem ilícita.

Para o Ministério Público Federal, empresas offshores em países como Bahamas, as ilhas Cayman e Bermudas foram usadas pela empreiteira Odebrecht para viabilizar pagamentos a políticos, por exemplo.

"Propósitos de caridade"

Uma das offshores registradas em nome de Meirelles chama-se "The Sabedoria Trust". 

A documentação da empresa diz que foi estabelecida "a pedido de Henrique de Campos Meirelles, especificamente para propósitos de caridade", segundo um documento mencionado pelo Poder360.

"O objetivo é que, na eventualidade da morte (do ministro) os administradores do trust renunciarão aos seus direitos e apontarão novos beneficiários, cujos nomes estão indicados no testamento datado de 9 de dezembro de 2002", diz o texto.

 Reprodução de documento de Meirelles: O documento de registro da offshore de Meirelles (crédito: Poder360 / ICIJ)
© BBC O documento de registro da offshore de Meirelles (crédito: 
Poder360 / ICIJ)

O dispositivo sugere que a offshore de Meirelles foi criada para fins de sucessão - isto é, para facilitar e garantir a transmissão de uma herança após a morte do proprietário. 

É uma finalidade comum para o uso de offshores.

A data de criação da offshore (23 de dezembro de 2009) coincide com a semana anterior à chegada dele ao Banco Central.

Meirelles também aparece nos arquivos vazados da Appleby relacionado a outra offshore, chamada "Boston - Administração e Empreendimentos Ltda".

 Esta última foi criada em 1990 e encerrada em 2004. Na década de 1990, Meirelles chegou ao posto máximo no Bank of Boston, dos EUA, cargo que ocupou entre 1996 e 1999.

O ministro enviou à reportagem do Poder360 uma cópia de sua declaração de imposto de renda, na qual aparece o Trust Sabedoria. 

Em nota, o ministro disse ainda que o trust foi criado para que, na eventualidade de sua morte, uma parte de seus bens possa ser doado a entidades beneficentes da área de educação.

Blairo Maggi

O ministro da Agricultura aparece relacionado a uma offshore chamada Ammagi & LD Commodities SA. 

De acordo com os registros da Appleby, o ministro da Agricultura é diretor da offshore, junto com outros familiares.

A empresa tem o mesmo nome de uma empresa registrada no Brasil, da qual a empresa da família Maggi é sócia. 

Trata-se de uma joint venture entre os Maggi e o grupo multinacional de origem francesa Louis Dreyfus Company, especializado na produção e comercialização de matérias primas, principalmente grãos.

A joint venture brasileira é a controladora da offshore em Cayman.
Blairo Maggi discursa em um evento: O ministro da Agricultura, Blairo Maggi | foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil
 © BBC O ministro da Agricultura, Blairo Maggi | foto: Fabio 
Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

Maggi - que já foi governador de Mato Grosso (de 2003 a 2010), é senador licenciado pelo PP, cargo para o qual foi eleito em 2010. A empresa da família chegou a ser a maior produtora mundial de soja, nos anos 1990 e começo dos 2000. 

Em 2014, a revista Forbes publicou que Blairo Maggi era o segundo político mais rico do país, com uma fortuna estimada em R$ 960 milhões, pela mesma revista.

Segundo o Poder360, a Louis Dreyfus Company e a empresa dos Maggi firmaram uma parceria em 2009 com o objetivo de atuar no mercado de grãos na Bahia, Maranhão, Piauí e Tocantins. O objetivo seria a exportação.

Ao Poder360, o ministro negou qualquer tipo de irregularidade. Ele diz não ter recebido pagamentos diretos da empresa nas ilhas Cayman, e sim da empresa em solo brasileiro.

Vazamento global

A Appleby é uma das maiores empresas de criação de offshores do mundo. Conta com dez escritórios espalhados pelo globo, e cerca de 200 advogados para atender aos clientes. 

O vazamento deste domingo traz dados sobre milhares de pessoas - aparecem nos arquivos 31.180 endereços nos Estados Unidos, 14.434 no Reino Unido e 5.924 na China, por exemplo.

A investigação também encontrou offshores relacionadas a pessoas próximas ao presidente dos Estados Unidos, o republicano Donald Trump. 

Entre os citados estão o secretário de Comércio, Wilbur Ross.


segunda-feira, 20 de março de 2017

Escândalo da carne adulterada agita mercados e cria tensão no Brasil

Escândalo da carne adulterada agita mercados e cria tensão no Brasil
Postado em 21/03/2017 01:55
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China, Chile e União Europeia (UE) fecharam nesta segunda-feira, total ou parcialmente, seus mercados às carnes brasileiras, após a revelação de suspeitas de produtos adulterados para o consumo humano em 21 frigoríficos.

As denúncias atingem em cheio a JBS e BRF, dois gigantes do setor no país, primeiro exportador mundial de carne de boi e de frango, que luta para sair de dois anos de recessão.

Também colocaram sob tensão a relação do Brasil com alguns de seus sócios comerciais, começando pelo Chile, contra quem ameaçou retaliações em caso de fechamento total do mercado.

"Esperamos que mais de 30 países questionem o Brasil por este assunto",  disse  o  ministro  da  Agricultura, Blairo Maggi, em -coletiva de imprensa em Brasília.

Mas se todos impedirem a entrada das carnes, será "um desastre" para o Brasil, admitiu.

Maggi destacou que os funcionários brasileiros estavam explicando aos importadores que a denúncia da Polícia Federal sobre o comércio de produtos vencidos ou em mal estado de conservação supostamente adulterados, em alguns casos com ácido, está restrita "a 21 plantas", cujas atividades de exportação já foram suspensas.

A investigação mostrou uma trama em que inspetores sanitários teriam recebido propina dos frigoríficos para autorizar a venda de alimentos sem condição de consumo. Mais de 30 pessoas foram detidas e três dos 21 frigoríficos investigados estão fechados temporariamente.

O caso potencializou a crise de credibilidade vivida pelo país desde a Operação Lava Jato.

A China - segundo comprador de carne de boi e de frango do Brasil - freou a entrada deste produto, à espera de explicações sobre o caso.

"Até receber as informações, a China não desembarcará as carnes importadas do Brasil", publicou o Ministério da Agricultura em seu site.

"O escândalo da carne pode ser a última ameaça para a recuperação do Brasil", resumiu a consultora Capital Economics em nota.
Advertência ao Chile

O Chile, sexto importador de carne vermelha brasileira, decretou um bloqueio temporário.

"O Ministério da Agricultura do Chile declara, a partir desta data, o fechamento temporário do mercado chileno a todo tipo de carne proveniente do Brasil", informou a embaixada em Brasília, citando o ministro da Agricultura, Carlos Furche.

Maggi advertiu que se o país não restringir o veto às 21 plantas investigadas, poderá haver "uma reação mais forte" do Brasil, e assegurou que já obteve o aval do presidente Michel Temer."Nós somos grande importadores de produtos do Chile - peixes, frutas - e os produtores brasileiros vivem reclamando que deveríamos criar barreiras", acrescentou o ministro.

"O comércio é assim, não tem só bonzinho. Comércio tem que ser feito na cotovelada e se eu tiver que ter uma reação mais forte com o Chile eu terei".Furche reagiu às declarações de Maggi declarando que o Chile não vai atuar "em função de ameaças".

"Para poder tomar decisões necessitamos de informações e é o que estamos solicitando às autoridades do Brasil, porque nosso interesse é normalizar o comércio, mas normalizar o comércio cuidando dos consumidores chilenos".

Carne Fraca
A Coreia do Sul, que havia suspenso a distribuição de frangos já importados para "verificar a qualidade da mercadoria", cancelou a medida na manhã desta terça-feira, após verificar que as aves procedentes do Brasil estão em bom estado.

A União Europeia (UE), por sua vez, pediu ao Brasil "que elimine de imediato todos os estabelecimentos envolvidos no escândalo da lista aprovada pela UE", disse o porta-voz da Comissão Europeia, Enrico Brivio.

A investigação chamada "Carne Fraca" coincide com os esforços para acelerar o acordo de livre-comércio entre o Mercosul (Argentina, Brasil,  -Paraguai e Uruguai) e a UE, que tem no setor alimentício uma de suas maiores tensões.

O governo alegou que apenas 21 das 4.837 plantas que operam no país estão sob suspeita e que somente seis realizaram exportações nos últimos 60 dias.

Temer afirmou no domingo que "a maneira como se deu a notícia pode ter criado uma preocupação muito grande" e convidou um grupo diplomático para ir a uma churrascaria em Brasília.

As imagens do presidente comendo com entusiasmo pedaços  de  carne estamparam os jornais.

Competência
Com a economia em queda e o desemprego afetando 13 milhões de brasileiros, uma crise na produção de carne é a última coisa que o país necessita.

A indústria faturou mais de 13 bilhões de dólares em 2016 e emprega direta ou indiretamente seis milhões de pessoas. Em 2016, as exportações de carne de frango superaram os 5,9 bilhões de dólares e as de carne bovina chegaram a 4,3 bilhões, segundo dados do Ministério de Desenvolvimento e Comércio Exterior (MDIC).

O setor frigorífico e os exportadores de carnes alertaram que colocar em xeque a qualidade dos produtos brasileiros favorecerá a concorrência.